terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Dica de leitura: Nefer, o Silencioso







A Pedra da Luz - Nefer, o Silencioso.

Romance escrito pelo parisiense Christian Jacq, doutor em estudos egípcios.










A trama se passa durante o governo de Ramsés, o Grande. Uma confraria de artesãos e sacerdotisas em Tebas vive como uma comunidade isolada de iniciados que guardam secretamente seus conhecimentos. Usando de sua arte, esses artesãos têm o trabalho de construir, conservar e restaurar as moradas eternas dos faraós e rainhas do Egito.

A obra descreve em detalhes a vida nesse período do Egito Antigo, bem como os trabalhos feitos pelos escultores, desenhistas, pintores... e os ritos místicos que envolvem cada ação realizada por essa confraria.

Contudo, há uma conspiração se armando entre figuras poderosas de Tebas. Algumas delas motivadas por ganância, outras querendo modernizar o Egito e acabar com certas tradições, ou ainda por mera vingança. Esses detentores de altos cargos na sociedade tebana se reúnem às escuras com o objetivo de destruir a confraria do Lugar da Verdade¹, acabar com seus privilégios e descobrir seus segredos.

O enredo têm momentos de luta, amor e aventura. Algumas personagens recebem mais atenção e suas histórias individuais despertam a curiosidade do leitor. 

Para mim, a personagem mais cativante nessa obra é o jovem Paneb, o Ardoroso. Sua trajetória de vida em busca do sonho de se tornar desenhista e pintor, passando por várias provações, é um exemplo envolvente de perseverança!

É uma leitura simples, fácil de ser digerida, mas muito inteligente e prazerosa. Não é cansativa nem chata. Muito pelo contrário! Se você se interessa pelo Antigo Egito, por história antiga e assuntos afins, este é um romance que nos coloca no cotidiano dessa magnífica civilização.



¹ Lugar da Verdade, em egípcio antigo set Maât, era o local onde ficava a confraria de artesãos. O nome era em honra à deusa Maât que simboliza a verdade, a justiça e a retidão.


Detalhes técnicos:
462 páginas;
Bertand Brasil;
Tradução: Maria Alice Araripe de Sampaio Doria.




ADENDO (03/01/2020)


Paneb realmente existiu. Ele é citado no Papiro Salt 124 (BM 10055), datado da XX dinastia. Artesão residente do Lugar da Verdade, chefe de equipe do lado esquerdo, casado com Uabet.

No papiro citado acima, um tio adotivo faz várias queixas sobre Paneb, e as envia, em forma de carta,  ao vizir de Tebas. Porém, segundo interpretações de estudiosos sobre o conteúdo exaltado da carta, as acusações dão margem a muitas dúvidas, com muitos traços de parcialidade. Uma fonte diz que "Apesar de boa caligrafia, o papiro tem uma gramática ruim".

O papiro Salt 124 (BM 10055) está guardado no arquivo do Museu Britânico.



Papiro Salt 124 (BM 10055) - British Museum



















A coluna monolítica (pedra comemorativa) de Paneb























Fontes

O caso Paneb:
https://journals.openedition.org/cultura/1535


Museu Britânico:
https://research.britishmuseum.org/research/collection_online/collection_object_details.aspx?objectId=100909&partId=1 

Um comentário: