Mostrando postagens com marcador alterego. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador alterego. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Quadrilha punk

Judy is a punk,
Sheena is a punk rocker,
Suzy is a headbanger.

Judy went down to Berlin with Jackie,
Sheena had to break away,
And Suzy... Stop that girl. There she goes again.


Carlos Ramone de Andrade.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Heróis dos quadrinhos: Watchmen

Na primeira enquete realizada aqui, o tema vencedor com 75% dos votos foi “heróis dos quadrinhos”. Este então é o tema desta postagem.

Watchmen (de Alan Moore)

Espaço-tempo: Estados Unidos, década de 1980, auge da Guerra Fria.

Este HQ, também chamado graphic novel (romance visual) aborda como questão central a seguinte pergunta: se super-heróis, com poderes ilimitados, existissem na vida real, quem ou qual instituição seria capaz de regulamentar suas ações e julga-los? Isto é: “Quem vigia os vigilantes?”.

Sendo tão poderosos, além de toda força humana – ainda assim sendo humanos emocionalmente imperfeitos – como controlar seus atos? Suas emoções pessoais combinadas à super força que eles detêm poderiam causar algum prejuízo à sociedade? Seriam eles foras-da-lei, julgando-se acima da Lei para realizar seus objetivos?

Este enredo mistura verossimilhança a elementos de fantasia. Podemos falar aqui duma realidade paralela que nos aproxima do real e nos leva a refletir sobre a História e outras questões como o poder, a justiça, a liberdade etc.

De todos os heróis envolvidos nesta HQ, o Dr. Manhattan é o único que possui poderes supernaturais. Após um acidente de laboratório sua forma humana se desmaterializa. Sua condição passa a ser a de um homem azul que manipula a matéria de acordo com a sua vontade. Além disso, ele enxerga o futuro, entendendo o tempo como algo relativo (personagem construído a partir das teorias de Einstein). Este é um correlato do Superman, um super-herói com poderes ilimitados.

Os demais são seres humanos “comuns”:

- Coruja, que além de habilidades em luta, possui domínio de tecnologias avançadas (uma espécie de Batman, mas muito tímido e inseguro);

- Rorschach (nome do teste de livre-associação), um personagem com graves traumas psicológicos, detetive, habilidoso, mas que se julga incapaz de conviver em sociedade, em suma, um misto de justiceiro e (quase) sociopata;

- Espectral, uma mulher que segue os passos de sua mãe na “carreira” de super-heroína, mas vive problemas emocionais por desconhecer a identidade de seu pai;

- Comediante, um homem que segue seus instintos, vive segundo a sua vontade, luta e usa armas para combater o crime e encara a vida como uma grande piada de mau gosto;

- Ozymandias, conhecido como o "homem mais inteligente do mundo".

Nesta realidade paralela construída para os quadrinhos, os EUA venceram a Guerra do Vietnã graças à ajuda desses heróis, em especial o Dr. Manhattan, a quem muitos batalhões vietnamitas se renderam.

Mas após esse episódio a preocupação deles passa a ser outra: deter a Guerra Fria e a extinção de toda a humanidade. O final para esta questão e para os dramas pessoais de cada herói é surpreendente.

Se eu me estender mais nesta postagem, acabarei analisando e, consequentemente, revelando surpresas desse drama. Portanto deixo as análises a cargo dos que ainda lerão esta obra premiada, polêmica e envolvente de Alan Moore.

Também vale a pena assistir ao filme Watchmen, baseado nos quadrinhos. Na trilha sonora: Bob Dylan, Paul Simon, Jimi Hendrix etc.

Filme: Watchmen















Para ler mais sobre "heróis" neste blog, clique nos marcadores ao final desta postagem. Também no link a seguir: Narratologia.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Literatura e psicanálise: Alteridade e terror auto-infligido



Gostar de tomar susto assistindo a filmes de terror ou descendo uma montanha russa. A isto dou o nome de “terror auto-infligido”. Mas não fica apenas nisso, como podemos ver a seguir.

Alguns casos clássicos:

a) O Autocrítico – o sujeito que sofreu uma castração rígida no período edipiano e que por isso possui um alto sistema de valores morais. Este sujeito não se permite à felicidade plena, mesmo quando tudo está bem em sua vida. Ele sempre se compara aos outros (alteridade), mas de modo a diminuir-se e cobrar-se mais.

a.1) Casos extremos: síndrome de pânico e transtorno de pânico.

b) O "crítico do vizinho" – este sujeito projeta suas insatisfações pessoais no outro (alteridade).

b.1) Caso extremo: o sádico – aquele que sente prazer no sofrimento alheio.

c) O apaixonado pelo desprezo – aquele sujeito que sempre se apaixona pela pessoa que mais o despreza. Há aí uma necessidade do sujeito de sofrer nas mãos de um outro (alteridade).

c.1) Caso extremo: o masoquista – aquele que sente prazer na dor física e/ou psicológica infligida por um outro.


Todos esses casos podem ser vistos nos estudos psicanalíticos e na literatura em geral: em personagens, narradores ou no eu lírico de alguns autores. O terror auto-infligido é muito comum. Reconhecê-lo e compreender suas razões é compreender a própria complexidade do ser.

É importante salientar que o terror auto-infligido é também um sofrimento auto-infligido. 

No campo social isso pode ser notado também, por exemplo, no pessimismo político que algumas pessoas manifestam, tanto em época de paz como em época de guerra, tanto na recessão econômica quanto no crescimento do país. Isto são sintomas de uma era pessimista. Por mais que as pessoas desfrutem de um padrão digno de vida, de "bens" de consumo e das facilidades tecnológicas, há muitas queixas e a sensação de que tudo vai mal. O pessimismo social é um terror auto-infligido, mas também é um terror infligido pela influência de terceiros a mídia, por exemplo.

Em razão do medo, a sociedade cede ao controle de terceiros. Isso até ela descobrir que não há razão para ter medo.




Dica de filme: "O primeiro amor" (Flipped, EUA, 2010).

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Jim Morrison - poeta do rock

Ontem, dia 3 de julho, foi aniversário da morte de Jim Morrison, poeta e vocalista da banda The Doors.  Por isso publico aqui novamente um trecho do que escrevi no dia 3 de setembro de 2011, na postagem “Alteregos” sobre o poeta do rock.

O tecladista Ray Manzarek (do grupo The Doors) afirmou que Jim Morrison teria desenvolvido duas personalidades:

Jim – poeta criativo, amigo, divertido, contagiante, inteligente.
Jimbo – alcoólatra, sarcástico, autoconfiante, agitador das multidões.

Na adolescência, Morrison recebeu uma correspondência escolar que o descrevia como sendo um jovem tímido e centrado em si mesmo.

Ele fez testes de QI na escola e obteve a pontuação de 149. Na classificação proposta por Lewis Terman, o QI acima de 140 denota genialidade. Na classificação, originalmente proposta por Davis Wechsler, o QI acima de 127 denota superdotação.

Esse garoto, leitor de Nietzsche e Rimbaud, quando começou a se apresentar era tão inseguro que não conseguia encarar a platéia de frente, preferindo cantar com os olhos fixos na banda e de costas para o público. Ele nunca teve treinamento vocal.

Mas Jim passou por uma metamorfose. Incorporando um índio num ritual xamanístico, ou drogando-se cada vez mais, fato é que Jim foi aos poucos se tornando Jimbo.

O cantor referiu a si mesmo na música L.A. Woman como Mr. Mojo (na língua inglesa, mojo é uma gíria para libido ou charme). Morrison repetia insistentemente os versos: “Mr. Mojo risin” que numa tradução livre seria algo como “O Sr. Garanhão está ressurgindo”. Repare que esse verso é um anagrama perfeito do nome “Jim Morrison”.

Ray Manzarek, que era adepto da meditação, disse ter visto a energia psíquica de Jim deixar o seu corpo. Isso aconteceu na última apresentação da banda ao vivo.

Jim Morrison, autor de livros de poesia e vocalista dos Doors, morreu em Paris, com 27 anos de idade. Pouco antes dele foram Jimi Hendix e Janis Joplin, também aos 27.

The Doors:
Robby Krieger – guitarrista com formação de música flamenca.
John Densmore – baterista de jazz.
Jim Morrison – poeta e amigo de Ray na faculdade de cinema.
Ray Manzarek – tecladista e pianista com formação clássica.

 
Jim e a sua face oculta (Jimbo).
















O poeta também chamado de "Lizard King".




















Jim Morrison: 1943 a 1971




sábado, 3 de setembro de 2011

Alteregos


Do latim, alter (outro) e ego (eu).

Outro eu: cada um tem o seu?

Na mitologia, o deus Jano tinha duas faces, uma apontada para o passado e outra para o futuro. Daí  veio a origem etimológica do mês de “janeiro”.


Jano


A literatura dos quadrinhos criou vários exemplos que se tornaram famosos, como o Dr. Bruce Banner (em outras versões David Banner) e o seu alterego, o incrível Hulk. Neste exemplo, o alterego é evidente, não só pela transformação psicológica, como também pela mutação física.




O livro de ficção científica O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde (no Brasil, O Médico e o Monstro) escrito pelo escocês Robert Louis Stevenson e publicado originalmente em 1886 talvez tenha servido de inspiração para os criadores de Hulk.

Outro exemplo famoso dos quadrinhos é o de Bruce Wayne (milionário) e seu alterego Batman (o homem morcego, o homem sem medo, o cavaleiro das trevas). Particularmente, esses dois me recordam muito Don Diego De La Vega e seu alterego Zorro, personagens da literatura norte-americana, criados em 1919 pelo escritor Johnston McCulley.

A literatura em geral, especialmente a modernista, trata exaustivamente do tema, levando-o ao extremo imaginável. Mas não são apenas as personagens que manifestam alteregos. O poeta Fernando Pessoa desenvolveu vários alteregos, ou melhor, heterônimos (autores fictícios com personalidades distintas; história, características literárias e traços físicos próprios). Portanto, foram muito além de apenas pseudônimos (falsos nomes). Dentre esses heterônimos, os mais conhecidos são:

Alberto Caeiro – loiro, olhos azuis, instrução primária, poeta da natureza e crítico da metafísica. Autor de 104 poemas. Utilizava-se de objetividade e linguagem simples.

Ricardo Reis – médico e poeta neoclássico, estóico e epicurista. Fazia muitas referências ao paganismo greco-romano. Por ser monarquista, exilou-se espontaneamente no Brasil depois que Portugal se tornou uma república.

Álvaro de Campos – engenheiro e poeta vanguardista, cosmopolita e muito subjetivo. Sua obra foi marcada por três fases: decadentista, futurista e niilista.

E finalmente, o próprio Fernando Pessoa (o ortônimo) – poeta do saudosismo português com uma veia voltada para o ocultismo e o misticismo.


As várias pessoas de Pessoa.

No cinema, o Clube da Luta (Fight Club, EUA, 1999) é o filme mais curioso de que posso me recordar agora. Não conto mais aqui para não estragar a trama.

Na música, o caso mais curioso está relacionado ao grupo The Doors, e mais especificamente ao seu vocalista, Jim Morrison. O tecladista Ray Manzarek afirmou que o cantor teria desenvolvido duas personalidades:

Jim – poeta criativo, amigo, divertido, contagiante, inteligente.
Jimbo – alcoólatra, sarcástico, autoconfiante, agitador das multidões.


O sorriso irônico: Jim ou Jimbo?

Na adolescência, Morrison recebeu uma correspondência escolar que o descrevia como sendo um jovem tímido e centrado em si mesmo.

Ele fez testes de QI na escola e obteve a pontuação de 149 (onze pontos abaixo de Albert Einstein). Na classificação proposta por Lewis Terman, o QI acima de 140 denota genialidade. Na classificação, originalmente proposta por Davis Wechsler, o QI acima de 127 denota superdotação.

Esse garoto, leitor de Nietzsche e Rimbaud, quando começou a se apresentar era tão inseguro que não conseguia encarar a platéia de frente, preferindo cantar com os olhos fixos na banda e de costas para o público. Ele nunca teve treinamento vocal.

Mas Jim passou por uma metamorfose. Incorporando um índio num ritual xamanístico, ou drogando-se cada vez mais, fato é que Jim foi aos poucos se tornando Jimbo.

O cantor referiu a si mesmo na música L.A. Woman como Mr. Mojo (na língua inglesa, mojo é uma gíria para libido ou charme). Morrison repetia insistentemente os versos: “Mr. Mojo risin” que numa tradução livre seria algo como “ O Sr. Garanhão está ressurgindo”. Repare que esse verso é um anagrama perfeito do nome “Jim Morrison”.

Ray Manzarek, que era adepto da meditação, disse ter visto a energia psíquica de Jim deixar o seu corpo. Isso aconteceu na última apresentação da banda ao vivo.

Jim Morrison, autor de livros de poesia e vocalista dos Doors, morreu em Paris, com 27 anos de idade. (Pouco antes dele foram Jimi e Janis, também aos 27).

E os nossos vários perfis e avates que criamos e dos quais dispomos na internet. Não seriam eles também alteregos da nossa persona?

Cada pessoa tem várias faces, cada uma adaptada a um contexto social específico.



“O mundo todo é um palco e nós meros atores”.
(parafraseando Shakespeare)