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quarta-feira, 26 de abril de 2023

Because (The Beatles) – Tradução


Segue a tradução [adaptação] correta para a língua portuguesa:

 

Por causa do mundo redondo, eu fico ereto.
Por causa das curvas do mundo.
 
Por causa do vento entorpecente, eu fico de queixo caído.
Por causa do vento forte e entorpecente.

Amor antigo, novo amor.
Amor é tudo, você é o amor.

Por causa do céu cinza, eu me lamento.
Por causa do céu cinza e triste.
 

Traduzir essa poesia ao pé da letra não faria sentido em português. Por isso fiz diversas adaptações para que o poema soasse como se tivesse sido composto originalmente em português.

Considerei o significado de cada expressão idiomática, a biografia do autor e seu estilo literário.

Dica para a interpretação: basicamente, o eu lírico está dizendo que “o mundo dá voltas”.

Contexto: John Lennon, compositor da canção, tinha se divorciado e estava no início de um novo casamento.

 

A música foi inspirada na “Sonata ao Luar” de Beethoven.

“Because” começa com um cravo elétrico, tocado pelo produtor George Martin, seguido de uma guitarra tocada por John ou George. O baixo de Paul McCartney entra junto com os vocais. O solo é feito num sintetizador.

O vocal tem um estilo de coral eclesiástico, lembrando um pouco o canto gregoriano. John Lennon canta no tom médio, George Harrison faz o tom mais baixo e Paul McCartney canta no tom mais agudo. Cada voz é triplicada, dando a impressão de serem 9 vozes.







Ouça a canção no primeiro vídeo. E no vídeo acima, um especialista explica o trabalho de Lennon para fazer a Sonata de Beethoven se tornar "Because". Ele também dá preciosas dicas sobre os jogos de palavra da letra. That video will blow your mind!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Memento mori

 
No poema da postagem anterior, Baudelaire expressa a ideia de “momento” e de “transitoriedade do momento”.

A transitoriedade sempre foi, desde a lírica antiga à poesia moderna, um dos temas mais requisitados pelos escritores. Essa tradição, no caso do ocidente, talvez tenha tido início a partir de Heráclito, com a frase “o homem não pode entrar duas vezes no mesmo rio”. O filósofo grego queria dizer que, na segunda vez, o rio já não é o mesmo, porque as águas já tinham passado, e nem o homem é o mesmo, porque o tempo não cessa também para ele.

No vídeo a seguir, tentei construir uma narrativa sobre a trindade efêmera: juventude, beleza e vida.

A música da trilha é Lamento della Ninfa, composta por Claudio Monteverdi, no período de transição entre o Renascimento e o Barroco italiano. O compositor também é classificado por alguns como maneirista.

Alguns dos quadros famosos, utilizados no vídeo, foram:
- A Ninfa da Água (Hebert James Draper)
- The Kelpie (Herbert James Draper)
- Hilas e as Ninfas (John William Waterhouse)
- Safo de Lesbos (Charles Megin)
- Ophelia (John William Waterhouse)
- Ophelia (John Everett Millais)

Os nomes dos pintores estão entre parênteses. Todos eles fizeram parte do movimento Pré-Rafaelita inglês, com exceção de Megin que era do Academicismo francês.


A narrativa do vídeo:
A narrativa passa pelas pulsões psicanalíticas, da pulsão de vida (Eros) à pulsão de morte (Tânatos). Primeiro, o vídeo enfatiza a juventude, a beleza e a vida. A partir do quadro que representa o mito de Hilas (o jovem indo de encontro às ninfas), a narrativa muda de tom. A perda de cores e o efeito de envelhecimento representam a efemeridade, a transitoriedade, o passar do tempo, o envelhecimento e a morte. Empreguei a fama lendária da poetisa Safo de Lesbos para representar a pulsão sexual (Eros), enquanto que a morte de Ophelia (personagem da peça Hamlet, de Shakespeare) simboliza aqui a pulsão de morte (Tânatos). No fim, o próprio filme sofre o efeito do tempo e se desintegra. A frase latina memento mori significa algo como “lembre-se que você é mortal”. Este era um dos pensamentos que sintetizavam o movimento barroco. Outra frase muito característica daquela época era carpe diem (i.e. colha o dia, aproveite o momento). Muito resumidamente, essa é a ideia central que tentei comunicar neste vídeo.