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segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Os senhores de Roma: Augusto

 

Faro Editorial, 351 páginas.


Esta postagem não será uma análise profunda, nem uma resenha, mas apenas uma boa indicação de leitura.

O romance histórico é um gênero literário que, quando bem feito, nos transporta a uma outra época, como se estivéssemos realmente vivendo aquele passado, testemunhando de perto os bastidores de eventos históricos. Esse é o maior barato desse gênero literário. E esse é o caso da narrativa aqui recomendada.

O enredo tem início nos famosos idos de março, ou seja, o assassinato de Júlio César. 

Otávio, seu herdeiro, se tornaria o primeiro imperador romano, passando a se chamar Augusto. Nestas páginas de suas memórias ficcionais acompanharemos a sua trajetória e os principais eventos desse período da história de Roma.

Essa narrativa em primeira pessoa mostra um Otávio sagaz e manipulador que, com ajuda de Mecenas e Agripa [e o poeta Virgílio] vai mordiscando bocados cada vez maiores do poder. 

Do triunvirato ao conflito inevitável com Marco Antônio e Cleópatra, ele vai ascendendo como imperador ao mesmo tempo que os cidadãos e o senado são levados a vê-lo como defensor da república romana.

Na segunda parte de suas "memórias" o imperador, bem mais velho, analisa sua trajetória.

Os poetas Virgílio e Horácio são mencionados em alguns momentos da narrativa.

Muito do que é narrado nesse livro realmente aconteceu daquele jeito. Outras coisas não sabemos, mas podem ter acontecido, não ter acontecido, ou acontecido de forma semelhante ao que a ficção propõe. Esse é o outro barato do romance histórico.


Outro romance histórico muito bem feito é:

"A pedra da luz: Nefer, o silencioso" de Christian Jacq

Já o recomendei várias vezes aqui no blog:

https://interludico.blogspot.com/2019/12/dica-de-leitura-nefer-o-silencioso.html

sábado, 8 de janeiro de 2022

Profecia do Inferno [série]

 

Breve análise

A série da Netflix Profecia do Inferno traz uma crítica muito profunda e complexa a vários aspectos da religião e de seu uso pelo homem.

A trama nos mostra:

Uma seita = a Nova Verdade, que usa o medo do inferno como forma de controlar as pessoas e assim obter poder. Na segunda metade da série de 6 capítulos, essa seita se transforma na maior religião do mundo.

Uma bíblia = o site/aplicativo dessa seita, usado como manual de consulta sobre o que é pecado e qual é a "vontade de Deus" [segundo as palavras de alguns homens].

Um grupo extremista/terrorista = Arrowheads, com um influencer digital e seguidores infiltrados nos mais diversos ramos, tendo o objetivo de propagar a fé e eliminar do mundo os pecadores.

Cartaz da série sul-coreana












Outra reflexão que a série traz é o conflito entre a autonomia de tomar decisões (livre-arbítrio) e uma sociedade teocrática que vigia e tenta controlar cada indivíduo e suas ações. Nessa sociedade fictícia, várias pessoas deixam de "pecar" e de cometer crimes, por medo do inferno. Mas aquelas organizações religiosas mentem, cometem crimes e ações violentas para manter o poder e combater o pecado. A utopia de mundo sonhada pelo primeiro presidente da Nova Verdade se comprovou um fracasso total. 

E isso nos alerta para o fato de que, mesmo com boa intenção, a mentira não deve prevalecer sobre a verdade; da mesma forma que, mesmo havendo algumas escolhas ruins, uma ditadura não é melhor que a liberdade de viver e escolher por si só.

Em última análise, esta obra sul-coreana é uma crítica ao sistema político de sua vizinha, a Coreia do Norte, que em nome de um bem maior, restringe as liberdades individuais.


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

De Dentro

Já está disponível no Spotify, Deezer e YouTube o álbum De Dentro, trabalho de estreia do capixaba Yuri Oliveira [Daviola] como cantor e compositor.

Yuri é um guitarrista de 24 anos virtuosíssimo. Toca como poucos! Já vi ele tocar solos de Metallica, Guns n' Roses, Eddie Van Halen, Iron Maiden etc fazendo-os parecer a coisa mais fácil do mundo. Você leitor pode conferir acessando as redes sociais do Yuri [links no final desta postagem].

Em 2020, com a pandemia do corona vírus, foi obrigado a dar uma pausa nas aulas de guitarra que ministrava e também nos shows com a banda Ruptur.

Seu álbum, lançado em 25 de novembro, foi gravado no isolamento social, de forma 100% independente e com um único músico, o próprio Yuri.


As 8 faixas que compõem a obra representam uma síntese das três faces de Yuri como compositor: música apenas instrumental, música cantada em português e música cantada em inglês.

Pode-se dizer que há um excesso de virtuosismo na parte instrumental, com arranjos nada fáceis de serem executados, o que demonstra muito talento de Yuri como músico. Porém, esse excesso não cansa os ouvidos, deixando a composição soar leve, de modo a possibilitar uma maior aceitação popular.

Por outro lado, as letras são um tanto herméticas. Mas sua poesia pode atingir o grande público ao falar de sentimentos universais; como amor [eros], solidão, saudade e introspecção.


Faixa a faixa:

Impetuosa Tempestade - A faixa de abertura é cantada em português. De temática amorosa, sua levada é carismática e de fácil aceitação, contrastando com complexos arranjos de bateria, baixo e guitarras que permeiam por todo o álbum, incluindo nesta canção. Há nela elementos de MPB, rock e gospel - uma fusão eclética e muito bem-vinda.

A Voz do Trovão - Faixa instrumental com muita brasilidade, lembrando talvez o Nordeste, mas com arranjos de rock dignos de nos reportar a bandas progressivas como Rush.

The Morning Ends the Mourn - Balada cantada em inglês. Traz uma lindíssima melodia com um refrão poderoso! E o solo final da guitarra é simplesmente soberbo! Esta canção, como outras do álbum, tem força para ser um grande hit.

Ermo - Balada ao estilo soft jazz ou jazz rock, cantada em português. A letra tem ótimas sacadas e a musicalidade aqui vai numa gradação crescente que primeiro agrada, depois conquista e, por último, fica.

Four Walls - Com letra em inglês, uma melodia encantadora e um refrão que nasceu para conquistar nossos ouvidos na primeira audição. Se fosse para indicar uma música de trabalho, provavelmente seria esta. Mas é difícil escolher entre tantas faixas brilhantes num mesmo álbum.

Two Wolves - A terceira e última faixa cantada em inglês. A letra se baseia na alegoria dos dois lobos que lutam dentro de nós, simbolizando o bem e o mal. E a pergunta é: qual lobo você vai alimentar? A faixa não tem bateria, portanto, é uma melodia mais introspectiva. Belíssima!

Tensão - A segunda e última faixa instrumental do álbum. Destaca-se a variação de ritmo e um trabalho sensacional de guitarra. Arranjos de tirar o fôlego.

Depois da Vida - A terceira faixa com letra em português fecha o álbum. O tom é melancólico, musical e poeticamente, mas o solo de guitarra ergue o espírito da música e do ouvinte, como se nos puxasse da profundeza para vir à tona. Uma catarse.


Em resumo,

De Dentro nos apresenta intimamente a um professor de música muito talentoso; guitarrista, vocalista e arranjador. E a um compositor existencialista, pensador de si mesmo e do mundo que o cerca.


Link do álbum no YouTube:



Yuri Oliveira nas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/daviolaoficial/

YouTube: https://www.youtube.com/user/TheGuitarYuri

Facebook: https://www.facebook.com/yuridaviola

Página inicial do álbum: https://www.youtube.com/channel/UCDGCcCdxZNRNRog3t77XSLw


Yuri Oliveira [Daviola]



segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Música boa em 2020

Não só música boa, nestes casos, Ótimas! Aquele momento em que você está consciente de que é contemporâneo de obras-primas.

Gostaria de reafirmar a beleza destes dois álbuns: Gigaton (Pearl Jam) e Perdida (Stone Temple Pilots). Há muitos anos não ouvia no universo da música dois lançamentos tão bem produzidos! Em um ano atípico, dois trabalhos musicais atípicos, fora do normal, audaciosos, soberbos!

Gigaton, 2020 (Pearl Jam)


As faixas 5, 6, 11 e 12 já deveriam ser declaradas patrimônio da humanidade! Desde o álbum Pulse do Pink Floyd não havia no mercado músicas tão épicas, sublimes e meditativas como essas. Já as faixas 1, 2 e 3 são excelentes canções de rock ao estilo Pearl Jam e com algo a mais! E a faixa 3, por sua vez,  me faz sentir a mesma empolgação de quando ouço Man in the Mirror do Michael Jackson. 

Todas as faixas têm momentos grandiosos de bateria, percussão, órgão, efeitos sonoros, guitarras e vocais. É um álbum apaixonante e marcante na História da música. No meu top list, entra certamente entre os 10 melhores, logo depois de Abbey Road (The Beatles), Brothers in Arms (Dire Straits), American Idiot (Green Day) e Jagged Little Pill (Alanis Morissette). Este recente trabalho do Pearl Jam é uma aula de composição e produção musical.


Perdida, 2020 (Stone Temple Pilots)

Um álbum inteiro de baladas semi-acústicas, uma mais linda do que a outra! E todas com tom nostálgico, letras românticas, mas nada introspectivo. Pelo contrário, é um álbum que se ouve com alegria! Com pouco tempo de audição, ele se torna contagiante e apaixonante, ao estilo de Bread, Pholhas e de outros artistas que provocam esses sentimentos de saudade. A última faixa me lembra um pouco John Lennon.


Aos fãs de rock, considero um pecado não ouvir e amar esses dois álbuns.

- Renan, eles são tão bons assim?

- Sim, são. E digo isso sem medo de frustrar expectativas.


sexta-feira, 6 de novembro de 2020

A perfeita canção country

Canção: "You never even called me by my name"

Intérprete: David Allen Coe
Compositor: Steve Goodman

Essa canção, inicialmente, traz o sofrimento comum em muitas canções do gênero, e cita alguns nomes tradicionais da música country. Mas a partir da 6ª estrofe, o cantor começa uma narrativa sobre o compositor desta canção, que alegava ser esta a perfeita canção country. O cantor rebate dizendo que faltam nela muitos elementos típicos do gênero [falar sobre a mãe, trens, caminhões, prisão e ficar bêbado] para ela ser a perfeita canção country.

O compositor então decide escrever uma última estrofe e envia-la ao cantor [a penúltima estrofe na letra abaixo.]. E nessa estrofe, ele coloca em apenas quatro versos, de uma só vez, todos aqueles elementos típicos da música country que, até então, faltavam na canção. 

Então o cantor passa a concordar com o compositor: "Após ler esses versos, percebi que meu amigo tinha escrito a perfeita canção country.".

Claramente, o melhor momento desta canção e o seu maior mérito são o efeito cômico a partir da 6ª estrofe [a crítica do cantor] e da estrofe que se segue [que o compositor acrescentou]. 


Letra completa:

Well, it was all
That I could do to keep from crying'
Sometimes it seemed so useless to remain
But you don't have to call me darlin', darlin'
You never even called me by my name 

You don't have to call me Waylon Jennings
And you don't have to call me Charlie Pride
And you don't have to call me Merle Haggard anymore
Even though you're on my fighting' side
 

And I'll hang around as long as you will let me
And I never minded standing' in the rain
But you don't have to call me darlin', darlin'
You never even called me by my name
 

Well, I've heard my name
A few times in your phone book (hello, hello)
And I've seen it on signs where I've played
But the only time I know
I'll hear "David Allan Coe"
Is when Jesus has his final judgment day
 

So I'll hang around as long as you will let me
And I never minded standing' in the rain
But you don't have to call me darlin', darlin'
You never even called me by my name
 

Well, a friend of mine named Steve Goodman wrote that song
And he told me it was the perfect country & western song
I wrote him back a letter and I told him it was not the perfect country & western song
Because he hadn't said anything at all about mama
Or trains, or trucks, or prison, or getting' drunk
Well, he sat down and wrote another verse to the song and he sent it to me
And after reading it I realized that my friend had written the perfect country & western song
And I felt obliged to include it on this album
The last verse goes like this here:
 

Well, I was drunk the day my mom got out of prison
And I went to pick her up in the rain
But before I could get to the station in my pickup truck
She got run over by a damned old train
 

And I'll hang around as long as you will let me
And I never minded standing' in the rain, no
But you don't have to call me darlin', darlin'
You never even called me
Well, I wonder why you don't call me
Why don't you ever call me by my name.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Singer Sagarika Deb

For those who like Indian music, here's a great tip! This Indian singer is live on Instagram and Facebook every Saturday, starting at 10 pm in New Delhi [1 pm in New York].

Her name is Sagarika Deb. With great sympathy and a contagious laugh, she sings songs in Hindi, Bengali and English.

Owner of a sweet voice and great vocal technique, she is charming singing melodies to delight our hearts.

Follow her in the links bellow.


Para quem gosta de música indiana, aqui está uma ótima dica! Esta cantora indiana faz lives no Instagram/Facebook todos os sábados, a partir das 14h, horário de Brasília [22h na Índia].

Seu nome é Sagarika Deb. Com muita simpatia e uma risada contagiante, ela canta músicas em hindi, bengali e inglês. A maioria com acompanhamento musical no estilo karaokê e outras acappella [apenas voz].

Dona de um canto doce e dominando muita técnica vocal, ela é charmosa cantando melodias que alegram e encantam.

Os links da live estão no final desta postagem.

 





Sagarika has been honored with a certificate and trophy for her outstanding contribution to Pop Music, Animal Rights, and Women Empowerment.

Sagarika foi homenageada com um certificado e um troféu por sua excepcional contribuição à Música Pop, aos Direitos dos Animais e ao Empoderamento das Mulheres.



Follow her: 

Para seguir:

Instagram: sagarikaofcl [ao vivo todo sábado às 14h]

Facebook: SingerSagarikaOfficial  [ao vivo todo sábado às 14h]

Facebook: sagakiraofcl [perfil]

YouTube: SagarikaOfficial [página de vídeos]


terça-feira, 23 de junho de 2020

Stone Temple Pilots – Perdida 2020

Capa de Perdida, 2020.

Stone Temple Pilots é considerada por alguns como uma banda de grunge rock, por outros como rock alternativo da década de 1990, ainda em atividade. Como todo bom ouvinte de música já deve ter reparado, as bandas que duram mais de 5 álbuns, costumam se reinventar sonoramente. Foi assim com os Beatles (Sgt. Peppers), com o Metallica (black album), com o Green Day (American Idiot) só para citar alguns exemplos. Toda mudança pode causar estranhamento inicial, mas jamais deve ser vista como algo negativo sem que antes se dê chance à experiência de conhecer de perto o novo paradigma.

Stone Temple Pilots em seu mais recente álbum não parece trazer uma mudança de estilo ou gênero, e sim um novo projeto. Mas só o futuro poderá confirmar isso.

PERDIDA, lançado em fevereiro de 2020, não é um álbum de grunge, rock alternativo ou de qualquer vertente ou subgênero do rock. Ele é e precisa ser encarado como um álbum de baladas. E não são metal ballads, nem rock ballads, são baladas mesmo. 

E que baladas! Para mim, é difícil acreditar que se trate de canções de 2020 e não dos anos de 1970. São baladas nostálgicas com pitadas de "romantismo"; um pouco tristes, mas não chegam a compor um álbum melancólico como de algumas bandas britânicas dos anos 1990.

PERDIDA traz discretamente influências de folk, country, música hispânica e cigana. As canções rememoram aquele clima das baladas soft rock de bandas como Bread e Pholhas.

A banda
Exceto pelo vocalista, Stone Temple Pilots mantém todos os seus membros originais:
Jeff Gutt – voz;
Dean DeLeo – violão e guitarra;
Robert DeLeo – baixo, teclados,  e vocais de apoio. Voz principal em"Years";
Eric Kretz – bateria e percussão.

Outros instrumentos como flauta, violino, violoncelo, saxofone etc. foram adicionados por músicos contratados.

PERDIDA embala os ouvidos de forma tão prazerosa que não se nota a passagem dos exatos 45 minutos de duração do álbum.

Pelo trabalho belíssimo de muita riqueza instrumental e primorosa melodia, avalio o álbum com 5 de 5 estrelas. 

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Pearl Jam – Gigaton 2020


O álbum GIGATON do Pearl Jam lançado em março de 2020 já nasceu um clássico! E pode com tranquilidade ser considerado um dos melhores álbuns da carreira da banda. O melhor, obviamente, é o primeiro: TEN.

GIGATON surgiu em meio a uma pandemia, o que não era previsto pela banda. Mas ele se encaixa perfeitamente como a trilha sonora dos tempos em que vivemos, tanto pela temática quanto por sua sonoridade contemporânea. 

GIGATON está disponível no YouTube, Spotify e em outras plataformas de streaming.

A banda tem a mesma formação do seu primeiro álbum, exceto pelo baterista e pela adição de um tecladista.

Eddie Vedder – vocal;
Mike McCready – guitarra solo;
Stone Gossard – guitarra;
Jeff Ament – baixo;
Matt Cameron – bateria [ex-Soundgarden];
Boom Gaspar – teclado.

A sonoridade do álbum merece muitos predicados para destacar a sua qualidade. A voz e estilo inconfundíveis de Eddie Vedder, além das guitarras, nos dizem que é o velho Pearl Jam. Já os vocais adicionais, teclados e alguns efeitos sonoros nos remetem a algo novo, mas que casou muito bem com a banda.


Faixa a faixa:

1- Who ever said: a faixa de abertura não demora a agradar. É uma canção que agita. Sem dúvida, uma ótima faixa para abrir um álbum de rock. Tem cara e cheiro de sucesso garantido. Imagino ela como sendo indispensável nos futuros shows do Pearl Jam ao vivo após a pandemia.

2- Superblood Wolfmoon: o título refere-se à lua cheia com tom avermelhado para a qual os lobos uivam. Essa é outra faixa que, como a primeira, cola rapidamente. Um rock com um solo de guitarra incendiário! Muito prazerosa de ouvir.

3- Dance of the Clairvoyants: esta é a faixa mais experimental do álbum, e a banda acertou em cheio nessa experimentação! Ela é dançante, perfeita para ouvir em uma boate. E tem uma atmosfera gótica, pós-punk, ao mesmo tempo em que anima a dançar. É uma viagem sinestésica de luzes, efeitos sonoros e batida contagiante. O baixo inicial e os efeitos de teclado dão um tom especial, mas ela ainda se desenvolve muito mais e termina com uma melodia fantástica!

4- Quick Escape: outro rock que agrada muito pelo ritmo, linha de baixo, refrão etc. Ela é mais um hit e um marco super positivos para o álbum. A letra cita Queen e Mercury numa clara homenagem. Também explicita o descontentamento com o governo de Donald Trump.

5- Alright: outra canção que traz uma vertente experimental; porém, lenta, intimista, reflexiva até mística, com efeitos que não ouvimos frequentemente numa banda como o Pearl Jam. Traz grandes momentos de paz e meditação.

6- Seven o’Clock: O início lembra muito o PINK FLOYD da fase PULSE. Mas quando começa o vocal, percebemos uma canção nova e que agrega muita qualidade ao álbum. Mais uma vez, a banda critica o governo Trump. Belíssima faixa, deve ser imediatamente considerada um clássico do rock experimental!

7- Never Destination: Mais um rock agitado, ao estilo “Do the evolution”, antigo sucesso do Pearl Jam, mas este tem batida mais rápida. As guitarras são muito bem trabalhadas, como em vários momentos do álbum.

8- Take the Long Way: ótima bateria, frenética e cheia de energia. Esse é um rock que vai agitar muitas festas quando o isolamento social acabar.

9- Buncle Up: uma canção meio parada, mas não muito lenta, com riff e estrutura repetitiva. Soa como se fosse uma canção de ninar revisitada. 

10- Comes Then Goes: executada apenas com voz e violão, tem uma pegada folk que costumava aparecer nas bandas de grunge rock da década de 1990. Ótimos vocais!

11- Retrograde: uma belíssima balada que merece estar nas rádios. Bem ao estilo Pearl Jam, mas com alguns elementos contemporâneos. Ela cresce e termina de forma sublime!

12- River Cross: outra balada, lindíssima, com um tom um pouco experimental. Fecha o disco de forma épica! Musicalidade que deverá ser mencionada por anos no futuro, assim como outras faixas do álbum!

A temática do álbum é reflexiva e intimista às vezes, mas nada depressivo, muito pelo contrário, o álbum anima. Os vídeos que divulgam as músicas trazem muitas imagens da natureza, mostrando que a ecologia é uma preocupação da banda, daí a capa ser uma geleira derretendo. E há muitas críticas explícitas ao governo de Donald Trump. As linhas vermelhas de um monitor cardíaco simbolizam um alerta de que o nosso planeta clama por cuidados.

Capa de Gigaton, 2020.

O álbum é agradável e empolgante, no mínimo! Tendo a acha-lo genial e surpreendente para o contexto em que vivemos. Não sei há quanto tempo eu esperava um lançamento no rock contemporâneo que acrescentasse algo novo e, ao mesmo tempo, soasse como rock clássico. A banda se reinventou no experimentalismo, mas ainda assim soa como o bom e velho Pearl Jam.

É o melhor lançamento que eu ouço em muitos anos! As faixas de rock 1, 2 e 4 eu já as considero como clássicos da banda. São incrivelmente boas! As duas baladas que fecham o disco são absolutamente fantásticas! A faixa 6 [Seven o'Clock] é outra que surpreende demais, tanto pelo som quanto pela letra. A faixa 5 [Alright] também me agrada muito em seu tom contemplativo! E a faixa 3, o que dizer dela? Ela tem que ser a música das discotecas pós-pandemia. Eu que não danço, iria a uma boate para dançar essa música.

O Pearl Jam construiu algumas frases muito bonitas, musical e poeticamente, que se repetem ao final destas canções e se pregam em nossa mente como um mantra:

Em Dance of the Clairvoyants: “Stand back when the spirit comes”.

Em Seven O’Clock: “Much to be done, much to be”.

Em Retrograde: “Hear the sound. Hear The Sound…”.

Em River Cross: “Share the light. Won’t hold us down”

Ou seja, construíram hinos! Não bastassem as estrofes e refrões já marcantes, essas frases finais são um exemplo de como um compositor pode terminar uma canção de modo definitivamente inesquecível!



Recepção e crítica especializada

"Na Billboard 200 dos EUA, Gigaton estreou no número 5."

"O crítico da AllMusic, Stephen Thomas Erlewine, classificou o álbum em 4 de 5 estrelas."

"O escritor da Rolling Stone, Kory Grow, também deu uma crítica positiva ao álbum, classificando-o em 4 de 5 estrelas."

"O roteirista John Paul Bullock também foi positivo em relação ao álbum, escrevendo: 'Gigaton tem um pouco de tudo para todos. É um álbum complexo e dinâmico, cheio de emoção sincera e humor sutil'."

"Mojo, em mais uma crítica positiva, escreveu: 'Forte e solto, político e pessoal, o Pearl Jam consegue o equilíbrio absolutamente certo'."

"O escritor George Garner (Kerrang!) deu ao álbum uma avaliação perfeita e escreveu: 'É o álbum mais furioso do Pearl Jam desde 2006. É o mais musicalmente inventivo desde 1998. E, em virtude de seus temas, é o mais gravemente necessário de toda a sua carreira. É, em suma, um triunfo'."

"Escrevendo para The A.V. Clube, Alex McLevy deu ao álbum a nota B."

"O crítico de som Matt Melis classificou o álbum como B+."

"Steve Lampiris, do The Line of Best Fit, considerou o Gigaton o álbum mais experimental da banda e deu uma pontuação de 8 em 10."


Fonte: Wikipedia, versão em inglês, tradução minha.


Todas as críticas foram positivas. Eu concordo com o comentário de George Garner e, pessoalmente, dou ao álbum 5 de 5 estrelas.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Análise do filme "Coringa"

Eis uma excelente análise do filme Coringa (2019). O autor é o prof. Carlos Eduardo F. Martins, graduado em Letras Português-Inglês e pós-graduado em Especialização de Ensino de Língua Inglesa (Ufes).


Eu assisti ao filme “Coringa” no sábado passado e somente agora, livre de muito “contágio”, eu consegui confeccionar uma análise não muito impregnada de paixão e hipersensibilidade. Devo começar declarando que após a magistral interpretação desse personagem, feita pelo falecido autor australiano Heath Ledger, eu jamais atinei que qualquer outro ator poderia ter a coragem de reviver esse papel, pois seria arriscado demais cair no ridículo, em uma caricatura inferior ao seu antecedente, por assim dizer. Ledger fora aclamado à época e com totais méritos! Até então aquela era a melhor interpretação já feita desse vilão icônico, em que se pese que o ator Jack Nicholson também é um monstro na arte da interpretação e já havia feito um belíssimo trabalho na pele do Coringa. No entanto, Joaquin Phoenix, munido de muita ousadia, verve artística e técnica, e com menos vinte e quatro quilos para o que a tarefa exigia para a interpretação corporal (pasmem!), aceitou a ingrata tarefa. Phoenix, deveras, possuía gabarito para a realização desse empreendimento. É um dos melhores atores contemporâneos, tendo já recebido um Grammy, um Globo de Ouro e três indicações ao Oscar, por filmes como “Gladiador”, “Johnny & June”, “Ela”. Bem, posso afirmar categoricamente que Joaquin Phoenix não só teve êxito em seu feito, como conseguiu realizar uma das maiores atuações do cinema desde a sua gênese (e, não, não estou exagerando, e, sob minha visão, o Oscar de melhor ator já tem dono!).

Arthur Fleck, que vive às margens da sociedade entre a apatia e a crueldade que lhe é imposta diariamente na cidade fragilizada e corrompida de Gotham, ganha a vida como palhaço de rua, mas sonha em ser um comediante de “stand-up”. Quando este se dá conta que seu sonho jamais será realizado, quer seja devido ao seu distúrbio mental, quer seja devido à crueldade e preconceitos cíclicos dos que o cercam, Arthur faz uma escolha involuntária que traz uma reação em cadeia de eventos incontroláveis em uma escalada de violência generalizada que mudará não só a sua vida, mas de toda a sociedade na qual ele está inserido. Eis então o surgimento de nosso icônico Coringa.

Há que se deixar claro que o personagem do Coringa não é herói nem anti-herói, é um vilão e é também um pária social, um infeliz portador de transtorno mental, com uma vida miserável e uma risada patológica que lhe tolhem a liberdade no trânsito social, impossibilitando, assim, a realização de seu sonho. Ademais Arthur é paulatinamente massacrado física e psicologicamente pela sociedade em geral, o que amplifica seus demônios e seus distúrbios. Veja bem: amplifica, mas não cria! Leve-se em conta também que ele não tem o tratamento adequado para a sua patologia. Convém também esclarecer que a vilania do coringa não é, sob nenhuma forma, inviabilizada pela sua condição mental, ou seja, uma coisa não anula a outra, portanto, é um grande absurdo sequer pensar que exista qualquer apologia à violência! Ainda que assim não fosse, invoco o genial Oscar Wilde, que, em um de seus muitos axiomas perspicazes, foi taxativo quanto à crítica que se deve ter acerca da arte: “Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem ou mal escritos. E eis tudo”. Sendo Oscar Wilde um esteta, ele não somente possuía tal premissa para livros, mas para todos os tipos de obras artísticas. Deve-se julgar, portanto, a qualidade da obra e não seu conteúdo!

Essa película é um drama denso, quase um estudo de caso, que também flutua entre o horror e o terror psicológico (se você espera ver um filme carnavalesco de super-heróis, com explosões e cores vivas eclodindo sob CGIs, esqueça!) e fora confeccionado para incomodar incessantemente durante toda a projeção, e consegue esse intuito com maestria! Tudo, exatamente tudo conspira para esse fim: a sonoplastia com ruídos e sons perturbadores; os filtros de cores frias, ora verde, ora azul, além de um belíssimo jogo de luzes e sombras, como imensos holofotes que iluminam e chamam atenção para o picadeiro da vida, onde a ação é encenada; planos longos de câmera (sem cortes), às vezes, desestabilizada, ora contemplando o personagem principal em seus devaneios, ora evidenciando, em tomadas fechadas, as suas idiossincrasias de forma enfática para fins dramáticos; alegorias poderosas que aludem a barreiras, aos obstáculos difíceis de serem transpostos, tais como uma escadaria imensa, grades que segregam, elevador defeituoso, barreira policial, multidão revoltada, um transtorno mental incurável etc; ambientes fechados, sombrios e opressores e uma interpretação fenomenal que perturba, instiga e sufoca o espectador em cada frame da película (Phoenix está em todas as cenas!).

Em primeiro lugar, com noventa e três milhões e meio de dólares arrecadados no mundo todo até aqui, obtendo dez vezes mais arrecadação no “TOP BOX OFFICE” que o segundo colocado, “Abominável”, recheado de assuntos pertinentes e polêmicos (até por isso não estranhe se o filme for boicotado no Oscar...), tais como corrupção, sensacionalismo e irresponsabilidade mediáticos e suas consequências, violência urbana, politicagem, irresponsabilidade e abandono (falta de política) governamentais, transtornos mentais e de personalidade, seus possíveis tratamentos, negligência, descaso e preconceito, um roteiro criativo e assertivo, uma ambientação primorosa, uma direção afiada e contundente, uma fotografia perfeita, sonoplastia e músicas adequadas e sublimes (aplicar “Send in the clowns” no filme é uma sacada e tanto!) e, ratifico, uma interpretação poderosa e fenomenal de Joaquin Phoenix, o Coringa é aquele tipo de filme que continua sendo projetado em sua mente muito tempo depois que as luzes do cinema se apagam.




quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Sobre a resenha



A resenha – também referida como resenha crítica – é uma modalidade de escrita, ou para alguns linguístas, um gênero textual. Define-se como um texto dissertativo com a função de apreciar/analisar uma obra.

A produção de resenhas está intimamente ligada à capacidade de produzir resumos e fichamentos. É a partir dessas práticas que o leitor se sentirá mais à vontade para produzir e, finalmente, publicar sua apreciação crítica acerca do que tem visto e lido.

A resenha possui seu lugar cativo entre estudantes, professores, pesquisadores, colunistas e jornalistas, tanto no ato da leitura como no da produção textual. Contudo, ela visa, como última finalidade, à promoção de algo novo entre aqueles que desejam travar um contato prévio com uma obra e assim decidirem-se por visitá-la, ou ainda, ao aprofundamento crítico para aqueles que tiveram um contato breve com a obra original e aspiram a um entendimento mais apurado daquele assunto. A resenha sobre livro, peça teatral, música, filme, exposição e espetáculo, quando publicada em jornal de grande circulação, é nomeadamente reconhecida como a crítica especializada. Esta é a responsável por promover obras e eventos recém lançados. Já a resenha acadêmica cumpre seus fins de estudo, aprofundamento e reflexão. Ambas podem compartilhar muito em comum na estrutura de texto, ainda que ambos os modelos tenham finalidades razoavelmente distintas – o que não as distancia, necessariamente, como gênero textual.

A aprendizagem demanda prática e requer tempo de leitura, além de conhecimentos específicos no assunto a ser resenhado. E é claro, as instruções e orientações do professor no processo educacional serão fundamentais no encaminhamento do estudante. Não há conhecimento que se faça sozinho.

Aquele que deseja desenvolver sua redação deve tomar para si o hábito da leitura e escrita como algo inerente à sua natureza, sobretudo quando as resenhas são voltadas à publicação. Neste caso, também é indispensável ao bom redator contar com a colaboração de um profissional da língua para revisar o texto.

O interesse pela língua, seu bom uso e boa compreensão deve ser um princípio intrínseco a todos, para o bem individual e coletivo desses mesmos seres sociais falantes, leitores e produtores de conhecimento.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Música + Cinema: produções para ver e rever



Dicas de filmes que tratam da música e tudo o que o seu universo envolve.



Amadeus (Amadeus, 1984) – Adaptado de uma peça teatral, este filme foi vencedor de 8 (merecidos) Oscars, incluindo o de melhor filme. A vida do compositor classicista Wolfgang Amadeus Mozart é contada na ótica de seu rival Antonio Salieri (F. Murray Abraham numa atuação emocionante!). Há muitas coisas para se destacar nesta obra-prima, mas escolho a cena em que o réquiem de Mozart é composto, na qual o espectador ouve instrumento a instrumento, como se estivesse dentro da cabeça do compositor. Mas não poderia deixar de mencionar também a cena em que Salieri descreve de forma arrebatadora a música que lê nas partituras de seu rival. O texto é belíssimo, enquanto a trama envolve questionamentos sobre a fé e sentimentos como a inveja e a ambição. Nesta produção a música parece reger o filme, e não o oposto como é de costume. Desde o seu início, som e imagem prendem o fôlego do espectador. A direção é de Milos Forman.



Quase Famosos (Almoust Famous, 2000) – No início da década de 70 tá rolando tudo! – como diria a personagem Penny Lane. O enredo semiautobiográfico escrito e dirigido por Cameron Crowe gira em torno de um jovem de 15 anos que tem a chance de excursionar com uma banda de rock, fazendo a cobertura da turnê para a revista Rolling Stone, publicação especializada em crítica musical. A banda em questão é Stillwater, um grupo fictício com repertório criado especialmente para o filme. O roteiro é leve, adorável, divertido e empolgante. Ao assistir a esta história, não estranhe se você se sentir nostálgico de uma época em que a música era mais apaixonante do que é hoje e o mercado fonográfico era mais inocente, antes de ele arruinar o rock and roll e tudo o que amamos nele. É um filme sobre viagens, festas, ilusões e pessoas tentando não dizer adeus. A trilha sonora também inclui canções de Led Zeppelin, Yes, Simon & Garfunkel, Deep Purple, Black Sabbath, Jimi Hendrix, Elton John, entre outras.



Hair (Hair, 1979) – Musical adaptado da Broadway para o cinema, conta de modo bem humorado sobre o modo hippie de viver. Tudo começa quando um jovem do interior vai à Nova York para se alistar no exército, mas no caminho depara-se com um grupo de hippies. Desse encontro surge paixão, amizade e aventuras que conduzem a trama a um final inesperado. As canções abordam temas como sexo, uso drogas, misticismo e, é claro, a Guerra do Vietnã. A cena em que Berger dança sobre a mesa é impagável! Esta e muitas outras cenas, além da trilha sonora e de um ótimo roteiro, fazem desta produção uma obra para ser vista e revista. Direção de Milos Forman.



 The Doors (The Doors, 1991) – Apesar das críticas de Ray Manzarek (tecladista dos Doors) sobre o roteiro ter exagerado ao mostrar um Jim Morrison sempre bêbado, o filme de Oliver Stone vale a pena pela trilha sonora e atuação impecável de Val Kilmer no papel do poeta do rock. Data máxima venia, o exagero torna-se justificado pela fama lendária que cerca de forma quase indissociável a breve carreira de Jim Morrison. Se o diretor focou demais nas extravagâncias do cantor é porque elas ajudaram a fazer dele uma lenda do rock e se não fosse por essa excentricidade o filme não despertaria tanto interesse. Mas fica a dica: é um filme baseado em fatos reais, mas não é um documentário, portanto, não devemos encará-lo como sendo uma biografia do ídolo. Em resumo, o filme é válido na sua intenção e sublime na sua arte. O casamento entre músicas e cenas é de um primor raro, superando em muito os videoclipes da MTV.



 Backbeat – Os 5 rapazes de Liverpool (Backbeat, 1994) – Filme baseado na história dos Beatles antes de alcançarem fama, ainda na época em que começaram a tocar em casas noturnas da Alemanha. O enredo tem a banda como pano de fundo, mas prefere focar na curiosa história do artista plástico Stuart Sutcliffe, que por um breve período tocou com os Beatles. A amizade entre Stuart e John Lennon, a paixão de ambos pela fotógrafa Astrid Kirchherr, as brigas, sonhos e dilemas são mostrados como o gatilho para o que viria a ser o fenômeno Beatles. Mas não espere ouvir canções de Lennon-McCartney aqui. A trilha sonora é composta de canções de Chuck Berry e outros dessa geração que inspirou os Beatles e sempre fez parte de seu repertório de covers. A produção é pequena, mas cumpre bem o seu papel. O filme cria uma atmosfera em torno da pintura abstrata, da poesia simbolista francesa, da fotografia artística, casando tudo isso com rock and roll. Neste casamento, acertou em cheio!


Bônus: não poderia deixar de fora estas produções nacionais...


Cazuza – O tempo não para – Uma história chocante contada por uma poesia inspiradora. A narração do Cazuza-personagem explicando suas motivações em cada ato é o maior acerto desta produção. A cena de Cazuza no mar, com música de Lobão: “Vida louca, Vida breve, Já que eu não posso te levar, Quero que você me leve” é a entrega final, a aceitação do irremediável destino.


Somos tão jovens – Thiago Mendonça interpreta Renato Russo para contar nesta produção a história do nascimento do punk-rock de Brasília. A trama se concentra no Aborto Elétrico, mencionando a Plebe Rude e o Capital Inicial, até que a Legião Urbana se forme e faça a sua grande estreia.  A cena em que tocam “Ainda é Cedo” se destaca como a mais cativante do filme.

Gonzaga de pai pra filho – Excelente produção nacional sobre a vida de Luiz Gonzaga, o rei do baião, e Gonzaguinha: dois entre os maiores nomes da música popular brasileira. Atuações emocionantes, direção impecável e trilha sonora perfeita!


Outros que considero muito bons e recomendo:

- La Bamba (La Bamba, 1987) sobre o astro do rock Ritchie Vallens.
- A Fera do rock (Great balls of fire, 1987) sobre o pianista Jerry Lee Lewis.
- The Commitments – Loucos pela fama (The Commitments, 1991) sobre uma banda fictícia que tenta reviver as emoções da soul music na Irlanda.
- Minha amada imortal (Immortal Beloved, 1994) sobre Ludwig Van Beethoven.
- Dois filhos de Francisco, produção nacional sobre a infância e início do sucesso de Zezé Di Camargo. 
 

domingo, 9 de junho de 2013

Resenha do livro: “Crítica ao fetichismo da individualidade”






















FICHA TÉCNICA
Título: Crítica ao fetichismo da individualidade
Autor: vários. Organização de Newton Duarte.
Ano: 2012, 2ª edição.
Editora: Autores Associados


Esta é uma obra que recomendo fortemente a professores, estudantes de licenciaturas e pesquisadores da área educacional. E vou mais além, diria que esta obra é uma leitura obrigatória nos nossos tempos.

A coletânea organizada por Newton Duarte trata de temas como: problemas na concepção pós-moderna de indivíduo, crítica à pedagogia das competências, atitude antiescolar, ideologia nas teorias de linguagem, contradições na gênese da história da psicologia, o fetichismo da infância, a imagem idealizada de família e como esta imagem é alimentada por educadores e psicólogos. Isso apenas para citar alguns dos assuntos que são objetos de reflexão em cada um dos nove capítulos deste livro.

Os textos possuem uma abordagem humanista e extremamente atual. Em comum, todos os autores partilham do método histórico-dialético contemporâneo. Ao longo de debates teóricos, outras abordagens também surgirão e serão analisadas, desde Freud, Piaget e Vigotski até a teoria dos atos de fala, entre outras.

Os autores são: Alessandra Arce, pós-doutora em história e filosofia da educação; Dermeval Saviani, filósofo e livre-docente em história da educação; Maria Sílvia Cintra Martins, graduada em Letras, doutora em Linguística; Marilda Gonçalves Dias Facci, pós-doutora em psicologia; Silvana Calvo Tuleski, psicóloga e mestra em educação; Lígia Márcia Martins, psicóloga, livre-docente em psicologia da educação; João Henrique Rossler, psicólogo, doutor em educação; Sonia M. Shima Barroco, psicóloga, mestra em fundamentos da educação; Newton Duarte, pedagogo e livre-docente.

Destaco aqui os textos de Lígia Márcia Martins e de Sonia M. Shima Barroco pelo modo excelente como souberam problematizar o tema em seus respectivos capítulos e pela forma consistente como desenvolveram suas críticas.

Também gostei muito da introdução redigida pelo organizador do livro, na qual ele demonstra habilidade até mesmo para a análise literária, ao abordar a narrativa bíblica.

O nono capítulo, também de autoria de Newton Duarte, apresenta uma reflexão relevante e bem estruturada. Antes de lançar a sua crítica sobre a pós-modernidade, o autor expõe o que os filósofos pós-modernos entendem por individualidade.


DUARTE, 2012, p. 198:


Segundo os pós-modernos, o indivíduo típico da modernidade seria ativo, empreendedor, um explorador tentando submeter a seu domínio racional as forças da natureza, incluídas aquelas que a espécie humana carrega em si. [...] Por sua vez, o pós-modernismo afirma que não existe esse indivíduo com um núcleo essencial de identidade, pois todas as pessoas são fragmentadas e aquilo que nos habituamos a chamar de individualidade estaria em contínuo processo de dissolução. Segundo os pós-modernos, todo indivíduo se divide em papéis múltiplos e efêmeros, em máscaras descartáveis, estando a personalidade em contínua dissolução no fluxo caótico de uma realidade sociocultural [...]. ¹


Partindo desse ponto, o autor estabelece diálogos com os pós-modernos, problematizando item por item, dialeticamente. Seu texto marca pontos com o leitor ao oferecer uma reflexão didaticamente formatada, sem desapontar na riqueza e profundidade teóricas.

Em resumo, a obra completa é um convite à superação da alienação. Uma leitura provocativa e indispensável.



¹ DUARTE, Newton (org.). Crítica ao fetichismo da individualidade.
Campintas, SP: Autores Associados, 2012.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Resenha do livro “Jacques Derrida: literatura, política e tradução”






















FICHA TÉCNICA

Título: Jacques Derrida: literatura, política e tradução
Autor: Marcos Siscar
Editora: Autores Associados
Ano: 2013


Travar contato com o trabalho de Jacques Derrida, um dos filósofos mais polêmicos do séc. XX, é imanente a qualquer professor/pesquisador das áreas humanas, em especial das Ciências Sociais, Literatura e Língua. Este livro apresenta três assuntos que foram objeto de reflexão do filósofo franco-argelino: crítica literária, política e teoria da tradução, três grandes temas que conversam entre si.

O autor é Marcos Siscar, que já havia publicado na França "Jacques Derrida: Rhétorique et philosophie" (1998) sobre o qual Derrida afirmou: "É de uma lucidez, de uma força e de uma novidade sem iguais. Ninguém fez isso ainda". Marcos Siscar é graduado em Letras, doutor em Literatura Francesa pela Universidade de Paris e pós-doutor pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (2003) e Collège International de Philosophie (2008), além de livre-docente (2005). Hoje é professor do departamento de Teoria Literária da Unicamp, pesquisador do CNPq, tradutor e poeta. O belo prefácio é de Mauricio Mendonça Cardozo, graduado em Letras, mestre em Língua e Literatura Alemã e pós-doutor pela Faculdade de Estudos da Tradução da Universidade de Mainz (Germersheim, 2013).

O livro é uma revisão especializada sobre o pensamento de Derrida com enfoque nos três temas citados no título. Como não poderia deixar de ser, a desconstrução é abordada pelo autor. Não obstante, é uma obra composta de artigos que tratam estritamente da filosofia de um pensador do pós-estruturalismo e pós-modernismo, logo, um pensador por vezes tido como hermético, prolixo; de uma reflexão efêmera, relativista, inconclusiva, o que pode desagradar ao leitor desavisado. Por esta razão, a editora e a obra foram felizes ao direcionarem-se a um nicho de leitores acadêmicos, ainda que a leitura estenda seu convite a curiosos da crítica derridiana.