terça-feira, 30 de maio de 2017

Principais mudanças no Enem 2017

1- Extinção da prova ao sábado, passando a ser aplicada em dois domingos consecutivos. Este ano, as datas de aplicação das provas são 05 e 12 de novembro.

2- O exame deixa de conferir a certificação do ensino médio. Os candidatos que pretendiam participar das provas com esse objetivo deverão se inscrever no Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos).

3- O MEC divulgará apenas o resultado individual do Enem 2017, extinguindo as publicações de notas por escolas.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dica literária: duas escritoras

Safo de Lesbos, nascida na ilha de Lesbos (Grécia), cerca de 630 a.C. Foi uma aristocrata e poetisa reconhecida no gênero da lírica erótika (lírica = poesia cantada; eros = amor, em grego). Ou seja, a poesia que canta sobre o amor.

Sabe-se pouco sobre sua vida, mas o termo lesbianismo tem sua origem atribuída a ela. Não se sabe se fundou uma escola, mas na teoria literária o termo sáfico designa um estilo de versificação, com acentos tônicos e ritmo próprios.

De sua obra, o que chegou até nós são na sua maioria fragmentos. Boa parte de sua poesia foi destruída no incêndio da famosa Biblioteca de Alexandria (Egito), na época de Cleópatra e Júlio César. Outra parte foi destruída pela Igreja Medieval. Mesmo assim, Safo de Lesbos é admirada e reconhecida entre os estudiosos de Letras. Foi pioneira em seu gênero e está imortalizada nas páginas da História.

Para saber mais sobre sua vida e ler seus poemas, recomendo o link abaixo. Trata-se de um trabalho de Manuel Pulquério, da Universidade Católica Portuguesa, curso de Letras. O autor nos traz traduções e adaptações da obra de Safo:

http://www4.crb.ucp.pt/Biblioteca/Mathesis/Mat10/mathesis10_155.pdf

Safo segurando uma lira (tela de Charles Megin)


























Marion Zimmer Bradley (EUA, de 1930 a 1999) foi uma romancista, autora de "As brumas de Avalon" (The Mists of Avalon). Seu livro narra a lenda do Rei Arthur numa ótima feminina. As personagens já são conhecidas desde a Idade Média: Arthur, o cavaleiro Lancelot, a rainha Guinevere, o mago Merlin, a fada Morgana (descrita como bruxa nas lendas anteriores) e seu filho Mordred, fruto de um relacionamento incestuoso com seu irmão, o Rei de Camelot.

Pessoalmente, de todas as versões que existem sobre essa lenda, esta é a narrativa que me parece mais inteligente e eficaz na sua construção estrutural, sobretudo por corroborar de forma empática com os conflitos psicológicos das personagens e por nos dar uma visão histórica dos encontros e desencontros entre o Paganismo e o Cristianismo.

Esta obra rendeu um belíssimo filme com Angelica Huston no papel de Viviane (a Dama do Lago, sacerdotisa e protetora da espada Excalibur).

Dá até vontade de contar mais detalhes, mas em tempos de spoilers, deixo aqui a dica de assistir ao filme e/ou ler o livro.


Cena do filme "As brumas de Avalon" (2001).

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Literatura de cordel: Tradição e Educação.

A literatura de cordel é uma tradição cultural e popular, muito forte no Nordeste, mas também presente em todo território nacional. Apesar de sua origem não ser brasileira, aqui o cordel ganhou características próprias e uma nova identidade.

Características da poesia de cordel:
- Estrofes em sextilhas (estrofe de 6 versos) ou septilhas (estrofe de 7 versos);
- Métrica em redondilha maior (cada verso possui 7 sílabas poéticas);
- Esquema de rimas ABCBDDB;
- Temática variada, tendendo a falar com humor sobre o cotidiano.

Exemplo:

No Brasil é diferente
O Cordel-Literatura
Tem que ser todo rimado
Com sua própria estrutura
Versificado em sextilhas
Ou senão em septilhas
Com a métrica mais pura.

Glosa em redondilha maior:
Rodolfo Coelho Cavalcante (1919 - 1987) 



Exemplo de livro:




















Tradicionalmente as ilustrações eram feitas usando técnicas de xilogravura.
Exemplo de xilogravura.














Os livros eram pendurados e vendidos em varais. Nas fotografias abaixo, exemplos de trabalhos sobre literatura de cordel, da escola à faculdade:

Colégio Cec (foto tirada da internet).















Colégio Consa (foto tirada da internet).















Faculdade Multivix-Serra (trabalho com alunos).

























Além da produção de livros, a literatura de cordel também está ligada ao teatro, à música regional e contação de histórias. Na Educação de crianças, jovens e adultos, o cordel é muito benéfico, pois trabalha o raciocínio e a criatividade com a língua em todos os seus níveis (fonético, gramatical, semântico e literário).

Para ler mais sobre literatura de cordel, origem e história, acesse o link:


sábado, 15 de abril de 2017

Frases "preciosas"

"Errar é humano, colocar a culpa em alguém, então, nem se fala"!

"Tudo é relativo: um cabelo na cabeça é pouco, na sopa é muito".

"Diz-me com quem andas e eu te direi se vou contigo".

Autores desconhecidos.



Do programa Rock Gol (bons tempos da MTV Brasil):

Preservativos Júnior: um estouro!
Recomendado pelos meus 35 filhos!

Poema

I was thinking about the past,
worried about what the future has.

My family has no gold.
I was born with no blue blood.

So I am free of virtues and sins
of popes and kings,
princes and lords of land
who washed their hands.

I was made from the common clay
Where the fine wines were made,
Where we have the guarantee
Of the glorious eternity

In the end of the journey, so long…
I find on You,
the heaven from where my wings belong.

By myself, based upon the poem of Joseph de Sousa



Pensavo al passato, duro,
preoccupato al futuro, oscuro.

La mia famiglia non ha oro
Sono nato senza sangue blu,
senza tesoro.

Sono privi di virtù e peccati
dei re e principi decadenti.
Ho le mie mani lavate
dal sangue innocente.

Della morte perdonato,
Sono creato dalla sabbia
Dove il vino, buono, si diventerà
In cui abbiamo la grazia
Della nostra eternità

I lunghi giorni passano,
Alla fine trovo su di Lei,
il cielo, dove le ali mie
nelle Sue riposano.


Proprio mio, basata sulla poesia di Joseph de Sousa

 (Renan, 2003)

domingo, 20 de novembro de 2016

O pássaro engaiolado

Da minha janela vejo um pássaro engaiolado. E os pássaros livres voam em volta dele. Ele tem água e comida em fartura, mas não parece feliz, ao contrário daqueles que voam livres ao seu redor e só contam com  a providência divina para comer e beber.

Parece uma metáfora sobre a inútil tentativa humana de governar o destino dos outros. Ou uma alegoria sobre o capitalismo. Ou uma autorreflexão sobre vontades e frustrações, disfarçada por arquétipos oníricos. Ou uma epifania sobre os desígnios de Deus. Mas não. É apenas um pássaro engaiolado, triste, real e nada simbólico. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A origem de Monga

Em 1901, no interior da Rússia havia um pequeno circo, tão pequeno que não tinha nome. Tinha anões, um homem forte, mímicos malabaristas, equilibristas e um tocador de trompete, mas não tinha nome. A atração principal era um mágico ilusionista, talvez o melhor de sua época.

Num palco escuro, cheio de suspense e surpresas, esse mágico materializava qualquer animal ou objeto no ar. E com igual facilidade ele fazia essas coisas levitarem diante de um respeitável público. Certa vez ele fez um elefante desaparecer do picadeiro, como se tivesse evaporado tão rápido quanto um piscar de olhos. A plateia batia palmas tão alto e tão forte que dava a impressão de o som dos aplausos poderem chegar à capital.

Mas tanta comoção também trouxe ventos de inveja. Seu camarim era muito visado, porque lá estavam guardados todos os objetos de mágica. Por isso ele não podia se afastar muito. Lá ele comia, dormia, aparava a barba e o bigode. Toda a sua vida estava ali. Obviamente nunca recebia visitas no interior do camarim. Era de lá para o picadeiro e do picadeiro de volta para lá. O problema era como fazer para proteger seus segredos de mágico enquanto ele estava no centro do picadeiro entretendo e encantando as pessoas.

De tanta preocupação, um dia ele teve um estalo e Zap! Inventou um método para espantar curiosos e espiões que tentavam descobrir seus segredos e vender para outros mágicos.

Numa noite de espetáculo três meninos aguardavam o mágico entrar no picadeiro. Após dois números eles saíram da lona como se fosse para comprar pipoca ou ir ao banheiro, mas o que eles realmente procuravam era o quarto do mágico. E lá fora encontraram entre tendas um corredor sombrio que dava naquele camarim. Os moleques seguiram pelo corredor, mas se depararam com uma jaula vazia bem na frente da porta do camarim. Quando se aproximaram um pouco mais, uma luz se acendeu e eles viram uma mulher belíssima dentro daquela jaula. Ficaram pasmos por aquela surpresa, mas também admirados pela beleza da moça. Não deram nem mais um passo, mas os olhos se moviam na direção dela. E apreciando aquela forma feminina eles pouco a pouco viram a mulher se transmutar num enorme gorila enfurecido e que rompeu as grades da jaula. Os três rapazes saíram de lá apavorados, correndo o mais rápido que podiam e sem olhar para trás.

E foi assim, nos bastidores, longe do interior da lona circense, que aquele grande mágico fez a sua maior contribuição para o mundo do ilusionismo.

Após a sua morte, já em idade avançada, o truque da mulher gorila se espalhou pelo mundo, tornando-se mais uma atração de parques e circos. Não se sabe muito bem como ou quem revelou o segredo, mas essas coisas são assim mesmo, ainda que não se entenda o porquê. Os segredos dos mágicos se esfarelam com o tempo, como pedras que viram pó e são carregadas pelo vento.