terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Marketing e Psicologia Organizacional

Marketing pessoal e marketing empresarial funcionam basicamente da mesma forma.

Marketing pessoal: Ninguém se dará ao trabalho de enxergar a sua beleza interior – por mais bela que seja – se você é calado(a), não sorri, não cumprimenta as pessoas com um ‘bom dia’ sincero, não se veste bem e não cuida da higiene pessoal. Não espere que uma pessoa especial enxergue essa beleza interior em você apesar do aspecto exterior desleixado. Há pessoas muito especiais que a verão, mas elas são exceções. Não é uma atitude correta esperar isso dos outros, muito menos cobrar isso deles.

O mesmo pode ser aplicado ao marketing empresarial.

Marketing empresarial: Uma empresa tímida, que não investe seriamente em Comunicação profissional e que não ouve seus clientes não terá futuro. Uma empresa para se manter no mercado deve aprender a se renovar e a não esperar o cliente bater à sua porta, mas ir até ele. A empresa deve apresentar-se primeiro, depois esforçar-se para manter um bom relacionamento com seus clientes e funcionários. Agradar seus clientes e ser ativa na fidelização e captação é o primeiro mandamento de uma empresa de sucesso (não importa o tamanho dessa empresa). O produto vendido pode ser o melhor possível, mas não sobreviverá por muito tempo sem comunicação eficaz, sincera e profissional. Ninguém se dará ao trabalho de enxergar a beleza da marca ou do produto se a comunicação não causar empatia.

A Psicologia Organizacional ensina que o empregado satisfeito com a empresa trabalha melhor, rende mais e defende a empresa com sinceridade. Estando satisfeito ele trabalha feliz e de modo saudável, consequentemente, sua visão sobre a empresa é verdadeira e ao falar com o cliente ele vende a sua ‘verdade’.  Isso causa empatia na clientela (fidelização) e no público-alvo (captação). A satisfação do empregado numa empresa rende benefícios que vão além dos lucros contáveis, ou seja, o nome e a marca se fortalecem. Esta é uma verdade válida em qualquer sistema econômico.

O marketing pessoal e o empresarial devem partir da premissa de que ninguém está interessado em conhecer você, sua marca ou produto. Para que estes se tornem atrativos, a comunicação deve ser verdadeira, atrativa e causar empatia nas pessoas. Isso se faz com algumas técnicas publicitárias e algum conhecimento em psicologia organizacional. Mas o mais importante é ‘vender’ a verdade, porque não se pode ignorar a ética em nenhum momento. Ela é reconhecida e valorizada pelas pessoas. E isso faz toda a diferença.


Pessoa ou empresa, se você quer ter amigos fiéis ou clientes fiéis, seja ético!

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Semiótica, Teoria Literária e arquétipos

Semiótica, Teoria Literária e arquétipos: ferramentas para a compreensão do texto.


A Semiótica (às vezes referida também como Semiologia) é a ciência que estuda todos os signos linguísticos: verbais, visuais, auditivos e múltiplos. Neste campo, alguns estudiosos de destaque são:

Charles Peirce (EUA) – filósofo, cientista, matemático e químico.
Roland Barthes (França) – filósofo e crítico literário;
Umberto Eco (Itália) – escritor, autor de “O nome da rosa” e crítico literário.

Alguns conceitos importantes da Semiótica:

Ícone - é uma representação que se assemelha ao objeto representado. Exemplo: uma fotografia se assemelha à pessoa retratada.

Índice - é uma representação que se relaciona ao objeto representado. Exemplo: uma pegada humana lembra-nos um ser humano (mas a pegada não se assemelha a ele).

Símbolo - é uma representação arbitrária feita em dado espaço-tempo. Possui um caráter cultural. Exemplos: uma letra para representar um fonema ou uma logomarca para representar uma empresa.


Metáforas e símbolos

A metáfora é a mãe de muita outras figuras de linguagem, também referidas como figuras de estilo ou de retórica ou de expressão.

Tanto a metáfora quanto o símbolo consistem em substituir uma coisa pela outra. A metáfora substitui uma palavra por outra, o símbolo substitui um conceito por uma imagem, por exemplo. Algumas vezes, metáforas e símbolos produzem o mesmo efeito, por isso a linguagem figurada por vezes é definida como uma linguagem simbólica.

Todos os textos (orais, escritos, visuais etc) são recheados de metáforas e símbolos. Não apenas os textos definidos hoje como literários (poemas, peças teatrais, narrativas ficcionais etc), mas qualquer forma de texto (conversas, diálogos, cartas, epístolas, notícia jornalística, propaganda, manifesto etc).


A alegoria

Uma palavra que define um conceito filosófico (abstrato) pode ser substituída por uma palavra imagética (visual) ou uma figura (concreta). Este é o caso da alegoria. 

Há infinitos exemplos de simbolização no dia a dia:

O dinheiro substitui a riqueza por um pedaço de papel ou metal;

A logomarca substitui/representa uma empresa ou produto;

A parábola substitui um enunciado moral por uma narrativa;

O exemplo substitui uma explicação geral (conceituação) por um caso particular.



A operação da linguagem

A linguagem (oral e escrita) pode ser compreendida tanto como uma operação alegórica quanto como uma operação simbólica. Ambas podem ocorrer simultaneamente ou serem didaticamente separadas:

Operação alegórica (do abstrato ao concreto) – o ato de substituir um pensamento ou sentimento (internos em um sujeito) por uma palavra que possa ser expressa a toda uma comunidade. Ou seja, o ato de transformar nossas percepções sensoriais (mundo psíquico) em palavras que as definam.

Operação simbólica (do concreto ao abstrato) – o ato de dar nome a objetos (do mundo exterior) rotulando-os com palavras é uma operação de abstração (simbolização do mundo exterior).

Estas operações possibilitam a existência da linguagem e definem o que muitos filósofos chamam de consciência.


Concretismo e poesia visual

O Concretismo e a Poesia Visual são conceitos literários do século XX e consistem em operar do abstrato ao concreto, ou seja, tomar a palavra (antes entendida como símbolo arbitrário) e aproximá-la do conceito de ícone, fazendo-a se assemelhar à imagem que ela representa.

Exemplo:
 O significante se assemelhando ao significado



                      


Metáfora, alegoria, símbolo e cultura

Da mesma forma que um sujeito para compreender a língua portuguesa deve estar inserido nessa cultura linguística, também para compreender um símbolo ele deve se inserir naquela cultura simbólica. A seguir alguns exemplos.

Na mitologia grega, o trabalho se Sísifo é uma alegoria que reflete a inutilidade de certas tarefas, convocando o homem a refletir sobre o seu trabalho. No mito, Sísifo passa a vida empurrando uma pedra morro acima, mas ela sempre rola abaixo quando atinge o topo.

Nas culturas orientais, a flor de lótus simboliza pureza espiritual, pois é uma flor que nasce em meio ao lodo.

As máscaras do teatro grego e da commedia dell’ arte italiana representavam estereótipos sociais, ou seja, tipos comuns de personalidade, facilmente reconhecíveis pelo público. No teatro moderno, porém, a máscara física foi substituída pela “máscara psicológica”.



Há que se destacar o trabalho do psicólogo Carl Gustav Jung na interpretação de fábulas, mitos e símbolos, bem como pelo conceito de "arquétipo" para entender as tais "máscaras psicológicas".

Alguns arquétipos conhecidos popularmente

Para C. G. Jung, os arquétipos são ideias primordiais no inconsciente coletivo. Essas ideias não possuem forma definida, mas são materializadas ou personificadas (alegoricamente) em símbolos visuais, narrativas, personagens etc. A simbolização ocorre de forma diferente em cada cultura, mas a ideia primordial (a essência) permanece a mesma já que essas ideias fazem parte de um inconsciente coletivo, logo, comum a toda a humanidade.

inúmeros arquétipos que representam a natureza humana. Como somos seres complexos, assumimos várias personalidades, cada uma em um contexto distinto. A seguir alguns exemplos que julgo recorrentes e importantes nos textos.

O pai castrador – é a qualidade controladora da nossa personalidade. É personificado em diversas culturas na figura de um pai ou um deus punitivo. Um exemplo é Odin na mitologia nórdica.

A mãe – é a qualidade amorosa da personalidade. Está ligada à fertilidade e nutrição. É personificada por Proserpina, deusa romana da fertilidade (Perséfone dos gregos); Gaia, a mãe-terra na mitologia grega; Ísis, na mitologia egípcia, Inanna, na mitologia suméria etc.

O pai amoroso – é a qualidade feminina no ser masculino, ou seja, o lado afetivo e criativo no homem, menos receoso de expor as emoções publicamente. Este é o traço de personalidade que Jung chamaria de anima. É personificado em diversas culturas na figura de um homem ou um deus, sempre bondoso, sensível e dado ao perdão. Pode ser pintado (representado iconicamente) como um homem de traços femininos.

A madrasta – é a qualidade masculina no ser feminino, ou seja, o lado violento, competitivo e vingativo na mulher. Este é o traço de personalidade que Jung chamaria de animus. É personificado por Hera (a vingativa esposa de Zeus) e as diversas madrastas dos contos infantis.

O velho sábio – diz respeito ao nosso conhecimento, ao nosso hábito de aconselhar e orientar. É personificado na figura de um mágico, mago, mestre, profeta, professor, guru etc. O mago Merlin é um exemplo, assim como Gandalf (em Senhor dos Anéis) e Dumbledore (em Harry Potter).

O velho conservador – é o lado conservador de nossa personalidade. Julga o presente de acordo com paradigmas passados. É mantenedor de tradições. Um exemplo seria o Velho do Restelo na obra “Os Lusíadas” de Camões.

O jovem rebelde – é o nosso lado revolucionário, inconformado, contestador que exige mudanças. Um exemplo é Bob da Família Dinossauro (seriado de TV).

O mensageiro – trata da nossa característica de levarmos recados que nem sempre são aguardados ou bem recebidos. Exemplos são: Hermes (na Grécia), Mercúrio (em Roma), Loki (na Escandinávia), Exu (orixá africano), Pombero (guarani).

O herói – ele é o nosso lado aventureiro. Na literatura ele é personificado em várias figuras que protagonizam as narrativas. Aquiles é um exemplo.

O rei prometido – é a nossa esperança de mudança de uma situação que não podemos mudar sozinhos. Um exemplo é o rei Arthur.

O duplo (ou alter ego)– é o lado obscuro da nossa personalidade, isto é, aquelas características que rejeitamos em nós mesmos por não conseguirmos conviver com elas. Nas narrativas aparece como o gêmeo mau, ou o irmão mau, sendo antagonistas do gêmeo bom ou do irmão bom. Exemplos podem ser vistos no conto “William Wilson” de Edgar Allan Poe e no famoso “Dr. Jekill and Mr. Hide” (R. L. Stevenson) que inspirou o Hulk dos quadrinhos.

O macho-alfa – é a vontade masculina de dominar ou se destacar em uma comunidade, indo muito além de apenas ser aceito. Um exemplo é o personagem Don Juan.

A fêmea-fatal – é a vontade feminina de se destacar em seu grupo social, indo muito além de apenas ser aceita. Exemplos são dos mais variados, desde Lilith até a mulher-gato das histórias em quadrinhos.

O andrógino ou hermafrodita – é uma identidade indefinida, esta assume características atribuídas aos dois sexos, porém causando estranhamento aos outros. Pode ser representada por um morcego (mamífero alado).

Édipo/ Electra – é o nosso sentimento ambíguo em relação aos nossos próprios progenitores; de um lado amor e admiração, de outro, ressentimento e rancor.


Também há inúmeros arquétipos que representam sentimentos e situações recorrentes na vida humana.

A terra prometida/o lar perdido – vontade de retorno à infância, nostalgia de nos sentirmos acolhidos como éramos na infância. Na música temos vários exemplos, desde o gospel “Swing low, sweet chariot, Coming for to carry me home” até "Mama, I'm Coming Home" de Ozzy Osbourne.

A vida – simbolizada como uma estrada ou um rio. Na música há vários exemplos: “Born To Be Wild”, “Highway Star”, “Infinita Highway” etc. Nos três exemplos citados, o eu poético tenta fazer da vida uma aventura, uma busca pela almejada liberdade.

A morte – simbolizada por um barco, um trem etc. Diversos são os exemplos de metáforas desse tipo: o mito de Caronte, o barqueiro do Hades; “O auto da barca do inferno”, peça de Gil Vicente; a música “Trem das sete” de Raul Seixas etc.

A palavra dura – aquele ensinamento que é importante para o crescimento espiritual de um indivíduo ou de uma comunidade, porém, inicialmente traz discórdia e não é imediatamente aceito. Pode ser simbolizada por uma espada.

A efemeridade (ou dialética da natureza)  – é a consciência de que tudo é fugaz, efêmero, passageiro. Uma fruta apodrecendo ou um dente-de-leão podem ser imagens representativas desse conceito.


Os animais também ocupam papéis simbólicos.

Memória – elefante. É personificado por Ganexa, deus da sabedoria no hinduísmo.
Fartura/potência sexual – o bode. Exemplos são Pã, os faunos e os sátiros.
Pureza/fartura – a vaca.
Fidelidade – o cão.
Astúcia/magia/curiosidade – o gato.
Poder/liberdade/visão – a águia.
Trabalho degradante – o burro.
Reprodução/multiplicação – coelho/preá.
Sociedade/comunidade – formigas/abelhas.
Sabedoria/mistério – coruja.


Para ler mais sobre o assunto, deixo links de outras postagens:

Narratologia (e a jornada do herói):


Alter egos:


A função do mito:

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Quadrilha (by Drummond) in english

Poetry analysis

The Brazilian poet Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) usually wrote his poems without rhymes and fixed forms. So, everyone can understand, does not need to be a speaker of the Portuguese language. I’d like to comment a Drummond’s poem.

See the beautiful structure of the poem bellow (translated by me). It talks about the mismatch between lovers:

Quadrilha
John loved Teresa that loved Raimundo
that loved Maria that loved Joaquim that loved Lili
that loved no one.

John went to the United States, Teresa to the convent,
Raimundo died of disaster, Maria remained alone,
Joaquim committed suicide and Lili married J. Pinto Fernandes
that had not entered into the story.


Understanding the mecanicism/determinism:
Now, read the poem again from the last verse to the top, making the construction of the relationships between lovers. You're going to understand the mechanic determinism at the poem:

Lili married J. Pinto Fernandes, consequently, Joaquim (who loved Lili) became desolated and committed suicide.
Maria (who loved Joaquim) remained alone, because Joaquim comited suicide and Raimundo (who loved Maria) died of disaster.
Teresa (who loved Raimundo) was desolated because Raimundo died of disaster, so she went to the convent.
John (who loved Teresa) stayed without Teresa because she went to the convent, so he went to the USA.

Other details about the names at the poem:
1- Everyone in this poem shows their first names, except Lili and J. Pinto Fernandes. Why?

2- The poem says "Lili loved no one". So why did she married? She was the only one!

Possible answer:
J. Pinto Fernandes is the only person who has family name at the poem. Furthermore, he hides his first name. Why? It give us a clue that J. Pinto Fernandes is a powerful man, a influent person, with a powerful family name. When the poet says "J. Pinto Fernandes that had not entered into the story" he indicated that Lili married Mr. Fernandes just because he is rich (social climbing, interest).

Everyone at this poem has real names (John, Teresa, Raimundo, Maria, Joaquim), but Lili is a codename (or nickname). Lili is not a real name (it's like Bill for William) so she hide her identity (in other words, Lili does not have courage to face life, to face people, so she married for social interest).

Or maybe "Lili" can be "Lillith", the rebel, the first woman on Earth, the symbol of fatal woman (see the Legend of Lillith on Kabbalah for more details).


Observation about the title of the poem:
The title of this poem refers to a popular dance in Brazil, which consists in a constant change of partners (remember that the poem talk about mismatch between lovers).

P. S: About the dance "Quadrilha", the changing of partners is not in a sexual sense. It is just a constant movement of the dance, there's no body contact, basically just hands in hands. But Drummond uses "Quadrilha" as a methafor.


Renan, 
April, 8, 2008.


Quadrilha = Brazilian typical dance

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O estilo de Morrissey e The Smiths

Steven Patrick Morrissey foi o vocalista que junto ao guitarrista Johnny Marr compôs todas as músicas da banda inglesa The Smiths (formada em Manchester). O grupo esteve ativo entre 1982 e 1987, depois de desfeito, Morrissey lançou-se em carreira solo e assim permanece até hoje, tendo realizado shows no Brasil em novembro de 2015. Ele rejeita qualquer possibilidade de reunir o seu antigo grupo, mas tanto ele quanto Johnny Marr, também em carreira solo, cantam as músicas dos Smiths em seus shows, agregando material próprio.

Principais características de Morrissey como letrista:

- Sarcasmo: letras cheias de humor mordaz que dão a falsa impressão de serem depressivas ou violentas, quando são, na maioria, apenas irônicas, mas de uma ironia cáustica.

- Vocabulário incomum: faz questão de palavras que não se usam no cotidiano da língua inglesa. Também, às vezes, construções sintáticas ou semânticas pouco usuais, como por exemplo, a palavra “handsome” que para ele é sem gênero, como afirmou uma vez. Gosta de palavras “antigas” e justifica isso quando canta: “Veja como as palavras tão antigas quanto o pecado se encaixam em mim como uma luva” (música: The hand that rocks the cradle).

- Discurso sem gênero: ele prefere fazer letras sem especificações de gênero para que o público, masculino e feminino, se interesse e se identifique. Mas isso não é uma regra.

- Sem rimas: nem sempre faz questão de rimar os finais das palavras, demonstra mais preocupação com o conteúdo do que com a forma.

- Discurso direto: ainda que use metáforas, não é muito simbólico nem fantasioso. Sua poesia “toca na ferida”; é provocante, causa impacto ao ponto de gerar admiração ou rejeição imediata. É uma poesia corajosa, desnudada, sem receios de julgamento, simples e feroz, sentimental e indiferente, de estilo ousado e marcante.

- Temas recorrentes nas letras dos Smiths: as relações amorosas, a timidez, a morte (às vezes, desejando-a), a política (em especial a crítica à monarquia inglesa), a violência (na escola, no futebol, no cotidiano; contra os animais, contra a mulher etc).

Sua vida pessoal influencia grandemente o conteúdo das letras. Algumas delas remetem a experiências traumáticas vividas no período escolar e infância, exemplos são “The headmaster ritual” e “Barbarism begins at home”. Morrissey é vegetariano e defensor dos animais (Meat is Murder é um dos discos mais célebres dos Smiths). Também é um crítico ácido da família real inglesa e de outras personalidades políticas (The Queen is Dead é outro álbum célebre da banda). Sua sexualidade é especulada até hoje (Morrissey atualmente tem 56 anos), mas tudo o que se lê ou se ouve sobre esse assunto ainda provoca mais dúvidas. Por exemplo, ele já se declarou celibatário nos anos 80 e em 2013 afirmou: “sou humanossexual – sinto atração por seres humanos, mas não muitos”. Tudo parece misterioso e incomum em sua vida particular, mas sua poesia gera uma notável identificação ou admiração nas pessoas. Os shows de Morrissey ficaram célebres devido ao número incrível de pessoas que constantemente invadem o palco para tocá-lo. Seu nome é cantado em coro pelo público como os hinos de times ingleses de futebol.

Principais influências de Morrissey
Literária: o escritor irlandês Oscar Wilde (Morrissey é um leitor ávido de literatura);
Musical: a banda de punk rock New York Dolls

Principais influenciados
A Legião Urbana, grupo de rock brasileiro surgido na década de 1980. É possível notar claramente a influência de Johnny Marr na guitarra de Dado Villa-Lobos, mais ainda a influência de Morrissey no estilo de Renato Russo. Todavia, o fundador da Legião Urbana soube criar um estilo próprio a partir de várias influências (desde os Beatles até o punk rock) e foi brilhante como compositor e vocalista.

Obs: Vale dizer que o estilo de Marr na guitarra Rickenbacker foi influenciado pelo som dos anos 60, em especial da banda americana The Byrds e das guitarras de George Harrison no início dos Beatles. Sua batida às vezes lembra o Creedence Clearwater Revival. No lugar das distorções pesadas, Marr optou por ser um guitarrista sutil, agregando sentimento e energia às letras de Morrissey.

Outros fãs conhecidos dos Smiths: o cantor e compositor Cazuza (falecido em 1990), Noel Gallangher (outro famoso beatlemaníaco, guitarrista e compositor da banda inglesa Oasis), Radiohead (outra banda inglesa), The Cranberries (banda irlandesa), Smashing Pumpkins (banda americana), The Pretenders (banda inglesa), Bono Vox (vocalista do U2), a escritora J.K. Rowling (notória autora dos livros de Harry Potter), Belle & Sebastian (banda escocesa), entre outros.

Por que "The Smiths"? Segundo o próprio vocalista, o nome da banda foi definido assim porque “Smiths é um sobrenome comum (na Inglaterra) e é hora das pessoas comuns mostrarem a sua cara”. Ironicamente, as capas dos discos nunca traziam fotos de pessoas comuns ou da própria banda, mas sempre celebridades do cinema como James Dean, Elvis Presley entre outros atores e atrizes do gosto de Morrissey.


Citações de trechos de suas letras com The Smiths:

“Uma cama de casal e um(a) amante vigoroso(a) são as riquezas do pobre”
(I want the one I can’t have)

"Então eu encontro você nos portões do cemitério. Keats e Yeats estão do seu lado, enquanto Wilde está do meu... Gravemente lemos as lápides. Todas estas pessoas, todas estas vidas, onde estão agora?... Você diz: "Aqui três vezes o sol prestou saudação à aurora" E você alega que estas palavras são suas, mas eu sou muito instruído e já as ouvi uma centena de vezes... Se você tem que escrever prosa/poesia as palavras usadas devem ser as suas próprias. Não plagie ou pegue emprestado, porque há sempre alguém em algum lugar que é narigudo e sabe" (Cemetery Gates)

"Quando você ri de pessoas que se sentem tão sozinhas que o único desejo delas é morrer, eu lamento que isso não me faz sorrir. Eu queria poder rir, mas essa piada perdeu a graça” 
(That joke isn't funny anymore)

“Cante para eu dormir e depois me deixe sozinho. Não tente me acordar de manhã, porque eu terei partido. Não se sinta mal por mim” (Asleep)

“E se um ônibus de dois andares colidisse em nós: morrer ao seu lado, que jeito divino de morrer!” (There’s a light that never goes out)

“Eu gostaria de sair hoje à noite, mas não tenho um trapo para vestir. E aquele homem disse: - é horrível que alguém tão bonito(a) ligue para isso” (This charming man)

“Bons tempos, só pra variar. Entenda, a sorte que eu venho tendo pode fazer um homem bom se tornar mau” (Please Please Please let me get what I want)

“E ela disse: - Eu fumo porque estou ansiando por uma morte precoce e eu preciso me agarrar a algo” (What she said)

“Eu sei que acabou e na verdade nunca começou, mas em meu coração era tão real. E você até falou comigo e disse: - Se você é tão engraçado, então por que está sozinho à noite? E se você é tão esperto, por que está sozinho à noite? E se você é tão divertido, por que está sozinho à noite? E se você é tão bonito, então por que dorme sozinho hoje à noite? - Eu sei, porque essa noite é exatamente como todas as outras noites” (I know it’s over)

“Noite passada eu sonhei que alguém me amava. Nenhuma esperança, nenhum dano, apenas um alarme falso” (Last night I dreamt that somebody loved me)

“Eu sou o filho e o herdeiro de uma timidez que é criminosamente vulgar”
(How soon is now?)

“A timidez é legal, mas a timidez pode te impedir de fazer todas as coisas que você gostaria de fazer na vida. Ser reservado é legal, mas ser reservado pode te impedir de fazer todas as coisas que você gostaria de fazer na vida” (Ask)

“Você tinha que invadir furtivamente meu quarto apenas para ler o meu diário, só para ver, só para ver todas as coisas que você sabia que eu tinha escrito sobre você” (Suedehead)

* Todas letras citadas são de canções dos Smiths, exceto Suedehead que é do álbum de estreia de Morrissey em carreira solo (1988).

Vistas assim, fora de contexto, as letras expressam muita tristeza, revolta e sentimentos depressivos/violentos, mas, como eu disse, há também uma ironia aí. Isso fica mais claro em canções como “Sweet and tender Hooligan” e “Bigmouth strikes again”. Na primeira ele critica os hooligans (torcedores violentos) e na segunda denuncia o homem que bate em mulher, mas para fazer isso de modo majestosamente poético, ele ironicamente assume um eu lírico que toma o ponto de vista de quem está sendo criticado/denunciado e assim expõe as fraquezas e contradições de seus alvos de crítica. Em outras canções com teor mais autobiográfico o compositor consegue transpor sentimentos e imagens comuns para envolver o público na sua poesia, fazendo o sentimento de um se assemelhar ao sentimento de todos. Não só pelas letras, mas Morrissey também cativa o público tocando-o na mão, chamando ao palco, dançando loucamente, fazendo caretas e interpretando a canção com o sentimento que tiver disponível no momento da apresentação.

Outros exemplos de sua ironia são vistas nas canções “Shoplifters of the world” e “Panic”. Na primeira ele modifica a célebre expressão marxista “Trabalhadores do mundo, uni-vos” substituindo “trabalhadores” por “ladrões de loja” (como metáfora). E em “Panic” ele se utiliza de uma expressão idiomática inglesa: hang the DJ, isto é, “enforque o DJ, porque a música que eles tocam não diz nada sobre a minha vida” (na verdade, mais do que uma crítica à discoteca, denuncia o seu próprio desajuste social, o que o leva ao pânico/fobia social numa época conturbada – Inglaterra, anos 80).

Em suma, o eu lírico/poético de Morrissey deve ser interpretado com cuidado, melhor ainda, compreendido antes de qualquer conclusão. Quanto ao seu eu de carne e osso, este parece que morrerá como viveu: misterioso, recluso, polêmico, mas inofensivo até onde se sabe.

Ainda sobre The Smiths, vale destacar a óbvia genialidade e criatividade do guitarrista para bolar bases musicais, a perícia do baixista ao fazer seu instrumento se destacar em quase todas as faixas, dando-as um brilho refinado, e o entrosamento do baterista ao adaptar-se a qualquer estilo, mostrando versatilidade e energia rítmica.

Morrissey – voz e composições (melodia e letra)
Johnny Marr – guitarra e composições (base musical, harmonia etc)
Andy Rourke – baixo
Mike Joyce – bateria

Apesar de todas as composições dos Smiths serem atribuídas a Morrissey e Marr em parceria, Rourke e Joyce contribuíram valorosamente para os arranjos musicais na parte do baixo e da bateria. É evidente que Morrissey era o gênio por traz das letras e carisma da banda, enquanto Marr o gênio musical, um guitarrista que não se preocupava com longos solos, mas seus arpejos preenchiam todos os espaços possíveis soando como um quarteto de cordas, valorizando a voz grave de Morrissey. Mas não seria a mesma coisa sem o baixo de Rourke, que não se limitava em marcar a nota do acorde nem a fazer riffs (imitando a guitarra), mas procurava preencher espaços onde a guitarra não poderia estar, enquanto a bateria de Joyce com seu sonoro bumbo se encaixava perfeitamente a tudo. Estes últimos elementos fizeram toda a diferença no som da banda.

The Smiths foi um daqueles poucos grupos que não se encaixava numa tendência musical, eles arriscavam e criavam suas próprias. Seu estilo é único e facilmente reconhecível. Embora identificado como rock independente, alternativo, pós-punk, não soava como a nenhuma outra banda da época.

Da esq para dir: Rourke, Morrissey, Joyce e Marr (The Smiths)















A paixão de Morrissey por animais














Cazuza - fã dos Smiths

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Discurso, macacos e literatura

O signo linguístico é ideológico. Ele nasce a partir de um contexto temporal (histórico), espacial (geográfico), social, político, econômico e cultural. Também a comunicação é ideológica, porque, da mesma forma, nasce a partir de um lugar, uma história, um contexto, logo, é discurso.

Para entender melhor o conceito de ideologia, leia aqui a publicação de 30 de julho de 2015.

Visando a explicar didaticamente o conceito de discurso, proponho um exemplo imagético.  Numa árvore repleta de macacos, cada qual vivendo fixamente sobre um galho, cada macaco aponta e expressa ideias sobre o galho do outro ou sobre toda a árvore. O galho representa o contexto histórico-geográfico-político-econômico-cultural diferenciado a que cada macaco pertence. O galho, portanto, determina a estrutura moral, cultural e emocional do macaco. A ideia que cada um faz sobre o galho do outro ou sobre toda a árvore é o discurso. A árvore é a superestrutura histórico-geográfica na qual os macacos estão inseridos e por ela são determinados e condicionados. O conjunto de ideias expressadas é a superestrutura ideológica: moral-política-religiosa-cultural. Este conjunto de ideias (a ideologia) rege a consciência daqueles seres, ou seja, a forma de pensar sobre si e sobre o mundo e de se expressar, porém, limitados pelo paradigma da superestrutura: a árvore em que habitam.

A filosofia de Sócrates, o materialismo histórico dialético e a psicanálise contribuem respectivamente para que cada macaco perceba: 1- a própria ignorância sobre a árvore como um todo e a insustentabilidade de seus argumentos ao analisar o galho alheio do ponto de vista de seu próprio galho; 2- a necessidade de pensar criticamente para além da árvore, entendendo como ela determina e condiciona o discurso e o modo de viver; 3- a fragilidade de seu próprio galho, o qual enganosamente o macaco considera ser rígido o suficiente para sustenta-lo para sempre (neste caso, o galho representando a relação entre o sistema de valores morais e as emoções do primata).

Porém, mesmo com todas as filosofias, as teorias críticas, as ciências, a psicanálise e as psicologias, o macaco não pode enxergar muito além de seu próprio galho, tampouco contemplar toda a árvore do galho em que ele está desde quando nasceu, onde ele mora hoje e lá um dia morrerá. Ainda que o macaco seja muito crítico, ele não pode erguer o próprio galho onde ele se senta, o qual sustenta seu corpo, muito menos erguer ou derrubar a árvore sem descer de seu galho. O contexto pré-determinado de seu nascimento (o galho) e a superestrutura (a árvore) são uma conditio sine qua non da existência do macaco (considerando que todo o seu mundo é uma árvore e seu galho é uma parte desse mundo). Portanto, a visão desses macacos imagéticos é ad infinitum ideológica e o que eles expressam é discurso.

Além disso, a consciência deles está reduzida a uma visão parcial sobre o todo. Esta lacuna é necessariamente preenchida pela especulação, religião e expressões artísticas.

O signo linguístico é ideológico. Mas a língua na literatura não é mais um discurso ou “o Discurso” sobre moral, estética, sociedade, amor etc. Este papel de insucesso cabe às ciências, filosofias etc. A literatura, como todo o resto, também é ideológica, mas o seu papel não é (ou não pode ser) o de criar discursos, mas sim, apenas ser, existir, mostrar-se, estar o quanto tiver de estar, ser infinita enquanto dure e assumir sua efemeridade por ser apenas expressão fiel de emoções momentâneas (e comuns a todos, por isso eternas), sem a intenção de ser uma verdade ou a Verdade, o que a colocaria como mero discurso, mas, ao contrário, sendo assumidamente uma ficção sobre tudo – o ser, a sociedade e o mundo –, tendo como ferramenta de trabalho todas as ciências, filosofias e religiões. A literatura, pelo menos enquanto catarse poética e solitária, assume para si o papel de ser uma ironia do discurso, não sendo mais um discurso ou antidiscurso, mas apenas uma ironia que não pretende mais do que ornar sua própria ironia, como uma macaca que se enfeita sem se interessar por nenhum macaco.

A função das ciências é muito objetiva: a manutenção da vida. A função das artes, religiões, filosofias e teorias da psique é dar um sentido a tudo, nem que seja pelo discurso, ou ao menos entreter e desmemoriar os primatas superiores de sua angústia existencial.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Estilística e Estilo


Cada sujeito tem características que o torna único, seja na forma de se comunicar, comportar-se ou vestir-se. Popularmente, chamamos de estilo a esses aspectos singulares que transformam esse sujeito em um indivíduo destacado dos outros sujeitos sociais.

Porém, quando o assunto é a linguagem, adentramos no campo da Estilística, o ramo de estudos linguísticos que, como o próprio nome entrega, trata de entender o estilo de linguagem, suas peculiaridades, recursos e finalidade.

Dos ramos da Estilística podemos destacar a Estilística da Língua, que estuda a expressão diferenciada ou marcante na fala e escrita; e a Estilística Literária, que estuda os estilos de época, corrente literária, figuras de linguagem, autor e obra.

A Estilística verifica processos expressivos de natureza fonológica, morfológica, sintática e semântica que conferem singularidade ao texto. Assim, temos que considerar uma fonoestilística, que trata dos valores expressivos de natureza sonora; uma morfoestilística, que estuda a construção de palavras; uma estilística sintática, que analisa a construção de enunciados e uma estilística semântica, que examina os significados expressos nos enunciados.


Jales Amaral¹


A Estilística também pode analisar o estilo de um autor e de uma obra. Cada escrita contém marcas específicas que o autor imprime sem perceber, isto significa que a sua forma natural de se expressar pode conter traços que para ele talvez sejam imperceptíveis, mas que para o olhar aguçado de um especialista esses “traços” são claramente identificáveis como marcas de estilo. Há também aqueles autores geniais que conseguem imprimir propositalmente um estilo em um texto, calculando cada palavra para gerar aquela impressão específica no enunciado. Por exemplo, pode-se citar aqui o poeta Fernando Pessoa, seu ortônimo e heterônimos. Ao ler um de seus poemas, pode-se identificar qual de seus heterônimos o escreveu, sem que para isso necessite ver o nome do autor, mas baseando-se apenas no estilo de sua escrita.

A partir do estudo da Estilística o especialista pode chegar a várias respostas sobre questões literárias e linguísticas, o que auxiliam no aperfeiçoamento e enriquecimento dos estudos sobre língua e linguagens.


Érilly Maria Ferraz²

_________________________________________________________________________________

¹ e ² Estudantes de Letras Português-Inglês (faculdade Multivix, unidade Serra-ES).


Trechos de trabalhos apresentados à disciplina de Estilística, 2015/2.
Orientação e revisão: prof. Renan.

domingo, 22 de novembro de 2015

Poesia, música e musa

Os poetas antigos cantavam seus versos de cor. A expressão "saber de cor" significa "saber de coração" (cor = coração em latim). Em inglês "saber de cor" se diz "know by heart" (= saber de coração).

As rimas, ritmo e métrica são algumas técnicas que facilitam a memorização dos versos. E assim, cantando, tanto as notícias quanto as tradições eram transmitidas por gerações.

Durante muitos séculos a poesia era feita para ser cantada (gênero Lírico).  Ainda hoje é assim, mas agora chamamos isso de “letra de música”, ou em inglês “Lyrics”.

Poesia e música sempre estiveram ligadas desde os primórdios. Alguns dos estilos poéticos mais consagrados desde a Antiguidade são: hino, ode (canto, em grego), elegia, cantiga, canção, madrigal, rondó, balada, redondilha, soneto (sonzinho, em italiano).

Etimologicamente, a palavra "música" se origina de "musa". 

As musas representavam a personificação das Artes, a quem os poetas pediam inspiração, enquanto que as ninfas representavam a personificação de elementos naturais. 



INVOCAÇÃO DAS MUSAS - Trechos selecionados das quatro grandes epopeias ocidentais:

Canta, ó Musa, a ira de Aquiles, filho de Peleu, que incontáveis males trouxe às hostes dos aqueus. (HOMERO, ILÍADA)

Ó divina poesia, mantenha viva para mim esta canção do homem [...] Faça com que essa história viva para nós [...] Conta-me, Musa, a história do homem, que, depois de destruir a sacra cidade de Troia, andou peregrinando larguíssimo tempo. (HOMERO, ODISSEIA)

Conta-me, musa, as causas (VIRGÍLIO, ENEIDA)

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente [...]
Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou flauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa, [...]
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.
(CAMÕES, OS LUSÍADAS)

Obs: Tágides é como Camões nomeia as Musas do rio Tejo (ou ninfas do Tejo, por também personificarem um elemento da natureza: o rio).

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Antes tarde do que nunca...

Acho que finalmente consegui cumprir a tarefa-desafio para a disciplina de Sistemas Nacionais e Internacionais de Comunicação ministrada pelo prof. Dr. J. Edgard Rebouças em 2004 enquanto eu ainda cursava a faculdade de Comunicação Social, turma de Publicidade e Propaganda.

A tarefa consistia em construir uma analogia entre as relações capitalistas das empresas de comunicação e o poema "Quadrilha" de Carlos Drummond de Andrade. Mas antes de continuar, quero postar aqui outro poema de Drummond:



Voltando ao poema "Quadrilha", ele foi acertadamente bem analisado e explicado pelo professor em sala de aula. Depois, em casa, após dias de muita pesquisa e leitura sobre compras, vendas, sociedades e fusões entre empresas, e após várias tentativas frustradas de construir o paralelo entre a história das empresas e o poema, o melhor resultado só veio agora em 2015. Ficou assim:



A Globo amava o Bradesco
que amava a Samarco 
que amava a Vale 
que não amava ninguém. 

A Globo foi para a França, 
o Bradesco correu para a bolsa, 
a Samarco poluiu o Rio Doce 
que morreu de desastre 
e a Vale foi vendida por F. Henrique Cardoso 
que não tinha entrado na história.

 
Jornal de Brasília, coluna "Esplanada", de Leandro Mazzini. Edição 14508 de 17/11/2015, página 15.



















Agradecimentos:

Ao prof. Edgard - obrigado pelas aulas que tanto me acrescentaram e cujo conteúdo ainda guardo na memória e nos cadernos.

E aos meus colegas formandos de 2005.