That Joke Isn't Funny Anymore
Composição de Morrissey e Johnny Marr (The Smiths)
Pare o carro no acostamento
Você deveria saber
A maré do tempo vai te sufocar
E a mim também
Quando você ri de pessoas
Que se sentem tão sozinhas
Que o único desejo delas é morrer
Eu lamento
Que isso não me faça sorrir
Eu gostaria de rir
Mas esta piada não tem mais graça
É muito perto de casa
É muito próxima ao osso
É muito perto de casa
É muito próxima ao osso
Muito mais do que você jamais saberá
Você os chuta quando eles caem
Você os chuta quando eles caem
Por que você tem que fazer isso?
Você os chuta quando eles caem
Você os chuta quando eles caem
Estava escuro como se eu dirigisse até chegar em casa
E nos bancos frios de couro
De repente me pareceu
Que eu simplesmente posso morrer
Com um sorriso no rosto afinal
Eu vi isto acontecer na vida de outras pessoas
E agora está acontecendo na minha
Eu vi isto acontecer na vida de outras pessoas
E agora está acontecendo na minha
Eu vi isto acontecer na vida de outras pessoas
E agora está acontecendo na minha
Eu vi isto acontecer na vida de outras pessoas
Agora está acontecendo na minha
Eu vi isto acontecer na vida de outras pessoas
Agora está acontecendo na minha
Acontecendo na minha, acontecendo na minha, acontecendo na minha
Acontecendo na minha
Eu vi isto acontecer na vida de outras pessoas
Agora, agora, agora
Está acontecendo na minha
Acontecendo na minha
Agora...
Comentário
Tentei ser o mais literal possível, isto é, busquei fazer uma tradução ipsis litteris. Mas algumas expressões como "parar no acostamento" devem ser contextualizadas, assim como o valor semântico de algumas palavras como "casa" e "osso", que parecem ser metáforas. Não utilizei recursos de adaptação formal, ou seja, ignorei as rimas e outras figuras fonéticas, prezando pela letra no seu sentido bruto, cru (i.e.: literal).
sexta-feira, 8 de abril de 2016
terça-feira, 5 de abril de 2016
Rock underground (no mainstream)
Três bandas de
rock alternativo que se popularizaram por serem antipop.
Joy Division (Manchester, Inglaterra: 1976
– 1980).
Gêneros: pós-punk,
rock alternativo.
Surgiu como
uma banda punk, inicialmente batizada Warsaw, mas assim que desacelerou o ritmo
da bateria, assumiu a “morte” do punk e fez nascer o pós-punk, uma tendência
que influenciaria fortemente o som das bandas de rock da década de 1980 em todo
o mundo. As harmonias e letras eram um pouco mais sofisticadas que da moda
punk, mas ainda assim era um som muito cru. Inovaram com o uso de teclados e
sintetizadores. Lançaram apenas dois álbuns, Unknown Pleasures (1979) e Closer
(1980), alguns singles e coletâneas póstumas. Além desses discos, gravaram uma demo de punk-rock ainda sob o nome de
Warsaw. Tanto pelo som quanto pelas letras, o Joy Division é uma banda
melancólica, fato explicado pelas tragédias do vocalista Ian Curtis: a epilepsia e
os terríveis efeitos colaterais que os medicamentos causavam, além de problemas
conjugais. O filme “Control” (Preto e Branco, 2007) detalha com excelência o drama cinematográfico de todas as tristezas na vida desse vocalista e compositor. Quando a banda acabou
em 1980, devido à morte de Curtis, os integrantes remanescentes fundaram o New
Order. Então, outra moda surgiu: o synthpop, som construído a partir de
sintetizadores, e o new wave, som dançante que marcou aquela década.
The Smiths
(Manchester, Inglaterra: 1982 – 1987)
Gêneros: pós-punk,
rock alternativo, indie rock (rock independente), jangle pop.
The Smiths são
ainda hoje a banda mais associada ao gosto do roqueiro intimista, desajeitado e
tímido, aquele tipo de pessoa que não vê lugar para si na sociedade, mas que
sobrevive à margem, sendo ela mesma, aceitando seu desajuste social.
Estereótipo ou não, as letras da banda não deixam dúvida sobre esse aspecto. Já
na música, se diferenciaram muito de seus contemporâneos. O jangle pop era o
som característico de bandas dos anos 60 como The Byrds, influenciadas por
algumas canções dos Beatles como “A Hard Day’s Night”, “What You’re Doing” e “Ticket
to Ride”. A marca desse tipo de harmonia é a guitarra dedilhada, valorizando os
arpejos que não só acompanham, mas também complementam a melodia cantada. Essa
foi uma das contribuições de Johnny Marr, guitarrista e compositor, ao som dos
anos 80. Já o seu parceiro de composição renderia aqui um capítulo à parte. Morrissey,
vocalista e letrista, é vegetariano. Nas suas apresentações em carreira solo, os
locais de seus shows adaptam-se à sua exigência de não vender carne. Na época dos
Smiths, proibia seus colegas de banda de serem fotografados comendo carne. Além
disso, ele é muito avesso às instituições em geral. Diz o que lhe vem à cabeça.
Fala mal da política e de tudo que lhe incomoda, cita nomes e não poupa nas
críticas. Esta coleção de “excentricidades” típicas de um ser sensível lhe
rendeu uma má fama entre as gravadoras. Mas tirando o lado “rebelde” do poeta,
ele é muito meigo no trato com os fãs e com os animais. Certa vez, usou um
aparelho auditivo num show em gesto de solidariedade a um fã surdo que se
sentia excluído pelos colegas de escola. Morrissey é um ser ambíguo, conhecido
e reconhecido tanto pela proximidade com os fãs, quanto pela sua língua solta e
irrefreável, além de outras coisas que aos olhos da mídia (mainstream) são
antipopulares, como sua assumida postura celibatária na época dos Smiths,
contrariando o estereótipo do roqueiro libertino, e consequentemente, não
rendendo holofotes (lucros) aos paparazzi que procuram sempre expor a
intimidade dos artistas.
Nirvana (Seattle,
EUA: 1987 –1994)
Gêneros: grunge,
rock de garagem, rock alternativo.
Das três
bandas citadas aqui, o Nirvana é a mais conhecida. Mesmo preferindo tocar em locais
pequenos, acabou cedendo ao gosto da gravadora para tocar em grandes eventos,
como o Hollywood Rock no Brasil. Na ocasião, Kurt Cobain não economizou no sarcasmo
durante o evento patrocinado por uma marca de cigarro. Mesmo sendo fumante e
recebendo seu cachê daquele patrocinador, ele expôs sua “rebeldia”, ainda que a
contragosto dos fãs que berravam “Canta Smells Like Teen Spirit”. Mas no rock,
o que atrai não é ser desajustado e rebelde? Então, por mais que o vocalista
exprimisse sua revolta, tudo o que ele criticava acabava virando manchete. E
isto, sua alma punk, contrária ao mainstream, somada à sua depressão crônica,
não pôde suportar! O som do Nirvana é, logo, justificadamente agressivo, beirando
ao caos e incitando à liberdade criativa nas várias bandas que viriam a surgir sob essa
influência. Mas ao analisar com mais atenção, as melodias são tão excitantes
quanto as do Led Zeppelin, Aerosmith e Beatles (influências que Kurt Cobain
nunca negou). Essa linha melódica fica ainda mais evidente ao assistir ao “Acústico
MTV em New York”, onde a banda apresenta um memorável show, talvez o melhor do
gênero "Acústico MTV".
Para ler mais
sobre crítica musical, veja os “marcadores” e clique naquele de seu interesse.
Para ler mais sobre The Smiths ou Nirvana, clique nestes links.
Veja também a
enquete deste mês no blog.
O artista (Oscar Wilde)
"O artista" por Oscar Wilde (1854 – 1900)
Uma noite veio do interior da sua alma o desejo de esculpir
a estátua do "Prazer que dura um instante" e saiu pelo mundo em busca
do bronze, porque só podia imaginar sua escultura em bronze.
Mas todo o bronze do mundo tinha desaparecido e em nenhuma
parte do mundo podia encontrar-se bronze, salvo o da estátua da "Tristeza que
dura para sempre".
Ora, essa imagem ele mesmo quem a esculpiu com suas
próprias mãos. Havia modelado aquela estátua, colocando-a no túmulo do único
ser a quem amara em sua vida. Então, na sepultura daqueles restos mortais que ele tanto havia amado, deixou aquela estátua erguida por ele para que fosse um sinal do
amor imortal do homem e um símbolo da dor que dura para sempre. E no mundo
inteiro não havia outro bronze senão o bronze daquela estátua.
E tomou a estátua que havia modelado, colocou-a em um grande
forno e entregou-a ao fogo.
E com o bronze da estátua da "Tristeza que dura para
sempre", modelou uma estátua do "Prazer que dura um instante"
(in "Complete Works" – poems in prose. Tradução
nossa)
Obras Completas de Oscar Wilde – poemas em prosa
Comentário:
É possível vislumbrar neste poema um paralelo com a antiga parábola budista da "semente de mostarda". Nesta, uma mãe carrega seu filhinho morto no colo procurando por algo que pudesse trazê-lo à vida. Após muita procura, alguém recomenda que ela ouça o sábio budista que habitava aquela região. Ela o encontra e pede-o uma cura. Ele diz que a cura é uma semente de mostarda que deve ser doada por uma família a quem a morte nunca tenha tocado. A mulher sai à caça dessa semente e em todas as portas em que batia, as pessoas se mostravam solidárias ao dar-lhe a semente, mas quando ela perguntava se alguém daquela casa já havia morrido, a resposta era sempre positiva. Em nenhuma família, em nenhuma casa, em nenhum lugar, a morte não havia tocado. Então a mulher voltou ao sábio budista e disse: "Enterrei meu filho no bosque, junto com minha dor, agora estou pronta para seguir-te".
A parábola budista fala do desapego das coisas mundanas, do ato de desapegar-se dos problemas que na vida não tem solução, e como esse desapego leva à superação da dor que é provocada pelos desejos do ego. Essa antiga filosofia oriental reapareceria cerca de 100 anos mais tarde na Grécia pós-Socrática sob os títulos de Cinismo e Estoicismo. Esta última corrente floresceu no Império Romano e séculos depois foi recuperada no período Barroco europeu que sustentou os dizeres "Memento mori". A filosofia estoica ensina o homem a aceitar com serenidade o seu destino tal qual este se apresenta. Essa escola que influenciou os primórdios do cristianismo tem Zenão (na Grécia) e Sêneca (em Roma) como seus representantes. Também podemos ver o estoicismo na poesia de Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa) que soma a essa filosofia o epicurismo. Já o Cinismo prega o desapego das coisas materiais. Foi fundado por Antístenes, discípulo de Sócrates, e levado ao extremo por Diógenes, que morava em um barril, na época de Alexandre, o Grande.
O poema de Wilde fala da superação de uma enorme tristeza provocada por uma grande perda, e de como um instante de felicidade ou a lembrança de um bom momento pode significar mais do que uma dor que se julga eterna.
quinta-feira, 31 de março de 2016
Heróis dos quadrinhos: Watchmen
Na
primeira enquete realizada aqui, o tema vencedor com 75% dos votos foi “heróis
dos quadrinhos”. Este então é o tema desta postagem.
Watchmen (de Alan Moore)
Espaço-tempo:
Estados Unidos, década de 1980, auge da Guerra Fria.
Este
HQ, também chamado graphic novel
(romance visual) aborda como questão central a seguinte pergunta: se
super-heróis, com poderes ilimitados, existissem na vida real, quem ou qual
instituição seria capaz de regulamentar suas ações e julga-los? Isto é: “Quem
vigia os vigilantes?”.
Sendo
tão poderosos, além de toda força humana – ainda assim sendo humanos
emocionalmente imperfeitos – como controlar seus atos? Suas emoções pessoais
combinadas à super força que eles detêm poderiam causar algum prejuízo à
sociedade? Seriam eles foras-da-lei, julgando-se acima da Lei para realizar
seus objetivos?
Este
enredo mistura verossimilhança a elementos de fantasia. Podemos falar aqui duma
realidade paralela que nos aproxima do real e nos leva a refletir sobre a
História e outras questões como o poder, a justiça, a liberdade etc.
De
todos os heróis envolvidos nesta HQ, o Dr.
Manhattan é o único que possui poderes supernaturais. Após um acidente de
laboratório sua forma humana se desmaterializa. Sua condição passa a ser a de
um homem azul que manipula a matéria de acordo com a sua vontade. Além disso,
ele enxerga o futuro, entendendo o tempo como algo relativo (personagem
construído a partir das teorias de Einstein). Este é um correlato do Superman,
um super-herói com poderes ilimitados.
Os
demais são seres humanos “comuns”:
-
Coruja, que além de habilidades em
luta, possui domínio de tecnologias avançadas (uma espécie de Batman, mas muito
tímido e inseguro);
- Rorschach (nome do teste de livre-associação), um personagem com graves traumas psicológicos, detetive, habilidoso, mas que se
julga incapaz de conviver em sociedade, em suma, um misto de justiceiro e (quase)
sociopata;
-
Espectral, uma mulher que segue os
passos de sua mãe na “carreira” de super-heroína, mas vive problemas emocionais
por desconhecer a identidade de seu pai;
-
Comediante, um homem que segue seus
instintos, vive segundo a sua vontade, luta e usa armas para combater o crime e
encara a vida como uma grande piada de mau gosto;
- Ozymandias, conhecido como o "homem mais inteligente do mundo".
Nesta
realidade paralela construída para os quadrinhos, os EUA venceram a Guerra do
Vietnã graças à ajuda desses heróis, em especial o Dr. Manhattan, a quem muitos
batalhões vietnamitas se renderam.
Mas
após esse episódio a preocupação deles passa a ser outra: deter a Guerra Fria e
a extinção de toda a humanidade. O final para esta questão e para os dramas
pessoais de cada herói é surpreendente.
Se eu me
estender mais nesta postagem, acabarei analisando e, consequentemente,
revelando surpresas desse drama. Portanto deixo as análises a cargo dos que
ainda lerão esta obra premiada, polêmica e envolvente de Alan Moore.
Também vale a
pena assistir ao filme Watchmen, baseado nos quadrinhos. Na
trilha sonora: Bob Dylan, Paul Simon, Jimi Hendrix etc.
![]() |
| Filme: Watchmen |
Para ler mais
sobre "heróis" neste blog, clique nos marcadores ao final desta
postagem. Também no link a seguir: Narratologia.
terça-feira, 22 de março de 2016
Blog Interlúdico (novidades e como navegar)
Agora você pode seguir o Interlúdico por e-mail. Para isso basta inserir o seu e-mail na barra que fica no canto superior à direita e clicar em submit. Pronto! Você receberá via correio eletrônico um aviso quando houver uma nova postagem.
Outra novidade é a enquete. Esporadicamente, o blog lançará enquetes aos seus leitores.
Lembrando que em arquivo do Interlúdico você tem acesso a todo histórico de postagens do blog, podendo pesquisar e visualizar qualquer texto já publicado aqui. O Interlúdico inaugurou em abril de 2011. Com esta, são ao todo 175 postagens.
Outra ferramenta de pesquisa são os marcadores. Ao clicar numa das palavras que aparecem marcadas, o blog o levará a todas as postagens que contenham a mesma palavra-chave.
Os marcadores, a opção comentar e a opção compartilhar (por e-mail, Twitter, Facebook etc) aparecem no retângulo branco ao final de cada postagem.
E em postagens mais acessadas você tem a lista com links que facilitam o acesso a essas postagens.
Se você procura uma interação lúdica com as Artes, seja bem-vindo. É de graça.
Obrigado pela sua visita!
quinta-feira, 17 de março de 2016
Humanas: 4 cursos que...
Se você é curioso, gosta de ler e aprecia as artes, estes são os quatro cursos das Ciências Humanas que, a meu ver, transformarão a sua visão de mundo:
Psicologia – é uma ciência
humana por excelência. Busca o resgate daquele sujeito que, por algum motivo,
julga-se perdido em alguma área da sua vida. O psicólogo ouve, avalia o caso
(individual ou coletivo) e orienta. Em última análise, é o profissional
encarregado de encaminhar o sujeito à busca de sua autorrealização, à procura
da felicidade.
Atua em clínicas, hospitais,
empresas públicas e privadas.
Letras – O conhecimento
humano define-se, dentre outras coisas, pela linguagem. O profissional de
Letras é um especialista na leitura, análise e ensino da língua e seus diversos
códigos. Estuda a comunicação oral e escrita considerando o conteúdo e a estética
textual. Reflete sobre os conceitos de significado, cultura e expressão.
Atua em escolas, faculdades,
universidades, editoras etc.
Filosofia – É um
conhecimento multidisciplinar por definição. Lida com questões humanas,
naturais e metafísicas. Investiga o próprio conceito de “conhecimento”. Pondera
sobre a essência do ser, da ética, da política, da estética e da felicidade. Em suma, encarrega-se das primeiras e mais profundas questões existenciais.
Atua em escolas, faculdades
e universidades.
História – Registra e
reflete sobre as ações humanas ao longo do tempo e suas implicações. Considera
as transformações políticas, econômicas, culturais e sociais. É a literatura
dos fatos conhecidos e gerais. Ao lado das Letras, também é uma disciplina
fundamental para todos os demais campos das Ciências Humanas.
Atua em escolas, faculdades, universidades e empresas.
segunda-feira, 14 de março de 2016
Os olhos dos pobres (Baudelaire)
Quer saber por que a odeio hoje? Sem dúvida lhe
será menos fácil compreendê-lo do que a mim explicá-lo; pois acho que você é o
mais belo exemplo da impermeabilidade feminina que se possa encontrar.
Tínhamos passado juntos um longo dia, que a mim me
pareceu curto. Tínhamos nos prometido que todos os nossos pensamentos seriam
comuns, que nossas almas, daqui por diante, seriam uma só; sonho que nada tem
de original, no fim das contas, salvo o fato de que, se os homens o sonharam,
nenhum o realizou.
De noite, um pouco cansada, você quis se sentar num
café novo na esquina de um bulevar novo, todo sujo ainda de entulho e já
mostrando gloriosamente seus esplendores inacabados. O café resplandecia. O
próprio gás disseminava ali todo o ardor de uma estreia e iluminava com todas
as suas forças as paredes ofuscantes de brancura, as superfícies faiscantes dos
espelhos, os ouros das madeiras e cornijas, os pajens de caras rechonchudas
puxados por coleiras de cães, as damas rindo para o falcão em suas mãos, as ninfas
e deusas portando frutos na cabeça, os patês e a caça, as Hebes e os Ganimedes
estendendo a pequena ânfora de bavarezas, o obelisco bicolor dos sorvetes
matizados; toda a história e toda a mitologia a serviço da comilança.
Plantado diante de nós, na calçada, um bravo homem
dos seus quarenta anos, de rosto cansado, barba grisalha, trazia pela mão um
menino e no outro braço um pequeno ser ainda muito frágil para andar. Ele
desempenhava o ofício de empregada e levava as crianças para tomarem o ar da tarde.
Todos em farrapos.
Estes três rostos eram extraordinariamente sérios e os seis
olhos contemplavam fixamente o novo café com idêntica admiração, mas
diversamente nuançada pela idade.
Os olhos do pai diziam: "Como é bonito! Como é
bonito! Parece que todo o ouro do pobre mundo veio parar nessas paredes."
Os olhos do menino: "Como é bonito, como é bonito, mas é uma casa onde só
entra gente que não é como nós." Quanto aos olhos do menor, estavam
fascinados demais para exprimir outra coisa que não uma alegria estúpida e
profunda.
Dizem os cancionistas que o prazer torna a alma boa
e amolece o coração. Não somente essa família de olhos me enternecia, mas ainda
me sentia um tanto envergonhado de nossas garrafas e copos, maiores que nossa
sede. Voltei os olhos para os seus, querido amor, para ler neles meu
pensamento; mergulhava em seus olhos tão belos e tão estranhamente doces, nos
seus olhos verdes habitados pelo Capricho e inspirados pela Lua, quando você me
disse: "Essa gente é insuportável, com seus olhos abertos como portas de
cocheira! Não poderia pedir ao maître para os tirar daqui?"
Como é difícil nos entendermos, querido anjo, e o
quanto o pensamento é incomunicável, mesmo entre pessoas que se amam!
Charles Baudelaire
De Le "Spleen" de Paris (O "tédio/melancolia de meados do século" de Paris);
Les Petits Poèmes en prose (Os pequenos poemas em prosa), 1869.
Nota pessoal: Conheci este poema há poucos anos por intermédio de um amigo que faz Doutorado em Direito na UBA (Universidad de Buenos Aires - Argentina). Um professor de lá recomendou à turma de doutorandos a leitura deste poema.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Marketing e Psicologia Organizacional
Marketing pessoal e marketing
empresarial funcionam basicamente da mesma forma.
Marketing pessoal: Ninguém se
dará ao trabalho de enxergar a sua beleza interior – por mais bela que seja –
se você é calado(a), não sorri, não cumprimenta as pessoas com um ‘bom dia’
sincero, não se veste bem e não cuida da higiene pessoal. Não espere que uma
pessoa especial enxergue essa beleza interior em você apesar do aspecto
exterior desleixado. Há pessoas muito especiais que a verão, mas elas são
exceções. Não é uma atitude correta esperar isso dos outros, muito menos cobrar
isso deles.
O mesmo pode ser aplicado ao marketing empresarial.
Marketing empresarial: Uma
empresa tímida, que não investe seriamente em Comunicação profissional e que
não ouve seus clientes não terá futuro. Uma empresa para se manter no mercado
deve aprender a se renovar e a não esperar o cliente bater à sua porta, mas ir
até ele. A empresa deve apresentar-se primeiro, depois esforçar-se para manter um
bom relacionamento com seus clientes e funcionários. Agradar seus clientes e
ser ativa na fidelização e captação é o primeiro mandamento de uma empresa de
sucesso (não importa o tamanho dessa empresa). O produto vendido pode ser o
melhor possível, mas não sobreviverá por muito tempo sem comunicação eficaz,
sincera e profissional. Ninguém se dará ao trabalho de enxergar a beleza da
marca ou do produto se a comunicação não causar empatia.
A Psicologia Organizacional
ensina que o empregado satisfeito com a empresa trabalha melhor, rende mais e
defende a empresa com sinceridade. Estando satisfeito ele trabalha feliz e de
modo saudável, consequentemente, sua visão sobre a empresa é verdadeira e ao
falar com o cliente ele vende a sua ‘verdade’. Isso causa empatia na clientela (fidelização)
e no público-alvo (captação). A satisfação do empregado numa empresa rende
benefícios que vão além dos lucros contáveis, ou seja, o nome e a marca se
fortalecem. Esta é uma verdade válida em qualquer sistema econômico.
O marketing pessoal e o
empresarial devem partir da premissa de que ninguém está interessado em
conhecer você, sua marca ou produto. Para que estes se tornem atrativos, a
comunicação deve ser verdadeira, atrativa e causar empatia nas pessoas. Isso se
faz com algumas técnicas publicitárias e algum conhecimento em psicologia
organizacional. Mas o mais importante é ‘vender’ a verdade, porque não se pode
ignorar a ética em nenhum momento. Ela é reconhecida e valorizada pelas
pessoas. E isso faz toda a diferença.
Pessoa ou empresa, se você quer
ter amigos fiéis ou clientes fiéis, seja ético!
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