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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Ode to Minas Gerais

There's a place you must go
To escape from madness, you know.
Very far from the Big Apple and L.A.
And its cuisine is advanced light years away.

Look for a place called M.G,
After that experience you'll thank me.
In M.G, Brazil, you'll have lots of fun,
It's a place you'll relax, never run.

Try the Central Market in B.H.
After that experience, thank me, mate!
People from M.G. have the best will,
Thank God I was born in Brazil.


Renan, 26/jan/2026.



Belo Horizonte, MG, Brazil.


O vale do Deserto

Egito, janeiro de 2024.





















Erguem-se da areia altos 
Monumentos belos, vastos,
Antigamente ocultos 
Pelo mar calmo, sem vultos.

O deserto milenar 
Esconde restos do mar,
Apresenta a sua história;
Cálcio e calcário: memória!

Sob o Astro Rei aquece,
Infinito ele parece,
Por muito tempo esculpida: 
Essa é a visão de uma vida!


Renan, 26 de janeiro de 2026.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Poema do Dia da Água

A água fez surgir a vida na Terra,
Explica a Ciência e ela não erra.

Já parou pra pensar
Que tudo depende da água e do ar?

O rio Nilo com seu agito
Fez surgir a vida no Egito.

Os rios carregam histórias
Com importantes memórias.

O rio Tigre no Iraque
E também o Eufrates.

Do Tibre em Roma
Ao rio Amazonas.

Do Tejo em Portugal
Ao Rio Senegal.

A água é um substantivo,
Mas vários verbos existem por isso.

O verbo beber,
A ação de chover
E o próprio viver.

Água para irrigar e plantar,
Água para batizar.

Água para lavar e limpar,
Águas para navegar.

Vamos poupar,
Nunca desperdiçar.



Poema dedicado às minhas turmas dos 6º anos.

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

As rainhas mais poderosas do Egito

Obs: Os nomes de rainhas, faraós e deuses egípcios possuem variações na escrita. Algumas mais tradicionais na transliteração dos hieróglifos, outras mais aportuguesadas e contemporâneas. Nesta postagem usarei [sem aviso] todas as variações de nomes que encontrei. Então, por exemplo, o nome Ankhesenamun pode ser visto também como Anksenamon e Anquesenamon. As três variações do nome se referem à mesma rainha. As traduções dos nomes aparecerão entre aspas ou entre colchetes [ ].


Templo mortuário de Hatshepsut - próximo ao Vale dos Reis











Hatshepsut








"A mais importante das damas nobres" governou o Egito sozinha, sendo talvez a primeira governante da História. Construiu um dos mais belos templos mortuários do mundo, até hoje bem conservado.



Nefertiti











"A bela chegou" governou com o faraó Aquenáton e também reinou após a morte deste. O casal implementou um culto monoteísta no Egito, adorando apenas o deus sol: Aton.



Ankhesenamun

Tutankamon e Anksenamon















Era filha de Aquenaton e Nefertiti. O faraó Tutancâmon [Imagem viva de Amon] e sua esposa Anquesenamon [Vive pelo deus Amon] restauraram o politeísmo tradicional do Egito antigo. Após o falecimento do marido, ela tentou em vão uma aliança com os hititas.




Cleópatra VII Thea Philopatur












Rainha de linhagem macedônica, governou o Egito ao lado do ditador romano Júlio César. Após o assassinato deste, aliou-se ao general romano Marco Antônio. Na visão dos romanos, o casal ostentou luxo, festas extravagantes e sonhos proibidos. Esse poder sucumbiu diante do recém-nascido Império Romano. Seu nome, traduzido do grego, significa "Filha do pai, a sétima, deusa amada pelo pai".

Mais detalhes na postagem: https://interludico.blogspot.com/2022/04/antigo-egito.html



Curiosidade: a cidade de Memphis [Tennessee, Estados Unidos] tem seu nome inspirado na primeira capital do Egito antigo, que era Memphis, hoje um museu a céu aberto próximo de Cairo, a atual capital do Egito.



Pirâmide moderna na cidade de Memphis, nos Estados Unidos


sábado, 16 de março de 2024

Horácio, ode 4.10

 Ode nº 10 do 4º livro de odes de Horácio


Tu até agora cruel e poderoso com os dons de Vênus!

Quando os pelos sobreviverem à tua arrogância;

e os cabelos, que te esvoaçam agora nos ombros, caírem;

e a cor que agora supera a da flor da rosa purpúrea 

virar uma bochecha peluda, mudado,

dirás lamentos, quando vires, alterado no espelho:

"Por que não tinha eu, quando rapaz, a mente que tenho hoje?

Ou por que não regressam a este senhor as minhas faces lisas?"


Tradução do latim: Frederico Lourenço;
Adaptado por Renan, blog Interlúdico.


CARPE.DIEM.QVAM.MINIMVM.CREDVLA.POSTERO

detalhe em pintura de Caravaggio


sexta-feira, 5 de maio de 2023

Dia Mundial da Língua Portuguesa

Ainda que eu falasse a língua de Homero
E falasse a língua de Horácio,
Sem a última flor do Lácio
Eu nada seria.

Ainda que eu falasse a língua dos gauleses
E falasse a língua dos anglo-saxões,
Sem a língua de Camões
Eu nada seria.

Ainda que eu falasse a língua de Dante
E falasse a língua de Cervantes,
Sem a língua dos Mutantes 
Eu nada seria.

Renan


05 de maio,
Dia Mundial da Língua Portuguesa.

"Minha pátria é a língua portuguesa"
(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Because (The Beatles) – Tradução


Segue a tradução [adaptação] correta para a língua portuguesa:

 

Por causa do mundo redondo, eu fico ereto.
Por causa das curvas do mundo.
 
Por causa do vento entorpecente, eu fico de queixo caído.
Por causa do vento forte e entorpecente.

Amor antigo, novo amor.
Amor é tudo, você é o amor.

Por causa do céu cinza, eu me lamento.
Por causa do céu cinza e triste.
 

Traduzir essa poesia ao pé da letra não faria sentido em português. Por isso fiz diversas adaptações para que o poema soasse como se tivesse sido composto originalmente em português.

Considerei o significado de cada expressão idiomática, a biografia do autor e seu estilo literário.

Dica para a interpretação: basicamente, o eu lírico está dizendo que “o mundo dá voltas”.

Contexto: John Lennon, compositor da canção, tinha se divorciado e estava no início de um novo casamento.

 

A música foi inspirada na “Sonata ao Luar” de Beethoven.

“Because” começa com um cravo elétrico, tocado pelo produtor George Martin, seguido de uma guitarra tocada por John ou George. O baixo de Paul McCartney entra junto com os vocais. O solo é feito num sintetizador.

O vocal tem um estilo de coral eclesiástico, lembrando um pouco o canto gregoriano. John Lennon canta no tom médio, George Harrison faz o tom mais baixo e Paul McCartney canta no tom mais agudo. Cada voz é triplicada, dando a impressão de serem 9 vozes.







Ouça a canção no primeiro vídeo. E no vídeo acima, um especialista explica o trabalho de Lennon para fazer a Sonata de Beethoven se tornar "Because". Ele também dá preciosas dicas sobre os jogos de palavra da letra. That video will blow your mind!

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Poema de improviso

Poema que fiz em alguns segundos, ao final de uma aula.
Dedicado ao poeta Fernando Pessoa.

 
















O poema acima é um acróstico com o sobrenome do poeta português e, intencionalmente, resume algumas características que Pessoa apresentava em seus diversos heterônimos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Soneto dos pensadores livres

 
A psicologia do egoísmo
É simples mania de narcisismo.
Egoísmo racional é ilusão
Que em nada tem a ver com a Razão.
 
A verdadeira sabedoria,
Contrária ao ego e à anarquia,
É construída coletivamente,
Libertando-nos individualmente.
 
O livre pensador só pode viver
Quando não carrega o duro pesar
De nos ombros o mundo sustentar.
 
E livre este mundo só pode ser
Se pensadores livres caminharem
Sem egoístas que os amarrem.


 
Renan, agosto de 2022.

sexta-feira, 10 de junho de 2022

CARPE DIEM

Aproveite o dia,
não deixe que ele termine sem ter crescido um pouco.
 
Não deixe de crer que as palavras e poesias podem mudar o mundo.

Valorize a beleza das coisas simples.
Se pode fazer poesia bela, colha do dia a sua inspiração.
 
Ainda que o vento sopre contra,
tudo sempre passa
e a experiência nos faz mais fortes.

Pense que em ti está o futuro
e encara a tarefa com orgulho!

Aprenda com os livros e com quem pode ensinar
as experiências daqueles que nos precederam.

Não permita que a vida se passe sem tê-la vivido.
 
 

Adaptado* de Walter Whitman (1819 – 1892)

*Renan, 2022.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Soneto de uma terça quente

O que há em mim sobretudo é o calor
E como distração só me resta compor.
Pouco importa sentir-se cansado,
Pior ainda é sentir-me suado. 

Que falta faz um ar condicionado,
Esse mormaço me deixa irritado!
Como pode alguém nesse inferno escrever
Com o cérebro que está prestes a ferver?

Amor é fogo que arde sem se ver,
Mas hoje está ardendo pra valer!
Quero ver o sol se afogando no mar

Na esperança desse calor dissipar;
Só posso pensar numa coisa e mais nada:
Alguém topa, na terça, uma breja gelada?




Escrito no interior de um ônibus, numa tarde muito quente!

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Dois poemas geniais de Camões

Ao Desconcerto do Mundo
 
Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
 
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o Mundo concertado.


Vocabulário:
desconcerto = desordem.



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
 
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.


Vocabulário:
afora = além de.
mor = maior.
soía = pretérito imperfeito do verbo soer [soer = como de costume].


Luís Vaz de Camões  (século XVI)


Estátua na Praça Camões em Lisboa - Portugal.


terça-feira, 28 de julho de 2020

A menor mulher do mundo (análise)


O conto “A menor mulher do mundo” de Clarice Lispector é marcado pela alteridade, no sentido do estranhamento em relação ao outro.

Cada personagem dessa narrativa é tomada por um sentimento diferente ao se deparar com a fotografia de uma mulher pigmeia: aflição, ternura, identificação, dó, adoção, rejeição e outra a vê como um brinquedo.

Em parte dessas reações há uma pequena empatia e de outra parte existe a coisificação e a animalização [desumanização] daquela mulher: “é tristeza de bicho, não é tristeza humana”. ¹

A personagem do explorador, por sua vez, sente mal-estar ao ver a pigmeia rindo, desconhecendo a razão daquele riso e incrédulo da capacidade dela de rir.

Essas reações provenientes de uma classe média branca urbanizada a uma pequenina mulher negra de uma tribo de pigmeus demonstram a alteridade que se manifesta no contato com outros modos de existência, aparência e origem.


¹ LISPECTOR, Clarice. Laços de família: contos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983.

sábado, 27 de junho de 2020

Alunas premiadas em concurso literário

Esta é uma notícia de 2019, quando duas de minhas alunas foram premiadas num concurso literário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), na categoria poesia.

Ambas cursavam o 9º ano do ensino fundamental.

Primeiramente, divulguei o concurso entre todos os meus alunos. Em seguida, fiz um longo trabalho com as turmas em sala de aula para preparar as produções. Isso envolveu desde leitura e compreensão de textos poéticos até oficinas práticas de metrificação, além de aulas e exercícios sobre figuras de estilo como assoância e aliteração.

Depois que cada estudante escreveu sua produção individual, fiz as revisões ou observações e incentivei a se inscrevessem no concurso.

Juntamente com a escola, possibilitamos aos nossos alunos uma visita à Feira Literária da Ufes naquele ano.

O estudo, a dedicação, o esforço de escrever e reescrever; em suma, todo o empenho dessas meninas foi merecidamente recompensado. Isso as define como dois talentos promissores. E em seus currículos, para sempre, haverá a menção a um prêmio literário conquistado aos 15 anos de idade, quando concorreram com estudantes de todo o estado e de várias faixas etárias.

Que isso sirva de estímulo a todos os estudantes. Participar com empenho é, em si, um aprendizado para toda a vida e isso já é uma vitória. Essas alunas são vitoriosas não só no concurso literário, mas em tudo o que elas aprenderam e desenvolveram nesse trabalho. Por seus próprios méritos, elas se colocaram em posição de destaque. Se em suas jornadas estudantis persistirem nesse caminho, serão também vitoriosas na vida.

Segue link da matéria:
http://serra.es.gov.br/noticias/alunas-da-serra-sao-premiadas-em-concurso-literario-capixaba


domingo, 24 de maio de 2020

Glauco Mattoso: Poesia na Pandemia


O poeta Glauco Mattoso está produzindo livros eletrônicos e disponibilizando-os gratuitamente para leitura online. O livro abaixo traz muitos poemas sobre: a pandemia do coronavírus, política, memes e outros temas atuais. Foi publicado em 4 de maio. Segue o link:



Com quase 69 anos e sofrendo de insônia, escreve compulsivamente, entre intervalos de 2 horas de sono.

Características do poeta: é recordista mundial de composição e publicação de sonetos. Já ultrapassou a marca de 6 mil e tantos, enquanto o 2º lugar tem 2.279. Porém, alguns sonetos glauconianos foram compostos com estrutura 4-4-4-4, e não 4-4-3-3. Também é tradutor, contista, letrista de música etc. É autor do Dicionarinho do Palavrão & Correlatos inglês-português/português-inglês.

Seu pseudônimo é um trocadilho com "glaucomatoso", termo usado para os que sofrem de glaucoma, doença que o fez perder progressivamente a visão, até a cegueira total aos 44 anos de idade. Suas iniciais GM também remetem ao poeta Gregório de Matos, de quem se considera herdeiro no SARCASMO. (Fonte: Wikipédia - Glauco Mattoso).

Hoje ele usa um computador que fala e até soletra. Assim escreve seus sonetos, letra por letra. Glauco Mattoso usa uma ortografia que emula o português renascentista, camoniano.

Porém, se na ortografia e estrutura poética ele é tradicional, o mesmo não acontece na sua temática. São recorrentes o erotismo explícito e o uso de termos escatológicos [excrementos do corpo], como o era em Bocage; mas é dissonante daquele poeta ao trazer o sadomasoquismo, a masturbação, a podofilia [fetiche por pés], a bissexualidade etc.

Essa antítese entre formato clássico e linguagem cáustica, os neologismos, a temática autobiográfica e o modo como ele se coloca intimamente no texto fazem deste poeta um exemplo único no mundo literário. Portanto, eu fortemente recomendo que o conheçam e leiam... mas advirto: ele vai provocar [até chocar] o leitor!


PS: é bom lembrar a moralistas, haters e "guardiões do politicamente correto" que, quando se trata de arte, não somos obrigados a concordar com o artista. O papel dele é ser artista e poder se expressar livremente, já o espectador é livre para ver, ouvir, ler ou não. Os críticos literários, por sua vez, também não precisam concordar com opiniões e ideologias do autor; mas devem saber identificar o valor artístico de seus escritos.

Glauco Mattoso, o Tirésias satírico.




segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Supertramp - Logical Song (tradução)




Canção Lógica (The Logical Song)

Quando eu era jovem
Parecia que a vida era maravilhosa
Um milagre
Ah era tão bonita, mágica.

E todos os pássaros nas árvores
Cantavam tão felizes
Ah, alegres
Brincalhões, eles me observavam.

Mas depois eles me mandaram sair dali
Para me ensinar a ser sensato,
Lógico,
Ah responsável, prático.

E me mostraram um mundo
Onde eu poderia ser muito confiável,
Ah, clínico
Ah, intelectual, cínico.

Há momentos quando todo o mundo dorme
E os questionamentos são tão profundos
Para um homem tão simples.
Você não vai, por favor, me dizer o que aprendemos?
Eu sei que parece absurdo
Mas por favor, diga-me quem sou eu

Agora cuidado com o que você diz
Ou eles vão te chamar de radical,
Um liberal
Ah, fanático, criminoso.

Ah, por que você não assina o seu nome?
Gostaríamos de ver que você é aceitável,
Respeitável,
Ah, apresentável, um vegetal.

Durante a noite quando todo o mundo dorme
Os questionamentos são tão profundos
Para um homem tão simples
Por favor (você não me dirá?)
Por favor diga-me o que aprendemos (consegue me ouvir?)
Eu sei que parece absurdo
Mas por favor diga-me quem sou eu

Quem sou eu
Quem sou eu
Quem sou eu

(Pois me sinto tão ilógico
D-d-digital
Um, dois, três, quatro, cinco
Oh oh oh oh
Inacreditável
Incrivelmente maravilhoso).

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Dica de leitura: POESIA!

Sempre digo a todos os meus alunos que a leitura de poesia aprimora muito a nossa capacidade de entendimento de qualquer tipo de texto, aprimora também o pensamento e desenvolve consideravelmente a nossa capacidade de relacionar informações, de ter ideias criativas e articular estruturas linguísticas mais complexas e profundas, além de desenvolver o senso crítico.

Quem já é iniciado na arte de ler, interpretar e analisar poemas, sabe do que estou falando. Mas esta postagem é dedicada especialmente àqueles que querem desenvolver esse tipo de conhecimento. Por isso, listo abaixo alguns autores e obras que considero recomendáveis para inciar essa jornada.

O mais importante é persistir! É claro que no primeiro dia haverá um estranhamento do leitor com esse tipo de texto. Mas continue lendo! Leia o mesmo poema quantas vezes for necessário, mesmo que você ache que o texto não faz sentido ou pense: "Eu não estou entendendo nada". No segundo dia, após descansar a mente, garanto que será mais fácil digerir as ideias daquele texto. Após 3 meses, provavelmente, você já notará grande melhora na sua capacidade de compreender e analisar textos (de qualquer tipo) no seu dia a dia.

Segue  a lista >

Poesia: autores/obras
Vinícius de Moraes - O operário em construção;
Bertolt Brecht - Se os tubarões fossem homens;
Fernando Pessoa - Mar português;
Charles Baudelaire - Os olhos dos pobres;
Percy Bysshe Shelley - Ozymandias;
Mário Quintana - obra completa;
Gonçalves Dias - obra completa, incluindo I-Juca Pirama;
Augusto dos Anjos - Eu e outras poesias (obra completa);
Castro Alves - obra completa;
Manuel Maria B. du Bocage - obra completa, incluindo poemas satíricos e eróticos;
Fernando Pessoa (heterônio Bernado Soares): Livro do desassossego.

Letras de música
Legião Urbana - Eduardo e Mônica (só para começar);
Cazuza - todas;
Raul Seixas - todas;
John Lennon - todas;
The Smiths - todas.

Por fim, saindo um pouco do campo poético, recomendo uma obra de teatro cheia de mistério, suspense, revelações e surpresas:
Sófocles - Édipo Rei. 

Boa leitura!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Bob Dylan - Nobel de Literatura 2016

O cantor e compositor americano Bob Dylan é o eleito para o prêmio Nobel de Literatura 2016. Isso soou estranho para alguns, surpresa para outros, e não faltaram críticas do tipo "Ele deveria receber um Grammy". Este prêmio ele também já possui, dentre vários outros.

Dylan mereceu? Dada a importância de suas letras, Sim! Uma prova disso é que a revista Rolling Stone elegeu uma de suas músicas como a mais importante de todos os tempos. A música é "Like a rolling stone". E quando Dylan foi introduzido ao Rock and Roll Hall of Fame, Bruce Stringsteen disse: "Elvis libertou seu corpo, Dylan libertou sua mente.".

O documentário "No direction home" de Martin Scorsese traça a vida do cantor em seus primeiros anos de carreira e mostra o impacto que Dylan causou na música folk e pop.

Outro argumento a favor de Dylan é a influência que ele foi para importantes artistas e bandas de rock. Cito apenas uma: The Beatles.

E as letras de música podem ser consideradas poesia/literatura? A resposta é Sim! Desde a Grécia Antiga, o hino, a ode, o epinício, a elegia, o ditirambo etc e na Idade Média a canção, a cantiga (trovadora), a balada, o madrigal, o rondó etc eram todas formas de poesia cantada. Daí essas formas poemáticas serem agrupadas e categorizadas na Teoria Literária como sendo formas líricas. Até mesmo no nome elas têm relação com a música: ode (canto, em grego), soneto (sonzinho, em italiano), hino, cantiga, canção etc.

Após o anúncio da premiação, Dylan foi acusado de ser arrogante, por ter se mantido em silêncio. Mas o prêmio era pela sua contribuição que "criou novas expressões poéticas dentro da grande tradição musical americana". Ou seja, não era um prêmio para "cantor/compositor mais simpático".

Mas sempre há os críticos com aqueles argumentos do tipo: "há tantos escritores por aí que mereciam". Sim, há. Todos eles provavelmente merecem. Mas vejo essa premiação como um importante e definitivo reconhecimento de que as letras de música pop, folk e rock têm valor poético. Ou ainda, de que a letra de música é poesia (como sempre o foi, desde a tradição grega). 

Pessoalmente, se fosse pelas letras de músicas eu teria elegido John Lennon ou Morrissey (The Smiths). Mas Morrissey começou nos anos 80, quando todas as maiores revoluções já tinham acabado, e Lennon só começou a apresentar letras realmente interessantes a partir de 1965 com a música "Help", e depois gradualmente no álbum Rubber Soul (1965), mais ainda em Revolver (1966), Sgt. Peppers (1967), a música "All You Need is Love" (mesmo ano), "Revolution" (68) e assim por diante até por toda sua carreira solo (1970-80). Dylan começou a ser diferente e a chocar o mundo um pouco antes, já em 63 com "Blowin in the wind" e mais ainda em 65 com "Like a rolling stone". Por isso, ele é o cara! Sua poesia de protesto, influenciada pela literatura beat e a música folk são os elementos que o fizeram ser reconhecido, admirado, seguido e copiado.

Se Dylan aceitará o prêmio, isso já é outras história. O filósofo Jean-Paul Sartre, vencedor do Nobel, o recusou. E o poeta brasileiro Carlos Dummond de Andrade desencorajou sua candidatura. Talvez Dylan seja desses. Afinal, dinheiro, prêmios e reconhecimento pelo seu talento são coisas que não lhe faltam. Humildade, simpatia, essas coisas talvez sim. Mas nossa sociedade sempre premiou o talento, o mérito, não a humildade e a simpatia (pelo menos não com um prêmio no valor de quase 1 milhão de dólares). 

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Ozymandias

Ao vir de antiga terra, disse-me um viajante,
Duas pernas de pedra, enormes e sem corpo,
Acham-se no deserto. E jaz, pouco distante,
Afundando na areia, um rosto já quebrado,
de lábio desdenhoso, olhar frio e arrogante
Mostra esse aspecto que o escultor bem conhecia.
Quantas paixões lá sobrevivem nos fragmentos,
À mão que as imitava e ao peito que as nutria!
No pedestal estas palavras notareis:
"Meu nome é Ozimândias, e sou Rei dos Reis
Desesperai, ó Grandes, vendo as minhas obras!"
Nada subsiste ali. Em torno à derrocada
Da ruína colossal, areia ilimitada
Se estende ao longe, rasa, nua, abandonada.


Percy Bysshe Shelley, 1818.
Tradução de Eugênio da Silva Ramos.

Comentário:
No poema vemos um exemplo de efemeridade: o tempo a tudo corrói, destrói, derruba, leva consigo... Até mesmo a pretensa "divindade" do Faraó Ozimândias (Ramsés II) cujo império e poder foram consumidos pelas areias do tempo.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Namoradinha*

Quando era criança
Tinha uma namoradinha,
Ou melhor,
Namorvizinha.

Morava na casa ao lado.
Mas o pai dela...
Era uma onça!
Eu sou Mendonça.

Namorávamos então por telefone de latinha,
Lá tinha!
Isso no tempo do onça.

Hoje, menos criança,
Tenho uma namorada que é uma onça.


In memoriam: Que haja justiça para a onça das Olimpíadas.














* Paródia do poema "A namorada" de Manoel de Barros,
Escrito com tristeza pela barbárie contra um animal tão lindo e inspirador,
Mas a namorada brava e linda que me suporta nos momentos tristes
Inspira-me a escrever com leveza e humor.