Mostrando postagens com marcador intertextualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador intertextualidade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Níveis de leitura




1- Decodificar as palavras, orações e períodos;

2- Compreender a mensagem central do texto;

3- Compreender a mensagem central e informações explícitas no texto;

4- Compreender a mensagem central, informações explícitas e implícitas, bem como elementos intertextuais explícitos;

5- Compreender todas as ideias apresentadas no texto, bem como sua estrutura, contexto e todos os elementos intertextuais explícitos e implícitos (paródias, estereótipos, arquétipos etc);

6- Compreender todas as ideias apresentadas no texto, bem como sua estrutura, contexto, todos os elementos intertextuais e ser capaz de estabelecer com ele novas relações: comparações, paralelos e dialética com outros textos.

7- Compreender todo o conteúdo do texto, bem como sua estrutura e contexto, sendo capaz de estabelecer novas relações e julgá-lo criticamente: identificar ambiguidades, contradições, falácias, cacofonia etc.

8- Compreender todo o conteúdo do texto, bem como sua estrutura e contexto, sendo capaz de estabelecer novas relações e julgar criticamente, fundamentando argumentos com base lógica em outras ciências como: história, filosofia, teoria literária, psicanálise, psicologia, ciências sociais etc, incluindo outros gêneros textuais e midiáticos.

9- Compreender todo o texto, bem como sua estrutura e contexto, sendo capaz de estabelecer novas relações, julgando criticamente e fundamentando argumentos lógicos com base em outras ciências, incluindo outros gêneros e textuais e midiáticos, e identificar intenções ocultas no discurso.


10- Compreender a totalidade do texto e seus apontamentos possíveis, analisar as intenções ocultas do discurso, bem como a estilística do autor, fundamentando a análise em base científica e filosófica, sendo capaz de gerar novas questões e dúvidas para si como leitor.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Narratologia

Semelhança acidental entre narrativas:

Em a Morfologia do conto de fadas Vladimir Propp verificou que os contos de fadas possuem uma forma monotípica, desde a função das personagens até a construção do conto.  

O antropólogo estruturalista Claude Lévi-Strauss redefiniu o trabalho de Propp dizendo que o formalista russo não teria descoberto a morfologia, mas sim a estrutura do conto fantástico. 

A teoria do monomito (a jornada do herói ou ciclo do herói) do mitologista Joseph Campbell mostra que há estágios que se repetem nos mitos de heróis. Podemos inferir, como o nome sugere, que houvesse um mito primordial do qual surgiram todos os outros mitos.  

Os trabalhos de Propp e Campbell fortalecem o conceito de inconsciente coletivo do psicólogo Carl Gustav Jung. Segundo esse conceito, haveria uma reserva de memórias inconscientes compartilhadas por toda a humanidade, daí a semelhança acidental entre as narrativas mitológicas. Jung também estudou os contos infantis e neles verificou a existência de arquétipos do inconsciente coletivo. 

Na Linguística, o conceito de polifonia de Mikhail Bakhtin parte da premissa da ideologia, portanto, a influência de um texto sobre outros não seria algo realizado conscientemente pelos autores, mas sim pelo fato de estes estarem inseridos num contexto ideológico que os influencia. 

O filósofo Friedrich Nietzsche elaborou um conceito (inacabado) conhecido como eterno retorno segundo o qual a vida é limitada por um número restrito de acontecimentos e sensações. Podemos concluir que se isso ocorre no mundo não-diegético, também ocorrerá no diegético, uma vez que este se inspira naquele. 



Semelhança proposital entre narrativas:

O memorando de Vogler, redigido pelo roteirista Christopher Vogler com base nos estudos de Campbell, padronizou a redação de roteiros nos estúdios Disney, criando uma fórmula para narrativas de sucesso. Ou seja, no caso dos filmes da Disney, a semelhança entre as narrativas ficcionais não é mera coincidência.                

 Intertextualidade – Consideraremos como intertextualidade toda vez que um texto faz referência intencional a outro texto, isto é, quando o autor de uma obra mais recente faz, propositalmente, uma alusão a uma obra anterior. A paráfrase, a paródia e a citação são alguns exemplos de intertextualidade.



O monomito de Campbell (inspiração para o memorando de Vogler)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Intertextualidade em “Iracema” de José de Alencar


Iracema - tela de José Maria de Medeiros



Paralelo entre Iracema e a história da colonização do Continente Americano 

Iracema é uma índia virgem, cujo nome é um anagrama para "america" (América). Martim é o homem branco com quem Iracema tem sua primeira relação sexual. Esse episódio representa o desbravamento da floresta tropical, da mata atlântica, da natureza ainda "virgem" do Continente Americano. 



Paralelo entre Iracema e a Bíblia (história de Raquel e Jacó) 

Raquel, personagem do Antigo Testamento, deu à luz um menino e chamou-o pelo nome de Ben'onî – que em língua hebraica significa "filho da dor".

Iracema, personagem de Alencar, deu à luz um menino e chamou-o pelo nome de Moacir – que em língua tupi significa "filho da dor".

Por que "filho da dor"? Porque nas duas histórias, a mãe morre pouco depois de dar à luz. Raquel morre no parto, Iracema morre após entregar o seu filho a Martim.

Obs: Mais tarde, o nome Ben'onî (ou Benoni) foi mudado para Benjamin.

A intertextualidade (aproximação) entre Moacir e Benjamin pode ser interpretada como sendo uma tentativa de Alencar de atribuir aos brasileiros a qualidade de “povo escolhido”, assim como os judeus, fazendo-os ambos pertencer a uma mesma casta.



Paralelo entre Iracema e o mito de fundação de Roma

Segundo o mito da fundação de Roma, Rômulo e Remo foram amamentados por uma loba.

No livro Iracema, a índia amamenta seu filho com dificuldade. A amamentação só se torna possível depois que a índia faz com que uma loba sugue o seu seio.

Matim, pai de Moacir, é um guerreiro branco e representa a cultura europeia. O seu nome significa "guerreiro" – derivado do latim – e remete ao deus romano Marte, deus da guerra.

Em resumo, Alencar criou em Iracema uma lenda sobre a origem do Brasil, cujo povo se inicia a partir da miscigenação do índio com o branco. A intertextualidade entre Moacir (em Iracema) e o mito da fundação de Roma é uma tentativa de Alencar de atribuir uma origem lendária (heróica) ao povo brasileiro.

Sendo assim, o romance de Alencar tem características épicas, apesar de ser escrito em prosa.