domingo, 19 de maio de 2019

HAVE A NICE SUNDAE!

Quando eu era criança, na 3ª série do ensino fundamental, na Escola Meu Espaço em Bairro República, mandaram um bilhete para os pais dizendo que os alunos teriam outra língua, ou seja, que a partir daí teríamos aulas de inglês. Eu morri de medo! Achei que fosse uma conspiração para mudar algo na anatomia de nossa boca. Logo, fiquei de recuperação em Inglês. Nas aulas de recuperação a professora me ensinou que domingo é SUNDAY. Ela disse assim: "Lembra que domingo é dia de tomar sorvete (sundae)". Daí em diante só tirava 9 e 10 em inglês.



segunda-feira, 22 de abril de 2019

Males da vida moderna

Sei que é ironia usar a internet para falar mal da internet, mas vamos aos fatos.

Historicamente, primeiro foi a TV sendo barateada, vendida e posta em cada cômodo da casa. Depois piorou com a popularização da internet. Agora piorou ainda mais com a popularização do celular com internet.

Consequências do celular hoje:

- Afastamento da vida familiar: pessoas distantes se tornam mais interessantes na vida virtual, o núcleo familiar, que já andava desgastado desde a popularização da TV, se torna hoje cada vez menos presente.

- Vida virtual X vida real: antigamente se falava em "15 minutos de fama". Hoje as pessoas querem chamar a atenção para si 24h por dia. Os valores não são mais postos por quem serve comida à mesa, mas por quem comenta e curte sua foto em redes sociais. 

- Condicionamento cerebral: a vida virtual condiciona o cérebro a não responder aos problemas da vida real, isolando o indivíduo, dando a ele uma fuga virtual e, portanto, falsa para o prazer (distração virtual). Consequentemente, a criança e o adolescente não aprendem a lidar com os problemas da vida real e os adultos desaprendem. 

- Conexão 24h: nem o celular nem a mente se desligam, gerando ansiedade e insônia. Também condiciona o cérebro a respostas imediatas, o que gera impaciência e mais ansiedade, consequentemente, mais casos de depressão para alguns ou surtos de violência para outros. 

- Excesso de notícias falsas.

- Excesso de informações: o usuário tem que filtrar muito, ele não dá conta de acompanhar tudo o que é publicado na internet. Logo, tudo é efêmero e desinteressante, mesmo quando há valor.

- Excesso de banalidade: informações interessantes e úteis se misturam a informações inúteis e banais. O tempo de vida virtual rouba muito tempo da vida real. A fofoca ou barraco do outro lado do mundo ocupa mais tempo do que a educação dos filhos. A banalidade se torna espetáculo. As piadas se tornam a ordem da vida, enquanto a seriedade e informação se tornam descartáveis.

- Queda nos níveis de leitura e letramento: mais pessoas estão lendo, porém, interpretando pior e escrevendo pior ainda.

- Indústria cultural em crise: sei que Adorno fez críticas pertinentes à indústria cultural, mas ele não viveu para ver a quase morte de alguns setores, como, por exemplo, a indústria fonográfica (indústria da música). Tanto a indústria quanto a vida dos consumidores de cultura está se tornando cada vez mais pobre.

- Ser vigiado por câmeras em todo lugar e a todo tempo.

- O celular hoje é poder na palma da mão. No caso de crianças e adolescentes, poder sem responsabilidade, sem luta, sem conquista, sem méritos. Poder que crianças e adolescentes ganham dos pais que querem apenas que as crianças se distraiam, fiquem quietas, enquanto os pais curtem suas vidas (reais e virtuais) se eximindo da responsabilidade de educar, criar e dizer não quando é preciso.



Solução: conter os avanços tecnológicos não é possível, nem é o caminho, pois dependemos disso. Mas as pessoas devem ser educadas a não depender tanto desses "avanços". Usar sim, mas com limitações e responsabilidade. Exemplo: não usar em sala de aula, a menos com fins pedagógicos e quando o professor autorizar. Evitar usar no trabalho, a menos quando fizer parte do trabalho. Evitar usar nas horas de lazer com a família ou amigos. Quanto mais vida ao ar livre, leituras de livros, programas familiares ou entre amigos, melhor. Quanto menos redes sociais e aplicativos de mensagens, melhor. Pessoas se tornam zumbis quando dependem desse tipo de vida. Viver mais o real e menos o virtual, essa é a conclusão.

domingo, 14 de abril de 2019

Ode to Frøya

Freyja,

Am I good enough
To Fólkvangr?
Please, godness of the braves,
Satisfy my hunger
Of kneeling before Thy Grace!

Valkyrian Lady,
Am I good enough
To touch the land of spotless
Kneeling before Thy necklace?

Please,
Majesty of the dead,
Let me be in Fólkvangr
Where the brave men quietly slumber.



sexta-feira, 12 de abril de 2019

À deusa da Sexta.


Ó, Afrodite-Vênus,
Ó, Afrodite-Vênus,
Diz-me se é por destino ou fado,
Ver um seio tão caprichoso
Um ventre tão arrumado,
Uma visão tão onírica
Em vigília, quase a meu lado!

Se é por sina ou acaso,
Sorte ou má fortuna,
A tão cobiçado corpo,
Nunca, jamais ter tocado.

Ó, musa do dia.
Na noite de sexta me chamas
Para em sonhos vê-la despida,
E de insônia queimar-me em chamas.

Ó, deusa na brisa do mar,
Eu cá na solidão do luar,
Entre brumas quiméricas te vejo,
Ninfa entre espumas, desejo
Em tua concha dormir e sonhar.



O penetra

O penetra foi esfomeado a uma festa,
Fresta, festa; fresta, festa,
Nos teus olhos quase cerrados.

Nos seus olhos quase cerrados,
O penetra se tornou convidado,
Lado a lado, lado a lado.

O penetra se sentiu tão inspirado
Que escreveu em tua janela:
 “Tu és Ela, tu és Ela”

De modo tão apaixonado,
Que o penetra se tornou poeta
De todos os caprichos Dela!

sexta-feira, 5 de abril de 2019

12 pensamentos geniais de Oscar Wilde


“Todos estamos deitados na sarjeta, só que alguns estão olhando para as estrelas.”

“Um sonhador é aquele que só ao luar descobre seu caminho e que, como punição, vê o dia amanhecer antes do resto do mundo.”

“Só existem duas regras para escrever: ter algo a dizer e dizê-lo.”

“Se somos tão inclinados a julgar os outros, é porque tememos por nós mesmos.”

“O mundo é um palco, mas seu elenco é um horror." (parodiando Shakespeare)

“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.”
(Isto ressoa como uma crítica ao 
"Cogito, ergo sum" de René Descartes)

“Afinal, o que é a moda? Do ponto de vista artístico, uma forma tão intolerável de horror que tem de ser mudada a cada seis meses.”

“Se a natureza tivesse sido confortável, o ser humano jamais teria inventado a arquitetura.”

“Qualquer um pode ter empatia com o sofrimento de um amigo. É simpatizar com o sucesso dele que exige uma natureza delicada.”

“Quando descobrirmos as leis que regem a vida, perceberemos que os homens de ação têm mais ilusões do que os sonhadores.”

“Dê uma máscara ao homem e ele dirá a verdade.”

“A arte nunca deve tentar ser popular. O público é que deve tentar ser artístico.”

Fonte: revista bula

domingo, 31 de março de 2019

Petite mort

Laissez ma bouche découvrir la mystique autour du votre Mont de Vénus.
Ma langue racontera vos histoires préférées sans mots.
Laissez-moi toucher votre âme dans la peau.
Et nous trouveron ici la "petite mort",
Où tout les pensées sont perdu.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Cuidado com a língua!


Cuidado com a língua nunca é demais!

Quando vejo um Mestre de uma universidade federal publicar um artigo cujo resumo começa assim: "O presente trabalho pretende apresentar [...]" Pr, pr, pr... Parece que estou ouvindo o coaxar do sapo cururu no campo da cacofonia. Como continuar lendo um artigo que começa assim? Onde está a criatividade ao iniciar um texto?

Outro exemplo: 

Um outro Mestre também de uma universidade federal usa a abreviatura Ms para se apresentar como Mestre. Façam uma visita ao site da Academia Brasileira de Letras e vejam qual é a abreviatura correta para Mestre/Mestra!

E são esses acadêmicos que, de longe, bem longe das salas de aula do ensino fundamental, criticam o "ensino tradicional da gramática normativa". Dizem que "há uma ideologia dominante por trás da escolha da variante culta da língua", e que os alunos devem ser "ensinados a pensar por eles mesmos, terem pensamentos críticos, serem questionadores".

Mas proponho duas questões:

1- Como esses acadêmicos aprenderam a escrever e publicar artigos? Resposta: na época em que eram alunos do ensino fundamental, foram obrigados a estudar a chata gramática tradicional e normativa imperialista dominante. E se não tivessem tido esse conteúdo no ensino fundamental, os textos desses Mestres seriam muito piores!


2- Se abandoarmos de vez o ensino da gramática tradicional no ensino fundamental e focarmos nossos esforços em ensinar o aluno a ser um questionador o que teríamos? Resposta: pessoas que não sabem ler e escrever corretamente (com coesão, coerência e conteúdo) e que não conseguem compreender e interpretar o que leem, mas que criticam, duvidam e questionam tudo (a sabedoria intrínseca em um texto filosófico ou literário, a autoridade dos pais, a autoridade de um professor, a hierarquia em uma sociedade, o motivo de ele estar na escola, a razão de ele ser obrigado a estudar conteúdos de que ele não gosta...). E isso infelizmente nós já temos, mas seria ainda pior! Seria uma anarquia! Seria o fim da civilização!

Antes de ser crítico e questionador, o aluno deve ser capaz de entender o que lê. E conhecer as normas básicas de comunicação em sociedade. Questionar sem entender não é ser crítico, é ser ignorante (etimologia do grego, significa sem conhecimento).


Obviamente, toda variante oral deve ser respeitada e o preconceito linguístico combatido. Mas o pensamento crítico só se torna realmente possível a partir de um letramento bem feito, um conhecimento linguístico apurado e um conhecimento de causa (a partir de muitas leituras comparativas, pesquisas científicas e experiências empíricas).

Não se deve ensinar o aluno do ensino fundamental a ser um crítico sem conteúdo, um questionador de tudo, ao contrário, ele deve ser ensinado a abraçar a oportunidade que lhe está sendo ofertada. A educação é o bem mais valioso de que ele pode dispor para ampliar seus horizontes. E se ficarmos apenas nessa de "valorizar o contexto social do aluno" ele não terá a chance de conhecer novos horizontes, novas oportunidades, outras realidades, mas ficará preso apenas a aquela realidade e contexto social que ele já conhece.

Deve-se ensinar o aluno a pensar, a refletir sobre um texto. Mas as reflexões devem ser orientadas e guiadas pelo professor baseando-se em valores humanos universais. O pensamento crítico individual só virá com a idade e a maturidade, mas após um longo percurso de letramento (com gramática tradicional, muita leitura, muita produção de texto, muita correção e revisão). Não na infância, não na adolescência, o pensamento crítico tem seu lugar na vida adulta, cidadã, totalmente responsável por seus atos. E, reitero, após um longo e árduo processo de  letramento (a educação não tem que ser lúdica todo o tempo, ela necessita de trabalho árduo e dedicação do estudante).

Como alguém pode ser crítico se ainda não responde criminalmente por seus atos? Como alguém pode ser crítico se ainda não é emancipado dos pais? Como alguém pode pode ser crítico numa fase biopsicológica em que o mais primordial é a aceitação e inserção em um grupo social, valorizando mais a opinião alheia do que a construção da própria individualidade? Como alguém pode ser crítico quando usa o celular o tempo todo na sala de aula com fones para ouvir música (celular que ganha dos pais e cuja conta é bancada pelos pais)? 

Esse último parágrafo levanta outras questões que vão além da sala de aula.

Um celular com câmera, gravador de voz e acesso à internet e com tudo de ruim que a internet pode oferecer, desde redes sociais até pornografia e violência, é muito poder e responsabilidade na mão de uma criança ou adolescente que ainda desconhece noções mínimas de responsabilidade. Obviamente o celular com jogos violentos e coloridos lhes parece mais atrativo do que a aula chata de gramática normativa, ou exercícios matemáticos ou textos de qualquer disciplina curricular, o que demandaria a eles concentração e trabalho árduo.


Outra questão a ser levantada é a infantilização de crianças e jovens em nossa sociedade. Há um fetiche brasileiro pela infância risonha e irresponsável. Essa corrente luta contra uma infância proveitosa, responsável, estudiosa e séria. No senso comum, a infância é uma época de alegrias e brincadeiras apenas, sem traumas, sem conflitos. Mas isso nunca foi verdade! A infância é a época mais marcante para traumas e sonhos, é a época mais biologicamente eficaz para estimular a criação de uma sociedade cidadã e responsável ou para se criar rebeldes que não se adequam à vida em conjunto. Porém, defender a ideia de que a criança deve ter tarefas, deve ser responsável e séria se tornou uma afronta para alguns "pais e teóricos da educação".

Esses pais e teóricos deveriam pensar o seguinte: "Se não fossem por aqueles pai e mãe presentes, se não fossem por aqueles professores rígidos, se não fossem todas aquelas cobranças, se não fosse o ensino tradicional de conteúdos curriculares, onde eu estaria agora?". Eles devem parar de levar seus traumas infantis para as reuniões de pais ou para seus artigos acadêmicos e pensar no bem que a rigidez, disciplina e cobrança fizeram a eles próprios. Não cobrar é o mesmo que abandonar o aluno ao próprio destino.

Reitero: o ensino pode até ser lúdico algumas vezes, mas jamais pode dispensar a rigidez, o trabalho árduo, a disciplina comportamental e a cobrança. Os conteúdos curriculares básicos e fundamentais nem sempre são atraentes, mas não são dispensáveis. A tabuada, a conjugação de verbos, a linha do tempo de fatos históricos, a memorização de mapas, entre outros, são conteúdos que os alunos devem ter na ponta da língua antes de se pensar em ensinar a eles o "pensamento crítico".

E o cuidado com a língua nunca é demais. Se isso não for levado a sério, daqui a pouco teremos professores de Língua Portuguesa escrevendo "intendi" (entendi), "fraze" (frase) etc; como já vi por aí.