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sexta-feira, 26 de junho de 2020

Neuropsiquiatria e Augusto dos Anjos


A minha dissertação de mestrado em Letras-Estudos Literários foi citada e aparece como referência em um artigo de medicina cujo título é “A poética de Augusto dos Anjos e a neuropsiquiatria no fin de siècle



Segue o link da publicação:

Autores:

Leonardo Cruz de Souza
Neurologista, Serviço de Neurologia/Departamento de Clínica Médica
(CLM)/Faculdade de Medicina (FM)/Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG).
Belo Horizonte – MG – Brasil

Ana Carolina Sarquis Salgado
Psiquiatra, Grupo de Neuropsiquiatria/Hospital das Clínicas/UFMG.
Belo Horizonte – MG – Brasil

Maurício Viotti Daker
Psiquiatra, Departamento de Saúde Mental/FM/UFMG.
Belo Horizonte – MG – Brasil

Francisco Cardoso
Neurologista, Serviço de Neurologia/Departamento de Clínica Médica
(CLM)/FM/UFMG.
Belo Horizonte – MG – Brasil

Antônio Lúcio Teixeira
Neurologista e psiquiatra, Serviço de Neurologia/CLM/FM/UFMG.
Belo Horizonte – MG – Brasil


Sobre a revista que publicou o artigo

História, Ciências, Saúde – Manguinhos é uma publicação trimestral da Casa de Oswaldo Cruz, uma unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A revista foi lançada em julho de 1994. Passou a publicar versão digital em 1998 e ingressou no Portal SciELO em 2000. Acolhe trabalhos em português, espanhol e inglês, cuja submissão é realizada on-line, sem cobrança de nenhuma taxa.
Fonte: http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/sobre-nos/



Esse artigo foi publicado em 2018, mas apenas em 2020 descobri isso, por uma obra do acaso, e fiquei muito feliz pelas 6 citações e a referência bibliográfica. 

Há nesse artigo uma interdisciplinaridade: eu sou das Letras, o artigo é de Medicina; e um intercâmbio estadual: eu no Espírito Santo, os autores do artigo em Minas Gerais.

Eu não conheço nenhum dos autores e nunca tive nenhuma forma de comunicação com eles, nem a distância, mas quero aqui agradecer a cada um deles por verem em meu trabalho [árduo] uma contribuição para seus campos de pesquisa.

Conteúdos temáticos e ideológicos em Augusto dos Anjos. 

Minha dissertação pode ser lida online ou baixada em PDF no link abaixo:

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A obsessão do sangue

Acordou, vendo sangue... — Horrível! O osso 
Frontal em fogo... Ia talvez morrer, 
Disse. olhou-se no espelho. Era tão moço, 
Ah! certamente não podia ser! 

Levantou-se. E eis que viu, antes do almoço, 

Na mão dos açougueiros, a escorrer 
Fita rubra de sangue muito grosso, 
A carne que ele havia de comer! 

No inferno da visão alucinada, 

Viu montanhas de sangue enchendo a estrada, 
Viu vísceras vermelhas pelo chão ... 

E amou, com um berro bárbaro de gozo, 

o monocromatismo monstruoso 
Daquela universal vermelhidão!


(Augusto dos Anjos)

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Contestando Rousseau

Disse Jean-Jacques Rosseau: "O homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe".

Isso dito no contexto a que Rousseau se referia, talvez pareça mais verdadeiro. Mas num contexto geral, seria mais razoável afirmar: o homem nasce sem consciência de bondade e maldade, mas pode ser cruel por sua própria natureza instintiva. Cabe à sociedade aparar-lhe as arestas.

Bondade e maldade não são conceitos relativos. Por exemplo, uma criança na tenra idade que atira pedras em passarinhos pode não ter a consciência do que é ser bom ou mal, mas a prática que ela realiza é má em si própria, pois fere outra vida.

Cabe à sociedade [família, escola, igreja, governo e mídia] o papel de educar esse ser, tornando-o sociável.

A essa educação, dá-se o nome de moral, que pode ser entendida a grosso modo como sendo regras sociais de boa conduta.

Mas há outro autor que tem algo a acrescentar nesta discussão:

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de sua última quimera. 
Somente a Ingratidão – esta pantera – 
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera! 
O homem, que, nesta terra miserável, 
Mora, entre feras, sente inevitável 
Necessidade de também ser fera.  

Toma um fósforo. Acende teu cigarro! 
O beijo, amigo, é a véspera do escarro, 
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se alguém causa inda pena a tua chaga, 
Apedreja essa mão vil que te afaga, 
Escarra nessa boca que te beija!

(Augusto dos Anjos)


Rosseau fala num contexto Pré-Romântico, interpretando os índios como "bons selvagens", em detrimento da sociedade francesa da época, corrompida.

Augusto dos Anjos fala de seu lugar peculiar na literatura, mantendo a hipótese de que o homem se corrompe a partir do meio social, mas também trazendo isso para o seu ponto de vista pessoal, como quem dissesse algo do tipo: não aceite a piedade dos homens, pois estes são traiçoeiros.

Mas considerando um contexto geral e, portanto, rejeitando a hipótese de ambos, daria para afirmar que o homem tem uma natureza cruel e que a sociedade o tornaria sociável e ético. Mas isso depende do papel que esta sociedade deseja assumir para si: se ela é responsável e cumpre o papel de educar a todos ou se ela desiste da difícil tarefa.

Contudo, se o ser humano é cruel por sua natureza e a sociedade é o conjunto de seres humanos, é possível existir uma sociedade bondosa?

Contradizendo essa lógica, penso que sim. E aí introduzo o conceito de "fazer esforços diários", como no aprendizado diário de uma língua estrangeira. Uma sociedade que faz seus esforços em ser boa, contrariando sua natureza humana e cruel, poderia chegar a ser boa, ou pelo menos, esta seria a definição de uma sociedade utópica: um conjunto de indivíduos que diariamente se esforça em praticar apenas o bem, pensando no bem coletivo e não só no seu próprio bem-estar individual, consciente de que isso faria bem a todos, inclusive ao próprio indivíduo, como no conceito de karma, que olhando assim não tem nada de místico ou metafísico, é pura lógica e física.


terça-feira, 10 de maio de 2016

Dissertação sobre Augusto dos Anjos

Esta é minha dissertação de mestrado em Letras - Estudos Literários (2011), na qual estudo a poesia de Augusto dos Anjos (1884-1914).

http://portais4.ufes.br/posgrad/teses/tese_4543_.pdf

No capítulo 1 abordo suas influências, desde o positivismo da Escola de Recife até o seu misticismo. Augusto dos Anjos se caracteriza por congregar influências diversas e antagônicas, mas de forma dialética, resolver a seu favor os empasses entre medo e esperança, religião e ciência, vida e morte.

No capítulo 2 faço uma discussão sobre as pulsões psicanalíticas que reverberam em sua poesia: o Eros e o Tânatos complementando-se em equilíbrio. 

No capítulo 3 o tema passa a ser a angustia existencial de seu "eu lírico" e como, na sua retórica, ele expressa a angustia de toda humanidade perante a morte e a vontade de transcendência que é intrínseca a todos os povos desde os primórdios da nossa História.

O poeta paraibano manifesta ao decorrer dos textos o seu complexo de Édipo, a sua rejeição da poesia erótica e da luxúria, a admiração pela maternidade e seu entusiasmo ecológico, beirando ao panteísmo e ao vegetarianismo.

Essas manifestações somadas aos recursos retóricos, além de toda a ciência e filosofia de seu tempo empregadas em sua poesia, são as bases que Augusto dos Anjos utilizou para lançar seu projeto literário, único e original, e que nos deixa uma pergunta sem resposta, mas também uma certeza: a palavra é imortal.

domingo, 3 de março de 2013

Fragmentos

Os poetas malditos - Eterna busca do ideal de vida.
'Homo Homini Lupus'
A estética clássica encara o Modernismo.
Contra as convenções sociais, álbum Revolver, 1966.
Arquétipos do inconsciente e um Je ne sais quoi.
Metáforas de morte... Um tanto gótico.

domingo, 15 de abril de 2012

O que é consciência e o que é realidade?


A consciência na filosofia ocidental

A Fenomenologia de Edmund Husserl (1859 – 1938):
O matemático alemão dizia que a consciência dá sentido às coisas, mas ela não revela a realidade das coisas, ela apenas funciona como um sistema de significações que dependem da estrutura da própria consciência.

Para Husserl, a intenção do observador (ou a intencionalidade) define a forma de atuação dos processos mentais, logo, tornando a percepção sempre subjetiva.

Na Grécia Antiga...
 O filósofo Platão (428 – 347 a.C.), em sua alegoria da caverna, mostra que toda humanidade vive num mundo de aparências e que esta humanidade não contempla o mundo real, mas apenas “as sombras” deste mundo.


A consciência no pensamento oriental

O pensador chinês Wang Yangming (1472 – 1529) ensinava que os objetos não existem inteiramente separados da mente porque é a mente que os dá forma. A mente dá razão ao mundo.

O taoísta Chuang Tzu (séc. IV a.C.) certa vez sonhou que era uma borboleta. Depois ele se perguntou: sou um homem que sonhou ser borboleta, ou sou uma borboleta que agora sonha ser um homem?



Resumindo...

A consciência é formada por: nossa condição biológica humana, nosso estado psíquico (nossos desejos, nossos medos), nossa angústia existencial, nosso histórico de vida (experiências e traumas), nossa criação familiar, os dogmas e tabus sociais e religiosos, a cultura, a linguagem e a ideologia (a superestrutura).

Por isso, nós não conhecemos a realidade em si, mas a realidade tal como aparece para nós, estruturada e organizada pela nossa consciência.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Poema de Augusto dos Anjos


Sonho de um monista

Eu e o esqueleto esquálido de Ésquilo
Viajávamos, com uma ânsia sibarita,
Por toda a pró-dinâmica infinita,
Na inconsciência de um zoófito tranquilo.

A verdade espantosa de Protilo
Me aterrava, mas dentro da alma aflita
Via Deus – essa mônada esquisita –
Coordenando e animando tudo aquilo!

E eu bendizia, com o esqueleto ao lado,
Na guturalidade do meu brado,
Alheio ao velho cálculo dos dias,

Como um pagão no altar de Proserpina,
A energia intracósmica divina
Que é o pai e é a mãe das outras energias! 

Fonte:
ANJOS, Augusto dos. Poesias de Augusto dos Anjos – Eu e Outras Poesias. São Paulo: Editora Letras & Letras, 2003.


Este é o poema mais hermético de Augusto dos Anjos. A análise completa do poema está em minha dissertação neste endereço:

O link acima leva à postagem de 22 de abril de 2011, cujo título é Textos publicados: dois poemas e dissertação. Lá haverá três links, o terceiro leva direto à minha dissertação.

A seguir, postarei algumas “pistas” para compreender este poema.

O monismo é a doutrina que prega uma realidade única, ou seja, a unidade em detrimento da dualidade, a união entre mente e corpo, espírito e matéria.

A referência a Ésquilo, dramaturgo grego frequentemente reconhecido como o pai da tragédia, aparentemente surge apenas em razão da sonoridade obtida no verso: “esqueleto esquálido de Ésquilo”. Com efeito, produz-se o eco dos sons: [esk], [esk], [esk]. O som realça a presença sombria do esqueleto – simbolizando a morte – que está próxima do eu lírico.  Mas “Ésquilo” também é metonímia para “tragédia”. Portanto, o eu lírico viajava na companhia da morte trágica.

A trecho “com uma ânsia sibarita” (2º verso) significa: ostentando valores materiais. Luxos e caprichos que o eu lírico deixará após uma descoberta, uma epifania que acontecerá mais adiante no poema.

O eu lírico e o esqueleto do dramaturgo grego viajavam na “inconsciência de um zoófito tranquilo”. Zoófito é uma designação antiga para corais, esponjas e medusas. Portanto, seria uma metáfora para microcosmos ou um mundo onírico, talvez surreal, visto que o texto menciona “inconsciência” (4º verso).

Na segunda estrofe, “A verdade espantosa do Protilo” aterrorizava o eu lírico. Protilo é um termo usado em alquimia, seria a hipotética matéria primitiva de que se formam os elementos dos corpos.

A conjunção coordenada adversativa “mas” (6º verso) sugere uma oposição entre “a verdade do Protilo” e “Deus”. Se a “verdade do Protilo” causa terror ao eu lírico, logo, Deus causa o oposto. A “alma” do eu lírico está “aflita” com a “verdade de Protilo” (ou teoria do Protilo). Mas o eu lírico “via Deus” dentro de sua “alma aflita” e essa visão o acalmava.

No sétimo verso, Deus é descrito como “essa mônada esquisita”. Mônada, segundo a teoria de Pitágoras, seria a união perfeita do espírito e da matéria constitutiva de Deus. Então, Deus, descrito como mônada, significaria a unidade de tudo: os microorganismos, o princípio criador, a união perfeita entre espírito e matéria, a simplicidade. O significado de “esquisita” nesse verso é “delicada, bem acabada, rara”, portanto, uma “mônada rara e bem feita”.

O eu lírico “via Deus coordenando e animando tudo aquilo”, ou seja, coordenando todo o universo e dando vida a tudo. O verbo animar significa dar ânimo, dar alma, dar vida, ou o sopro divino.

A própria etimologia da palavra relaciona-se ao sopro e ao ar, enquanto princípio vital. Animus – princípio pensante e sede dos desejos e paixões, correspondente ao grego anemos, ao sânscrito aniti, ambos significando sopro; de valor intelectual e afetivo; de registro masculino. Anima: princípio da aspiração e expiração do ar; de registro feminino. [...] Reteremos ainda uma outra definição dada por Jung: a anima é o arquétipo do feminino que desempenha um papel muito especial no inconsciente do homem. Se a anima é o índice feminino do inconsciente do homem, o animus, segundo Jung, é o índice masculino no inconsciente da mulher.

Fonte:
BRUNEL, Pierre. et al. Dicionário de mitos literários. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.


Logo, no poema Deus pode ser também interpretado como o sopro divino que é a união perfeita entre princípios masculino e feminino, ou yin e yang (segundo a tradição oriental).

No décimo primeiro verso, o eu lírico se encontra “Alheio ao velho cálculo dos dias” Significa que ele abandonara a racionalidade, abandonara o “velho cálculo”.

No décimo segundo verso, há uma referência a Proserpina, a deusa romana cuja lenda fornece uma explicação mitológica para o ciclo das estações do ano. Enquanto Proserpina está no submundo de Plutão, é inverno na superfície terrestre, as plantas morrem, o alimento é escasso. Quando Proserpina deixa o submundo de Plutão e sobe à superfície, a primavera tem início e a terra se torna fértil para o plantio. Pelo caráter sazonal de seu mito, Proserpina está ligada a terra, à agricultura, à fecundidade, ao ciclo de nascimento-morte-renascimento, e por extensão, como vários outros mitos de fertilidade, carrega também um simbolismo de fecundidade sexual, ou seja, a união entre masculino e feminino gerando frutos (ou filhos). O pagão cultuava a deusa da fertilidade no rito de hieros gamos, rito este de caráter sexual, simbolizando a fertilidade. Este é o “altar de Proserpina”, mas a referência a ele, no poema, tem caráter apenas metafórico.

Ainda no décimo segundo verso, o eu lírico se compara com o pagão: “Como um pagão no altar de Proserpina”. Faz-se necessário lembrar que a palavra “pagão” vem do latim paganus, que por sua vez, vem de pagus, que indicava uma circunscrição territorial rural. Portanto, pagão significa originalmente homem do campo. O pagão tinha sua própria fé, as suas próprias crenças. A religião pagã era a religião do homem do campo, ligada ao culto da natureza. O sentido de pagão no poema é este: o pagão é o homem do campo, fiel, temente aos deuses e deusas da natureza. Portanto, o verso significa: “Como um fiel no altar da deusa da fertilidade”.

O homem do campo sem fé seria aquele que, preso à razão, preocupa-se em contar os dias para o plantio e a colheita, logo, está preso aos “velhos cálculos dos dias”. Mas o homem do campo com fé é aquele que vai ao altar de Proserpina, alheio aos velhos cálculos e entrega-se unicamente à fé, faz sua oferenda no altar da deusa e pratica seu culto confiando que, ao fazer isto, terá uma boa colheita.

Logo, o poema diz que o eu lírico “alheio ao velho cálculo dos dias” (alheio à razão) volta-se unicamente para a fé “como um pagão no altar de Proserpina”.

Em troca de sua devoção à Proserpina, o pagão queria obter fertilidade em sua lavoura e uma boa colheita. Mas o eu lírico não é o pagão, ele é “como um pagão”. Ou seja, ele se compara ao pagão que troca a razão pela fé. Mas ele não é devoto do paganismo e não busca boa colheita. O objetivo dele é outro: vencer a morte. A referência a Proserpina tem motivo apenas simbólico neste poema. O mito de Proserpina enfatiza a renovação da vida e, simbolicamente, refere-se à unidade entre masculino e feminino e à consequente renovação da vida por meio de frutos (filhos). O eu lírico enfrenta a morte trágica e teme a verdade de Protilo (que o fim da matéria seja o fim de tudo, o nada absoluto).

A epifania que o eu lírico tem é a seguinte: “E eu bendizia (9º verso) a energia intracósmica divina que é o pai e é a mãe das outras energias (13º e 14º versos)”. Ou seja, ao ver Deus animando tudo, o eu lírico se acalma diante da morte, pois Deus é a perfeita unidade (energia intracósmica divina) que é pai e mãe (masculino e feminino) de todas as energias. Assim, o eu lírico contradiz a “verdade de Protilo”.

Muito confuso? É mesmo. Mas leia o poema de novo e releia mais uma vez. Depois dessas informações, e mais duas leituras, creio que ficará um pouco mais fácil. Obviamente, a pulsão de morte e a pulsão de vida também se fazem presentes no poema: morte e renovação da vida, eterno ciclo alquímico:


Que, aliás, é a sílaba Om dos mantras hindus e antigos textos védicos. O som dessa sílaba representa a unidade, o "um", o eterno.

Repare de novo o título do poema: Sonho de um monista (Som de Om).