sábado, 24 de dezembro de 2011

John Lennon - Happy Xmas (Feliz Natal)

Para lembrar que o Natal não é uma data comercial...
Que o sentido do Natal não é dar e receber presentes
Nem se fartar de comida e bebida.



domingo, 13 de novembro de 2011

Texto de Bertolt Brecht

Se os tubarões fossem homens



Interpretação de Antônio Abujamra no programa Provocações da TV Cultura.

Sotaques

Ótimo poema de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em duas versões:
o português brasileiro e o português europeu.


Poema em linha reta (Brazilian portuguese)


Poema em linha reta (European portuguese)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Línguas Neolatinas - Romance Languages

As quarto línguas neolatinas mais faladas são: espanhol, português, francês e italiano.

A seguir uma amostra de cada uma delas.
Sample of romance languages: spanish, portuguese, french and italian. 


Falada (speech)



Cantada (singing)



Pergunta (Question):

Dentre elas, qual língua soa mais bonita em sua opinião? Comente!

Between spanish, portuguese, french and italian, which one is the most beautiful language in your opinion? Please, comment.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Falta um rock com mais “nirvana”

No budismo, o nirvana é a superação do ego, o desapego material e carnal, um estado de consciência universal, uma superação das paixões terrenas, e, portanto, a libertação do sofrimento que é causado pelos desejos do ego. O nirvana seria atingido após muita prática meditativa.

Buda resiste às tentações.

Mas esta postagem refere-se à banda de rock grunge Nirvana, formada e liderada por Kurt Cobain e que se tornou conhecida no início da década de 1990. A banda era caracterizada por um profundo desapego do show business e apatia pela indústria fonográfica. Kurt Cobain era o vocalista, guitarrista e compositor. Suas letras eram caóticas e sentimentais, compostas de forma quase irracional (como se fossem por livre associação) e cantadas de um modo tão emotivo e tão frenético que lembram telas expressionistas. Um exemplo é a canção intitulada Tourette's. Alguém poderia achar que é uma gritaria sem sentido, mas como o título deixa óbvio, a música emula os sintomas da síndrome de Tourette.

Se para você os gritos de Cobain e o rock do Nirvana soam como barulho,
então talvez você confunda uma tela de Munch com um rabisco infantil.

Seu estilo de tocar guitarra era alternativo/experimental, aludindo a uma arte distorcida como se fosse uma forma de cubismo aplicado à música. Ouso dizer que Kurt Cobain está para o rock assim como Pablo Picasso está para as artes plásticas. No caso de ambos, não era uma técnica apurada o que estava em evidência, mas a reflexão sobre o conceito de Arte (a música para um e a pintura para o outro).

Expressionismo em Picasso e Cobain
 
A arte distorcida: cubismo de Picasso e guitarra de Cobain.

As músicas e as letras de Kurt parecem não fazer sentido para muitos, e às vezes até para ele mesmo aquilo não fazia sentido, então ele brincava com os fãs que tentavam dar sentido à suas composições (ouça: In Bloom). Por isso ele foi genial, conseguindo demonstrar a apatia de sua geração (ouça: Smells Like Teen Spirit). E ao quebrar guitarras e equipamentos ao vivo, Kurt deixava claro que não se importava com nada daquilo (fama, dinheiro, mídia etc). E ele fez isso de forma muito consciente, como é possível notar ao analisarmos sua obra mais de perto (o que tomaria um grande espaço aqui). O lado triste disso é que ele levou tudo tão ao extremo, que tirou a sua própria vida aos 27 anos. Mas obviamente isso não foi conseqüência de uma filosofia budista ou de uma atitude punk, mas sim da depressão que o acompanhou desde a sua adolescência (ouça: Lithium) e do sentimento de abandono/carência por que passara em sua remota infância (ouça: Sliver).

O Rock in Rio foi carente nesse sentido, foi carente de um rock contestador, com alma e sentimento rebelde, punk, anárquico... Por outro lado, houve apresentações belíssimas e impecáveis como as de Coldplay, Stevie Wonder, Elton John, Metallica e Guns n’ Roses. Esta última é um caso à parte. Não venha dizer que o Axl já não é o mesmo, isto é óbvio, ele envelheceu, mas é uma lenda viva e ainda é uma das vozes mais poderosas da história do rock.

A Pitty fez uma apresentação madura com ótima banda e direito a homenagem ao Nirvana. O show do Evanescence marcou definitivamente a volta de uma das vozes femininas mais potentes do rock atual. System of a Down fez ótima apresentação e com algumas pitadas de humor e contestação política, mostrando que ainda há músicas engajadas, e dentre elas eu incluiria também algumas do Guns, como Welcome to the Jungle e Civil War (esta eles não tocaram) e uma do Coldplay, a canção Us Against the World (poderia ser interpretada como U.S. Against the World)? – creio que haja uma crítica implícita aí, aludindo ao intervencionismo dos EUA no mundo.

Tom Zé e Os Mutantes também mostraram alguma contestação política, mas infelizmente (e injustamente) eles não estavam no palco principal. Mesmo assim foi uma ótima apresentação de uma das poucas bandas de rock psicodélico ainda na ativa. Senti falta de bandas de reggae lá. Já que o Rock in Rio é um festival eclético, o reggae caberia bem, dentre outros motivos, por ser um estilo musical que se aproxima do rock. E no campo das letras, o rock e o reggae são caracterizados pela crítica social e contestação política (coisas raras nas músicas de hoje). A contestação, a rebeldia, o inconformismo e a ótima música são algumas das qualidades que eternizaram John Lennon no rock e Bob Marley no reggae. Estes dois fazem falta hoje!

E também faz falta um Nirvana nos dias de hoje, tanto no sentido budista quanto no sentido de “uma banda com atitude roqueira”. O mundo carece de uma arte desapegada, desinteressada, que seja apenas arte e não entretenimento lucrativo. A arte é para todos e ela se eterniza, o entretenimento é para quem pode pagar e é passageiro, fugaz, efêmero...



Nevermind, que no mês passado completou 20 anos, ainda é referência para o rock alternativo
(a capa do álbum mostra os rumos que a sociedade estaria tomando).



O show acústico neste disco deixa em evidência o outro lado da banda:
a sutileza no trato com arranjos instrumentais e vocais.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Rock in Rio versus Rock in Heaven

O que aconteceu com o rock and roll? Onde jaz a alma punk? Atitude e rebeldia são verbetes desconhecidos no mundo pop de hoje. Farei aqui um breve comentário sobre a primeira semana do Rock in Rio, mas apenas sobre aquelas bandas das quais vale a pena falar. Portanto, aquelas que eu não citar aqui é porque não valia a pena mesmo!

Na minha opinião, Elton John fez o melhor show do Rock in Rio até agora. O que me revoltou muito foi o fato de ele não fechar a noite, e pior, ter recebido pouca atenção da mídia. Algum blogueiro do Yahoo definiu o show de Sir Elton como "morno". É brincadeira, né? A banda era estupenda e mesmo que o cantor/compositor inglês estivesse sozinho, ainda assim seria o melhor show daquela noite. Seus improvisos ao piano foram de tirar o fôlego!

A banda Metallica fez uma bela apresentação. É normal que, tocando ao vivo, o guitarrista masque algumas notas, isso não é imperdoável. Mas baterista perdendo o ritmo... Esse sim foi The Unforgiven (que aliás, eles não tocaram, que pena!).

Red Hot Chili Peppers foi bom, principalmente pelo baixista que (no melhor estilo) rouba a cena . O Motörhead é clássico, e para quem gosta, realmente é um show que vale a pena.

Fiquei impressionado com Sepultura e Slipknot. Mesmo não gostando desse estilo de heavy metal (com voz de cachorro rouco) gostei dos shows. O som do Coheed and Cambria, que eu não conhecia, me agradou muito.

O grupo Angra sofreu com vários problemas técnicos, o que talvez explique as desafinadas do vocalista. Convenhamos, esse Rock in Rio ficou marcado pelo excesso de falhas técnicas. Espero que na segunda semana de shows não haja mais problemas.

As apresentações de Titãs, Paralamas, Milton Nascimento, Ed Motta, Sandra de Sá e Capital Inicial não foram muito boas, salvo em alguns momentos (que infelizmente não eram constantes).

Ainda acho injusto que num festival que traz a palavra "rock" haja tanta diversidade de estilos. É tão raro termos um evento essencialmente roqueiro no Brasil, e quando finalmente aparece um, dá nisso. O que pensariam os chicleteiros se as micaretas contassem com bandas de rock nos trios?

Hoje se fala muito em “ser eclético”. Eu sou a favor, mas no carnaval (e micaretas infernais) ninguém é eclético! Todos aqueles trios parecem a mesma coisa, só muda a cor do abadá. Contudo, ser eclético demais também não é bom. Imagine a Tati Quebra Barraco dando uma canja no Rock in Rio... Melhor nem imaginar!

Muitas bandas e artistas de ótima qualidade não estão neste evento. Cito alguns: AC/DC, Rush, Iron Maiden, Scorpions, Deep Purple, Rage Against the Machine, Blind Guardian, Green Day, U2, Aerosmith, Alice in Chains (com novo vocalista), Radiohead, The Offspring, Rolling Stones, A-ha, Santana, Chingon, Tinariwen, Die Toten Hosen, Rammstein, Paul McCartney, Eric Clapton, Mark Knopfler, Lulu Santos, Gilberto Gil, Flávio Venturini.

Aguardo ansiosamente pelos shows de Stevie WonderGuns n' Roses. E também por Coldplay, Evanescence, System of a Down, Pepeu Gomes, Mutantes & Tom Zé, Frejat e Jamiroquai (não com o mesmo entusiasmo).

Mas o rock já não é o mesmo. Então prefiro ficar em casa, escutando os meus antigos CDs e a minha coleção de MP3. Os meus heróis morreram de overdose (citando Cazuza) ou de Aids, ou câncer, ou de desastre aéreo, um cometeu suicídio e o maior deles foi covardemente assassinado. Apenas heróis mortos não decepcionam.

Rock in Heaven:
Jimi Hendrix,
Janis Joplin,
Jim Morrison,
Elvis Presley,
Raul Seixas,
Michael Jackson,
Freddie Mercury,
Cazuza,
Renato Russo,
Bob Marley,
George Harrison,
Ritchie Vallens,
Mamonas Assassinas,
Stevie Ray Vaughan,
Kurt Cobain,
John Lennon.

Rock in Heaven

Os Beatles versus o racismo nos EUA

Os Beatles mostraram seu apoio ao movimento pelos direitos civis nos EUA ao recusarem-se a tocar em frente de plateias segregadas, como mostra um contrato.

O contrato (leiloado recentemente) firmava um show em 1965 no Cow Palace na Califórnia (EUA).

Assinado pelo empresário Brian Epstein, o documento especifica que os Beatles “não eram obrigados a se apresentarem diante de uma plateia que segregasse negros”.

Os Beatles já tinham se manifestado publicamente quanto aos Direitos Civis em 1964, quando eles se recusaram a se apresentar em um show só para brancos no Gator Bowl em Jacksonville, Flórida.

As autoridades da cidade voltaram atrás, permitindo que o estádio fosse ocupado por membros de qualquer raça, e a banda subiu ao palco.

“Nós nunca tocamos para públicos racistas e não vamos começar agora” – disse John Lennon – “Preferiríamos perder o cachê”.

A luta pela igualdade racial nos EUA depois inspiraria Paul McCartney a escrever a canção intitulada Blackbird.

Para ler a matéria completa, acesse:


1ª Observação minha:

Para quem não sabe, na época os EUA mantinham leis racistas que restringiam o acesso de negros a certos locais públicos.

2ª Observação:

Anos mais tarde, John Lennon foi investigado pelo governo norte-americano (FBI e CIA) por causa de suas manifestações contra a guerra do Vietnã e por sua luta pelos direitos civis. Hoje há provas de que o governo estadunidense queria expulsar John Lennon do país.

Tudo isso é mostrado no documentário Os EUA X John Lennon.

Segue no link abaixo o trailer do filme com legendas em português:


John Lennon nasceu em Liverpool, Inglaterra. Após a separação dos Beatles, ele foi morar em Nova York, EUA. O cantor e compositor pacifista foi assassinado em 1980, na entrada do edifício onde morava.



Lennon participava de passeatas e organizava movimentos artísticos pela paz. Muitas de suas músicas possuíam cunho social explícito:
- All You Need is Love
- Revolution
- Give Peace a Chance
- Imagine
- Power to the People
- Working Class Hero
- Happy Xmas (War is Over)
- Woman Is The Nigger Of The World

Esta última usa de ironia para defender a igualdade entre os sexos, sendo assim uma música feminista e ao mesmo tempo anti-racista (nigger é uma palavra ofensiva de cunho racista). As duas primeiras foram gravadas pelos Beatles.

sábado, 3 de setembro de 2011

Alteregos


Do latim, alter (outro) e ego (eu).

Outro eu: cada um tem o seu?

Na mitologia, o deus Jano tinha duas faces, uma apontada para o passado e outra para o futuro. Daí  veio a origem etimológica do mês de “janeiro”.


Jano


A literatura dos quadrinhos criou vários exemplos que se tornaram famosos, como o Dr. Bruce Banner (em outras versões David Banner) e o seu alterego, o incrível Hulk. Neste exemplo, o alterego é evidente, não só pela transformação psicológica, como também pela mutação física.




O livro de ficção científica O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde (no Brasil, O Médico e o Monstro) escrito pelo escocês Robert Louis Stevenson e publicado originalmente em 1886 talvez tenha servido de inspiração para os criadores de Hulk.

Outro exemplo famoso dos quadrinhos é o de Bruce Wayne (milionário) e seu alterego Batman (o homem morcego, o homem sem medo, o cavaleiro das trevas). Particularmente, esses dois me recordam muito Don Diego De La Vega e seu alterego Zorro, personagens da literatura norte-americana, criados em 1919 pelo escritor Johnston McCulley.

A literatura em geral, especialmente a modernista, trata exaustivamente do tema, levando-o ao extremo imaginável. Mas não são apenas as personagens que manifestam alteregos. O poeta Fernando Pessoa desenvolveu vários alteregos, ou melhor, heterônimos (autores fictícios com personalidades distintas; história, características literárias e traços físicos próprios). Portanto, foram muito além de apenas pseudônimos (falsos nomes). Dentre esses heterônimos, os mais conhecidos são:

Alberto Caeiro – loiro, olhos azuis, instrução primária, poeta da natureza e crítico da metafísica. Autor de 104 poemas. Utilizava-se de objetividade e linguagem simples.

Ricardo Reis – médico e poeta neoclássico, estóico e epicurista. Fazia muitas referências ao paganismo greco-romano. Por ser monarquista, exilou-se espontaneamente no Brasil depois que Portugal se tornou uma república.

Álvaro de Campos – engenheiro e poeta vanguardista, cosmopolita e muito subjetivo. Sua obra foi marcada por três fases: decadentista, futurista e niilista.

E finalmente, o próprio Fernando Pessoa (o ortônimo) – poeta do saudosismo português com uma veia voltada para o ocultismo e o misticismo.


As várias pessoas de Pessoa.

No cinema, o Clube da Luta (Fight Club, EUA, 1999) é o filme mais curioso de que posso me recordar agora. Não conto mais aqui para não estragar a trama.

Na música, o caso mais curioso está relacionado ao grupo The Doors, e mais especificamente ao seu vocalista, Jim Morrison. O tecladista Ray Manzarek afirmou que o cantor teria desenvolvido duas personalidades:

Jim – poeta criativo, amigo, divertido, contagiante, inteligente.
Jimbo – alcoólatra, sarcástico, autoconfiante, agitador das multidões.


O sorriso irônico: Jim ou Jimbo?

Na adolescência, Morrison recebeu uma correspondência escolar que o descrevia como sendo um jovem tímido e centrado em si mesmo.

Ele fez testes de QI na escola e obteve a pontuação de 149 (onze pontos abaixo de Albert Einstein). Na classificação proposta por Lewis Terman, o QI acima de 140 denota genialidade. Na classificação, originalmente proposta por Davis Wechsler, o QI acima de 127 denota superdotação.

Esse garoto, leitor de Nietzsche e Rimbaud, quando começou a se apresentar era tão inseguro que não conseguia encarar a platéia de frente, preferindo cantar com os olhos fixos na banda e de costas para o público. Ele nunca teve treinamento vocal.

Mas Jim passou por uma metamorfose. Incorporando um índio num ritual xamanístico, ou drogando-se cada vez mais, fato é que Jim foi aos poucos se tornando Jimbo.

O cantor referiu a si mesmo na música L.A. Woman como Mr. Mojo (na língua inglesa, mojo é uma gíria para libido ou charme). Morrison repetia insistentemente os versos: “Mr. Mojo risin” que numa tradução livre seria algo como “ O Sr. Garanhão está ressurgindo”. Repare que esse verso é um anagrama perfeito do nome “Jim Morrison”.

Ray Manzarek, que era adepto da meditação, disse ter visto a energia psíquica de Jim deixar o seu corpo. Isso aconteceu na última apresentação da banda ao vivo.

Jim Morrison, autor de livros de poesia e vocalista dos Doors, morreu em Paris, com 27 anos de idade. (Pouco antes dele foram Jimi e Janis, também aos 27).

E os nossos vários perfis e avates que criamos e dos quais dispomos na internet. Não seriam eles também alteregos da nossa persona?

Cada pessoa tem várias faces, cada uma adaptada a um contexto social específico.



“O mundo todo é um palco e nós meros atores”.
(parafraseando Shakespeare)



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Domesticado

I

Acordei ainda com o gosto de carne na boca.
Não dormi sem escovar os dentes,
nem havia comido carne na noite passada.

Sonhei que era um robusto bárbaro.
Acabara de matar meu almoço: um pequeno cervo.
Estava retirando a pele do animal, meu corpo empapado de sangue,
quando prestes a dar a primeira mordida na deliciosa carne,
Despertei.

Não era exatamente eu naquele sonho.
Não teria talvez a coragem para matar um animal tão gracioso,
protegido por leis e ainda homenageado com um desenho da Disney.

Mas vi a cena como se estivesse lá
na mente daquela bárbaro faminto.
Ainda posso recordar as histórias dos anciões
contadas sempre no fim da tarde para um auditório de meninos silvícolas.
Por alguma razão
aquelas histórias estavam fossilizadas naquela mente primitiva.



II

À tarde, chequei meus e-mails. A maioria era spam.
Num deles uma propaganda aludia a desenhos rupestres.
Já havia visto alguns desses.... (talvez feitos pelo meu avatar do sonho)
...em cavernas que para mim só existiam em livros de Arte.

A propaganda lembrou-me do mundo que eu visitara à noite.
Pensei comigo “aqueles bárbaros não mentiram”.
A vida lá era tão simples e imediata quanto aquelas gravuras nas cavernas.
Amanhecia, levantava. Anoitecia, dormia.
Caçava para viver, dividia a comida com velhos, mulheres e crianças.

Mas também havia terror.
Os homens resolviam suas diferenças com paus e pedras,
não era como hoje que há leis e processos.
A humilhação pública provou ser uma arma bem mais eficaz que o tacape.
Ferir a reputação de um homem pelo intermédio de terceiros é muito mais civilizado que aquela hostilidade cara a cara.

Despertei desse flashback e voltei meus olhos para o desenho pitoresco que alegrava o meu monitor.
Aquela propaganda piscava, brilhava, sem falar na complexidade daquele design.
Sem dúvida eu estava diante de uma arte muito apurada!
Uma obra-prima do século XXI.

Senti falta de uma arte mais vistosa naquela minha viagem fantástica. A cena retratada pelo homem primitivo parecia o rascunho de um storyboard. O traço (feito à mão) não era elegante e o tom pastel não era comparável à diversidade de cores dos desenhos atuais.

Estando por uma única vez na mente do homem primitivo, só o que pude entender é que aquele desenho para ele era mágico.

Lá, a figura não representava alguma coisa, mas era a própria coisa materializada.
O homem que a pintara não era um artista. Para os olhos da tribo ele era um feiticeiro.


III

À noitinha meus olhos perseguiam por vários canais de TV a cabo,
sem me fixar em nenhum deles, passei por um documentário sobre a savana.
Assim que vi uma cena de caça, a mente primitiva de meu avatar invadiu minha alma.
Entendia agora o que é lutar pela sobrevivência,
ter os olhos fixos na presa e mais nada na mente.
Medo? Só sentia fome.

Lembro-me do momento da caça, mas a hora mais gloriosa era o retorno.
A tribo toda cantava e dançava sob as estrelas
e as fagulhas da fogueira, como vaga-lumes, acompanhavam os passos da dança.
Nessa hora, a mente primitiva ficou confusa, como uma TV com chuviscos.
Nós não pensávamos mais, só sentíamos o som dos passos, os gritos e o êxtase vitorioso de mais um dia que se findava. Sentia as bênçãos de Deus sobre nós.

Naquele mundo não havia moléstia.
Quando o mal se apoderava de um corpo, o curandeiro da tribo aliviava a dor do moribundo. Mas não me lembro de ver algum homem morrer nas mãos daquele velho.
Aqueles que se recobravam da moléstia agradeciam a Deus com oferendas.
O curandeiro nada recebia, nem mesmo um obrigado.
Dizia-se que ele não era curandeiro e que ele mesmo se considerava um servo da tribo.
“Os homens estão nas mãos de Deus” – dizia o velho em linguagem rudimentar.

Aquele que atentamente acompanha com os olhos a minha narrativa pode se perguntar como eu vivi tudo isso em apenas uma noite.
É que o tempo dos sonhos é mais alongado que o tempo real.



IV

Fui preparar meu jantar.
Não me veio nenhum sentimento surreal,
Apenas a emoção de ver (pelo vidro)
o queijo derretendo lentamente.

Ademais,
a Pós-Modernidade não é mais que
lasanha de microondas.

O Nobel tá de sacanagem!


Como pode o Brasil ainda não ter nenhum prêmio Nobel? Argentina, Chile, Colômbia, Peru, México e outros países latino-americanos já possuem (pelo menos) um Nobel cada!

E nós? Será que não há, ou nunca houve um brasileiro merecedor dessa honraria?
Observe, a seguir, quantos brasileiros eram merecedores, apesar de nenhum deles ter ganhado (sendo que alguns nem foram indicados, apesar de merecerem):


Alberto Santos Dumont
Inventor do dirigível, do ultraleve e do relógio de pulso. Também foi o primeiro homem a realizar um voo documentado com uma máquina mais pesada do que o ar. O 14-Bis, inventando e pilotado por Santos Dumont, decolou e pousou por meios próprios, sendo assim, o brasileiro é o verdadeiro inventor do avião. Não patenteou nenhuma de suas invenções por acreditar que toda a humanidade deveria se beneficiar delas. Suicidou-se ao ver que sua invenção mais famosa estava sendo usada em combate.


Osvaldo Cruz
Foi cientista, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista, pioneiro no estudo das moléstias tropicais e da medicina experimental no Brasil. Comprovou que as doenças tropicais não eram causadas em decorrência da miscigenação de raças, como se pensava na época, mas por micro-organismos transmitidos pelos mosquitos.


Carlos Chagas
Foi um pesquisador. Destacou-se ao descobrir o protozoário Trypanosoma cruzi (cujo nome foi uma homenagem ao seu amigo Oswaldo Cruz) e a tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas. Foi o primeiro e o único cientista na história da medicina a descrever completamente uma doença infecciosa: o patógeno, o vetor (Triatominae), os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia.Também trabalhou no combate à leptospirose e às doenças venéreas. Foi indicado ao Nobel.


Marechal Cândido Rondon
Foi militar, positivista e sertanista brasileiro. Descendente de índios, foi pioneiro do projeto do Parque do Xingu e da idéia de que “o índio só pode sobreviver em sua própria cultura”. Em 1957 foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer's Club, de Nova York.


Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Bôas (os irmãos Villas-Bôas)
Sertanistas e ativistas pela causa dos índios, foram os idealizadores do Parque do Xingu, bem como diversas outras reservas indígenas. Fizeram várias expedições, conheceram a cultura indígina de perto, atuaram na criação e organização da Funai. Foram apresentados ao Prêmio Nobel da Paz, com indicação do antropólogo francês Claude Levi-Strauss.


Augusto Ruschi
Foi autoridade mundial em beija-flores e orquídeas; foi um dos primeiros homens a denunciar os efeitos danosos do DDT (utilizado na agricultura) sobre a natureza; a enfrentar a ditadura militar e denunciar o início da derrubada da Floresta Amazônica; a prever a escassez de água no mundo; a prever o aquecimento global; a denunciar o efeito danoso da agricultura em larga escala, com fertilizantes e agrotóxicos. Atribui-se ao brasileiro (capixaba) a ideia original das reservas ecológicas como espaços de preservação de espécies.


Chico Mendes
Sindicalista e ecologista brasileiro, mártir da causa ambiental na Amazônia.


Herbert de Souza (o Betinho)
Sociólogo e ativista brasileiro dos direitos humanos. Foi indicado ao Nobel da Paz.


O Brasil também teve chances na Física, com César Lattes e com Mario Schenberg; na química com Otto Gottlieb, na medicina com Sérgio Henrique Ferreira...


E na literatura?
Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Jorge de Lima e tantos outros (indicados e não indicados) que não foram laureados pelo comitê.

Já é um absurdo que o Brasil, com escritores desse naipe, não tenha um Nobel sequer. Maior absurdo ainda é que na literatura de língua portuguesa haja apenas 1 ganhador: José Saramago (ele salvou a pátria, literalmente, mas a pátria aí é dos portugueses).


O prêmio Nobel da Paz (um capítulo à parte!) converteu-se em uma jogada política.

Dentre os vários brasileiros indicados, mas que nunca foram premiados, posso citar: Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Hélder Câmara e Zilda Arns.

Veja se não é implicância: o brasileiro tem que quase se rasgar para receber uma indicação, já o americano recebe um prêmio por respirar.

Barack Obama levou o Nobel sem fazer efetivamente nada além de realizar trocas gasosas com o meio ambiente. É claro que o fato de ele ser o primeiro presidente negro dos EUA é uma grande conquista democrática para um país de maioria branca. Pode até soar como ironia, afinal, a ideia de “democracia representativa” seria a de que o presidente representasse a maioria de seu povo, mas é bonito ver que a questão da pele não o impediu de chegar lá, mesmo em um país com histórico (recente) de racismo.

Por um lado, fiquei feliz por ele. Mas apesar da minha simpatia pelo presidente Obama, eu não concordo com a premiação. Sim, concordo que ele fez mais pela paz do que o seu antecessor, mas superar George W. Bush no quesito PAZ não pode ser considerada nenhuma façanha!

Para mim (e para muitos outros) aquele Nobel da Paz foi mais do que um “voto de confiança”, parecia uma jogatina política.

Lula, o nosso ex-presidente, teve boas chances de trazer o Nobel da Paz para o Brasil. Em 2008, a UNESCO lhe concedeu o Prêmio pela paz Félix Houphouët-Boigny. Este é considerado um “pré-Nobel”.

Em 2009 o presidente norte-americano, Barack Obama, disse publicamente: “Lula é o cara”. Sim, talvez aquele comentário não pareça grande coisa hoje em dia, mas até então, todo brasileiro (incluindo eu mesmo) achava que nunca ouviria um elogio de um presidente norte-americano dirigido ao um presidente latino-americano.

Ainda em 2009, Lula foi considerado o homem do ano pelo jornal francês Le Monde, e a personalidade do ano pelo jornal espanhol El País. Também foi eleito pelo jornal inglês Finantial Times a 14ª entre as 50 personalidades da década. Em Londres, Lula foi premiado pela organização britânica Chatham House, em reconhecimento por sua atuação nas relações internacionais e na condução da política econômica e social brasileira.

Em 2010, Lula recebeu a premiação inédita de Estadista Global no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça. No mesmo ano, a revista norte-americana Time o apontou como um dos líderes mais influentes do mundo. Lula também recebeu a Medalha de Ouro “Aliança Internacional Contra a Fome” do Fundo das Nações Unidas contra a Fome, sendo também eleito “Campeão Mundial na Luta contra a Fome e a Desnutrição Infantil” (ONU, 2010).

Contou quantas honrarias e menções? Ora, tudo levava a crer que o Nobel viria para o Brasil em 2011. Gostando do Lula ou não, ele lavaria a honra do nosso povo, sendo o primeiro brasileiro a receber o prêmio. Mas aquele ano foi recordista de indicações (até a internet concorreu), e quem levou foi o dissidente chinês Liu Xiaobo. Ele merecia? Sinceramente, não sei; mas é claro que o comitê do Nobel quis afrontar politicamente o governo chinês.



Conclusão

Seja na literatura, na física, na medicina, na química ou na paz, o Brasil mereceu, por várias vezes, receber a premiação, principalmente pelos seus cientistas, ativistas e escritores.

O que mais particularmente me entristece é o caso da literatura. Saramago merecia até dois, três, quatro prêmios... E a literatura de língua portuguesa (seja feita em Portugal, Brasil ou África) merecia muito mais do que apenas 1 Nobel.

O poeta Carlos Drummond de Andrade desencorajou a sua própria candidatura, por não acreditar em premiações. Outros (como o filósofo francês Jean-Paul Sartre) recusaram o prêmio. Talvez, na época, isso parecesse loucura, mas hoje fica evidente que o Prêmio Nobel não é muito diferente do Oscar.


Fontes:
Wikipedia
TutoMania

Para ler mais:

domingo, 31 de julho de 2011

A língua portuguesa se destaca no mundo

A língua portuguesa é a...

5ª mais falada no mundo como língua nativa;
3ª mais falada no hemisfério ocidental;
1ª mais falada no hemisfério sul;
5ª mais usada na internet.

Língua oficial de 8 países e falada em todos os continentes.

Está presente nas seguintes organizações internacionais:
União Africana;
União Europeia;
União de Nações Sul-Americanas (UNASUL);
Mercado Comum do Sul (Mercosul);
Organização dos Estados Americanos (OEA);
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP);
União latina.

Conhecida também como:

A língua do fado, do samba, da capoeira, da bossa nova...

A língua de Camões, Machado de Assis, Rui Barbosa, Fernando Pessoa, Monteiro Lobato, Amália Rodrigues, Jorge Amado, Chico Buarque, José Saramago, José Eduardo Agualusa...

A última flor do Lácio.

Dos poetas e músicos também,
De Castro Alves a Jorge Ben;
Em todos os sotaques, variantes e dialetos:
De Carmen Miranda a Clarice Lispector...
E em toda forma de uso,
De Vinícius de Moraes a Renato Russo...
E mídias que ousa:
De Dias Gomes a Mauricio de Sousa...


Fontes:




Museu da Língua Portuguesa:

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Citações sobre língua e literatura

“As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo”. 
(Ludwig Wittgenstein)

“A estrutura da língua que uma pessoa fala influencia a maneira como esta pessoa percebe o universo”.
(Lev Vygotsky)

“Uma palavra que não representa uma ideia é uma coisa morta, da mesma forma que uma ideia não incorporada em palavras não passa de uma sombra”.
(Lev Vygotsky)

“A linguagem é inseparável do homem, segue-o em todos os seus atos”.
(Louis Hjelmslev)

“A pessoa que não lê não tem vantagem sobre a pessoa que não sabe ler”.
(Mark Twain)

“A palavra distingue os homens e os animais; a linguagem distingue as nações entre si. Não se sabe de onde é um homem antes que ele tenha falado”.
(Jean-Jacques Rousseau)

“Minha pátria é a língua portuguesa”. 
(Fernando Pessoa)

“Manejar sabiamente uma língua é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória”.
(Charles Baudelaire)

“A palavra é o meu domínio sobre o mundo”.
(Clarice Lispector)

"A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade".
(Rui Barbosa)

"A literatura é um assunto sério para um país, pois é, afinal de contas, o seu rosto".
(Louis Aragon)

"O declínio da literatura indica o declínio de uma nação".
(Johann Wolfgang von Goethe)

“Um país se faz com homens e livros”.
(Monteiro Lobato)

"A literatura que continua empregando linguística e modos formais de expressão novos para traçar um panorama da sociedade como um todo enquanto ao mesmo tempo a expõe, rasgando as máscaras de sua face - para mim seria esta merecedora de um prêmio".
(Elfriede Jelinek)

"A literatura antecipa sempre a vida. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios".
(Oscar Wilde)

“O artista precede o psicanalista”.
(Jacques Lacan)

"A tarefa da literatura é ajudar o homem a compreender-se a si mesmo”.
(Máximo Gorky)