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sábado, 25 de janeiro de 2025

Dicas de músicas

Instrumental

As Quatro Estações (Vivaldi) - obra completa: Primavera, Verão, Outono, Inverno.

Passacaglia (Händel) ao piano

Eine Kleine Nachtmusik (Mozart)

Für Elise (Beethoven) ao piano

Sonata ao Luar [Moonlight Sonata] (Beethoven) ao piano

A Cavalgada das Valquírias [The Ride of Valkyries] (Wagner)

Sonata in Darkness (Michael Giacchino) ao piano - trilha de Batman (2023)


Coral

O Fortuna (Carl Orff) da obra Carmina Burana

Because (The Beatles)


Canto lírico [trechos de óperas]

Vesti la Giubba (Ruggero Leoncavallo) - da opera Pagliacci

Flower Duet (Delibes) - da ópera Lakmé


Vozes incríveis:

Try Just a Little Bit Harder (Janis Joplin)

Piece of my Heart (Janis Joplin)

I Put a Spell on You (Creedence Clearwater Revival)

Oh Darling (The Beatles)

Who's Loving You (Jackson 5)

Miss Misery (Narareth)

Back in Black (AC/DC)

We Will Rock You (Queen)

Take on Me (A-ha)

Girls Just Want to Have Fun (Cindy Lauper)

She's a Mistery to Me (Roy Orbison)

Welcome to the Jungle (Guns n' Roses)

Beyond the Wheel (Soundgarden)

I Will Always Love You (Whitney Houston)

Come as You Are (Nirvana) - Unplugged

Never Loved a Girl (Aerosmith)


Michael Jackson criança, na banda Jackson 5, cantando como adulto:


Em dezembro de 1969 o grupo Jackson 5 liderado pelo pequeno Michael se apresentou no show do Ed Sullivan, o mesmo programa de TV que revelou Os Beatles para o mundo.


Rock das décadas de 1950 e 60

Great Balls of Fire (Jerry Lee Lewis) - 1957

Twist and Shout (The Beatles) - 1963

Oh! Pretty Woman (Roy Orbison) - 1964

She Loves You (The Beatles) - 1964

I Can't Get No Satisfaction (The Rolling Stones) - 1965

Day Tripper (The Beatles) - 1965

Hey Jude (The Beatles) - 1968

Proud Mary (Creedence Clearwater Revival) - 1969

Come Together (The Beatles) - 1969

Here Comes the Sun (The Beatles) - 1969


Rock e pop das décadas de 70, 80 e 90

Cry Baby (Janis Joplin) - Gravado em 1970 e lançado postumamente.

Sultans of Swing (Dire Straits) - 1978

Another Brick in the Wall [part II] (Pink Floyd)- 1979

Still Loving You (Scorpions) - 1984

Sweet Child o' Mine (Guns n' Roses) - 1987

Listen to Your Heart (Roxette) - 1988

Oh Father (Madonna) - 1989

The Unforgiven (Metallica) - 1991

Nirvana Unplugged in New York (Nirvana) - 1994 - álbum completo


Artistas de várias partes do mundo

Portugal: Dulce Pontes

Cuba: Buena Vista Social Club (super grupo)

Estados Unidos: James Brown

Índia: Ravi Shankar (instrumental indiano)

Egito: Amr Diab

Líbano: Marcel Khalife

Mali: Tinariwen (banda de desert blues)

Itália: Laura Pausini

Alemanha: Die Toten Hosen (banda de hard rock)

Flamenco/cigano: Gipsy Kings (banda)


Fusão de estilos

Norwegian Wood (The Beatles) - 1965 = folk + música indiana

Paint it Black (The Rolling Stones) - 1966 = rock + música indiana

Eleanor Rigby (The Beatles) - 1966 = clássico + art rock

Light my Fire (The Doors) - 1967 = rock + jazz

The End (The Doors) - 1967 = art rock + música indiana

Bohemian Rapsody (Queen) - 1975 = rock + ópera

Kashmir (Jimmy Page and Robert Plant) - 1994 = art rock + música egípcia


Artistas brasileiros

Tim Maia

Marisa Monte

Chico Buarque


Obviamente muitas músicas e artistas ficaram de fora, senão a postagem ficaria quase infinita! Não significa que a lista acaba aí. Mas acho que é um ótimo começo. 

A música enriquece a mente! 

E saber ouvir, com a mente aberta e empatia, é uma indispensável virtude!

Os Beatles em Abbey Road (Londres, 1969)


quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Por que os Beatles são eternos

Os maiores compositores de todos os tempos 

As gravações dos Beatles se resumem a um período de apenas 7 anos (1963-1969) com uma média fenomenal de dois álbuns por ano, juntando singles e um álbum duplo. Ou seja, mais ou menos 24 canções inéditas por ano.

Observação:

Na verdade, cada um dos Beatles compunha sozinho, às vezes em dupla, mas a composição em dupla não foi o caso da maioria das canções deles. John e Paul dividiam os royalties (Lennon e McCartney) por causa de um acordo entre eles, mas o verdadeiro autor da música era geralmente apenas um deles (John ou Paul). Às vezes George era o autor solo e muito raramente Ringo. Para saber quem é o verdadeiro autor da canção, basta saber quem é o vocalista principal na gravação. Com raras exceções, essa é a regra que funciona para os Beatles. 


A qualidade dos Beatles como arranjadores e instrumentistas 

Além de excelentes compositores, eram instrumentistas muito bons e arranjadores criativos. Prova disso: compare a versão de "Twist and Shout" dos Beatles com a versão que existia antes, do grupo The Isley Brothers. Os Beatles melhoraram tanto essa canção que todo mundo acha que é uma composição deles. E eles gravaram "Twist and Shout" em um único take, ao vivo no estúdio, com os quatro tocando ao mesmo tempo, além de cantarem ao mesmo tempo. Poucas bandas são capazes de gravar assim. Boa parte da obra dos Beatles foi gravada dessa forma.

Outro exemplo: o show no telhado em 1969. Fica nítido como a banda é boa ao vivo, tanto nos vocais como no instrumental. 


Um exemplo de como os Beatles eram inovadores 

Eles sempre explicavam para o produtor (George Martin) e o engenheiro de gravação como queriam que o som do grupo soasse. Por exemplo, foram os Beatles que tiveram a ideia revolucionária de colocar os microfones perto dos violinos para que na música "Eleanor Rigby" o som do arco fosse captado, e não só o som de ambiente, como era o costume.

 

Comparando os Beatles com outras bandas de rock e artistas pop 

Mesmo tirando o arranjo e a produção, as composições dos Beatles são obras-primas por si só. A maioria das canções deles ainda é lindíssima se for tocada numa versão com apenas voz e violão, ou voz e piano. Essa qualidade de composição é para poucos! 

Nem Led Zeppelin, Queen, Pink Floyd, Michael Jackson, Madonna podem se dar a esse luxo, porque a graça deles é muito dependente do arranjo instrumental. Os Beatles tinham um arranjo bom também, mas não dependiam disso para suas composições serem excelentes.

 

A influência dos Beatles foi contagiante em todos os estilos musicais

Michael Jackson (pop), 
Ozzy Osbourne (vocalista do Black Sabbath), 
Yes (banda ícone do rock progressivo),
Brian May (guitarrista do Queen), 
Aerosmith (hard rock), 
U2 (pop rock), 
Guns n' Roses (hard rock), 
Kurt Cobain (líder do Nirvana), 
Dave Grohl (baterista do Nirvana/ voz e guitarra do Foo Fighters), 
Eddie Vedder (vocalista do Pearl Jam), 
Chris Cornell (vocalista do Soundgarden/Audislave), 
Billie Joe Armstrong (vocal e guitarra do Green Day), 
Tré Cool (bateria do Green Day), 
Flea (baixista do Red Hot Chili Peppers), 
Marisa Monte (mpb),
Renato Russo (líder da Legião Urbana)
etc.

  
Esses são apenas alguns exemplos de uma lista incontável de artistas.

quarta-feira, 22 de maio de 2024

I'm Only Sleeping - tradução

Canção: I'm only sleeping
Autoria: The Beatles
Álbum: Revolver
Ano: 1966

Quando acordo cedo de manhã,
Levanto a cabeça, ainda bocejando.
Quando estou no meio de um sonho.
Fico na cama, flutuando.

Por favor, não me acorde.
Não, não me balance,
Deixe-me onde estou,
Eu estou apenas dormindo.

Todo mundo parece me achar um preguiçoso.
Eu não ligo, acho que eles são loucos!
Correndo por toda parte a tal velocidade
Até eles descobrirem que não há necessidade.

Por favor, não estrague meu dia,
Estou a quilômetros de distância.
E depois de tudo,
Estou apenas dormindo.

De olho no mundo que passa pela minha janela,
Dando um tempo.
Deitado ali e olhando para o teto,
Esperando o sono chegar.



Obs:
A composição é majoritariamente [ou completamente] de John Lennon.

Lembrando que toda tradução é uma traição. O correto é entender o texto no seu idioma original.


Curiosidade:

O solo de guitarra tocado por George Harrison está ao contrário, propositalmente, para criar o efeito que se ouve na música. Ele tocou a sua guitarra normalmente, mas sabendo como a melodia soaria ao contrário. Isso é genial! 




sexta-feira, 12 de abril de 2024

Curiosidades do séc. XX

Algumas datas felizes, outras tristes, em conjunto promovem uma reflexão Histórica sobre a importância do século passado.

O século 20 moldou a tecnologia, a política e as artes como as vemos hoje.


1906 - Há 118 anos o brasileiro Santos Dumont voou pela primeira vez com seu avião, se tornando o pai da aviação.

1912 - Há 112 anos o Titanic afundou no Oceano Atlântico.

1914 - Há 110 anos começava a Primeira Guerra Mundial.

1922 - Há 102 anos: extinção do Império Otomano, descoberta do túmulo do faraó Tutancâmon, formação da União Soviética.

1939 - Há 85 anos o personagem Batman foi criado nos quadrinhos. Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, morre aos 83 anos. No mesmo ano, teve início a Segunda Guerra Mundial.

1940 - Há 84 anos Charles Chaplin lançava o filme "O Grande Ditador" nos cinemas. 

1945 - Há 79 anos chegava ao fim a Segunda Guerra Mundial: a União Soviética conquistou a capital alemã, os EUA lançaram duas bombas atômicas sobre o Japão.

1948 - Há 76 anos Mahatma Gandhi, o líder pacifista, foi assassinado.

1955 - Há 69 anos morreu o físico alemão Albert Einstein.

1956 - Há 68 anos Elvis Presley aparecia na televisão americana pela primeira vez.

1958 - Há 66 anos o Brasil ganhou uma Copa do Mundo de Futebol pela primeira vez.

1963 - Há 61 anos o presidente americano John F. Kennedy foi assassinado.

1964 - Há 60 anos Os Beatles tocavam nos EUA pela primeira vez. Início da "beatlemania" no mundo.

1968 -  Há 56 anos: protestos em Paris, assassinatos de Martin Luther King e do senador Robert Kennedy nos EUA, AI-5 no Brasil.

1969 - Há 55 anos o homem pousou na Lua pela primeira vez. No mesmo ano aconteceu o festival de Woodstock.

1974 - Há 50 anos foi enviada ao espaço a mensagem de Arecibo, por sinal de rádio, contendo informações sobre a Terra e a civilização humana.

1976 - Há 48 anos foi criada a Apple, empresa de tecnologia.

1977 - Há 47 anos foi lançado o primeiro filme da série Rocky de Sylvester Stallone. Ano da morte de Elvis Presley (com 42 anos) e Charles Chaplin (com 88 anos). Também foram lançadas as sondas Voyager 1 e Voyager 2, contendo mensagens da Terra. Ambas são os dois objetos construídos por humanos que estão mais distantes do nosso planeta. E elas podem ficar vagando no espaço por até bilhões de anos.

1980 - Há 44 anos a série Cosmos de Carl Sagan estreava na TV. Ano do assassinado de John Lennon em NYC (ele tinha 40 anos).

1982 - Há 42 anos acontecia a Guerra das Malvinas entre Argentina e Reino Unido.

1983 - Há 41 anos estreou o vídeo de Thriller de Michael Jackson na TV.

1985 - Há 39 anos estreou o filme De Volta Para O Futuro (parte 1).

1990 - Há 34 anos, o telescópio espacial Hubble passa a orbitar a Terra.

1991 - Há 33 anos eram lançados o Black Album (Metallica), Ten (Pearl Jam), Nevermind (Nirvana), Dangerous (Michael Jackson) e o vídeo da música Black or White. A Legião Urbana lançava o seu 5º álbum de estúdio. A banda Iron Maiden lançaria o álbum Fear of the Dark em 1992.

1994 - Há 30 anos: o genocídio em Ruanda.

1997 - Há 27 anos Hong Kong deixou de ser domínio britânico e foi reincorporado à China.

1999 - Há 25 anos Portugal devolve a região de Macau à China, terminando oficialmente o Império Português. No mesmo ano foi lançado o filme Matrix.


Fontes: eu mesmo, com uma ajudinha da Wikipédia.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Because (The Beatles) – Tradução


Segue a tradução [adaptação] correta para a língua portuguesa:

 

Por causa do mundo redondo, eu fico ereto.
Por causa das curvas do mundo.
 
Por causa do vento entorpecente, eu fico de queixo caído.
Por causa do vento forte e entorpecente.

Amor antigo, novo amor.
Amor é tudo, você é o amor.

Por causa do céu cinza, eu me lamento.
Por causa do céu cinza e triste.
 

Traduzir essa poesia ao pé da letra não faria sentido em português. Por isso fiz diversas adaptações para que o poema soasse como se tivesse sido composto originalmente em português.

Considerei o significado de cada expressão idiomática, a biografia do autor e seu estilo literário.

Dica para a interpretação: basicamente, o eu lírico está dizendo que “o mundo dá voltas”.

Contexto: John Lennon, compositor da canção, tinha se divorciado e estava no início de um novo casamento.

 

A música foi inspirada na “Sonata ao Luar” de Beethoven.

“Because” começa com um cravo elétrico, tocado pelo produtor George Martin, seguido de uma guitarra tocada por John ou George. O baixo de Paul McCartney entra junto com os vocais. O solo é feito num sintetizador.

O vocal tem um estilo de coral eclesiástico, lembrando um pouco o canto gregoriano. John Lennon canta no tom médio, George Harrison faz o tom mais baixo e Paul McCartney canta no tom mais agudo. Cada voz é triplicada, dando a impressão de serem 9 vozes.







Ouça a canção no primeiro vídeo. E no vídeo acima, um especialista explica o trabalho de Lennon para fazer a Sonata de Beethoven se tornar "Because". Ele também dá preciosas dicas sobre os jogos de palavra da letra. That video will blow your mind!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Beatles: estatísticas (parte II)

Nesta postagem vou quantificar, com o máximo de precisão possível, quem era o vocalista principal em cada uma das canções gravadas pelos Beatles em seus álbuns de estúdio, desconsiderando compactos.

A seguir, temos o álbum com o ano de seu lançamento, membro da banda e o número de canções em que sua voz predominou.

 

PLEASE PLEASE ME (1963)
John                           8
Paul                           3
George                      2 
Ringo                        1


WITH THE BEATLES (1963)
John                           7
Paul                           3
George                      3 
Ringo                        1


A HARD DAY'S NIGHT (1964)
John                           9
Paul                           3
George                      1 
Ringo                        0


BEATLES FOR SALE (1964)
John                           9
Paul                           3
George                      1 
Ringo                        1


HELP! (1965)
John                           6
Paul                           5
George                      2 
Ringo                        1


RUBBER SOUL (1965)
John                           7
Paul                           4
George                      2 
Ringo                        1


REVOLVER (1966)
John                           5
Paul                           5
George                      3 
Ringo                        1


SGT. PEPPER'S LONELY HEARTS CLUB BAND (1967)
John                           4
Paul                           6
George                      1 
Ringo                        1


MAGICAL MYSTERY TOUR (1967)
John                           4
Paul                           5
George                      1 
Ringo                        0


THE BEATLES (Álbum Branco, 1968)
John                           11
Paul                           12
George                        4 
Ringo                          2


ABBEY ROAD (1969)
John                           6
Paul                           7
George                      2 
Ringo                        1


LET IT BE (Lançado em 1970, mas gravado antes de Abbey Road)
John                           5
Paul                           5
George                      2 
Ringo                        0


Obs: Geralmente, o vocalista principal também era o compositor da canção ou principal compositor.

Exceto no caso de versões [covers] e no caso do Ringo. As composições de Ringo são apenas três: uma em Rubber Soul [com Lennon e McCartney], uma no Álbum Branco e uma no Abbey Road. George tem uma composição no With The Beatles, duas no Help, duas no Rubber Soul, três no Revolver, uma no Sgt Pepper's, uma no Magical Mystery Tour, quatro no Álbum Branco, duas no Abbey Road e duas no Let It Be. As outras em que ele canta a voz principal são covers ou composições de Lennon e Mccartney.



Leia também

Beatles: estatísticas (parte  I):

https://interludico.blogspot.com/2020/08/beatles-estatistica.html

O texto do link acima é sobre o quão incrivelmente produtiva foi a banda em apenas 7 anos!

quarta-feira, 17 de março de 2021

Day Tripper (The Beatles) traduzida

Aos fãs dos Beatles, aos apreciadores dos anos 60 e aos entusiastas do estudo da língua inglesa...

 

Tradução de Day Tripper


Tenho uma boa razão
Para pegar o caminho mais fácil. (2x)
 
Ela era uma turista casual¹,
Passagem só de ida,
Levou muito tempo para descobrir,
Mas eu descobri.
 
Ela é uma grande provocadora.
Ela me levou até a metade do caminho. (2x)
 
(Repete 2ª estrofe)
 
Tentei agradá-la,
Mas ela só brincou por uma noite². (2x)
 
Ela era uma turista casual¹,
Motorista domingueira³.
Levou muito tempo para descobrir,
Mas eu descobri.

 

Composição: John Lennon e Paul McCartney (The Beatles, 1965)

  

¹ Day tripper = ao pé da letra, “viajante de um só dia”. Quem faz uma viagem de apenas um dia; uma aventura, uma fuga da rotina, mas sem real mudança no padrão de comportamento, porque dura apenas um dia.  A tradução “turista casual” foi uma escolha lexical minha para uma expressão sem correlato na língua portuguesa. 

² One night stand = gíria para casual sex, i.e: uma relação física sem compromisso e sem apego emocional. 

³ Sunday driver = ao pé da letra, motorista de domingo [pt: domingueiro = mau motorista]. Expressão em inglês que, por extensão, é usada para rotular uma pessoa lenta, sem habilidade, inexperiente.

 

Segundo a Wikipédia em inglês, tanto Lennon como McCartney, em entrevistas, descreveram a canção como sendo sobre “experiência psicodélica” [“a drug song” (Lennon, 1970), “about acid” (McCartney, 2004)]. Portanto, esta letra de natureza erótica tem duplo sentido, sendo também a descrição de uma acid trip. Neste sentido, Day Tripper poderia ser traduzido como “dia viajante”. 

 

Obs: obviamente, não endosso o uso de ilícitos. O objetivo aqui é apenas analisar as peculiaridades literárias da letra e as curiosidades linguísticas das expressões idiomáticas. Naturalmente, como professor, jamais trabalharia com esse tipo de texto em sala de aula. Mas como estudioso das Letras e blogueiro, meu trabalho é apresentar uma análise literária ou tradução/adaptação/interpretação a mais imparcial, precisa e confiável.

Fato muito conhecido é que o poeta Carlos Drummond de Andrade traduziu várias letras de canções dos Beatles.

domingo, 2 de agosto de 2020

Beatles: estatística


Os Beatles têm o equivalente¹ a 14 álbuns de estúdio, com uma média de 14 músicas por álbum, considerando apenas composições próprias. Então, seriam em média 2 álbuns por ano, gravados entre 1963 e 1969 [7 anos]. Ou seja, 28 músicas por ano. Todas muito boas, muitas excepcionais e algumas imortais! Não é qualquer banda que tem essa marca!

¹ Para o cálculo, desconsiderei todos os covers e considerei os compactos, o que juntos formam dois álbuns [Past Masters volumes 1 e 2]. Desconsiderei o álbum Yellow Submarine que tem poucas composições inéditas [mas ótimas] e considerei o Álbum Branco como dois [porque é um álbum duplo].

The Beatles have the equivalent¹ of 14 studio albums, with an average of 14 songs per album, considering only their own compositions. So there would be an average of 2 albums per year, recorded between 1963 and 1969 [7 years]. That makes 28 songs a year. All very good songs, several superb hits, some imortal! Not all bands reach that mark!

¹ For the calculation, I disregarded all covers and considered the singles, which together form two albums [Past Masters vol. 1 and vol. 2]. I disregarded the Yellow Submarine album which has few new [but great] compositions and considered the White Album as two [because it is a double album].



sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Most influential artists in music


The most influential artists in music ever (in chronological order):

1 Robert Johnson
 - His influence can be seen in almost all artists from 50's, 60's and 70's.

2 Elvis Presley - He was called the "king" of rock and roll. Elvis and The Beatles are isolated winners of sales of all time.

3 Chuck Berry - The father of rock and roll. His guitar playing style created a genre of music, created the Rolling Stones, created AC/DC and so on... 

4 The Beatles - By far, the most influential band/artists of all time. Hardly will exist again a phenomenon in Earth as The Beatles were in the 60's.

5 James Brown - Michael Jackson, Prince, Mick Jagger and many others owe very much to godfather of soul.

6 Bob Dylan - The most influential lyricist ever.

7 Rolling Stones - One of the most influential bands from 60's and 70's.

8 Jimi Hendrix - Since Chuck Berry, the most influential guitarrist. He changed the sound of guitars for ever.

9 David Bowie - Huge influence as lyricist and performatic artist for a generation.

10 Led Zeppelin - The most influential hard rock band. Since heavy metal bands as Iron Maiden, until hard rock bands as Guns n' Roses, without Led Zeppelin their music would't be the same.

11 Black Sabbath - Pioneers of metal genre as we know today.

12 Bob Marley - 100% of reggae artists quote Bob Marley as a huge influence. Also, he was a big influence for a lot of rock and pop artists.

13 Sex Pistols - The most influential punk band, though Ramones were the pioneers. The punk scene changed rock music in the world.

14 Madonna - The mother of a female genre of music and performance.

15 Nirvana - This band changed his generation. Until today, grunge was the last biggest revolution in music. Nirvana was the main grunge band.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Rock underground (no mainstream)

Três bandas de rock alternativo que se popularizaram por serem antipop.

Joy Division (Manchester, Inglaterra: 1976 – 1980).
Gêneros: pós-punk, rock alternativo.
Surgiu como uma banda punk, inicialmente batizada Warsaw, mas assim que desacelerou o ritmo da bateria, assumiu a “morte” do punk e fez nascer o pós-punk, uma tendência que influenciaria fortemente o som das bandas de rock da década de 1980 em todo o mundo. As harmonias e letras eram um pouco mais sofisticadas que da moda punk, mas ainda assim era um som muito cru. Inovaram com o uso de teclados e sintetizadores. Lançaram apenas dois álbuns, Unknown Pleasures (1979) e Closer (1980), alguns singles e coletâneas póstumas. Além desses discos, gravaram uma demo de punk-rock ainda sob o nome de Warsaw. Tanto pelo som quanto pelas letras, o Joy Division é uma banda melancólica, fato explicado pelas tragédias do vocalista Ian Curtis: a epilepsia e os terríveis efeitos colaterais que os medicamentos causavam, além de problemas conjugais. O filme “Control” (Preto e Branco, 2007) detalha com excelência o drama cinematográfico de todas as tristezas na vida desse vocalista e compositor. Quando a banda acabou em 1980, devido à morte de Curtis, os integrantes remanescentes fundaram o New Order. Então, outra moda surgiu: o synthpop, som construído a partir de sintetizadores, e o new wave, som dançante que marcou aquela década.

The Smiths (Manchester, Inglaterra: 1982 – 1987)
Gêneros: pós-punk, rock alternativo, indie rock (rock independente), jangle pop.
The Smiths são ainda hoje a banda mais associada ao gosto do roqueiro intimista, desajeitado e tímido, aquele tipo de pessoa que não vê lugar para si na sociedade, mas que sobrevive à margem, sendo ela mesma, aceitando seu desajuste social. Estereótipo ou não, as letras da banda não deixam dúvida sobre esse aspecto. Já na música, se diferenciaram muito de seus contemporâneos. O jangle pop era o som característico de bandas dos anos 60 como The Byrds, influenciadas por algumas canções dos Beatles como “A Hard Day’s Night”, “What You’re Doing” e “Ticket to Ride”. A marca desse tipo de harmonia é a guitarra dedilhada, valorizando os arpejos que não só acompanham, mas também complementam a melodia cantada. Essa foi uma das contribuições de Johnny Marr, guitarrista e compositor, ao som dos anos 80. Já o seu parceiro de composição renderia aqui um capítulo à parte. Morrissey, vocalista e letrista, é vegetariano. Nas suas apresentações em carreira solo, os locais de seus shows adaptam-se à sua exigência de não vender carne. Na época dos Smiths, proibia seus colegas de banda de serem fotografados comendo carne. Além disso, ele é muito avesso às instituições em geral. Diz o que lhe vem à cabeça. Fala mal da política e de tudo que lhe incomoda, cita nomes e não poupa nas críticas. Esta coleção de “excentricidades” típicas de um ser sensível lhe rendeu uma má fama entre as gravadoras. Mas tirando o lado “rebelde” do poeta, ele é muito meigo no trato com os fãs e com os animais. Certa vez, usou um aparelho auditivo num show em gesto de solidariedade a um fã surdo que se sentia excluído pelos colegas de escola. Morrissey é um ser ambíguo, conhecido e reconhecido tanto pela proximidade com os fãs, quanto pela sua língua solta e irrefreável, além de outras coisas que aos olhos da mídia (mainstream) são antipopulares, como sua assumida postura celibatária na época dos Smiths, contrariando o estereótipo do roqueiro libertino, e consequentemente, não rendendo holofotes (lucros) aos paparazzi que procuram sempre expor a intimidade dos artistas.

Nirvana (Seattle, EUA: 1987 –1994)
Gêneros: grunge, rock de garagem, rock alternativo.
Das três bandas citadas aqui, o Nirvana é a mais conhecida. Mesmo preferindo tocar em locais pequenos, acabou cedendo ao gosto da gravadora para tocar em grandes eventos, como o Hollywood Rock no Brasil. Na ocasião, Kurt Cobain não economizou no sarcasmo durante o evento patrocinado por uma marca de cigarro. Mesmo sendo fumante e recebendo seu cachê daquele patrocinador, ele expôs sua “rebeldia”, ainda que a contragosto dos fãs que berravam “Canta Smells Like Teen Spirit”. Mas no rock, o que atrai não é ser desajustado e rebelde? Então, por mais que o vocalista exprimisse sua revolta, tudo o que ele criticava acabava virando manchete. E isto, sua alma punk, contrária ao mainstream, somada à sua depressão crônica, não pôde suportar! O som do Nirvana é, logo, justificadamente agressivo, beirando ao caos e incitando à liberdade criativa nas várias bandas que viriam a surgir sob essa influência. Mas ao analisar com mais atenção, as melodias são tão excitantes quanto as do Led Zeppelin, Aerosmith e Beatles (influências que Kurt Cobain nunca negou). Essa linha melódica fica ainda mais evidente ao assistir ao “Acústico MTV em New York”, onde a banda apresenta um memorável show, talvez o melhor do gênero "Acústico MTV".

Para ler mais sobre crítica musical, veja os “marcadores” e clique naquele de seu interesse.

Para ler mais sobre The Smiths ou Nirvana, clique nestes links.


Veja também a enquete deste mês no blog.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Um pouco da história do heavy metal


Os solos de guitarra se tornaram tão comerciais que atualmente qualquer gênero musical pode ter o solo "pesado" de uma guitarra distorcida, como já é comum encontrar no sertanejo e até no gospel. Todavia, esse tipo de som ainda é reconhecido como símbolo do rock e do heavy metal. Isso se deve tanto às inovações musicais e influência que o rock promoveu quanto à evolução de instrumentos, efeitos de gravação em estúdio, pedais e amplificadores.

A "evolução" da guitarra:

Lira, cítara indiana, alaúde, violão e guitarra elétrica.













Um pouco da história do heavy metal

ANTECEDENTES DO ROCK
Muddy Waters (EUA) levou o blues do Mississipi para Chicago e foi um dos pioneiros do blues elétrico (tocado com guitarra elétrica). Este gênero foi o precursor do rock.

ROCK AND ROLL - DÉCADA DE 1950
Chuck Berry (EUA) foi um dos principais criadores do rock n’ roll. Elvis Presley levou a música dos negros americanos para a TV abrindo caminho para vários artistas que antes não apareciam devido à segregação racial, mas foi Berry quem deu à guitarra o som do rock. A canção "Johnny B. Goode" é um de seus maiores sucessos.

DÉCADA DE 1960
The Beatles (Inglaterra): É impossível resumir aqui a revolução musical e comportamental que os Beatles promoveram. Eles foram a principal influência dos músicos de sua geração e também de artistas posteriores. Além da grande qualidade musical, inovaram ao fundir o rock a outros gêneros musicais.

Casualmente os Beatles também contribuíram para a criação do heavy metal. Por exemplo, a canção “I Feel Fine” (1964) foi a primeira gravação a trazer intencionalmente um efeito de feedback. Pode-se notar também uma evolução cronológica no peso das guitarras. Exemplos: “Day Tripper” (1965), “Taxman” (1966), “Rain” (1966), “Revolution (versão do single)” (1968), “Yer Blues” (1968), “I Want You (She’s So Heavy)” (1969).

A canção “You Really Got Me” (1964) da banda The Kinks (Inglaterra) talvez tenha sido o som mais pesado da primeira metade da década de 1960. Isso não se deveu tanto a efeitos de amplificadores ou pedais, mas ao modo de tocar a guitarra. Ainda assim, a canção não tem a agressividade sonora do heavy metal, ela soa mais como o típico rock pop dos anos 60, apesar da guitarra ser mais distorcida que o usual.

The Rolling Stones (Inglaterra): Na atitude e no som este grupo inglês teve importante influência no cenário musical da época. O riff de guitarra em “I Can’t Get No (Satisfaction)” (1965) tornou-se um clássico, talvez o riff mais reconhecido da história do rock.

The Who (Inglaterra): Este grupo se destacou principalmente por sua energia no palco. Algumas vezes as apresentações ao vivo terminavam com um quebra-quebra de instrumentos, geralmente ao som de “My Generation” (lançada originalmente em dezembro de 1965).

Cream (Inglaterra): O power trio britânico tinha nada menos que Eric Clapton como guitarrista. A canção “Sunshine of Your Love” (1967 - 1968) já traz características de um proto heavy metal.

Jimi Hendrix (EUA): O uso de pedais de efeito e a maneira peculiar de tocar acordes pesados e longos solos distorcidos deu a Hendrix o status de lenda. O som de sua guitarra pouco se diferenciava do que viria a ser o heavy metal, mas sua música estava mais voltada à sonoridade do rock psicodélico e do blues.

A canção “Born to be Wild” (1968) da banda Steppenwolf (Canadá/EUA) é a primeira a trazer a expressão “heavy metal” em sua letra. Além disso, é um clássico do rock dos anos 60, muito associado ao motociclismo e à sensação de liberdade.

Helter Skelter” (1968) dos Beatles é considera a primeira música a realmente fazer o som do heavy metal. Isto não apenas pelas guitarras distorcidas, mas também pelo som marcante do baixo, a batida forte da bateria e o vocal rasgado. Uma catarse de barulho e agressividade sonora, uma marca registrada do gênero.

DÉCADA DE 1970 – A TRINDADE DO ROCK PESADO
Led Zeppelin (Inglaterra): O vocal agudo e os longos solos de guitarra são algumas das principais contribuições deste grupo para a definição do heavy metal.

Deep Purple (Inglaterra): A partir daí os gritos super estridentes se tornaram uma marca registrada do rock.

Black Sabbath (Inglaterra): grupo formado por Ozzy Osbourne, uma lenda viva do gênero. A principal característica da banda era a música lenta e arrastada, o som grave da guitarra e as letras que traziam temas de protesto e ocultistas (inspirados em filmes de terror). Com isso o heavy metal passou a ter uma cor oficial: o preto.

DE 1970 A 1980 – SUBDIVISÕES DO “ROCK PAULEIRA”
Hard rock progressivo – Rush (Canadá).

Punk rock – Sex Pistols (Inglaterra), Ramones (EUA) etc.

Metal – Kiss (EUA), e mais tarde Iron Maiden (Inglaterra), Metallica (EUA) etc.

Hard rock – Aerosmith (EUA), Queen (Inglaterra), AC/DC (Austrália) e mais tarde Guns n’ Roses (EUA) etc.

DÉCADA DE 1990 – VALE MENCIONAR:
Nirvana, Pearl Jam, Alice in Chains e outras bandas que sob o termo genérico do grunge trouxeram ainda mais barulho e liberdade à criação musical.

Chuck Berry - "pai do rock"





















Paul McCartney e John Lennon (Beatles) - foto de 1967













Jimi Hendrix




















Jimmy Page e Robert Plant (Led Zeppelin)




















Black Sabbath


















Kurt Cobain (Nirvana)






















O que é um som "pesado"?
"Ticket to Ride" (1965), canção dos Beatles, era considerada pesada no ano de seu lançamento. O som da banda Pink Floyd era considerado barulhento, alto e pesado quando surgiu em 1967. "A Cavalgada das Valquírias" do compositor alemão Wagner (séc. XIX) poderia ser considerada um som pesado para a sua época?

Todas essas definições sobre "som pesado" são relativas ao tempo, logo, não absolutas.

Mas afinal, o que é heavy metal?
Apesar dos preconceitos, "mitos" e estereótipos, o heavy metal é apenas um subgênero do rock, apenas a idealização de um estilo musical, o nome genérico de um tipo de som e nada mais do que isso. Não se trata de uma doutrina, filosofia ou apologia a qualquer coisa que seja. É apenas som, música, arte, e nada além disso. Que fique bem claro: o heavy metal não é uma religião! Seus fãs incluem católicos, protestantes, budistas, muçulmanos, judeus, ateus, agnósticos... São fãs de um estilo musical, pessoas diferentes que curtem um mesmo tipo de som, mas cada indivíduo tem seu próprio jeito de pensar e levar a vida.

Não se pode definir com exatidão quando ele nasceu ou quem o criou. Atualmente, não dá mais para simplesmente tomar por base a idealização de "som pesado" para dizer o que é e o que não é heavy metal, porque "pesado" é uma variável que depende de um contexto temporal e cultural. Só se pode falar em "agressividade musical" e "som pesado" num contexto cronológico, porque aí é possível fazer comparações, caso contrário qualquer definição é vaga.

O que se pode afirmar com certeza é que esse gênero, assim como o rock, requer muito treinamento musical, ou seja, muito estudo, disciplina e dedicação de quem pretende tocar um instrumento.

Talvez possa ser definido como uma catarse musical de inconformidade com o mundo dos homens. É na arte que o homem expressa todos os seus sentimentos, incluindo a dor, a raiva, a revolta e o medo. O rock (e seus subgêneros) é um estilo musical para ser curtido, mas também para inspirar reflexões. 

Bem lá no fundo, o heavy metal é apenas uma brincadeira feita para divertir alguns e assustar outros, um jogo provocativo de combate a estereótipos, superstições e preconceitos.

Marty Mcfly tocando Johnny B. Goode (cena do filme "De Volta para o Futuro"):
 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Noam Chomsky discute Paulo Freire.


Em Harvard discutem Paulo Freire: 45 anos da publicação de "Pedagogia do Oprimido". Enquanto isso no Brasil......
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora).
Obrigado, Álvaro de Campos!!!!!!


* Noam Chomsky é um dos mais renomados linguístas do mundo, ativista político e filósofo.

** Álvaro de Campos é um dos heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa. Ele é o heterônimo futurista e cosmopolita, em oposição a Alberto Caeiro (pastor bucólico), Ricardo Reis (latinista) e o próprio Fernando Pessoa (saudosista e místico português).

*** A onomatopeia no comentário acima é uma referência ao poema "O binômio de Newton" de Álvaro de Campos.

Obs: simultaneamente, também devemos comemorar o aniversário de 45 anos do álbum "Abbey Road" dos Beatles.















Parabéns aos ilustres aniversariantes. Que lástima serem tão pouco lembrados!




















sexta-feira, 6 de junho de 2014

Breve olhar sobre os anos 60: a última grande revolução





Na história da humanidade (não confundir com a história natural) sempre houve períodos de turbulência revolucionária. Refiro-me a períodos de intensa produção e reformulação do pensamento, que mais tarde – e, em alguns casos, concomitantemente – também culminariam em mudanças práticas.

As condições materiais de vida impulsionam o pensamento, a consciência, e esta as revoluções. Exemplos:
1) Possibilidades reais de expansão marítima e geração de riqueza – condições materiais que levaram ao sonho, desejo e necessidade de exploração além-mar – culminando nas Grandes Navegações;
2) Exploração colonial – condições materiais que culminaram em pensamentos emancipatórios nas colônias – teorias que dariam luz ao nascimento de novas nações independentes;
3) Absolutismo monárquico e insatisfação burguesa – condições materiais que culminaram no pensamento iluminista – ideias que por sua vez levariam à revolução francesa;
4) Exploração da mão-de-obra – condições materiais que culminaram no pensamento comunista – consequentemente levando às revoluções russa, chinesa, cubana entre outras.

Além do Iluminismo, houve outros três períodos históricos marcados por grande produção filosófica, científica e literária, todos determinantes para o pensamento e o modo de vida: o Renascimento, o Romantismo (incluindo correntes antagônicas no mesmo período – o séc. XIX) e o Modernismo (séc. XX). Todos eles tiveram fundamental importância na estruturação social e no modo como o homem passou a perceber o mundo. Houve ainda mais um período com mesmo grau de importância, porém mais atual: o período que comporta a década de 1960 e início da década de 1970.

Este foi um período de grande turbulência social e cultural. As condições materiais para isso são inúmeras, mas poderiam ser resumidas em uma tese central: a juventude crescendo em um período pós-guerra (fim da 2ª Guerra Mundial) e temendo a hipótese de uma eminente guerra nuclear. Ao encarar a ideia da morte eminente, essa juventude – até então reprimida – tentou sugar ao máximo, ao seu modo inocente, o que a vida e o momento presente lhes poderiam ofertar em prazeres hedonistas.

A cultura surgida como fruto desse pensamento e que seria a força impulsionadora das revoluções que ocorreriam nesse período está ainda no final da década de 1950. Este antecedente tinha o nome de rock and roll. Em termos de poesia, o rock era a única alternativa até então que falava aos anseios do jovem: namorar. Letras que falam de carros possantes se traduziam ao imaginário da juventude como uma fuga, uma possibilidade de liberdade, longe da vista dos pais. Em termos de música, era um som que exigia a formação de casais para a dança, aproximando as pessoas, permitindo o contato corpo a corpo numa sociedade sexualmente reprimida. Em termos de atitude, a preparação com roupa de baile e a desinibição pelo uso de álcool eram os rituais que não apenas antecediam o namoro, mas começaram a fazer parte do estilo de vida dessa geração.

Foi nesse contexto que cresceram os Beatles, os Rolling Stones e seus contemporâneos. A diferença é que para esses meninos já não bastava apenas estar presente do baile, eles queriam comandar a festa. Inspirados por seus ídolos da década de 1950 (Elvis Presley, Chuck Berry etc) eles saíram da escola em busca de um sonho: ser como os seus heróis.

Com muito trabalho eles conseguiram chegar ao estrelato no início da década de 1960. Tornaram-se então ídolos dos jovens da época e de sua própria geração. Mas em meados da década, as turbulências sociais e políticas se intensificaram, o que motivou um abandono da inocência e um engajamento artístico e popular em prol de melhores condições de vida. Entre 1966 e 1967 irrompeu o auge da cultura hippie, em protesto à Guerra do Vietnã, com modo de vida anticapitalista, slogans pacifistas, passeatas e apelos à liberdade de expressão, aos direitos das mulheres, ao fim da segregação racista.

Nesse contexto, a música já não era mais composta para bailes. Aqueles arranjos simples com três acordes deram lugar a arranjos complexos, mesclando rock e música clássica, às vezes com influência da música oriental, e com tudo mais o que a criatividade artística concebesse livremente, abolindo preconceitos. O ritmo mudou tanto que já não podia mais ser dançado, exigindo apenas a audição e apreciação do ouvinte. As letras então se tornaram mais elaboradas poeticamente e engajadas politicamente. E a música passou a ser apenas ouvida, e quando cantada, as canções converteram-se em hinos daquela geração.

Os Beatles reinavam absolutos como a voz mais influente da época, mas seus discípulos diretos e indiretos também estavam presentes, não só unindo-se ao coro, mas tentando levar a revolução cultural a níveis cada vez maiores.

No centro do mundo capitalista, os EUA, o festival de Woodstock em 1969 reuniu artistas como The Who, Janis Joplin, Jimi Hendrix e um público recorde de jovens em torno de uma única celebração. Era também uma fuga da agitação e dos problemas daquela época conturbada.

No ano seguinte, Jimi Hendrix e Janis Joplin morreriam aos 27 anos. Nove meses depois Jim Morrison juntar-se-ia a eles, também aos 27. Parecia o destino cobrando o seu preço por uma vida de muitos exageros: muitas festas, muitas drogas e muito trabalho.

No mesmo ano em que Jimi e Janis transcenderam deste mundo, os Beatles se separaram. Eles já não eram mais tão jovens, estavam chegando aos 30 e haviam tocado juntos por mais de 10 anos. Cada um foi se dedicar à sua própria família e carreira solo. Assim, 1970 foi um ano de perdas inestimáveis para aquela geração, causando algumas desilusões, marcando o fim de uma era, mas aquela agitação ainda perduraria por mais uns anos como um efeito ressaca. Bandas como Led Zeppelin e Pink Floyd se propuseram à missão de elevar o som dos anos 60 a patamares ainda mais complexos.


A poesia do Rock

Em “My Generation” (1965) o grupo The Who cantava ao espírito jovem contestador que questionava os valores pelos quais os pais educavam seus filhos. Um dos hinos daquela geração. A seguir um trecho da letra:

As pessoas tentam nos colocar pra baixo
Só porque nos damos bem
As coisas que eles fazem parecem terrivelmente frias
Espero morrer antes de ficar velho
Essa é a minha geração, baby

Por que vocês todos não desaparecem?
E parem de tentar entender o que nós dizemos
Não estou tentando causar nenhuma confusão
Só estou falando sobre a minha geração


No auge da agitação eis que surge um poeta tímido, Jim Morrison, mas ao assumir uma personalidade dionisíaca, tornar-se-ia um símbolo da liberação sexual. Nas apresentações ao vivo da banda, o poeta convocava os jovens à revolução:

The Doors - Five to One, 1968 (trecho):

Cinco contra um, baby
Um e cinco
Ninguém sai daqui vivo, agora
você leva os seus e eu levo os meus
Vamos conseguir, baby, se tentarmos

Todos nós envelhecemos e os jovens se fortalecem
Pode levar uma semana e pode levar mais tempo
Eles têm as armas, mas nós temos a maioria
Vamos vencer, sim, estamos dominando!

Seus dias de baile acabaram, baby


As condições de vida formaram o espírito da época que inspirou os jovens a acreditarem que um mundo melhor era possível e que isso dependia apenas deles, cobrando da juventude uma mobilização para tomarem o controle da política e de suas vidas, caso contrário poderia não haver futuro. Sonhando em fazer um mundo ideal, lutava-se contra problemas concretos: a guerra, o racismo, os valores machistas e as ditaduras (cada país tinha a sua a seu modo).


John Lennon - Imagine, 1971 (trecho):


Imagine não haver propriedades
Eu me pergunto se você consegue
Nenhuma necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade de homens

Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você junte-se a nós
E o mundo viverá como um só.



Era uma época diferente. Alguns daqueles anseios parecem não fazer mais sentido hoje, outros como a luta pela igualdade, o fim da fome e a paz, ainda são utopias de toda a humanidade.