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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Arte de Roma

Roma, conhecida como A Cidade Eterna, fica localizada na região do Lácio. Na época do Império Antigo essa região era chamada de Latium. Por isso, seu povo era chamado de latino. 

A capital italiana é rica em arquitetura de vários períodos históricos, com destaques que incluem a antiguidade imperial, o Renascimento, o estilo barroco e os séculos XIX e XX, no caso do Monumento a Vittorio Emanuele II.

E agora, que tal um passeio a pé por Roma? Sim, isso mesmo! Todos os monumentos a seguir podem ser vistos num passeio a pé, nesta sequência:

[imagens da internet]

O Coliseu era o circo da antiguidade, com apresentações de animais, lutas de gladiadores, simulações de batalhas históricas... Tudo isso com uma organização que supera até os padrões atuais.


Altare della Pátria - 
Monumento a Vittorio Emanuele II - primeiro rei da Itália unificada. 
Além do edifício, destacam-se também as suas estátuas imensas.


Pantheon era originalmente dedicado ao panteão de deuses romanos. 
Hoje é uma igreja cristã.


Fontana di Trevi é um exemplo de arte barroca.
Jogue uma moeda na fonte se pretende regressar a Roma.


Atravessando a ponte, fica o Castel Sant' Angelo.




Por fim, a impressionante Praça de São Pedroonde também se localizam os museus e a biblioteca do Vaticano.
Sede da Igreja Católica Apostólica Romana













Pintura no teto da Capela Sistina, no Vaticano.

Informações turísticas

Moeda: Euro, pois a Itália faz parte da União Europeia.

Idioma oficial: italiano em Roma e latim no Vaticano, porém o italiano é a língua de fato, falado no dia a dia. O latim é usado apenas em algumas cerimônias da igreja.

Comida: um prato de espaguete pode custar de 9 a 15 euros, dependendo do molho. A massa é al dente. O sorvete romano é muito famoso. A pizza vendida por pedaço possibilita ao cliente experimentar diversos sabores. Prove o máximo que puder!

Água: várias fontes espalhadas pela cidade fornecem água própria para o consumo e sem nenhum custo ao turista; basta levar sua garrafinha, copo ou usar a mão mesmo. Beba e se batize com a água de Roma!

Praças e igrejas: São muitas! Cada qual com sua beleza arquitetônica! Além disso, há um pequeno bairro judeu com uma sinagoga, o Fórum Romano, A Boca da Verdade, a Via Appia Antica... São muitas atrações turísticas nessa cidade.

Obs: Ao visitar igrejas e no Vaticano, use roupas adequadas, cobrindo pernas e ombros.

La bocca della verità

sábado, 27 de maio de 2023

Diferenças entre cultura grega e romana

Olhando para a Roma antiga vemos muito da cultura etrusca e também dos antigos gregos. Mas Roma, além de fagocitar a arte de povos vizinhos, desenvolveu e gerou sua própria arte. 

A seguir apontarei algumas diferenças de destaque na cultura romana.


Na arquitetura e urbanismo   

Grécia (Hellás)

Roma (SPQR)

Pilar e dintel


 
Templos com colunas. Ex: Partenon.
 

Ágora
 

Teatro.
 

Arcos triunfais e aquedutos.


 
Construções com abóbadas e domos. 
Ex: Panteão.
 

Fórum
 

Anfiteatro. Ex: o Coliseu de Roma e a Arena de Verona.
 

Além disso: mausoléus e sistema de esgoto.

 


 Na escultura, pintura e mosaico

Grécia (Hellás)

Roma (SPQR)

Nudez atlética de deuses e semideuses.

 

Mito, fantasia.

Bustos de imperadores.

 

Realismo.

 


Religião, política e literatura

Grécia (Hellás)

Roma (SPQR)

Paganismo, politeísmo.
(Zeus)


Democracia

 

Filosofia e retórica.

  

Três epopeias:
Teogonia;
ILIADA;
Odisseia.

 

Poesia lírica: idealização.



Teatro: tragédia e comédia [atores].

 


Noções de ateísmo.

Paganismo, politeísmo.
(Júpiter)


República, senado

 

Direito e oratória.

  

Uma epopeia:
Eneida.

 

 


Poesia lírica: pragmatismo.



 Pão e circo [gladiadores].

 


Cristianismo original.


Muito do que se via na Grécia antiga via-se também na Roma antiga. Mas assim como a Grécia, Roma também acrescentou muitas novidades ao mundo. O nosso modo de vida atual tem sua origem nessas culturas.

Por sua vez, Grécia e Roma tiveram influência de culturas mais antigas, como Egito e Fenícia.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Mix cultural: nossa herança

Culturas que formaram o Brasil
Indígena nativa [tupi, guarani e outras]
Portuguesa ³
Africana [bantu]
Italiana
Alemã
Pomerana
Sírio-libanesa [cultura árabe]
Japonesa
Judaica
Americana [EUA após a Segunda Guerra Mundial]

³ Povos que formaram a cultura de Portugal
Celtas [originários da região]
Fenícios
Romanos ¹
Mouros [cultura árabe] ²
Judeus
Franceses, espanhóis e ingleses

² Culturas influentes na cultura árabe
Indiana
Chinesa

¹ Povos com culturas influentes na formação do Império Romano
Etruscos
Gregos*
Egípcios

* Culturas que influenciaram a Grécia Antiga
Fenícios
Egípcios
Persas

Cultura é o modo de viver de um povo. Isso inclui suas tradições orais [mitos], religião, música, literatura [poesia, narrativa e teatro], arquitetura, pintura, escultura, culinária etc.

Vendo esse resumo que remonta até a História Antiga é possível perceber como a cultura brasileira é mais do que um mix entre indígenas, portugueses e africanos. 

Os portugueses nos legaram a cultura greco-romana, a cultura judaico-cristã e a cultura moura.

Os árabes e os mouros levaram a cultura da Índia e da China à Europa e isso veio até nós pelos europeus.

E a cultura greco-romana bebeu num mix de culturas orientais e africanas.

Enfim, por esse ponto de vista, o povo brasileiro está ligado a todos esses povos e culturas. E a muitos outros, pois isto aqui é apenas um resumo. 

A nossa identidade cultural não conhece fronteiras. E o mesmo vale para os povos que nos formaram. Nossa nacionalidade até pode ser definida por um mísero papel: certidão de nascimento, RG ou passaporte. Mas as nossas raízes culturais são muito mais profundas e cosmopolitas. Nosso inconsciente coletivo está povoado pelo imaginário de milhares de anos de trocas culturais entre esses povos e suas realizações artísticas.

Portanto, não pregue ideias pequenas e preconceituosas, como nacionalismo e xenofobismo. Somos maiores do que isso! Não imponha limites a seu gosto artístico baseando-se em um território, um povo, uma língua, uma cultura, uma época... O Brasil não tem apenas 523 anos. Temos milênios de história em nossa formação, em nossa cultura, em nossa mente, sangue e DNA.

Durante milhares de anos o nosso habitat natural foi a savana africana. Por isso, até hoje, gostamos de um jardim com grama bem aparada, arbustos baixos e árvores bem espaçadas. É como nos sentimos seguros, tendo um campo de visão aberto. Durante milhares de anos fomos nômades, até inventarmos a agricultura e posteriormente as cidades, muito recentemente em termos históricos. A aventura do descobrimento está há muito mais tempo enraizada em nossa espécie do que o atual sedentarismo monótono.

Aprenda novas línguas, novos ritmos, novas formas de pensar e de viver. Amplie seus horizontes! Enriqueça seu vocabulário, seu gosto musical... Experimente novos sabores, na mesa e nas artes. Leia muito! Viaje pelo mundo através de livros, canções e pratos! Volte aos nossos antepassados. Conheça suas raízes históricas! Crie novas sinapses, pois elas serão úteis durante toda a sua vida.

A vida pode ser rica, feliz e longa para aqueles que se abrem ao prazer de agregar conhecimento! Ou a vida pode ser pobre, chata e curta para aqueles que se limitam a minúsculos espaços repetitivos em suas mentes e em seus hábitos diários.

Vale muito mais a pena 1 ano de experiências que engrandeçam a alma, do que 100 anos dormindo no escuro.

Acorde para a vida!





sábado, 14 de novembro de 2020

Teledramaturgia

Estava relembrando algumas telenovelas da Rede Globo. Muitas delas foram marcantes e deixaram saudades. Alguns exemplos: 

- Roque Santeiro (1985/1986);

- Que Rei Sou Eu? (1989);

- Top Model (1989/1990);

- Tieta (1989/1990);

- Pedra sobre Pedra (1992);

- Renascer (1993);

- Mulheres de Areia (1993);

- Tropicaliente (1994);

- A Viagem (1994);

- Irmãos Coragem (1995);

- O Cravo e a Rosa (2000);

- Laços de Família (2000/2001). 


Houve telenovelas bem escritas, dirigidas e produzidas, com ótimos enredos e diálogos, tendo momentos de brilhantismo. E houve também aquelas que foram obras-primas do início ao fim, como as minhas favoritas: Roque Santeiro, Pedra Sobre Pedra e Renascer. Esta última tinha diálogos excepcionais! 

Ouça, por exemplo, este dedinho de prosa: 


Outro exemplo é esta fala da personagem Tião Galinha, que coloquei em verso pra modo de dar ritmo à leitura de vosmecês:  

Quem trabalha e mata a fome
Não come o pão de ninguém.
Mas quem ganha mais do que come,
Sempre come o pão de alguém!

  

Vale a pena lembrar também das trilhas sonoras, incluindo as trilhas instrumentais e os efeitos sonoros. Mas isso é um capítulo à parte.

Deixe nos comentários o nome da sua telenovela favorita.

terça-feira, 5 de abril de 2016

O artista (Oscar Wilde)

"O artista" por Oscar Wilde (1854 – 1900)

Uma noite veio do interior da sua alma o desejo de esculpir a estátua do "Prazer que dura um instante" e saiu pelo mundo em busca do bronze, porque só podia imaginar sua escultura em bronze.

Mas todo o bronze do mundo tinha desaparecido e em nenhuma parte do mundo podia encontrar-se bronze, salvo o da estátua da "Tristeza que dura para sempre".

Ora, essa imagem ele mesmo quem a esculpiu com suas próprias mãos. Havia modelado aquela estátua, colocando-a no túmulo do único ser a quem amara em sua vida. Então, na sepultura daqueles restos mortais que ele tanto havia amado, deixou aquela estátua erguida por ele para que fosse um sinal do amor imortal do homem e um símbolo da dor que dura para sempre. E no mundo inteiro não havia outro bronze senão o bronze daquela estátua.

E tomou a estátua que havia modelado, colocou-a em um grande forno e entregou-a ao fogo.

E com o bronze da estátua da "Tristeza que dura para sempre", modelou uma estátua do "Prazer que dura um instante"


(in "Complete Works" – poems in prose. Tradução nossa)
Obras Completas de Oscar Wilde  – poemas em prosa


Comentário:
É possível vislumbrar neste poema um paralelo com a antiga parábola budista da "semente de mostarda". Nesta, uma mãe carrega seu filhinho morto no colo procurando por algo que pudesse trazê-lo à vida. Após muita procura, alguém recomenda que ela ouça o sábio budista que habitava aquela região. Ela o encontra e pede-o uma cura. Ele diz que a cura é uma semente de mostarda que deve ser doada por uma família a quem a morte nunca tenha tocado. A mulher sai à caça dessa semente e em todas as portas em que batia, as pessoas se mostravam solidárias ao dar-lhe a semente, mas quando ela perguntava se alguém daquela casa já havia morrido, a resposta era sempre positiva. Em nenhuma família, em nenhuma casa, em nenhum lugar, a morte não havia tocado. Então a mulher voltou ao sábio budista e disse: "Enterrei meu filho no bosque, junto com minha dor, agora estou pronta para seguir-te".

A parábola budista fala do desapego das coisas mundanas, do ato de desapegar-se dos problemas que na vida não tem solução, e como esse desapego leva à superação da dor que é provocada pelos desejos do ego. Essa antiga filosofia oriental reapareceria cerca de 100 anos mais tarde na Grécia pós-Socrática sob os títulos de Cinismo e Estoicismo. Esta última corrente floresceu no Império Romano e séculos depois foi recuperada no período Barroco europeu que sustentou os dizeres "Memento mori". A filosofia estoica ensina o homem a aceitar com serenidade o seu destino tal qual este se apresenta. Essa escola que influenciou os primórdios do cristianismo tem Zenão (na Grécia) e Sêneca (em Roma) como seus representantes. Também podemos ver o estoicismo na poesia de Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa) que soma a essa filosofia o epicurismo. Já o Cinismo prega o desapego das coisas materiais. Foi fundado por Antístenes, discípulo de Sócrates, e levado ao extremo por Diógenes, que morava em um barril, na época de Alexandre, o Grande.

O poema de Wilde fala da superação de uma enorme tristeza provocada por uma grande perda, e de como um instante de felicidade ou a lembrança de um bom momento pode significar mais do que uma dor que se julga eterna.

domingo, 18 de janeiro de 2015

A escopofilia literária



A cena literária voyeurística por excelência é aquela descrita por Heródoto [...] na qual a rainha é observada pelo favorito do rei que por sua vez espia o favorito que espia a rainha. Com isso nos deparamos com uma situação voyeurística ao cubo [...].
O voyerismo, ou se preferirem, a escopofilia, é um componente importante da literatura e da narrativa, como, ainda de modo mais óbvio, no cinema e na fotografia. Deste modo o artista não se faz somente espectador de algo em segredo, íntimo, escondido, proibido, mas também, em certo sentido, cúmplice de um processo de conhecimento que podemos definir como subversivo. O projeto consiste em exprimir aquilo que a sociedade normalmente reprime, assumindo na área da representação aquilo que por hipocrisia, medo ou ignorância sempre é excluído e que constitui uma parte imensa da vida real, isto é: o sexo na sua extrema e indefesa nudez, no seu momento existencial, carnal, corporal, como mostra claramente o poema de Mallarmé “Une négresse par le démon secouée”.

(Tinto Brass, Vincenzo Maria, 1994, in “L’uomo che guarda”, tradução nossa).



O romance de Vladimir Nabokov adaptado para o cinema por Stanley Kubrick mostra que às vezes a escopofilia pode não se bastar em si, mas ser o primeiro ato de um drama mais profundo.

“Rear Window” de Alfred Hitchcock manifesta uma escopofilia que não está necessariamente conectada à libido, aparentemente contradizendo Freud, mas não necessariamente.

Em suma, a ação de espreitar pela janela, fechadura ou câmeras ocultas apenas divergem no grau de subversão do espectador, mas em nada diferem do ato de assistir a um filme, ouvir um rumor, ler, ver ou ainda tentar, mesmo que na imaginação mais íntima, acessar um tabu interditado. O grau de subversão é determinado pelo nível de comprometimento do espectador com a moral que lhe fora ensinada e internalizada, ou imposta. Ainda assim, esse empenho é desafiado e algumas vezes destronado, mesmo que temporariamente, pela veleidade ou simples anseio, isto é, a curiosidade comum a mamíferos e mais ainda aos primatas. Todavia, o gênero homo é o único que sofre por isso.

Daí vem a importância literária e filosófica do tema, não apenas por ser um traço comportamental da espécie, mas por trazer à discussão questões existenciais que podem ser relevantes para o estudo das artes e da psiquê.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ritmos e gêneros musicais



Música é arte, arte é cultura (essência humana) e quanto mais cultura, melhor. A vida é curta demais para passar toda ela ouvindo apenas um tipo de música. Esta é a razão do conteúdo a seguir que trata brevemente de alguns gêneros musicais.


Música caipira
Gênero brasileiro, também conhecido como sertanejo de raiz ou moda de viola, incluindo também um subgênero, o pagode de viola. A temática é variada, mas sempre parte da percepção do homem do campo sobre si mesmo e sobre o mundo, sua realidade, seus conflitos e os conflitos que lhe são impostos pelas pessoas de fora do campo (das cidades). Muitas das canções valorizam a riqueza da terra, do país e a sabedoria popular abrigada na cultura desse homem bucólico.
Exemplos:
Tonico & Tinoco - Chico Mineiro
Tião Carreiro & Pardinho - O Mineiro e o Italiano
Pena Branca & Xavantinho - Cio da Terra
Renato Teixeira - Romaria
Sérgio Reis - Tocando em Frente


Fado
Nascido e criado em Portugal, este gênero comumente é composto em torno da saudade de um amor perdido. É um lamento apaixonado, um pranto pelo destino (fado). Sendo muito tradicional, sempre é tocado de forma acústica. O mar é uma das imagens mais recorrentes desta lírica, podendo apresentar também símbolos da religiosidade católica.
Exemplos:
Amália Rodrigues - Barco Negro
Dulce Pontes - Canção do Mar
Mariza - Fado em mim
Ana Moura - Fado das Horas Incertas
Cristina Branco - Fados das Sedes


Reggae
Originário da Jamaica, mas hoje difundido por todo o mundo, é um gênero alegre, dançante, caracterizado pela religiosidade, culto à natureza e à unidade de todas as coisas. A religião em questão é a rastafari, crença derivada do judaísmo, mas num contexto cultural africano (etíope). Também canta o amor, prega a paz universal e protesta politicamente contra o racismo e outros tipos de injustiças. Poeticamente, o reggae é revolucionário pelo seu engajamento social.
Exemplos:
Desmond Dekker & The Aces - Israelites
Bob Marley - Is This Love
Steel Pulse - Prodigal Son
SOJA - True Love
Groundation - Here I Am


Rock ballad
Pode ser acústico, semi-acústico ou elétrico. Mesmo quando traz o peso de uma guitarra, ainda assim deixa a agressividade um pouco de lado. O tema quase sempre é o amor, o ritmo quase sempre é lento. Mantém em comum com o heavy metal a complexidade dos arranjos instrumentais e a exigência de um tipo de vocalização que poucos cantores conseguem executar.
Exemplos:
Black Sabbath - Solitude
Led Zeppelin - All of my Love
Aerosmith – I Don’t Want to Miss a Thing
Iron Maiden - Wasting Love
Metallica - Nothing Else Matters


Ritmos cubanos
São vários: el son, mambo, cha cha cha, salsa, bolero, rumba... Assim como o nosso samba brasileiro, a música cubana é dançante, alegre e contagiante, mas também pode ser reflexiva, romântica ou sociopoliticamente engajada.
Exemplos:
Buena Vista Social Club - Amor Verdadero
Buena Vista Social Club - El Cuarto de Tula
Buena Vista Social Club - Candela
Buena vista Social Club - Chan Chan
Buena Vista Social Club - Dos Gardenias
Buena Vista Social Club - El Carretero
Silvio Rodriguez - Playa Giron
Pablo Milanés - Años (el tiempo pasa)


Axé
Também chamada de samba-reggae, é a música afrobrasileira da Bahia. O ritmo é dançante, as temáticas eram a cultura africana, a cultura baiana, o engajamento social, a luta contra o racismo no Brasil e a religiosidade de origem africana e afrobrasileira, seus mitos, lendas e histórias. Costumava ser muito rica poeticamente.
Exemplos:
Banda Mel - Faraó, Divindade do Egito
Banda Reflexus - Canto para o Senegal
Banda Mel - Prefixo de Verão
Banda Reflexus - Madagascar
Cheiro de Amor & Márcia Freire - Canto ao pescador
Margareth Menezes - Elegibô (História de Ifá)
Timbalada - Beija-Flor
Olodum - I Miss Her 


Música indiana
Há vários gêneros na música da Índia, alguns com mais de 2.000 anos.
Hindusthani: música clássica do norte;
Carnatic: música clássica do sul;
Qawwali: gênero do sufi, música ligada ao misticismo muçulmano;
Bhajan: canção de devoção, religiosidade hindu;
Lavani: ritmo tradicional sobre a beleza filosófica ou beleza erótica;
Ghazal: poesia tradicional, forma fixa, também difundida no Islã;
Bollywood: ritmo dançante e alegre dos filmes musicais indianos.
Exemplos:
Aishwarya Rai - Kajra Re
Rani Mukherjee - Main Vari Vari
Ravi Shankar - Prabhujee
Nikhil Banerjee - Raag Chandra Kauns















Na foto acima Anoushka Shankar, musicista talentosa, filha do famoso Ravi Shankar. Este foi um importante amigo e influência musical para George Harrison (dos Beatles). Ravi Shankar tocou em festivais lendários, como o de Woodstock. Ele também é pai da cantora de jazz Norah Jones.

sábado, 25 de maio de 2013

“Eu não gosto de poesia”.

Quantas vezes já ouvimos alguém proferir a frase: “Eu não gosto de poesia” ou “Eu não gosto de literatura”. A estas pessoas, eu fraternalmente dedico esta postagem.

Já comentei sobre a necessidade inata da arte. O fato de haver pinturas pré-históricas em cavernas mostra que a necessidade do homem em se expressar é mais antiga que a preocupação em construir casas. Ou seja, a pintura é mais antiga que a engenharia civil. De fato, a pintura é mais antiga até que a matemática, a medicina e o direito.

Também já comentei que arte é a palavra que designa habilidade, técnica (techne, em grego), ou seja, a capacidade que o homem tem de criar algo artificial, algo que imite (mimesis, em grego) a natureza. Nesta definição, toda a ação humana para modificar o mundo natural seria classificada como arte. E o que é poesia? Assim como a física (physis) estuda os fenômenos naturais, a poesia (do grego: póiesis = fabricação) estuda as ações fabricadas pelos homens. A alquimia tradicional seria uma das formas de unir a physis e a póiesis. A antiga filosofia (philosophia = amor à sabedoria) era a metodologia de organização do pensamento e também a união de toda ciência (sabedoria) fabricada até então: matemática, química, retórica, política, medicina etc. Tales de Mileto, Pitágoras, Demócrito, Sócrates e Hipócrates são alguns filósofos cujos trabalhos ilustram isso.

E onde entra a literatura? Como arte da escrita (do latim: littera = letra), abarcaria toda a técnica (techne) da argumentação (retórica para os gregos, oratória para os romanos) e a estética da produção textual escrita e oral. Os estudos literários englobam a palavra em todas as suas formas e gêneros:
Lírica – a palavra cantada, a partir das emoções do eu subjetivo;
Narrativa – a palavra narrada/falada, a partir das percepções do narrador;
Dramática – a palavra encenada/representada, a partir das percepções de várias personagens (personalidades) simultaneamente.
Ou seja, a literatura desde a sua concepção esteve intrinsecamente ligada às outras artes: a música (na lírica), o teatro (no drama) e mais atualmente o cinema (haja vista a variedade de novelas, romances, histórias épicas e peças dramáticas adaptadas para a tela). Não obstante, é no roteiro original que o cinema se apresenta como novidade, criando um novo texto e um novo gênero literário.

O cinema é a fotografia em movimento e também a palavra apresentada a partir do foco da câmera (esta funcionando como o narrador). É por excelência a arte (techne) do século XX e a fusão de várias artes, dentre elas: a pintura (iluminação, maquiagem, efeitos especiais e pós-produção), a literatura (o roteiro, a trama), o teatro (a representação dos atores) e a música (a trilha sonora como parte importante da narrativa dramática, análoga ao coro dos teatros gregos). Se há ainda alguma dúvida de que o cinema é um gênero a ser contemplado pelos estudos literários, basta lembrar que alguns dos fundadores da semiologia/semiótica (hoje muito usada para analisar o cinema) eram críticos literários (exemplo: Roland Barthes e Umberto Ecco).

Tendo explanado os fatos acima, retomo a questão inicial desta postagem. Como eu diria hoje a alguém que ela gosta (e necessita) da poesia/arte/literatura em sua vida, mesmo que ela não conheça o real significado desses conceitos? Primeiro eu evitaria adentrar em definições teóricas (como fiz acima) e então montaria o seguinte questionário (como fiz abaixo) com comentários feitos a cada resposta obtida:

Você gosta de filmes/música?
Se sim, então você gosta de poesia/arte/literatura.

Você imagina a sua vida sem filme/música?
Se não, logo, mesmo que você não entenda a razão, você sente a importância e a necessidade da poesia/arte/literatura em sua vida.

Esses filmes e músicas a emocionam? Eles lhe fazem rir ou chorar?
Se sim, sua relação com poesia/arte/literatura é muito forte, sensível, pessoal, consequentemente demonstra que essa necessidade é inata.

Os filmes e músicas de que você gosta lhe acrescentam reflexões?
Se sim, você tem alguma consciência de que a arte não é apenas entretenimento, de que ela é, portanto, uma reflexão importante sobre o mundo, a natureza das coisas, o ser humano, a sociedade e a vida.

Conclusão:
Se você gosta de filmes e músicas tanto quanto me diz, você ama a arte, mas não aprendeu a ter gosto pela leitura e pelo estudo dela. O estudioso de Letras especialista em estudos literários aprende a analisar criticamente as ideologias por trás de cada texto, deixando de ser uma vítima inconsciente do conhecimento e passando a ser um produtor consciente, da mesma forma que o artista deixa de ser uma vítima da sociedade e passa a ser um formador de opinião.

Feito isso, tenho por finalizado o questionário e a argumentação, comprovando meu ponto de vista e convencendo o meu interlocutor da necessidade inata e importância imperativa das artes. Retomo a partir de agora a reflexão teórica juntamente com os leitores deste blog, e ao fazê-lo, resgato uma postagem anterior para afirmar o seguinte: Não há comunicação possível sem catacrese, metáfora e outras figuras de linguagem. Você, estudante de Letras, pode analisar qualquer texto oral ou escrito e notar que todos eles fazem uso dessas ferramentas linguísticas e que não seria possível haver a comunicação de ideias sem essas ferramentas. Este fato é outro indicativo da importância imprescindível dos estudos literários e linguísticos.


Filosofia e literatura (ou vice-versa)

Isto daria pano para uma outra postagem (das longas), mas não sei se farei. Por um lado, acho óbvio demais dizer o que vou dizer, por outro, acho inútil argumentar com quem ainda insiste numa separação radical entre essas duas disciplinas, portanto, vou diretamente à apresentação dos fatos em três pontos de vista diferentes.

1- Filosofia e literatura são basicamente a mesma coisa
A filosofia é a reunião de vários saberes, a literatura também. A filosofia é o amor pelo conhecimento e este é produzido pela arte da escrita, a literatura, consequentemente, uma coisa não existe sem a outra. Alguns filósofos (como Jacques Derrida) diziam que a filosofia pode ser lida como literatura e que esta pode ser lida como filosofia.  Portanto, a separação entre essas duas disciplinas seria meramente didática. Ou ainda, a separação seria forçosa e sem critérios, porque não há.

2- Literatura é um ramo da filosofia
A filosofia foi pioneira na produção da matemática, das ciências naturais, da lógica, da história, da política e também a arte da argumentação. A literatura seria a parte da filosofia que se ocupa do discurso verbal, ou seja, de todas as ciências mencionadas acima, exceto a matemática e as ciências naturais (apesar de poder também reportar-se a elas, e isso ocorre frequentemente). 

Poema de E. M. de Melo e Castro

















Assim sendo, quando Platão estudava os números pitagóricos, ele estava fazendo matemática, quando Platão escrevia diálogos, ele estava fazendo literatura. Em ambos os casos, ele era um filósofo.

3- Filosofia é um ramo da literatura
Jorge Luís Borges e vários outros diziam sarcasticamente que a filosofia seria um ramo da literatura fantástica.

Conclusão:
Particularmente, acredito nos três pontos de vista. Também acredito na separação entre filosofia e literatura, mas vejo isto como uma idealização do Romantismo, algo muito atual se considerarmos toda a história. No meu entendimento, a filosofia muitas vezes se apresenta como uma teoria, enquanto a literatura como uma alegoria. Isto é, a filosofia idealiza as práticas sociais, a literatura mostra essas práticas. Mas não há uma regra, tanto a literatura como a filosofia podem fazer os dois e ambas podem recorrer à ficção, haja vista os inúmeros exemplos de literatura verídica e filosofia fictícia, contradizendo o senso-comum. Vejo o gênero textual como a única diferenciação objetiva entre filosofia e literatura. A literatura como concebida hoje se manifesta em vários gêneros: dissertação, lírica, narrativa e drama (e sempre há uma mescla entre esses gêneros). A filosofia como concebida hoje se apresenta como uma dissertação.

Com isso, finalizo a postagem esperando ter sido claro em minha reflexão e desejando que o leitor ao analisá-las faça-o com cuidado.

Por fim, deixo os seguintes pensamentos (o terceiro é de minha autoria).

Jacques Lacan pronunciou a seguinte frase:
“O artista precede o psicanalista”.

– Com isso, o psicanalista queria dizer que a Arte (principalmente a literatura) já tinha antevisto muitas das descobertas que a psicanálise faria mais tarde como ciência.

Bertolt Brecht já disse que:
“Se não morre aquele que escreve um livro ou planta uma árvore, com mais razão não morre o educador, que semeia vida e escreve na alma”.

“O conhecimento provém, em parte, da experiência direta, empírica e real. Também é formado em parte pela linguagem, isto é, a criação de rótulos para analisar, traduzir e descrever o universo. A sabedoria (se é possível alcançá-la) é a união crítica e metódica dessas partes”.