quarta-feira, 14 de setembro de 2022
segunda-feira, 3 de maio de 2021
E se a língua portuguesa desaparecesse?
o professor de Língua Portuguesa seria obsoleto?
Obviamente, a língua portuguesa [hoje entre os 5 ou 8 idiomas mais falados do mundo como língua nativa] não vai desaparecer. Mas proponho um exercício de imaginação, um cenário ficcional, similar a algumas narrativas de ficção científica ou do conto fantástico, para ilustrar um fato importante.
Poderia usar de uma alegoria para
isso, como o fez Platão com a caverna, mas a maioria das pessoas hoje absorve pouco de
leituras filosóficas e literárias. Aliás, o mundo carece de leitores. Então serei didático, direto, claro e sem
criatividade.
É evidente que
existem professores e Professores. Em toda área, campo de estudo e profissão
existe essa divisão. Mas tomo aqui o termo Professor de Língua
Portuguesa como um ideal, com base no currículo do curso de Letras que prepara esse profissional para atuar com relevância e competência. E felizmente, isso se aplica aos profissionais de hoje no mercado, em sua
maioria.
Se a língua portuguesa desaparecesse do mundo, a exemplo do que a acontece no filme Yesterday [quando a existência dos Beatles é apagada da história] o professor de Língua Portuguesa seria obsoleto? A resposta é não.
O Professor de Língua Portuguesa não é apenas um professor de língua portuguesa. Esse profissional, com a devida formação acadêmica, é um sujeito essencial na formação e desenvolvimento da sociedade como um todo.
Então, se a língua portuguesa desaparecesse do mundo, como por um passe de mágica, ainda sobraria muita coisa para o Profissional de Letras fazer. Em qualquer outro idioma, ele ainda seria a autoridade:
- Do
entendimento científico da estrutura da linguagem, da formação do raciocínio e
de sua expressão verbal e não verbal, oral e escrita;
- De todos
os ramos da Linguística, desde registros históricos - importantes para o campo
da tradução - até a compreensão atual e de perspectivas para o futuro dos idiomas e de seu entendimento;
- Da
história da Literatura, das teorias literárias e de interpretação textual e,
portanto, da compreensão dos aspectos explícitos e também simbólicos mais importantes da nossa
sociedade.
Em resumo, sem esse profissional o mundo mal compreenderia a si mesmo. O conhecimento que ele traz ultrapassa os limites do idioma, são conhecimentos válidos para todas as sociedades.
Vai muito, MUITO além de saber escrever corretamente e de se fazer compreender. Diz respeito ao pensamento, sua forma e estrutura; a entender o passado da humanidade e analisar cada aspecto de uma matéria-prima chamada LINGUAGEM, da qual todo campo de estudo e área de trabalho dependem no presente e dependerão no futuro. Sempre!
Se você entendeu isso ou já sabia disso, você entendeu o óbvio, e está de parabéns por entender o que hoje em dia poucos entendem.
Se você ainda não entendeu, isso mostra o quanto você e outros como você precisam de um Profissional de Letras.
Desculpe-me se soei arrogante nessa última parte, não foi minha intenção. Mas do nosso ponto de vista, como Professores, a arrogância vem de uma parte da sociedade que não reconhece o valor e importância desse Professor que leva a criancinha ao mundo adulto; inserindo cada indivíduo no mundo das Letras, dos símbolos, da significação, da abstração, do raciocínio, do conhecimento, do entendimento de si próprio e do mundo que o cerca. Sem isso, as relações humanas se tornariam impossíveis, ou no melhor dos cenários, caótica.
quarta-feira, 20 de março de 2019
Cuidado com a língua!
Não se deve ensinar o aluno do ensino fundamental a ser um crítico sem conteúdo, um questionador de tudo, ao contrário, ele deve ser ensinado a abraçar a oportunidade que lhe está sendo ofertada. A educação é o bem mais valioso de que ele pode dispor para ampliar seus horizontes. E se ficarmos apenas nessa de "valorizar o contexto social do aluno" ele não terá a chance de conhecer novos horizontes, novas oportunidades, outras realidades, mas ficará preso apenas a aquela realidade e contexto social que ele já conhece.
Deve-se ensinar o aluno a pensar, a refletir sobre um texto. Mas as reflexões devem ser orientadas e guiadas pelo professor baseando-se em valores humanos universais. O pensamento crítico individual só virá com a idade e a maturidade, mas após um longo percurso de letramento (com gramática tradicional, muita leitura, muita produção de texto, muita correção e revisão). Não na infância, não na adolescência, o pensamento crítico tem seu lugar na vida adulta, cidadã, totalmente responsável por seus atos. E, reitero, após um longo e árduo processo de letramento (a educação não tem que ser lúdica todo o tempo, ela necessita de trabalho árduo e dedicação do estudante).
Esse último parágrafo levanta outras questões que vão além da sala de aula.
Um celular com câmera, gravador de voz e acesso à internet e com tudo de ruim que a internet pode oferecer, desde redes sociais até pornografia e violência, é muito poder e responsabilidade na mão de uma criança ou adolescente que ainda desconhece noções mínimas de responsabilidade. Obviamente o celular com jogos violentos e coloridos lhes parece mais atrativo do que a aula chata de gramática normativa, ou exercícios matemáticos ou textos de qualquer disciplina curricular, o que demandaria a eles concentração e trabalho árduo.
Outra questão a ser levantada é a infantilização de crianças e jovens em nossa sociedade. Há um fetiche brasileiro pela infância risonha e irresponsável. Essa corrente luta contra uma infância proveitosa, responsável, estudiosa e séria. No senso comum, a infância é uma época de alegrias e brincadeiras apenas, sem traumas, sem conflitos. Mas isso nunca foi verdade! A infância é a época mais marcante para traumas e sonhos, é a época mais biologicamente eficaz para estimular a criação de uma sociedade cidadã e responsável ou para se criar rebeldes que não se adequam à vida em conjunto. Porém, defender a ideia de que a criança deve ter tarefas, deve ser responsável e séria se tornou uma afronta para alguns "pais e teóricos da educação".
Esses pais e teóricos deveriam pensar o seguinte: "Se não fossem por aqueles pai e mãe presentes, se não fossem por aqueles professores rígidos, se não fossem todas aquelas cobranças, se não fosse o ensino tradicional de conteúdos curriculares, onde eu estaria agora?". Eles devem parar de levar seus traumas infantis para as reuniões de pais ou para seus artigos acadêmicos e pensar no bem que a rigidez, disciplina e cobrança fizeram a eles próprios. Não cobrar é o mesmo que abandonar o aluno ao próprio destino.
Reitero: o ensino pode até ser lúdico algumas vezes, mas jamais pode dispensar a rigidez, o trabalho árduo, a disciplina comportamental e a cobrança. Os conteúdos curriculares básicos e fundamentais nem sempre são atraentes, mas não são dispensáveis. A tabuada, a conjugação de verbos, a linha do tempo de fatos históricos, a memorização de mapas, entre outros, são conteúdos que os alunos devem ter na ponta da língua antes de se pensar em ensinar a eles o "pensamento crítico".
E o cuidado com a língua nunca é demais. Se isso não for levado a sério, daqui a pouco teremos professores de Língua Portuguesa escrevendo "intendi" (entendi), "fraze" (frase) etc; como já vi por aí.
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Discurso, macacos e literatura
terça-feira, 17 de abril de 2012
Etnocentrismo versus Relativismo cultural
Etnocentrismo | Relativismo cultural |
Preconceitos (pré-julgamentos) | Sem juízo de valor |
Imposição da subjetividade (impõe crenças e gostos pessoais) | Busca pela objetividade (tenta ser imparcial) |
Dicotomia: civilização x bárbaros (primitivos) | Não há dicotomia (há empatia pela cultura do outro) |
Pseudocientífico (pesquisa contaminada pela visão parcial) | Científico e filosófico (pesquisa factual, verificável, demonstrável) |
Moralista (senso-comum) | Ética (filosófica) |
Visão dogmática (impondo dogmas pessoais para julgar o outro) | Visão humanista (busca entender, sem julgar os dogmas do outro) |
Impõe a “língua padrão” | Aceita a variação linguística |
Racismo, extremismo, fanatismo e intolerância. | Empatia |
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Ciência versus pseudociência
Ciência | Pseudociência |
Observação ▼ | Observação ▼ |
Hipóteses ▼ | Hipóteses ▼ |
Experimentação ▼ Teoria ▼ (dúvidas, críticas, confrontação) Experimentação ▼ | Não há críticas; Não há confrontação. ▼ |
Lei (pode ser questionada) | Lei |
Ciência | Pseudociência |
Testa e confronta a teoria frequentemente; | Testa a teoria já se sabendo de antemão o resultado; |
Busca fatos e exemplos que confrontem a teoria; | Recusa fatos e exemplos que confrontam a lei; |
Utiliza a experiência para confrontar a teoria; | Adapta a experiência para confirmar a própria teoria; |
Retira da experiência exemplos factuais (verificáveis). | Adapta os exemplos para confirmar a própria teoria/lei. |
Exemplo:
Epistemologia:
sábado, 23 de julho de 2011
Frase para refletir (e refletir muito)
— Mark Twain
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| livro em branco |
Mas quem sabe ler e não lê, vive como se o livro estivesse sempre fechado, ou seja, as palavras escritas também não existem para essa pessoa, logo, o mundo dela não é muito diferente daquele do livro em branco.


