segunda-feira, 17 de março de 2014

Música + Cinema: produções para ver e rever



Dicas de filmes que tratam da música e tudo o que o seu universo envolve.



Amadeus (Amadeus, 1984) – Adaptado de uma peça teatral, este filme foi vencedor de 8 (merecidos) Oscars, incluindo o de melhor filme. A vida do compositor classicista Wolfgang Amadeus Mozart é contada na ótica de seu rival Antonio Salieri (F. Murray Abraham numa atuação emocionante!). Há muitas coisas para se destacar nesta obra-prima, mas escolho a cena em que o réquiem de Mozart é composto, na qual o espectador ouve instrumento a instrumento, como se estivesse dentro da cabeça do compositor. Mas não poderia deixar de mencionar também a cena em que Salieri descreve de forma arrebatadora a música que lê nas partituras de seu rival. O texto é belíssimo, enquanto a trama envolve questionamentos sobre a fé e sentimentos como a inveja e a ambição. Nesta produção a música parece reger o filme, e não o oposto como é de costume. Desde o seu início, som e imagem prendem o fôlego do espectador. A direção é de Milos Forman.



Quase Famosos (Almoust Famous, 2000) – No início da década de 70 tá rolando tudo! – como diria a personagem Penny Lane. O enredo semiautobiográfico escrito e dirigido por Cameron Crowe gira em torno de um jovem de 15 anos que tem a chance de excursionar com uma banda de rock, fazendo a cobertura da turnê para a revista Rolling Stone, publicação especializada em crítica musical. A banda em questão é Stillwater, um grupo fictício com repertório criado especialmente para o filme. O roteiro é leve, adorável, divertido e empolgante. Ao assistir a esta história, não estranhe se você se sentir nostálgico de uma época em que a música era mais apaixonante do que é hoje e o mercado fonográfico era mais inocente, antes de ele arruinar o rock and roll e tudo o que amamos nele. É um filme sobre viagens, festas, ilusões e pessoas tentando não dizer adeus. A trilha sonora também inclui canções de Led Zeppelin, Yes, Simon & Garfunkel, Deep Purple, Black Sabbath, Jimi Hendrix, Elton John, entre outras.



Hair (Hair, 1979) – Musical adaptado da Broadway para o cinema, conta de modo bem humorado sobre o modo hippie de viver. Tudo começa quando um jovem do interior vai à Nova York para se alistar no exército, mas no caminho depara-se com um grupo de hippies. Desse encontro surge paixão, amizade e aventuras que conduzem a trama a um final inesperado. As canções abordam temas como sexo, uso drogas, misticismo e, é claro, a Guerra do Vietnã. A cena em que Berger dança sobre a mesa é impagável! Esta e muitas outras cenas, além da trilha sonora e de um ótimo roteiro, fazem desta produção uma obra para ser vista e revista. Direção de Milos Forman.



 The Doors (The Doors, 1991) – Apesar das críticas de Ray Manzarek (tecladista dos Doors) sobre o roteiro ter exagerado ao mostrar um Jim Morrison sempre bêbado, o filme de Oliver Stone vale a pena pela trilha sonora e atuação impecável de Val Kilmer no papel do poeta do rock. Data máxima venia, o exagero torna-se justificado pela fama lendária que cerca de forma quase indissociável a breve carreira de Jim Morrison. Se o diretor focou demais nas extravagâncias do cantor é porque elas ajudaram a fazer dele uma lenda do rock e se não fosse por essa excentricidade o filme não despertaria tanto interesse. Mas fica a dica: é um filme baseado em fatos reais, mas não é um documentário, portanto, não devemos encará-lo como sendo uma biografia do ídolo. Em resumo, o filme é válido na sua intenção e sublime na sua arte. O casamento entre músicas e cenas é de um primor raro, superando em muito os videoclipes da MTV.



 Backbeat – Os 5 rapazes de Liverpool (Backbeat, 1994) – Filme baseado na história dos Beatles antes de alcançarem fama, ainda na época em que começaram a tocar em casas noturnas da Alemanha. O enredo tem a banda como pano de fundo, mas prefere focar na curiosa história do artista plástico Stuart Sutcliffe, que por um breve período tocou com os Beatles. A amizade entre Stuart e John Lennon, a paixão de ambos pela fotógrafa Astrid Kirchherr, as brigas, sonhos e dilemas são mostrados como o gatilho para o que viria a ser o fenômeno Beatles. Mas não espere ouvir canções de Lennon-McCartney aqui. A trilha sonora é composta de canções de Chuck Berry e outros dessa geração que inspirou os Beatles e sempre fez parte de seu repertório de covers. A produção é pequena, mas cumpre bem o seu papel. O filme cria uma atmosfera em torno da pintura abstrata, da poesia simbolista francesa, da fotografia artística, casando tudo isso com rock and roll. Neste casamento, acertou em cheio!


Bônus: não poderia deixar de fora estas produções nacionais...


Cazuza – O tempo não para – Uma história chocante contada por uma poesia inspiradora. A narração do Cazuza-personagem explicando suas motivações em cada ato é o maior acerto desta produção. A cena de Cazuza no mar, com música de Lobão: “Vida louca, Vida breve, Já que eu não posso te levar, Quero que você me leve” é a entrega final, a aceitação do irremediável destino.


Somos tão jovens – Thiago Mendonça interpreta Renato Russo para contar nesta produção a história do nascimento do punk-rock de Brasília. A trama se concentra no Aborto Elétrico, mencionando a Plebe Rude e o Capital Inicial, até que a Legião Urbana se forme e faça a sua grande estreia.  A cena em que tocam “Ainda é Cedo” se destaca como a mais cativante do filme.

Gonzaga – de pai pra filho – Excelente produção nacional sobre a vida de Luiz Gonzaga, o rei do baião, e Gonzaguinha: dois entre os maiores nomes da música popular brasileira. Atuações emocionantes, direção impecável e trilha sonora perfeita!


Outros que considero muito bons e recomendo:

- La Bamba (La Bamba, 1987) sobre o astro do rock Ritchie Vallens.
- A Fera do rock (Great balls of fire, 1987) sobre o pianista Jerry Lee Lewis.
- The Commitments – Loucos pela fama (The Commitments, 1991) sobre uma banda fictícia que tenta reviver as emoções da soul music na Irlanda.
- Minha amada imortal (Immortal Beloved, 1994) sobre Ludwig Van Beethoven.
- Dois filhos de Francisco, produção nacional sobre a infância e início do sucesso de Zezé Di Camargo. 
 

sábado, 15 de março de 2014

Para quem não lê, para quem lê e não entende e para quem escreve...

Erros comuns de quem lê, mas não CONHECE poesia:

1- Achar que poesia é algo “bonitinho” feito para confortar, alegrar ou enfeitar.

2- Achar que poesia pode ser interpretada de qualquer forma, dependendo da vontade ou subjetividade de cada um.

3- Achar que o conteúdo escrito é válido para todas as épocas, em especial, a SUA.

4- Achar que aquilo foi escrito para alguém específico, digamos... VOCÊ.

5- Achar que qualquer pensamento ou expressão de sentimentos é uma boa poesia.

ENTENDER a poesia é sempre um desafio. Costumo dizer que quem lê e entende poesia, entende qualquer tipo de texto (além de ler o mundo de forma mais crítica e consciente).

A seguir, apresento uma justificativa para cada item numerado acima.


1 - A poesia é uma forma de reflexão retórica. Embora seja bela, por trazer musicalidade em sua forma; e cativante, por organizar o conteúdo de forma lógica, ela não tem o objetivo de agradar, mas apenas de ser uma bela reflexão, isto é, ser a expressão organizada (artística) de uma subjetividade única (original). Então, nunca pense em poesia como sendo algo “bonitinho”, mas sendo uma técnica de argumentação.

2- A poesia tem como objetivo passar uma mensagem esteticamente organizada. Se essa mensagem pudesse ser interpretada de qualquer forma, não haveria razão de ela existir. Todo texto tem uma mensagem que é comunicada ao leitor pelo autor. Embora a poesia tenha sentido amplo, isto não significa que ela possa ser interpretada ao bel prazer do leitor. A motivação do autor (formada pelo seu contexto histórico e psicológico) deve ser levada em consideração para se entender a mensagem de um texto.

3- Nada é tão universal que possa ser interpretado fora de seu contexto (exceto para o New Criticism que valoriza a ambiguidade e as múltiplas interpretações). Cada autor tem uma motivação própria ao escrever. O contexto histórico e psicológico de cada um é dialeticamente determinante na produção do texto (contexto histórico e condições materiais de existência + subjetividade do autor = poesia).

4- É verdade que a poesia une todas as subjetividades individuais em sentimentos comuns a toda espécie humana, mas isto não significa que o autor entenda a subjetividade de seus leitores. Pelo contrário, o leitor deve se esforçar para entender a subjetividade do autor. Esta tarefa nunca será perfeitamente possível, mas o leitor deve se esforçar para assim apreender pelo menos o essencial de cada texto. Ler é um exercício de empatia e isto devemos colocar em prática também em nossas vidas.

5- Se você escreve poesia, não se iluda pensando que seus leitores o entenderão. A moeda mais válida na poesia é a estética, então, ao escrever, capriche na organização formal e na argumentação. Só assim sua produção textual será considerada bela pelos seus leitores, ainda que seja impossível compreenderem inteiramente a sua subjetividade. Ao escrever, ouse ir aos lugares incomuns de sua consciência, mas faça-o de modo textualmente organizado. O bom texto é original em conteúdo, mas técnico em sua forma.

Em resumo, a leitura requer empatia e prática do leitor. A escrita exige, além de uma boa vivência de mundo, um grande conhecimento das ferramentas linguísticas.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Abordagens Humanas

Abordagens que explicam o ser humano internamente (seus desejos e angústias):
- As artes;
- As psicologias;
- A psicanálise.

Abordagens que explicam o ser humano externamente (relações comunitárias e políticas):
- A filosofia;
- As ciências sociais (sociologia e antropologia);
- A história.



As abordagens externas, para serem mais bem sucedidas, devem passar antes pelas abordagens internas. Isto porque o ser humano não é apenas "fruto do meio", mas o resultado dialético (síntese) entre o interior e o exterior.

Para entender as motivações humanas e a obra de um indivíduo ou de uma sociedade, deve-se antes analisar a subjetividade exteriorizada no meio. Essa subjetividade humana é o motor que impulsiona a chamada "contextualização histórica" da qual todos somos cúmplices e vítimas.



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Breve análise do soneto “A pá”



Para não perder o costume, fiz uma breve análise sobre um soneto de minha autoria. Segue o poema:

A pá


Não, a palavra não é metafórica
Quando é forte para plantar os ossos
E colher o perdão dos entes nossos
Numa elegia muda e pictórica.

A palavra num enterro é concreta:
A pá lavra o pó antes do epitáfio
E a sua própria função leva a fio
Para deixar a tarefa completa.

Apaga a triste mágoa já passada.
A pá – gastrite da terra – já cega,
Surda, só, junto ao defunto ela encerra:

A lágrima da remissão negada
Ou a silenciosa dor que teve em vida –
Ao som seco e sacro de pá – rompida.


Renan, abril de 2013.
Publicado em:
http://interludico.blogspot.com.br/2013/04/soneto-sobre-o-perdao-dado-apos-morte.html


Breve análise

Decassílabo com rimas no esquema: ABBA, CDDC, EFF, EGG.
As rimas FF são imperfeitas.

Há aliteração do S para reproduzir o som da pá cavando um túmulo, 
algo como: s, s, s..

Ficou assim:
A pá – gastrite da terra – já cega,
Surda, só, junto ao defunto ela encerra (...)
(...) a silenciosa dor que teve em vida –
Ao som seco e sacro de pá – rompida.


Há paranomásia em:

A palavra num velório é concreta:
A pá lavra o pó antes do epitáfio

Apaga a triste mágoa já passada.
A pá – gastrite da terra – já cega,


Outras semelhanças fonéticas na 3ª estrofe:

terra/encerra (rima interna)
junto ao defunto (rima interna)

Semântica:
A primeira estrofe lança uma tese que será defendida nas duas estrofes seguintes. A última estrofe apresenta uma conclusão.

Há metáfora em “elegia muda e pictórica” (1ª estrofe) = [O triste silêncio na hora do enterro].

Há uma figura de oposição entre “metafórica” (1ª estrofe) e “concreta” (2ª estrofe).

Há metáfora em “A pá [no ato de cavar]” = “gastrite da terra” (3ª estrofe).

Há prosopopeia em “A pá já cega, surda, só” (3ª estrofe)

Há figura de inversão (hipérbato) entre a 3ª e 4ª estrofe. Na ordem direta seria: “a pá encerra [termina com]: a lágrima da remissão negada ou a silenciosa dor que o defunto teve em vida”.

Há hipérbato na 4ª estrofe. Na ordem direta seria assim: “silenciosa dor rompida ao som de pá”





quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Narratologia

Semelhança acidental entre narrativas:

Em a Morfologia do conto de fadas Vladimir Propp verificou que os contos de fadas possuem uma forma monotípica, desde a função das personagens até a construção do conto.  

O antropólogo estruturalista Claude Lévi-Strauss redefiniu o trabalho de Propp dizendo que o formalista russo não teria descoberto a morfologia, mas sim a estrutura do conto fantástico. 

A teoria do monomito (a jornada do herói ou ciclo do herói) do mitologista Joseph Campbell mostra que há estágios que se repetem nos mitos de heróis. Podemos inferir, como o nome sugere, que houvesse um mito primordial do qual surgiram todos os outros mitos.  

Os trabalhos de Propp e Campbell fortalecem o conceito de inconsciente coletivo do psicólogo Carl Gustav Jung. Segundo esse conceito, haveria uma reserva de memórias inconscientes compartilhadas por toda a humanidade, daí a semelhança acidental entre as narrativas mitológicas. Jung também estudou os contos infantis e neles verificou a existência de arquétipos do inconsciente coletivo. 

Na Linguística, o conceito de polifonia de Mikhail Bakhtin parte da premissa da ideologia, portanto, a influência de um texto sobre outros não seria algo realizado conscientemente pelos autores, mas sim pelo fato de estes estarem inseridos num contexto ideológico que os influencia. 

O filósofo Friedrich Nietzsche elaborou um conceito (inacabado) conhecido como eterno retorno segundo o qual a vida é limitada por um número restrito de acontecimentos e sensações. Podemos concluir que se isso ocorre no mundo não-diegético, também ocorrerá no diegético, uma vez que este se inspira naquele. 



Semelhança proposital entre narrativas:

O memorando de Vogler, redigido pelo roteirista Christopher Vogler com base nos estudos de Campbell, padronizou a redação de roteiros nos estúdios Disney, criando uma fórmula para narrativas de sucesso. Ou seja, no caso dos filmes da Disney, a semelhança entre as narrativas ficcionais não é mera coincidência.                

 Intertextualidade – Consideraremos como intertextualidade toda vez que um texto faz referência intencional a outro texto, isto é, quando o autor de uma obra mais recente faz, propositalmente, uma alusão a uma obra anterior. A paráfrase, a paródia e a citação são alguns exemplos de intertextualidade.



O monomito de Campbell (inspiração para o memorando de Vogler)

domingo, 1 de dezembro de 2013

Tabu versus pensamento livre



Tabu versus mártires ou condicionamento versus transgressão: uma breve análise sobre o pensamento livre.


Sigmund Freud em sua obra Totem e Tabu fez uma importante contribuição à antropologia e à psicologia social. O tabu é um dos códigos morais mais antigos que regem a sociedade, portanto, essa obra é leitura recomendada para quem procura entender a relação entre padrões de comportamento e a organização social. Outra importante obra de Freud no campo social é Psicologia das Massas e a Análise do Eu. De acordo com o pai da psicanálise, a transgressão de um tabu conduz o transgressor à sua expulsão do grupo ou a uma punição imposta pelo grupo do qual o transgressor faz parte. Entre as sociedades primitivas, acreditava-se que deste modo evitar-se-ia que uma maldição recaísse sobre todo o grupo. Esse princípio pode ser observado em todos os grandes primatas que se organizam em bando e constituem hierarquias, como gorilas, chimpanzés, babuínos e os seres humanos. A punição ou expulsão do indivíduo transgressor é o primórdio do moderno Direito Penal.

Tanto Freud quanto o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss demonstram que a organização social em torno de uma Lei teve início em sociedades primitivas a partir da proibição do incesto. Desde então outros tabus surgiram e evoluíram em sua complexidade. Resta saber quanto de nosso instinto primata permanece a nos determinar e se há possibilidade de termos um pensamento livre e original apesar de todo o condicionamento biológico e psíquico que sofremos.

Na Grécia Antiga, o filósofo Sócrates foi condenado à morte, acusado de corromper a juventude ateniense e ser ímpio perante os deuses. Sócrates não escreveu nada, tudo o que sabemos sobre ele vem dos textos escritos por seus discípulos. Nem mesmo há provas de que ele realmente tenha existido. Ainda assim, sua história é um dentre muitos exemplos da punição que recai sobre aquele que transgride um tabu. Mas que tabu Sócrates transgrediu?

Ao questionar todo conhecimento vigente em sua época, Sócrates atraiu a atenção dos jovens e colocou em discussão a autoridade de seus interlocutores, atraindo a ira destes para si. Entre os gorilas, quando o macho-alfa tem sua autoridade questionada, ele expulsa ou mata o seu rival. Analogamente, os acusadores de Sócrates eram homens que tinham muito a perder com aquele filósofo ensinando os jovens a pensar por eles mesmos e a questionar o saber dos mais velhos. Logo, Sócrates foi julgado, preso e executado. Ele não transgrediu necessariamente um tabu moral, mas ensinava seus discípulos a pensar por si só, o que leva, com o tempo, ao questionamento de certas Leis, princípios morais, tabus e dogmas.

Em todas as manifestações artísticas ao longo da história há exemplos de incompreensão, censura e perseguição, tanto para o artista que rompeu paradigmas formais quanto para aquele que, em sua arte, ousou questionar um tabu. O exemplo de Sócrates talvez sirva para entender a história de vários outros mártires, como Gandhi. Considerando todo o condicionamento que historicamente sofremos, talvez não seja exagero dizer que o pensamento livre é uma anomalia da espécie, um desajuste mental que leva um indivíduo a ser criativo e destacar-se da massa. Em pouco tempo esse indivíduo passa a ser visto como subversivo. Seu instinto de autopreservação não funciona como na maioria. Ele desafia a si mesmo e arrisca sua segurança em nome de um ideal que afirma ser maior que ele mesmo. Sócrates dizia ouvir uma voz interior, Gandhi seguia princípios religiosos, outros se tornaram mártires ao defenderem com a vida uma ideologia política. Logo, o pensamento livre é possível, mas, às vezes, cobra um preço muito alto daquele que ousa pensar.


Sócrates entre seus discípulos como no livro Fédon.

Resumo aos estudantes: política, economia e sociedade



1- Formas de governo

Clã: A família é o núcleo de toda e qualquer sociedade. Na tradição, a família é formada por um pai, uma mãe e seus descendentes naturais. Várias famílias reunidas, convivendo juntas, formam um clã.

Tribo: A tribo é formada por vários clãs que juntos fazem suas leis, justiça e se auto-governam. As pessoas dividem as tarefas e em algumas tribos os bens também são comunitários. Elas têm em comum a língua e as crenças religiosas, mas não formam um Estado com poder central. Podem ter um chefe tribal, mas as decisões são tomadas em conjunto com toda a tribo.

Monarquia: As monarquias têm reis, príncipes ou imperadores como os donos do poder e este poder é hereditário. A fonte do poder dos reis é baseada no "direito divino". Na monarquia parlamentarista o rei não detém o poder político, este fica a cargo do Primeiro Ministro. O rei então se torna apenas um símbolo do Estado.

República: Sistema que se opõe à monarquia. Na república não existe monarca, mas existe um Estado com poder centralizado. O poder “emana do povo”. A república pode ser presidencialista (com presidente eleito diretamente pelo povo) ou parlamentarista (com um Primeiro Ministro eleito pelo parlamento que representa o povo).


2- Práticas políticas

Autocracia: Uma pessoa sozinha governa as massas, dita as leis e as muda conforme a sua vontade.

Oligarquia: Um grupo restrito de pessoas governa as massas, dita as leis e as muda conforme a vontade daquele mesmo grupo que detém o poder.

Essas duas práticas (ditatoriais) podem se apresentar com:

a) Autoritarismo: É uma ditadura exercida por uma pessoa (autocracia) ou um grupo (oligarquia). Não conta com o apoio das massas.

b) Totalitarismo: É uma ditadura (autocrática ou oligárquica) na qual há uma ideologia ou um objetivo maior por trás de todo o poder. Geralmente conta com o apoio das massas, sugerindo uma união entre os indivíduos em prol de todos.

Democracia: Os cidadãos fazem as leis, a justiça e governam por eles próprios (democracia direta) ou por meio de seus representantes eleitos (democracia representativa). O ideal de democracia é opor-se à ditadura, mas a democracia também pode ser entendida como “ditadura da maioria” ou “ditadura constitucional” (ditadura das Leis).


3- Ideologias

Ideologias de Direita: São aquelas que tentam manter a ordem social vigente, isto é, manter os privilégios de uma elite (portanto, são ideologias conservadoras). Pregam o liberalismo econômico (livre concorrência) e acreditam na “méritocracia”.

Ideologias de Esquerda: São aquelas que tentam extinguir as diferenças entre classes sociais (portanto, são revolucionárias). Reivindicam a justiça social fundamentada em princípios como a igualdade.


Fascismo/Nazismo: Foram autocracias (ditaduras) totalitárias (com apoio das massas) e nacionalistas. No plano político, se opuseram tanto à monarquia quanto à democracia. No plano econômico, se opuseram tanto ao capitalismo quanto ao comunismo. São consideradas como ideologias de extrema-direita.


4- Sistemas econômicos

a) Relações entre Estados

Mercantilismo: Uma metrópole controla toda a economia de uma ou mais colônias. As colônias não possuem autonomia econômica nem política.

 Imperialismo: As colônias possuem alguma autônima política (uma pequena parcela de poder delegada a um representante regional), porém subordinada a um outro Estado. No plano econômico as colônias não possuem nenhuma autonomia.

O Mercantilismo e o Imperialismo são os “embriões” do capitalismo moderno e do “liberalismo econômico”.


b) Relações entre pessoas (classes sociais)

Feudalismo: O senhor feudal é proprietário de uma terra (meio de produção) onde os servos (sem terra) trabalham para ele. A produção econômica é para a subsistência, o senhor feudal ganha a maior parte enquanto a menor parte é dividida entre os trabalhadores. Não há possibilidade nenhuma de mobilidade social. Se baseia no “direito divino”.

Capitalismo: sistema econômico que se baseia no liberalismo econômico, o qual prega a livre competição entre trabalhadores, o livre comércio de mercadorias sem interferência do Estado e principalmente a propriedade privada. O capitalismo pode ser democrático ou ditatorial. Em qualquer caso, o capitalismo é marcado pela concentração de renda, formando uma “pirâmide social”. A sociedade consequentemente é dividida em classes (da mais rica às mais pobres) e é caracterizada pela contradição entre burguesia (donos dos meios de produção) e proletariado (trabalhadores sem posses). Segue uma lógica semelhante ao Feudalismo, porém, no capitalismo há alguma (pequena) mobilidade social e a relação produção-consumo é estimulada. O capitalismo não se baseia no “direito divino”, mas num direito adquirido, acreditando na “méritocracia”.

Socialismo: É chamado também de “ditadura do proletariado”. Opõe-se à desigualdade social gerada no capitalismo, opondo-se principalmente ao liberalismo econômico e à propriedade privada (de terras e indústrias). O socialismo é um movimento revolucionário (prega a mudança radical) do sistema político-econômico. É uma forma de totalitarismo. A contradição não é mais entre burguesia e proletariado, mas entre Estado e povo. A propriedade passa a ser do Estado e as pessoas trabalham para o Estado.

Comunismo: Seria a última etapa do Socialismo na qual o Estado não mais existiria e as pessoas trabalhariam em cooperativas. É uma tentativa radical de eliminar as contradições políticas e desigualdades sociais de outros sistemas.

Anarquia: Ausência de Estado (ausência de poder centralizado). É o auto-governo do povo (sem representantes). Também é chamado de “socialismo libertário”, contudo, acredita em atingir o comunismo sem passar pela etapa do socialismo.

Social-Democracia: Seria um Estado que combina um capitalismo democrático com políticas sociais típicas do socialismo (educação e saúde para todos independentemente de classe social). Não é revolucionário, mas reformista, isto é, tenta diminuir os impactos negativos do capitalismo sem extingui-lo.


5- Alguns teóricos e obras

Platão – Sintetiza suas ideias gerais na obra “A República”.

Dante Alighieri – Apresenta suas ideias políticas na obra “Da Monarquia”.

Maquiavel – Teoriza sobre o poder na obra “O Príncipe”.

Thomas Hobbes – É um teórico do contrato social. Sua principal obra é “O Leviatã”.

Montesquieu – Sistematizou a divisão dos poderes: executivo, legislativo e judiciário. Uma de suas obras mais importantes é “O Espírito das Leis”.

Adam Smith – Defendeu o liberalismo econômico na obra “A riqueza das Nações”.

Karl Marx – É um teórico do socialismo científico. Fez críticas ao capitalismo em “O Capital” e “O Manifesto do Partido Comunista” e em muitas outras de suas obras.

Bakunin – Foi um anarquista teórico. É uma referência para pensadores atuais como o linguísta Noam Chomsky.

Proudhon – Foi um anarquista teórico. Fez críticas à propriedade privada.

sábado, 19 de outubro de 2013

Famosos que estudaram Letras




Algumas celebridades com graduação em Letras:

B. F. Skinner
(Psicólogo comportamental, Bacharel em Literatura Inglesa)

Jodie Foster
(atriz e diretora, Bacharel em Literatura por Yale)

Brooke Shields
(atriz americana, Bacharel em Literatura Francesa por Princeton)

Emma Thompson
(atriz, Bacharel em Literatura Inglesa por Cambridge)

Hugh Grant
(ator, Bacharel em Literatura Inglesa por Oxford)

Tommy Lee Jones
(ator e diretor, Bacharel em Inglês por Harvard)

Stephen King
(escritor best seller, Bacharel em Inglês)

Paul Simon
(cantor e compositor, Bacharel em Inglês)

Sigourney Weaver
(atriz, Bacharel em Inglês)

James Franco
(ator, Bacharel em Inglês)

Renée Zellwegar
(atriz, Bacharel em Inglês)

Bill Maher
(comediante de stand up, apresentador de talk show, cineasta e escritor,
Bacharel em Inglês e História)



... Graduação em áreas afins:

Meryl Streep
(atriz, Bacharel em Drama e Mestrado em Artes)

Adam Sandler
(ator, cineasta, Mestrado em Artes)

Sandra Bullock
(atriz, Bacharel em Drama)

Denzel Washington
(ator, Bacharel em Teatro)

Bill Cosby
(comediante, Mestrado em Educação)


Para saber mais:
http://www.rasmussen.edu/student-life/blogs/main/100-Celebrities-with-College-Degrees/