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quinta-feira, 29 de agosto de 2024

O ideal supremo de um guerreiro

No primeiro estágio, homem e espada tornam-se um só. Até uma folha de capim pode ser usada como arma letal. 

No estágio seguinte, a espada repousa não na mão, mas no coração. Mesmo sem a espada o guerreiro pode destruir o inimigo a 100 passos. 

Mas o ideal supremo é quando a espada desaparece totalmente. O guerreiro compreende tudo a sua volta. O desejo de matar não mais existe e somente a paz permanece.


Filme: Herói (2002)




quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Educação musical e musicalização

Acho que reconheço seu rosto
Assustadoramente familiar,
Mesmo assim não sei dizer de onde.
Não encontro a vela da memória para iluminar o seu nome.
A idade está chegando para mim...
[...] Eu só queria gritar: "Olá!!!"
(Pearl Jam- Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town)


Educação musical e musicalização

Dois temas extremamente importantes para a formação cognitiva, emotiva, social e cultural - seja de um indivíduo ou de um povo. Ainda assim, pouquíssimas pessoas têm acesso. 

Toda escola pública deveria ter essa disciplina em seu currículo hoje em diaE uso negrito em "hoje em dia", porque na minha infância e início de adolescência tal disciplina não seria necessária. Naquela época, bastava ligar o rádio.

Mas algo se perdeu com a tecnologia, a pressa e o individualismo exacerbado. 

Assim como a literatura hoje é lida e explorada por menos pessoas, a música raramente é ouvida, ela virou pano de fundo para outra coisa. Deixou de ser arte para ser apenas entretenimento.


Filmes recomendados para inspirar a educação musical:

A Noviça Rebelde: ensina as notas musicais e seu funcionamento. O melhor musical de todos os tempos!

Amadeus: ficção cômica sobre a vida de Mozart, mostra o processo de composição de um gênio da música clássica.

Mudança de Hábito (1 e 2): sobre cantar em coral, trabalhar em grupo, harmonização e superação de dificuldades.

Mamma Mia: uma divertida comédia musical inspirada nos sucessos do grupo sueco ABBA.



Pode soar como nostalgia agora, mas já imagino um futuro triste em que as obras de Mozart, Beethoven, The Beatles, Vangelis, entre outros grandes serão reconhecidas por cada vez menos pessoas, até [talvez] sumirem. Isso já vem acontecendo com a música caipira de raiz, a moda de viola, a música regional brasileira, a guarânia e a bossa nova. A face desse mundo é estranha para mim já no presente, difícil reconhecê-la ou aceita-la.

Mas ainda tem um rosto familiar, inspirado no passado. Por outro lado, vai a passos largos se afastando, como quem corre da História, fazendo pouco caso dela.

A idade chega e nos coloca em confronto com a nova geração. Eu queria que ela soubesse apreciar a beleza das coisas belas e importantes. Assim eu poderia alegremente gritar: "Olá!!!".

domingo, 16 de janeiro de 2022

Carl Sagan [vida e obra]











Carl Sagan foi cientista e um dos maiores divulgadores do conhecimento e método científico. Com muito carisma, simpatia, bom humor, didática, contexto histórico e um toque elegante de poesia, ele explicava questões complexas da física, astronomia, biologia e química de forma que qualquer leigo entenda. 

Sagan foi também um ativista, muito preocupado com a degradação do meio ambiente, guerras e outros problemas que poderiam destruir a humanidade.


Indicações de algumas obras traduzidas para o português:

Cosmos - livro e série. A série de 13 episódios está hoje disponível no YouTube, sem anúncios, nas versões legendada e dublada. É um clássico! Foi exibida originalmente em 1980 com muito sucesso em dezenas de países. Os temas dos episódios incluem Astronomia, Astrofísica, Biologia, Genética e evolução, Química, História, Geografia, Linguística, Filosofia, Arte etc. A abrangência é enorme e a apresentação carismática de Sagan é um espetáculo! Ele promove o nosso encantamento com as Ciências e o universo a partir de seu próprio encantamento, seu saber e seu amor pelo conhecimento.

Contato - livro e filme. O filme, baseado nesse romance de ficção científica, foi dirigido por Robert Zemeckis [De volta para  futuro I, II, III; Forrest Gump] e tem como atriz protagonista Jodie Foster [Silêncio dos Inocentes]. Não quero dar spoiler, então vou dizer apenas que o filme é maravilhoso e a narrativa é perfeita! Mostra as possíveis consequências de uma descoberta científica sem precedentes, mas não impõe nada ao telespectador, privilegiando o ceticismo que Sagan tanto defendia. A palavra "contato" tem duplo significado nesse enredo. Tudo na narrativa é bem a cara de Carl, trazendo algumas citações dele próprio, nas vozes das personagens. Foi indicado ao Oscar na categoria de melhor som. Assistam!

O mundo assombrado por demônios - livro no qual ele desmistifica crendices e superstições e analisa a natureza humana de crer sem evidências e de negar fatos científicos. Livro fundamental para combater as pseudociências, repleto de argumentos e investigações inteligentes.

Pálido ponto azul - livro sobre os caminhos da humanidade. O título vem de uma foto tirada pela sonda Voyager 1, que a pedido de Sagan, virou sua câmera para o interior do sistema solar quando ela tinha passado por Plutão, e assim registrou a histórica foto do planeta Terra a 6,4 bilhões de quilômetros de distância, mostrando o nosso lar menor que um pixel, o que provocou muita reflexão sobre o nosso lugar no universo.













Sagan foi consultor da Nasa e, como escritor, ganhou o Prêmio Pulitzer, além de várias outras premiações. Era um homem preocupado com a espécie humana, o meio ambiente, a educação e o futuro. Um visionário! Um simpático professor que amava o seu trabalho, a pesquisa e a divulgação científica. Em um episódio da série Cosmos ele definiu o que são os livros. Uma bela e inspiradora definição, como tudo o que ele descreve! E quando ele descreve, amorosamente, uma árvore como seu ancestral, ele nos leva a uma profunda reflexão. Tudo isso amparado pelo método científico, mas apresentado com humor e um encantamento contagiante.

Se eu pudesse trazer coisas do passado para os nossos dias, uma delas seria Carl Sagan. E a outra Os Beatles.

sábado, 8 de janeiro de 2022

Profecia do Inferno [série]

 

Breve análise

A série da Netflix Profecia do Inferno traz uma crítica muito profunda e complexa a vários aspectos da religião e de seu uso pelo homem.

A trama nos mostra:

Uma seita = a Nova Verdade, que usa o medo do inferno como forma de controlar as pessoas e assim obter poder. Na segunda metade da série de 6 capítulos, essa seita se transforma na maior religião do mundo.

Uma bíblia = o site/aplicativo dessa seita, usado como manual de consulta sobre o que é pecado e qual é a "vontade de Deus" [segundo as palavras de alguns homens].

Um grupo extremista/terrorista = Arrowheads, com um influencer digital e seguidores infiltrados nos mais diversos ramos, tendo o objetivo de propagar a fé e eliminar do mundo os pecadores.

Cartaz da série sul-coreana












Outra reflexão que a série traz é o conflito entre a autonomia de tomar decisões (livre-arbítrio) e uma sociedade teocrática que vigia e tenta controlar cada indivíduo e suas ações. Nessa sociedade fictícia, várias pessoas deixam de "pecar" e de cometer crimes, por medo do inferno. Mas aquelas organizações religiosas mentem, cometem crimes e ações violentas para manter o poder e combater o pecado. A utopia de mundo sonhada pelo primeiro presidente da Nova Verdade se comprovou um fracasso total. 

E isso nos alerta para o fato de que, mesmo com boa intenção, a mentira não deve prevalecer sobre a verdade; da mesma forma que, mesmo havendo algumas escolhas ruins, uma ditadura não é melhor que a liberdade de viver e escolher por si só.

Em última análise, esta obra sul-coreana é uma crítica ao sistema político de sua vizinha, a Coreia do Norte, que em nome de um bem maior, restringe as liberdades individuais.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Não Olhe para Cima

Breve comentário sobre o filme

Não Olhe para Cima (2021) é uma sátira inteligente e hilária sobre os tempos em que vivemos; quando políticos, jornais, celebridades e qualquer um nas redes sociais têm o direito à própria opinião.

Mas e quando o assunto não é uma questão de opinião e sim de fato científico? Essas pessoas podem negar um fato científico com base em opiniões, ideologias políticas ou porque o fato pode deprimir os telespectadores?

No filme, dois cientistas descobrem um evento de proporções apocalípticas e tentam alertar o governo e a sociedade para o perigo. Desde então várias situações tragicômicas se desenvolvem na trama.

Apesar de ser um filme muito divertido, a análise que ele faz sobre a nossa sociedade é muito séria! 

Assistam enquanto está disponível e aproveitem a reflexão. 

Após o filme, se você souber que não seria uma daquelas pessoas que diziam "Não olhe para cima!", nem aquela pessoa que usa um broche com uma seta para cima e outra para baixo, porque acha descolado ficar em cima do muro, mas só poderia se incluir no grupo que dizia "Olhe para cima!", então quer dizer que você entendeu a mensagem.


foto: revista Rolling Stone - UOL









Elenco: Leonardo DiCaprio, Meryl Streep, Jennifer Lawrence, Kate Blanchett, Jonah Hill entre outros astros e estrelas das telas.


domingo, 4 de abril de 2021

They live, we sleep

Se pudéssemos ver o que cada anúncio publicitário realmente diz, seria isto:
"compre, consuma, conforme-se, continue adormecido, obedeça, obedeça, obedeça, case-se e reproduza, o dinheiro é seu deus..." 

Essas mensagens resumem o conteúdo de muitos textos e imagens que vemos nas ruas, nos shoppings, nas revistas e jornais, em alguns livros; e, porque não, até aqui mesmo. 

Obs: Comprar e consumir faz parte de nossas necessidades, mas deveria haver mais consciência por parte dos consumidores e também dos produtores de bens de consumo. Até quando o planeta Terra vai aguentar o abuso que sofre? Com a super população e a produção industrial em larga escala, a produção de lixo e a poluição só aumentam e já passaram do nível "aceitável". A agressão à camada de ozônio, as mudanças climáticas, os incêndios florestais, a extinção de espécies, a escassez de água potável, o microplástico no mar... estes são alguns problemas ambientais que me preocupam muito.

Dica de filme: They live, 1988.
Mal produzido, mal dirigido e com atuações péssimas! Porém, o enredo traz uma boa reflexão sobre o controle que o capitalismo desenfreado exerce sobre nós.

domingo, 21 de junho de 2020

O que é crítica musical?


Enquanto a crítica literária se tornou extremamente formal e acadêmica, porém ainda existindo em diversos meios midiáticos, desde jornais até o Youtube, a crítica musical tem seu lugar nas revistas especializadas, jornais e internet; sem o mesmo rigor formal e acadêmico da crítica literária, mas com grande relevância até os dias de hoje.

Existe a crítica literária feita por jornalistas e youtubers. E a crítica literária feita por professores, especialistas, mestrandos, doutorandos, mestres, doutores e pós-doutores. A diferença entre esses dois tipos de crítica é enorme, mas ambas são relevantes.

Os críticos de música em boa parte não são músicos. Escrevem para jornais, revistas e blogs ou publicam vídeos, mas nem todos são jornalistas. Porém, eles têm um conhecimento empírico de música. O papel do crítico musical é divulgar opções, tendências e novidades.

O que faz um bom crítico musical é, em primeiro lugar, o conhecimento que ele tem de música, estilo, história e intertextualidade. Obviamente, também saber se expressar bem em sua língua é um requisito que não precisa ser mencionado.

O que pode ser um diferencial no crítico de música para que ele seja considerado um bom redator é sua capacidade de criar novas expressões e comparações que traduzam suas percepções da linguagem musical para a linguagem verbal, escrita ou falada. Ou seja, o crítico de música precisa usar de palavras, com muitos adjetivos e expressões sinestésicas, para transmitir uma ideia sobre o som que o seu espectador (leitor ou ouvinte) não está ouvindo.

Essa é a marca do bom crítico musical. Quando ele consegue por meio das palavras fazer seu público imaginar um som e querer ouvir esse som.

Filme recomendado: Quase Famosos (Almost Famous, 2000)

O filme Quase Famosos é semiautobiográfico. Retrata a experiência de Cameron Crowe aos seus 15 anos de idade excursionando com o Led Zeppelin na década de 1970 e escrevendo para a revista Rolling Stone. Anos mais tarde o já diretor escreveu o roteiro e filmou essa grande obra usando uma banda fictícia. A trilha sonora, as falas e as cenas são deslumbrantes.

sábado, 30 de maio de 2020

7 filmes sobre VIAGEM NO TEMPO


Se você gosta de ficção científica, VIAGEM NO TEMPO e paradoxos temporais, aqui vão 7 filmes que recomendo. Em ordem cronológica de lançamento.

De volta para o futuro I (1985) aventura/ficção científica estrelada por Michael J. Fox. Sinopse: Marty Mcfly viaja para o ano de 1955 numa máquina do tempo e acidentalmente impede que seus pais se apaixonem, comprometendo seu próprio futuro.

De volta para o futuro II (1989) aventura/ficção científica estrelada por Michael J. Fox. Sinopse: Marty Mcfly viaja ao futuro e adquire informações privilegiadas, depois tem que voltar a 1955 para impedir que o presente seja alterado.

De volta para o futuro III (1990) aventura/ficção científica estrelada por Michael J. Fox. Marty Sinopse: Marty Mcfly viaja ao velho oeste americano para resgatar seu amigo cientista que criou a máquina do tempo.

Feitiço do Tempo (1993) comédia estrelada por Bill Murray. Sinopse: Sem razão aparente, um jornalista fica preso num único dia, revivendo-o de diversas formas diferentes.

Os doze macacos (1995) ficção científica estrelada por Bruce Willis. Sinopse: Um viajante do tempo vem do futuro tentando coletar informações importantes para evitar uma epidemia que mata quase toda população global. Mas ao ter contato com uma psiquiatra e um interno de um hospital, o viajante pode influenciar os acontecimentos futuros que ele tenta evitar. 

Efeito borboleta (2004) suspense/drama estrelado por Ashton Kutcher. Sinopse: Um menino nasce com a “maldição” de interferir no tempo, criando realidades que afetam as vidas de pessoas próximas a ele. Nas suas tentativas de deixar tudo bem, ele provoca consequências ainda mais desastrosas.

O homem do futuro (2011) comédia/ficção científica estrelada por Wagner Moura. Sinopse: Um físico inventa uma máquina do tempo e tem a chance de corrigir erros de seu próprio passado.

Homens de Preto III (2012) ficção científica/comédia estrelada por Will Smith. Sinopse: Um agente secreto que monitora atividades alienígenas na Terra tem que viajar ao passado para consertar o presente, mas essa viagem revela segredos de sua própria história.



 
 
 



sábado, 21 de dezembro de 2019

Análise do filme "Coringa"

Eis uma excelente análise do filme Coringa (2019). O autor é o prof. Carlos Eduardo F. Martins, graduado em Letras Português-Inglês e pós-graduado em Especialização de Ensino de Língua Inglesa (Ufes).


Eu assisti ao filme “Coringa” no sábado passado e somente agora, livre de muito “contágio”, eu consegui confeccionar uma análise não muito impregnada de paixão e hipersensibilidade. Devo começar declarando que após a magistral interpretação desse personagem, feita pelo falecido autor australiano Heath Ledger, eu jamais atinei que qualquer outro ator poderia ter a coragem de reviver esse papel, pois seria arriscado demais cair no ridículo, em uma caricatura inferior ao seu antecedente, por assim dizer. Ledger fora aclamado à época e com totais méritos! Até então aquela era a melhor interpretação já feita desse vilão icônico, em que se pese que o ator Jack Nicholson também é um monstro na arte da interpretação e já havia feito um belíssimo trabalho na pele do Coringa. No entanto, Joaquin Phoenix, munido de muita ousadia, verve artística e técnica, e com menos vinte e quatro quilos para o que a tarefa exigia para a interpretação corporal (pasmem!), aceitou a ingrata tarefa. Phoenix, deveras, possuía gabarito para a realização desse empreendimento. É um dos melhores atores contemporâneos, tendo já recebido um Grammy, um Globo de Ouro e três indicações ao Oscar, por filmes como “Gladiador”, “Johnny & June”, “Ela”. Bem, posso afirmar categoricamente que Joaquin Phoenix não só teve êxito em seu feito, como conseguiu realizar uma das maiores atuações do cinema desde a sua gênese (e, não, não estou exagerando, e, sob minha visão, o Oscar de melhor ator já tem dono!).

Arthur Fleck, que vive às margens da sociedade entre a apatia e a crueldade que lhe é imposta diariamente na cidade fragilizada e corrompida de Gotham, ganha a vida como palhaço de rua, mas sonha em ser um comediante de “stand-up”. Quando este se dá conta que seu sonho jamais será realizado, quer seja devido ao seu distúrbio mental, quer seja devido à crueldade e preconceitos cíclicos dos que o cercam, Arthur faz uma escolha involuntária que traz uma reação em cadeia de eventos incontroláveis em uma escalada de violência generalizada que mudará não só a sua vida, mas de toda a sociedade na qual ele está inserido. Eis então o surgimento de nosso icônico Coringa.

Há que se deixar claro que o personagem do Coringa não é herói nem anti-herói, é um vilão e é também um pária social, um infeliz portador de transtorno mental, com uma vida miserável e uma risada patológica que lhe tolhem a liberdade no trânsito social, impossibilitando, assim, a realização de seu sonho. Ademais Arthur é paulatinamente massacrado física e psicologicamente pela sociedade em geral, o que amplifica seus demônios e seus distúrbios. Veja bem: amplifica, mas não cria! Leve-se em conta também que ele não tem o tratamento adequado para a sua patologia. Convém também esclarecer que a vilania do coringa não é, sob nenhuma forma, inviabilizada pela sua condição mental, ou seja, uma coisa não anula a outra, portanto, é um grande absurdo sequer pensar que exista qualquer apologia à violência! Ainda que assim não fosse, invoco o genial Oscar Wilde, que, em um de seus muitos axiomas perspicazes, foi taxativo quanto à crítica que se deve ter acerca da arte: “Não existem livros morais ou imorais. Os livros são bem ou mal escritos. E eis tudo”. Sendo Oscar Wilde um esteta, ele não somente possuía tal premissa para livros, mas para todos os tipos de obras artísticas. Deve-se julgar, portanto, a qualidade da obra e não seu conteúdo!

Essa película é um drama denso, quase um estudo de caso, que também flutua entre o horror e o terror psicológico (se você espera ver um filme carnavalesco de super-heróis, com explosões e cores vivas eclodindo sob CGIs, esqueça!) e fora confeccionado para incomodar incessantemente durante toda a projeção, e consegue esse intuito com maestria! Tudo, exatamente tudo conspira para esse fim: a sonoplastia com ruídos e sons perturbadores; os filtros de cores frias, ora verde, ora azul, além de um belíssimo jogo de luzes e sombras, como imensos holofotes que iluminam e chamam atenção para o picadeiro da vida, onde a ação é encenada; planos longos de câmera (sem cortes), às vezes, desestabilizada, ora contemplando o personagem principal em seus devaneios, ora evidenciando, em tomadas fechadas, as suas idiossincrasias de forma enfática para fins dramáticos; alegorias poderosas que aludem a barreiras, aos obstáculos difíceis de serem transpostos, tais como uma escadaria imensa, grades que segregam, elevador defeituoso, barreira policial, multidão revoltada, um transtorno mental incurável etc; ambientes fechados, sombrios e opressores e uma interpretação fenomenal que perturba, instiga e sufoca o espectador em cada frame da película (Phoenix está em todas as cenas!).

Em primeiro lugar, com noventa e três milhões e meio de dólares arrecadados no mundo todo até aqui, obtendo dez vezes mais arrecadação no “TOP BOX OFFICE” que o segundo colocado, “Abominável”, recheado de assuntos pertinentes e polêmicos (até por isso não estranhe se o filme for boicotado no Oscar...), tais como corrupção, sensacionalismo e irresponsabilidade mediáticos e suas consequências, violência urbana, politicagem, irresponsabilidade e abandono (falta de política) governamentais, transtornos mentais e de personalidade, seus possíveis tratamentos, negligência, descaso e preconceito, um roteiro criativo e assertivo, uma ambientação primorosa, uma direção afiada e contundente, uma fotografia perfeita, sonoplastia e músicas adequadas e sublimes (aplicar “Send in the clowns” no filme é uma sacada e tanto!) e, ratifico, uma interpretação poderosa e fenomenal de Joaquin Phoenix, o Coringa é aquele tipo de filme que continua sendo projetado em sua mente muito tempo depois que as luzes do cinema se apagam.




quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Simbologia em O irlandês



O irlandês é um um filme produzido pela Netflix e lançado em 2019; estrelado por Robert De Niro, Al Pacino, Joe Pesci; com direção de Martin Scorsese. O roteiro, escrito a partir do livro I heard you paint houses, é baseado numa história real.

Segue abaixo minha análise sobre aspectos simbólicos do filme.



Alerta de spoiler: leia após assistir ao filme. 




PINTAR CASAS – Quando Jimmy, ao telefone com Frank, diz: "Eu soube que você pinta casas" ele está usando uma linguagem em código, para o caso de o telefone estar grampeado. "Pintar casas" faz referência aos respingos vermelhos de sangue, que ficavam nas paredes das casas após um assassinato por arma de fogo. Quando Jimmy diz isso ao Frank, ele está querendo dizer: "Eu soube que você mata pessoas". A primeira função de Frank ao aceitar trabalhar para Jimmy seria a de guarda-costas. E isso incluía serviços sujos (assassinatos).


TRAÇAR A ROTA NO MAPA – Em dois momentos do filme, a narrativa mostra Frank traçando a rota que seguiriam de carro até o local do casamento. A ênfase que se dá a isso tem uma explicação simples. O mapa e o fato de estarem em um casamento eram os álibis de que precisavam para não estarem conectados ao local onde Jimmy Hoffa foi visto pela última vez.


ÓCULOS ESCUROS – Chegando ao aeroporto, quando ainda estão no carro, Russell Bufalino pede a Frank que lhe dê os seus óculos escuros. Frank os retira e entrega ao amigo, antes de subir no avião. Ao retornar da viagem, Frank entra no carro e Russel devolve os óculos dele. Talvez isso seja um sinal de que Frank precisaria mais dos óculos após cumprir a tarefa que lhe fora imposta, pois, após essa tarefa, ele estaria de luto.


PEIXE NO CARRO – O filho adotivo de Jimmy Hoffa transportou um peixe em seu carro, uma encomenda que ele ficara incumbido, e a fez sem ao menos saber que peixe era. Ele não perguntou, nem se interessou, simplesmente fez o que deveria fazer: levar o peixe. Num momento tenso da trama, os diálogos sobre esse fato trazem um tom meio cômico à cena, mas também são uma metáfora de como as coisas funcionam na máfia. Ou seja, você não faz perguntas, não se incomoda, apenas faz o que lhe mandaram fazer, mesmo que seja a contragosto. E isso é a definição de como Frank se sentia em relação à ordem que estava prestes a cumprir.


“É O QUE É” – Uma fala que aparece em mais de um momento do filme. Na cena em que Frank, a serviço da máfia, diz a Jimmy Hoffa: "É o que é" ele está, a contragosto, entregando um recado definitivo da máfia ao ex-líder sindical. 

"É o que é" equivale a dizer, de modo gentil, que: "Seu tempo já passou, você já era, esqueça isso, conforme-se com o que tem." Assim, a máfia estava dizendo a Jimmy Hoffa que seu tempo como presidente do sindicato mais poderoso da América havia acabado e que isso não tinha volta e não era para ele insistir, essa discussão se encerrava ali.


Simbolicamente, essa sentença de caráter irremediável também faz referência ao envelhecimento, à passagem do tempo, à efemeridade – uma questão central nesta narrativa. 


CAIXÃO VERDE – De todos os caixões que Frank vê na loja, ele escolhe para si aquele de cor verde. Talvez por ser uma cor que representa, simbolicamente, a Irlanda. Ou ainda, o faz lembrar do exército. Frank admitiu que viveu momentos de medo da morte enquanto estava na guerra. O verde, portanto, pode representar a morte para ele, mas agora num momento em que ele a deseja, pois está velho, completamente só num asilo, sem contato com sua família e sem amigos.


PORTA MEIO ABERTA – Na última cena, após suas orações, Frank pede um favor ao padre, antes que este saia do quarto e deixe Frank sozinho. Ele pede que o padre deixe a porta meio aberta, ou seja, que não a feche completamente. Frank tinha esperanças de rever suas filhas, receber o perdão delas e reatar laços com elas. Frank também ansiava pela morte, já que, sem suas filhas por perto, sua vida se tornara solitária e sem sentido. Portanto, deixar a porta meio aberta simboliza uma esperança  de receber a visita de suas filhas ou a visita da morte, pondo fim à sua dor.





Frank Sheeran - interpretado por Robert De Niro












Joe Pesci interpretando Russell Bufalino 

Al Pacino interpretando Jimmy Hoffa






segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Dicas de livros e filmes...


... Para estimular os conhecimentos acadêmicos, filosóficos, linguísticos e literários.

LIVROS: 
- A República (Platão);
- Apologia de Sócrates (Platão);
- Preconceito Linguístico, o que é, como se faz (Marcos Bagno);
- Nada na língua é por acaso (Marcos Bagno);
- O mundo de Sofia (Jostein Gaarder);
- O que é Propaganda Ideológica (Nelson Jahr Garcia);
- Morte e Vida Severina (João Cabral de M. Neto);
- I-Juca Pirama (Gonçalves Dias);
- O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry);
- O Profeta (Khalil Gibran).
- Filosofando (Maria Lúcia de A. Aranha e Maria Helena P. Martins);
- Redação Inquieta (Gustavo Bernardo);
- A Arte de Argumentar (Antonio S. Abreu);
- Édipo Rei (Sófocles);
- Lisístrata (Aristófanes);
- O Auto da Compadecida (Ariano Suassuna);
- O Obsceno Pássaro da Noite (José Donoso);
- O homem e seus símbolos (Carl G. Jung).

 Leituras essenciais para estudantes de Letras: 
- Alegoria da Caverna, livro VII em República (Platão);
- Nada na língua é por acaso (Marcos Bagno);
- O que é Propaganda Ideológica (Nelson Jahr Garcia);
- Morte e Vida Severina (João Cabral de M. Neto);
- I-Juca Pirama (Gonçalves Dias);
- Redação Inquieta (Gustavo Bernardo);
- A Arte de Argumentar (Antonio S. Abreu);
- O capítulo 1 de O homem e seus símbolos (Carl G. Jung).
- O Obsceno Pássaro da Noite (José Donoso);

 FILMES:
- Luzes da Cidade (Charles Chaplin);
- Gandhi (1982)
- O Pagador de Promessas, 1962;
- Tempos de Paz, 2009;
- El Método, 2005;
- Monsoon Wedding, 2001;
- Amadeus (Miloš Forman);
- Dance with Wolves.


sexta-feira, 27 de abril de 2018

O que tenho visto, ouvido e lido

Filme
Greystoke - A lenda de Tarzan, um dos filmes mais brilhantes que já fizeram. Ele resume tudo sobre: o que é o ser humano, sua relação destruidora com a natureza, como é o processo de aprendizagem de uma língua e a introdução ao mundo humanizado (a educação) e os dilemas desse processo, entre outras questões antropológicas e filosóficas. Trata-se de um drama inteligente. Além disso, a trilha sonora instrumental é divina e os efeitos visuais são da época em que a computação gráfica não era usada no cinema como hoje. E é maravilhoso ver aqueles macacos/atores sem nenhuma computação gráfica, ver o real, o presencial, o analógico, como era antigamente. Para você que está achando que o cinema atual é o suprassumo das artes visuais, vai se surpreender. E para você que, como eu, já está enjoado de tanta computação gráfica, vai se deliciar. Já conheço esse filme desde a minha infância, vi várias vezes e revi recentemente, para a minha felicidade.

Série
Merlí - disponível na Netflix, uma série catalã sobre um professor de filosofia que vai lecionar na escola de seu filho. Cada episódio tem como título o nome de um filósofo ou uma corrente filosófica. A narrativa é centrada nas aulas desse professor, sua vida e conflitos com os paradigmas educacionais, além das vidas dos adolescentes que frequentam suas aulas. Todas as personagens vivem dramas pessoais e não há uma fórmula moral perfeita a ser ensinada e seguida. Cada qual está "levando a vida" do modo como pode e consegue.

Música
Interpol - banda nova-iorquina que faz parte do movimento Post-Punk Revival (início dos anos 2000). O baterista e o baixista são ótimos, sempre fazem um trabalho irretocável. O mesmo vale para as harmonias criadas pelos dois guitarristas da banda. Eles fogem dos riffs de blues que às vezes cansam por serem repetitivos e fazem algo diferente, tocando suas guitarras como se fossem instrumentos de orquestra, fazendo riffs sinfônicos ou imitando sons da natureza, e principalmente, sons urbanos, como sirenes (de polícia). Não estou falando de uma banda que mistura rock e música erudita, longe disso. Falo de uma banda que soa como indie rock, com melodias bonitas e harmonias muito cativantes.
  
Leitura
O livro do desassossego (Fernando Pessoa). Estou relendo partes dessa grande obra ainda pouco conhecida, que na minha opinião, merecia mais citações. Fiz uma postagem detalhada sobre esse livro aqui (segue o link):

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Nise da Silveira nas telas de cinema

O filme "Nise: o coração da loucura" estreia nesta quinta, dia 21 de abril. A produção — estrelada por Glória Pires e dirigida por Roberto Berliner — ganhou o festival de cinema de Tóquio, no Japão.

Nise da Silveira foi pioneira da Psicologia Analítica no Brasil, mantendo correspondências com Carl Jung. 

Ela obteve reconhecimento internacional por suas ideias humanistas no tratamento de doentes mentais. 

Na década de 1930 foi detida pela posse de livros marxistas. Tendo convivido com Graciliano Ramos na prisão, tornou-se personagem de sua obra literária "Memórias do Cárcere".


Nise inovou ao estimular em seus pacientes a pintura de telas e o contato com animais como técnicas coterapêuticas de reabilitação.

Uma das obras publicadas por Nise.





















Cartaz do filme

segunda-feira, 17 de março de 2014

Música + Cinema: produções para ver e rever



Dicas de filmes que tratam da música e tudo o que o seu universo envolve.



Amadeus (Amadeus, 1984) – Adaptado de uma peça teatral, este filme foi vencedor de 8 (merecidos) Oscars, incluindo o de melhor filme. A vida do compositor classicista Wolfgang Amadeus Mozart é contada na ótica de seu rival Antonio Salieri (F. Murray Abraham numa atuação emocionante!). Há muitas coisas para se destacar nesta obra-prima, mas escolho a cena em que o réquiem de Mozart é composto, na qual o espectador ouve instrumento a instrumento, como se estivesse dentro da cabeça do compositor. Mas não poderia deixar de mencionar também a cena em que Salieri descreve de forma arrebatadora a música que lê nas partituras de seu rival. O texto é belíssimo, enquanto a trama envolve questionamentos sobre a fé e sentimentos como a inveja e a ambição. Nesta produção a música parece reger o filme, e não o oposto como é de costume. Desde o seu início, som e imagem prendem o fôlego do espectador. A direção é de Milos Forman.



Quase Famosos (Almoust Famous, 2000) – No início da década de 70 tá rolando tudo! – como diria a personagem Penny Lane. O enredo semiautobiográfico escrito e dirigido por Cameron Crowe gira em torno de um jovem de 15 anos que tem a chance de excursionar com uma banda de rock, fazendo a cobertura da turnê para a revista Rolling Stone, publicação especializada em crítica musical. A banda em questão é Stillwater, um grupo fictício com repertório criado especialmente para o filme. O roteiro é leve, adorável, divertido e empolgante. Ao assistir a esta história, não estranhe se você se sentir nostálgico de uma época em que a música era mais apaixonante do que é hoje e o mercado fonográfico era mais inocente, antes de ele arruinar o rock and roll e tudo o que amamos nele. É um filme sobre viagens, festas, ilusões e pessoas tentando não dizer adeus. A trilha sonora também inclui canções de Led Zeppelin, Yes, Simon & Garfunkel, Deep Purple, Black Sabbath, Jimi Hendrix, Elton John, entre outras.



Hair (Hair, 1979) – Musical adaptado da Broadway para o cinema, conta de modo bem humorado sobre o modo hippie de viver. Tudo começa quando um jovem do interior vai à Nova York para se alistar no exército, mas no caminho depara-se com um grupo de hippies. Desse encontro surge paixão, amizade e aventuras que conduzem a trama a um final inesperado. As canções abordam temas como sexo, uso drogas, misticismo e, é claro, a Guerra do Vietnã. A cena em que Berger dança sobre a mesa é impagável! Esta e muitas outras cenas, além da trilha sonora e de um ótimo roteiro, fazem desta produção uma obra para ser vista e revista. Direção de Milos Forman.



 The Doors (The Doors, 1991) – Apesar das críticas de Ray Manzarek (tecladista dos Doors) sobre o roteiro ter exagerado ao mostrar um Jim Morrison sempre bêbado, o filme de Oliver Stone vale a pena pela trilha sonora e atuação impecável de Val Kilmer no papel do poeta do rock. Data máxima venia, o exagero torna-se justificado pela fama lendária que cerca de forma quase indissociável a breve carreira de Jim Morrison. Se o diretor focou demais nas extravagâncias do cantor é porque elas ajudaram a fazer dele uma lenda do rock e se não fosse por essa excentricidade o filme não despertaria tanto interesse. Mas fica a dica: é um filme baseado em fatos reais, mas não é um documentário, portanto, não devemos encará-lo como sendo uma biografia do ídolo. Em resumo, o filme é válido na sua intenção e sublime na sua arte. O casamento entre músicas e cenas é de um primor raro, superando em muito os videoclipes da MTV.



 Backbeat – Os 5 rapazes de Liverpool (Backbeat, 1994) – Filme baseado na história dos Beatles antes de alcançarem fama, ainda na época em que começaram a tocar em casas noturnas da Alemanha. O enredo tem a banda como pano de fundo, mas prefere focar na curiosa história do artista plástico Stuart Sutcliffe, que por um breve período tocou com os Beatles. A amizade entre Stuart e John Lennon, a paixão de ambos pela fotógrafa Astrid Kirchherr, as brigas, sonhos e dilemas são mostrados como o gatilho para o que viria a ser o fenômeno Beatles. Mas não espere ouvir canções de Lennon-McCartney aqui. A trilha sonora é composta de canções de Chuck Berry e outros dessa geração que inspirou os Beatles e sempre fez parte de seu repertório de covers. A produção é pequena, mas cumpre bem o seu papel. O filme cria uma atmosfera em torno da pintura abstrata, da poesia simbolista francesa, da fotografia artística, casando tudo isso com rock and roll. Neste casamento, acertou em cheio!


Bônus: não poderia deixar de fora estas produções nacionais...


Cazuza – O tempo não para – Uma história chocante contada por uma poesia inspiradora. A narração do Cazuza-personagem explicando suas motivações em cada ato é o maior acerto desta produção. A cena de Cazuza no mar, com música de Lobão: “Vida louca, Vida breve, Já que eu não posso te levar, Quero que você me leve” é a entrega final, a aceitação do irremediável destino.


Somos tão jovens – Thiago Mendonça interpreta Renato Russo para contar nesta produção a história do nascimento do punk-rock de Brasília. A trama se concentra no Aborto Elétrico, mencionando a Plebe Rude e o Capital Inicial, até que a Legião Urbana se forme e faça a sua grande estreia.  A cena em que tocam “Ainda é Cedo” se destaca como a mais cativante do filme.

Gonzaga de pai pra filho – Excelente produção nacional sobre a vida de Luiz Gonzaga, o rei do baião, e Gonzaguinha: dois entre os maiores nomes da música popular brasileira. Atuações emocionantes, direção impecável e trilha sonora perfeita!


Outros que considero muito bons e recomendo:

- La Bamba (La Bamba, 1987) sobre o astro do rock Ritchie Vallens.
- A Fera do rock (Great balls of fire, 1987) sobre o pianista Jerry Lee Lewis.
- The Commitments – Loucos pela fama (The Commitments, 1991) sobre uma banda fictícia que tenta reviver as emoções da soul music na Irlanda.
- Minha amada imortal (Immortal Beloved, 1994) sobre Ludwig Van Beethoven.
- Dois filhos de Francisco, produção nacional sobre a infância e início do sucesso de Zezé Di Camargo. 
 

terça-feira, 23 de julho de 2013

Uma história sobre vingança e perdão


Numa Índia deflagrada pela guerra civil entre hindus e muçulmanos, Mahatma Gandhi, profundamente entristecido pela violência que seus olhos testemunhavam, iniciou uma greve de fome, estando disposto a morrer se a paz não fosse restaurada. Depois de algum tempo em jejum, Gandhi já estava muito fraco, não podendo mais se levantar. Certo dia, eis que chega um homem hindu desesperado, joga-lhe um pedaço de pão e diz:

Homem: Coma! Coma! Eu vou para o Inferno, mas não com a sua morte na minha alma!
Gandhi (com voz fraca) : Só Deus decide quem vai para o inferno.
Homem: Eu matei uma criança! Esmaguei a cabeça dela contra a parede!
Gandhi: Por quê?
Homem: Porque eles mataram o meu filho! Meu menino! Os muçulmanos mataram o meu filho!

O homem se mostra amargamente arrependido, desfazendo-se em lágrimas. Mas o mestre, em sua sabedoria, diz:

Gandhi: Conheço um jeito de escapar do inferno, meu filho. Encontre uma criança cujos pais tenham sido mortos, um menino mais ou menos da mesma idade, e crie-o como se fosse seu. Mas há uma condição: Ela deve ser muçulmana e você terá que educá-la dentro dos princípios desta religião.

(Cena do filme “Gandhi” de 1982)



Mahatma: "Grande Alma"


Como ninguém queria ver um homem bom morrer, os conflitos cessaram e Gandhi então voltou a comer. Ele nunca recebeu um Prêmio Nobel da Paz.


Charles Chaplin e Gandhi















"As gerações futuras terão dificuldade em acreditar que um homem como este realmente existiu e caminhou sobre a Terra" (Albert Einstein)