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sexta-feira, 4 de junho de 2021

Revisão de conceito

Apresentarei aqui uma revisão de um conceito tradicional que julgo necessária e pertinente em seu campo de pesquisa. Como especialista e estudioso da linguagem, faz parte de minha alçada revisar palavras, termos, conceitos e definições [i.e: significantes e significados].

 

O termo geoide

 

A denominação de geoide para classificar o formato do planeta Terra não faz sentido em si mesma. “Geo” significa “Terra” em grego. Então, responder à questão “Qual é o formato da Terra?” com a resposta “Geoide” equivale a dizer que “O formato da Terra é o formato da Terra”, o que é uma falácia redundante e em nada ajuda a descrever o formato da Terra.

Segundo a definição da International Astronomical Union [IAU], um planeta é um corpo que orbita uma estrela, é grande o suficiente para que sua própria gravidade o deixe com forma redonda.

A Terra é um planeta. Logo, a forma da Terra é redonda, ou pensando em 3 dimensões, esférica.

Dizer que ela é esférica não é o mesmo que dizer que é uma esfera. Uma esfera é perfeita em proporções. Já “esférica” significa “forma esférica”, ou seja, lembrando uma esfera.

Portanto, a forma da Terra e de qualquer planeta é esférica. Ou ainda, podemos dizer que a Terra é esférica com achatamento nos polos. Esta me parece uma descrição mais precisa.

Concluo que o termo geoide, por sua total imprecisão já demonstrada, deveria ser esquecido e a palavra esférica fosse assumida como a que melhor caracteriza a forma da Terra e de qualquer planeta.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

E se a língua portuguesa desaparecesse?

Se a língua portuguesa desaparecesse do mundo, 
o professor de Língua Portuguesa seria obsoleto?


Obviamente, a língua portuguesa [hoje entre os 5 ou 8 idiomas mais falados do mundo como língua nativa] não vai desaparecer. Mas proponho um exercício de imaginação, um cenário ficcional, similar a algumas narrativas de ficção científica ou do conto fantástico, para ilustrar um fato importante. 

Poderia usar de uma alegoria para isso, como o fez Platão com a caverna, mas a maioria das pessoas hoje absorve pouco de leituras filosóficas e literárias. Aliás, o mundo carece de leitores. Então serei didático, direto, claro e sem criatividade.

É evidente que existem professores e Professores. Em toda área, campo de estudo e profissão existe essa divisão. Mas tomo aqui o termo Professor de Língua Portuguesa como um ideal, com base no currículo do curso de Letras que prepara esse profissional para atuar com relevância e competência. E felizmente, isso se aplica aos profissionais de hoje no mercado, em sua maioria.

Se a língua portuguesa desaparecesse do mundo, a exemplo do que a acontece no filme Yesterday [quando a existência dos Beatles é apagada da história] o professor de Língua Portuguesa seria obsoleto? A resposta é não. 

O Professor de Língua Portuguesa não é apenas um professor de língua portuguesa. Esse profissional, com a devida formação acadêmica, é um sujeito essencial na formação e desenvolvimento da sociedade como um todo.

Então, se a língua portuguesa desaparecesse do mundo, como por um passe de mágica, ainda sobraria muita coisa para o Profissional de Letras fazer. Em qualquer outro idioma, ele ainda seria a autoridade:

- Do entendimento científico da estrutura da linguagem, da formação do raciocínio e de sua expressão verbal e não verbal, oral e escrita;

- De todos os ramos da Linguística, desde registros históricos - importantes para o campo da tradução - até a compreensão atual e de perspectivas para o futuro dos idiomas e de seu entendimento;

- Da história da Literatura, das teorias literárias e de interpretação textual e, portanto, da compreensão dos aspectos explícitos e também simbólicos mais importantes da nossa sociedade.

 

Em resumo, sem esse profissional o mundo mal compreenderia a si mesmo. O conhecimento que ele traz ultrapassa os limites do idioma, são conhecimentos válidos para todas as sociedades.

Vai muito, MUITO além de saber escrever corretamente e de se fazer compreender. Diz respeito ao pensamento, sua forma e estrutura; a entender o passado da humanidade e analisar cada aspecto de uma matéria-prima chamada LINGUAGEM, da qual todo campo de estudo e área de trabalho dependem no presente e dependerão no futuro. Sempre!


Se você entendeu isso ou já sabia disso, você entendeu o óbvio, e está de parabéns por entender o que hoje em dia poucos entendem.

Se você ainda não entendeu, isso mostra o quanto você e outros como você precisam de um Profissional de Letras.

Desculpe-me se soei arrogante nessa última parte, não foi minha intenção. Mas do nosso ponto de vista, como Professores, a arrogância vem de uma parte da sociedade que não reconhece o valor e importância desse Professor que leva a criancinha ao mundo adulto; inserindo cada indivíduo no mundo das Letras, dos símbolos, da significação, da abstração, do raciocínio, do conhecimento, do entendimento de si próprio e do mundo que o cerca. Sem isso, as relações humanas se tornariam impossíveis, ou no melhor dos cenários, caótica. 

quinta-feira, 25 de março de 2021

Abracadabra – palavra mágica

Por que essa palavra é mágica? Por que ela é usada por mágicos? O que tem essa palavra de tão especial?

Na verdade, não só essa palavra, mas todas as palavras são especiais e “mágicas”. Ou seja, a linguagem verbal – o idioma – é algo mágico.

 

O que é magia/feitiço?

As palavras “feitiço”, “ficção”, “arte”, “técnica” e “poema” têm origem grega ou latina e, em resumo, todas elas significam “fabricar”; isto é, algo feito pelo homem, algo que não é encontrado na natureza ou algo que o homem faz para imitar a natureza [artificial - arte]. Exemplos vão desde fazer fogo com pedras ou gravetos até tocar um instrumento musical. Tudo o que os homens criaram e fazem é arte, técnica, fabricação, feitiço.

Então, o que era um feiticeiro? Alguém que dominava alguma técnica, seja ela desenhar em cavernas, cantar, esculpir etc.

No antigo Egito, a escrita era exercida por poucos. Essas pessoas eram consideradas sábias, feiticeiras, detentoras de uma arte oculta; isto é, de uma técnica dominada por poucos. Logo, a escrita era atribuída aos deuses e quem dominava essa arte era um místico, um mago, um sacerdote, alguém em contato direto com a divindade.

A expressão inglesa: “To put a spell” significa “Colocar um feitiço”, “lançar um encantamento”. Mas o vocábulo “spell” pode significar tanto “feitiço” como “palavra”, e também o verbo “soletrar”. Então, ao pé da letra, “To put a spell” é “colocar ou lançar uma palavra”.

Portanto, a palavra – a língua – é considerada algo “mágico” ou um “feitiço”. Mas é claro que quando falo em “magia” e “feitiço” não me refiro a algo sobrenatural. Eu me refiro ao significado original da palavra “feitiço”; ou seja, qualquer coisa feita pelo homem. A linguagem verbal e a escrita, por exemplo, são invenções humanas. Deste modo, todos os homens e mulheres são “feiticeiros”.

 

E voltando à pergunta original...

Por que nos truques de mágica a palavra usada é abracadabra?

 

Em resumo, porque a letra inicial e as consoantes dominantes de cada sílaba seguem a ordem alfabética: Abracadabra.

Mas a razão principal é o seu som, que começa e termina da mesma forma: Abracadabra.

Portanto, abracadabra é uma palavra simbolicamente “mágica” porque ela invoca o próprio conceito de palavra, de alfabeto; e também por causa de seu som peculiar: o início dela rima com o fim dela mesma. E o fato de a única vogal constante ser “A” também provoca um efeito sonoro. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Casos recorrentes de pronome-cópia

Leia a oração abaixo:

"O jovem do Ensino Médio, ele não pode ficar com 12 matérias [...]"
(O Globo, 22/09/2014)

Há algum tempo tenho reparado essa construção cada vez mais presente na fala e, às vezes, na escrita de alunos de todos os níveis de escolaridade e classe social.

Na construção "O jovem do Ensino Médio, ele não pode ficar com 12 matérias [...]" ocorre o que os estudos sociolinguísticos classificam como pronome-cópia. Nessa estrutura sintática, que é do tipo que mais tenho notado no dia a dia, o pronome-cópia [ele] repete o sujeito [O jovem do Ensino Médio] que está imediatamente anteposto a ele.

Na gramática normativa, as únicas construções aceitas seriam:
1- O jovem do Ensino Médio não pode ficar com 12 matérias [...] ou
2- Ele não pode ficar com 12 matérias [...].
3- Ele, o jovem do Ensino Médio, não pode ficar com 12 matérias [...].

O sujeito em cada uma das orações acima está em negrito. A explicação é que o sujeito simples só pode ter um núcleo [jovem na oração 1 e Ele na oração 2]. Na oração 3 o sujeito é Ele, enquanto "o jovem do Ensino Médio" é um aposto que explica o termo anterior. Note que o aposto aparece entre vírgulas.

Portanto, na gramática normativa, a cópia ou repetição do sujeito por um pronome seria uma redundância semântica e um desvio sintático. Sendo assim, construções do tipo "O jovem do Ensino Médio, ele não pode ficar com 12 matérias [...]" devem ser evitadas na fala e na escrita.

Todavia, uma explicação alternativa é que o pronome-cópia nesse tipo de construção enfatizaria o sujeito que está topicalizado. Isso pode ser notado na entonação que o falante dá ao pronome-cópia.

Esta postagem permanecerá, pelo menos por hora, inconclusiva. Mas o tema é muito pertinente aos estudos gramaticais, pragmáticos, semânticos, sociolinguísticos e estilísticos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Semiótica, Teoria Literária e arquétipos

Semiótica, Teoria Literária e arquétipos: ferramentas para a compreensão do texto.


A Semiótica (às vezes referida também como Semiologia) é a ciência que estuda todos os signos linguísticos: verbais, visuais, auditivos e múltiplos. Neste campo, alguns estudiosos de destaque são:

Charles Peirce (EUA) – filósofo, cientista, matemático e químico.
Roland Barthes (França) – filósofo e crítico literário;
Umberto Eco (Itália) – escritor, autor de “O nome da rosa” e crítico literário.

Alguns conceitos importantes da Semiótica:

Ícone - é uma representação que se assemelha ao objeto representado. Exemplo: uma fotografia se assemelha à pessoa retratada.

Índice - é uma representação que se relaciona ao objeto representado. Exemplo: uma pegada humana lembra-nos um ser humano (mas a pegada não se assemelha a ele).

Símbolo - é uma representação arbitrária feita em dado espaço-tempo. Possui um caráter cultural. Exemplos: uma letra para representar um fonema ou uma logomarca para representar uma empresa.


Metáforas e símbolos

A metáfora é a mãe de muita outras figuras de linguagem, também referidas como figuras de estilo ou de retórica ou de expressão.

Tanto a metáfora quanto o símbolo consistem em substituir uma coisa pela outra. A metáfora substitui uma palavra por outra, o símbolo substitui um conceito por uma imagem, por exemplo. Algumas vezes, metáforas e símbolos produzem o mesmo efeito, por isso a linguagem figurada por vezes é definida como uma linguagem simbólica.

Todos os textos (orais, escritos, visuais etc) são recheados de metáforas e símbolos. Não apenas os textos definidos hoje como literários (poemas, peças teatrais, narrativas ficcionais etc), mas qualquer forma de texto (conversas, diálogos, cartas, epístolas, notícia jornalística, propaganda, manifesto etc).


A alegoria

Uma palavra que define um conceito filosófico (abstrato) pode ser substituída por uma palavra imagética (visual) ou uma figura (concreta). Este é o caso da alegoria. 

Há infinitos exemplos de simbolização no dia a dia:

O dinheiro substitui a riqueza por um pedaço de papel ou metal;

A logomarca substitui/representa uma empresa ou produto;

A parábola substitui um enunciado moral por uma narrativa;

O exemplo substitui uma explicação geral (conceituação) por um caso particular.



A operação da linguagem

A linguagem (oral e escrita) pode ser compreendida tanto como uma operação alegórica quanto como uma operação simbólica. Ambas podem ocorrer simultaneamente ou serem didaticamente separadas:

Operação alegórica (do abstrato ao concreto) – o ato de substituir um pensamento ou sentimento (internos em um sujeito) por uma palavra que possa ser expressa a toda uma comunidade. Ou seja, o ato de transformar nossas percepções sensoriais (mundo psíquico) em palavras que as definam.

Operação simbólica (do concreto ao abstrato) – o ato de dar nome a objetos (do mundo exterior) rotulando-os com palavras é uma operação de abstração (simbolização do mundo exterior).

Estas operações possibilitam a existência da linguagem e definem o que muitos filósofos chamam de consciência.


Concretismo e poesia visual

O Concretismo e a Poesia Visual são conceitos literários do século XX e consistem em operar do abstrato ao concreto, ou seja, tomar a palavra (antes entendida como símbolo arbitrário) e aproximá-la do conceito de ícone, fazendo-a se assemelhar à imagem que ela representa.

Exemplo:
 O significante se assemelhando ao significado



                      


Metáfora, alegoria, símbolo e cultura

Da mesma forma que um sujeito para compreender a língua portuguesa deve estar inserido nessa cultura linguística, também para compreender um símbolo ele deve se inserir naquela cultura simbólica. A seguir alguns exemplos.

Na mitologia grega, o trabalho se Sísifo é uma alegoria que reflete a inutilidade de certas tarefas, convocando o homem a refletir sobre o seu trabalho. No mito, Sísifo passa a vida empurrando uma pedra morro acima, mas ela sempre rola abaixo quando atinge o topo.

Nas culturas orientais, a flor de lótus simboliza pureza espiritual, pois é uma flor que nasce em meio ao lodo.

As máscaras do teatro grego e da commedia dell’ arte italiana representavam estereótipos sociais, ou seja, tipos comuns de personalidade, facilmente reconhecíveis pelo público. No teatro moderno, porém, a máscara física foi substituída pela “máscara psicológica”.



Há que se destacar o trabalho do psicólogo Carl Gustav Jung na interpretação de fábulas, mitos e símbolos, bem como pelo conceito de "arquétipo" para entender as tais "máscaras psicológicas".

Alguns arquétipos conhecidos popularmente

Para C. G. Jung, os arquétipos são ideias primordiais no inconsciente coletivo. Essas ideias não possuem forma definida, mas são materializadas ou personificadas (alegoricamente) em símbolos visuais, narrativas, personagens etc. A simbolização ocorre de forma diferente em cada cultura, mas a ideia primordial (a essência) permanece a mesma já que essas ideias fazem parte de um inconsciente coletivo, logo, comum a toda a humanidade.

inúmeros arquétipos que representam a natureza humana. Como somos seres complexos, assumimos várias personalidades, cada uma em um contexto distinto. A seguir alguns exemplos que julgo recorrentes e importantes nos textos.

O pai castrador – é a qualidade controladora da nossa personalidade. É personificado em diversas culturas na figura de um pai ou um deus punitivo. Um exemplo é Odin na mitologia nórdica.

A mãe – é a qualidade amorosa da personalidade. Está ligada à fertilidade e nutrição. É personificada por Proserpina, deusa romana da fertilidade (Perséfone dos gregos); Gaia, a mãe-terra na mitologia grega; Ísis, na mitologia egípcia, Inanna, na mitologia suméria etc.

O pai amoroso – é a qualidade feminina no ser masculino, ou seja, o lado afetivo e criativo no homem, menos receoso de expor as emoções publicamente. Este é o traço de personalidade que Jung chamaria de anima. É personificado em diversas culturas na figura de um homem ou um deus, sempre bondoso, sensível e dado ao perdão. Pode ser pintado (representado iconicamente) como um homem de traços femininos.

A madrasta – é a qualidade masculina no ser feminino, ou seja, o lado violento, competitivo e vingativo na mulher. Este é o traço de personalidade que Jung chamaria de animus. É personificado por Hera (a vingativa esposa de Zeus) e as diversas madrastas dos contos infantis.

O velho sábio – diz respeito ao nosso conhecimento, ao nosso hábito de aconselhar e orientar. É personificado na figura de um mágico, mago, mestre, profeta, professor, guru etc. O mago Merlin é um exemplo, assim como Gandalf (em Senhor dos Anéis) e Dumbledore (em Harry Potter).

O velho conservador – é o lado conservador de nossa personalidade. Julga o presente de acordo com paradigmas passados. É mantenedor de tradições. Um exemplo seria o Velho do Restelo na obra “Os Lusíadas” de Camões.

O jovem rebelde – é o nosso lado revolucionário, inconformado, contestador que exige mudanças. Um exemplo é Bob da Família Dinossauro (seriado de TV).

O mensageiro – trata da nossa característica de levarmos recados que nem sempre são aguardados ou bem recebidos. Exemplos são: Hermes (na Grécia), Mercúrio (em Roma), Loki (na Escandinávia), Exu (orixá africano), Pombero (guarani).

O herói – ele é o nosso lado aventureiro. Na literatura ele é personificado em várias figuras que protagonizam as narrativas. Aquiles é um exemplo.

O rei prometido – é a nossa esperança de mudança de uma situação que não podemos mudar sozinhos. Um exemplo é o rei Arthur.

O duplo (ou alter ego)– é o lado obscuro da nossa personalidade, isto é, aquelas características que rejeitamos em nós mesmos por não conseguirmos conviver com elas. Nas narrativas aparece como o gêmeo mau, ou o irmão mau, sendo antagonistas do gêmeo bom ou do irmão bom. Exemplos podem ser vistos no conto “William Wilson” de Edgar Allan Poe e no famoso “Dr. Jekill and Mr. Hide” (R. L. Stevenson) que inspirou o Hulk dos quadrinhos.

O macho-alfa – é a vontade masculina de dominar ou se destacar em uma comunidade, indo muito além de apenas ser aceito. Um exemplo é o personagem Don Juan.

A fêmea-fatal – é a vontade feminina de se destacar em seu grupo social, indo muito além de apenas ser aceita. Exemplos são dos mais variados, desde Lilith até a mulher-gato das histórias em quadrinhos.

O andrógino ou hermafrodita – é uma identidade indefinida, esta assume características atribuídas aos dois sexos, porém causando estranhamento aos outros. Pode ser representada por um morcego (mamífero alado).

Édipo/ Electra – é o nosso sentimento ambíguo em relação aos nossos próprios progenitores; de um lado amor e admiração, de outro, ressentimento e rancor.


Também há inúmeros arquétipos que representam sentimentos e situações recorrentes na vida humana.

A terra prometida/o lar perdido – vontade de retorno à infância, nostalgia de nos sentirmos acolhidos como éramos na infância. Na música temos vários exemplos, desde o gospel “Swing low, sweet chariot, Coming for to carry me home” até "Mama, I'm Coming Home" de Ozzy Osbourne.

A vida – simbolizada como uma estrada ou um rio. Na música há vários exemplos: “Born To Be Wild”, “Highway Star”, “Infinita Highway” etc. Nos três exemplos citados, o eu poético tenta fazer da vida uma aventura, uma busca pela almejada liberdade.

A morte – simbolizada por um barco, um trem etc. Diversos são os exemplos de metáforas desse tipo: o mito de Caronte, o barqueiro do Hades; “O auto da barca do inferno”, peça de Gil Vicente; a música “Trem das sete” de Raul Seixas etc.

A palavra dura – aquele ensinamento que é importante para o crescimento espiritual de um indivíduo ou de uma comunidade, porém, inicialmente traz discórdia e não é imediatamente aceito. Pode ser simbolizada por uma espada.

A efemeridade (ou dialética da natureza)  – é a consciência de que tudo é fugaz, efêmero, passageiro. Uma fruta apodrecendo ou um dente-de-leão podem ser imagens representativas desse conceito.


Os animais também ocupam papéis simbólicos.

Memória – elefante. É personificado por Ganexa, deus da sabedoria no hinduísmo.
Fartura/potência sexual – o bode. Exemplos são Pã, os faunos e os sátiros.
Pureza/fartura – a vaca.
Fidelidade – o cão.
Astúcia/magia/curiosidade – o gato.
Poder/liberdade/visão – a águia.
Trabalho degradante – o burro.
Reprodução/multiplicação – coelho/preá.
Sociedade/comunidade – formigas/abelhas.
Sabedoria/mistério – coruja.


Para ler mais sobre o assunto, deixo links de outras postagens:

Narratologia (e a jornada do herói):


Alter egos:


A função do mito:

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Estilística e Estilo


Cada sujeito tem características que o torna único, seja na forma de se comunicar, comportar-se ou vestir-se. Popularmente, chamamos de estilo a esses aspectos singulares que transformam esse sujeito em um indivíduo destacado dos outros sujeitos sociais.

Porém, quando o assunto é a linguagem, adentramos no campo da Estilística, o ramo de estudos linguísticos que, como o próprio nome entrega, trata de entender o estilo de linguagem, suas peculiaridades, recursos e finalidade.

Dos ramos da Estilística podemos destacar a Estilística da Língua, que estuda a expressão diferenciada ou marcante na fala e escrita; e a Estilística Literária, que estuda os estilos de época, corrente literária, figuras de linguagem, autor e obra.

A Estilística verifica processos expressivos de natureza fonológica, morfológica, sintática e semântica que conferem singularidade ao texto. Assim, temos que considerar uma fonoestilística, que trata dos valores expressivos de natureza sonora; uma morfoestilística, que estuda a construção de palavras; uma estilística sintática, que analisa a construção de enunciados e uma estilística semântica, que examina os significados expressos nos enunciados.


Jales Amaral¹


A Estilística também pode analisar o estilo de um autor e de uma obra. Cada escrita contém marcas específicas que o autor imprime sem perceber, isto significa que a sua forma natural de se expressar pode conter traços que para ele talvez sejam imperceptíveis, mas que para o olhar aguçado de um especialista esses “traços” são claramente identificáveis como marcas de estilo. Há também aqueles autores geniais que conseguem imprimir propositalmente um estilo em um texto, calculando cada palavra para gerar aquela impressão específica no enunciado. Por exemplo, pode-se citar aqui o poeta Fernando Pessoa, seu ortônimo e heterônimos. Ao ler um de seus poemas, pode-se identificar qual de seus heterônimos o escreveu, sem que para isso necessite ver o nome do autor, mas baseando-se apenas no estilo de sua escrita.

A partir do estudo da Estilística o especialista pode chegar a várias respostas sobre questões literárias e linguísticas, o que auxiliam no aperfeiçoamento e enriquecimento dos estudos sobre língua e linguagens.


Érilly Maria Ferraz²

_________________________________________________________________________________

¹ e ² Estudantes de Letras Português-Inglês (faculdade Multivix, unidade Serra-ES).


Trechos de trabalhos apresentados à disciplina de Estilística, 2015/2.
Orientação e revisão: prof. Renan.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

21 de maio, dia do profissional de Letras

Transmitir conteúdos, inspirar alunos, incentivar a leitura, traduzir, estudar cientificamente os usos reais da língua no cotidiano, conservar e difundir o patrimônio literário e a identidade nacional, analisar criticamente todos os textos; lidar com a oralidade, a escrita e todos os signos linguísticos - semiótica, artes, retórica, história da língua... Tudo isso e muito mais!

Parabéns aos estudantes e pesquisadores!

Parabéns ao professor que é um eterno estudante e pesquisador!

Parabéns aos tradutores, revisores, linguístas e autores literários!


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Por que cursar Letras?



LETRAS – Definitivamente é um curso que eu recomendo e que eu até faria de novo. Por que de novo? Porque a reflexão sobre assuntos como língua, discurso, texto e literatura não tem fim. Cada professor tem algo a contribuir com sua visão especializada, isso torna o estudo sempre inovador e cativante. 

O curso permite, além de um aprofundamento no campo da língua e do texto, também uma comunicação com disciplinas diversas, sendo assim essencialmente multidisciplinar. 

Estando na área de Humanas, há disciplinas básicas como: Filosofia, Psicologia e Sociologia. Mas a graduação em Letras especificamente terá disciplinas como “Leitura e Produção Textual” e Latim. E quando for uma Licenciatura, ainda haverá disciplinas como Didática e Prática do Ensino.  

Contudo, o mais importante do curso são estas três disciplinas: Gramática, Literatura e Linguística. Aí está a essência do curso! Elas são as três colunas que sustentam a graduação em Letras, por isso, passo agora a descrever um pouquinho de cada uma.


Gramática
Pode ser dividida em descritiva e normativa. Por uma conveniência (e convicção pessoal), vou incluir aqui as noções de fonética, fonologia e fonomorfologia, pois considero-as como básicas para o início do curso. Sendo assim, a Gramática estudaria: fone, palavra, frase, oração e período composto. Neste caso, o estudo dividir-se-ia em:
1-     Fonética, Fonologia e Fonomorfologia;
2-     Morfologia (nominal e verbal);
3-     Sintaxe (frase, oração e período composto).


Linguística
Ciência que estuda a língua em todos os seus aspectos teóricos e práticos, fornecendo uma visão crítica sobre gramática e língua. A Linguística não está preocupada em determinar o que é “erro”, mas sim, conhecer as razões (e intenções) por trás de uma mensagem. O estudo divide-se em disciplinas como:
- Semântica
- Linguística Textual
- Linguística Aplicada
- Linguística Histórica (Filologia)
- Estilística
- Análise do Discurso
- Pragmática
- Sociolinguística
Eu também incluiria aqui a Semiótica/Semiologia.
  

Literatura
 Se a Linguística é o cérebro do curso de Letras, a Literatura é o coração e a alma!
(Eu diria que a Gramática é o esqueleto).
 Na disciplina de Teoria Literária o estudante tem contato com a retórica, a dialética, as artes (técnicas) de produção textual em diversos gêneros e formatos, além de estudar as teorias que fundamentam a crítica literária, ou seja, as questões teóricas sobre análise de texto. E na disciplina de Literatura, ele fará um passeio pela História da Literatura, aprendendo a reconhecer características singulares de textos de autores consagrados e movimentos artísticos relevantes (alguns revolucionários) e determinantes para a história da humanidade, além de ler, entender e analisar textos criticamente.
 Eu poderia enumerar assim os benefícios dos estudos literários:

 - Conhecer histórias, culturas, tradições, correntes, doutrinas, teorias e escolas de pensamento filosófico e artístico.
 - Expandir e desenvolver o pensamento, a fala, a escrita e o entendimento de mundo;
 - Identificar gêneros textuais, tradições, símbolos, ritos, alegorias e tabus que permearam e permeiam o imaginário humano;
 - Desenvolver a criatividade e o pensamento crítico sobre a linguagem, o mundo e sobre si mesmo;
 - Melhorar consideravelmente os conhecimentos sobre língua e linguagens, melhorando assim a estrutura de seu pensamento e de sua expressão oral e escrita.
  

O que ser e onde trabalhar quando se formar em Letras?
 - Professor e pesquisador (empresas públicas, privadas e autônomo);
- Revisor de texto (empresas públicas, privadas e autônomo);
- Palestrante/ orador/ coordenador de cursos de oratória, comunicação empresarial e treinamentos em empresas;
- Assessor ou consultor em empresas ou departamentos de comunicação e marketing (jornalismo, publicidade, relações públicas, comunicação integrada etc).
- Redator (revista impressa, blog, sites de internet etc);
- Colunista (jornal);
- Autor de material didático (gramática, dicionário, apostila etc);
- Escritor literário (romancista, contista, cronista, poeta);
- Dramaturgo (teatro), autor de telenovelas (TV); roteirista (cinema);
- Curador de arte, crítico literário, crítico de cinema, filólogo.

Se for uma graduação em Letras-Inglês ou Letras-Espanhol o curso ainda possibilita ser:
- Professor de língua estrangeira;
- Tradutor/intérprete (em empresas de informática, internet, comércio internacional, engenharia, editoras etc).

Sempre é possível ganhar muito dinheiro como autônomo (professor particular, revisor de monografias, tradutor etc). A graduação em Letras-Português fornece também uma boa base para provas de concurso público. E no campo da Educação há muita oferta de trabalho (e haverá cada vez mais).

Toda forma de conhecimento, pensamento, comunicação e expressão passa pela língua e pela linguagem. Portanto, o campo é vasto, as possibilidades infinitas e o mercado de trabalho está sempre carente desse profissional. Há tantas formas diferentes de se comunicar algo e, para cada uma delas, tantas consequências... Por isso nunca é demais ter cuidado com a língua!

LETRAS é um curso enriquecedor e apaixonante. E o que se aprende é para ser levado por toda a vida! Este blog não existiria se isso tudo não fosse verdade.



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O ato de escrever


“O ato de escrever, antes de tudo é legítimo ato de auto-afirmação.... É rasgar os traços de dependência social e mental. Certamente é um ato de coragem, pois aquelas primeiras palavras parecem nossas; mas as segundas e as seguintes o serão muito mais”. (BERNARDO, p. 38).  

O ato de fazer rascunho, rasgar e refazer é uma tentativa de se libertar da nossa personalidade mais superficial, das ideologias mais cristalizadas em nossa mente, para dar asas a um novo pensamento. 

O processo dialético (escrever, apagar e reescrever) nos conduz à idéia de exposição sincera de nós mesmos. Por isso é um ato de coragem. E a coragem implica no enfrentamento de nossos medos, fobias e tudo aquilo que nos causa aversão. Esta lição serve para o ato de escrever, mas também para toda a vida.

Citação:
BERNARDO, Gustavo. Redação Inquieta. Belo Horizonte: Formato Editorial, 2000.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Linguagem poética, comunicação e magia

Atente para este fato: a linguagem literária cria metáforas e outras figuras de pensamento que determinam novas maneiras de ver e perceber o mundo a nossa volta. Ora, não posso imaginar uma linguagem mais técnica e ao mesmo tempo mais emotiva do que essa, em especial, a poesia.

A linguagem poética parece ser, dentre as formas de expressão verbal, a que mais exige da nossa capacidade de interpretação. Talvez seja o mais alto grau de técnica aliada a sentimento. Até o pensamento mais subjetivo pode ser entendido quando expressado poeticamente. Até o sentimento mais incomunicável pode se tornar em verbo no fazer poético.

A subjetividade poética extrapola a suposta objetividade da filosofia e da ciência. Isso porque a linguagem objetiva não dá conta de exprimir toda a paixão humana, todo o desejo, todo o medo, toda a raiva, toda a tristeza e toda a alegria. A linguagem poética é o dom que torna a comunicação de sentimentos possível.

Não se pode falar em comunicação sem falar em poesia. Hoje chega a ser difícil dizer quem veio primeiro: o sentimento humano ou a poesia. Será que seríamos capazes de sentir emoções complexas sem uma linguagem poética que desse conta de traduzir isso para o pensamento? Certamente não seríamos capazes de expressar algo assim sem a “Pena” ou a “Lira”. Estas já habitavam o coração, a alma e o cérebro dos nossos antepassados mesmo antes de terem sido inventadas concretamente. Sem essas ferramentas interiores, eles não teriam inventado nada, sequer uma língua!

A palavra só ganha significado quando é referente a um pensamento e a um sentimento. Porém, o pensamento abstrato só pode ser visível para a imaginação depois de se transformar em um neologismo ou em uma alegoria. O sentimento, antes incomunicável, se transforma em metáfora e esta se torna uma visão de mundo. Este é o berço da realidade como a percebemos.

Contudo, além da linguagem, há algo de mágico que acontece em toda tentativa de comunicação. Não é possível haver entendimento entre duas pessoas, ou compreensão do texto pelo leitor, se não houver uma conexão mágica entre as duas pontas do processo de comunicação. E esta conexão vai além de qualquer linguagem, mensagem e canal. Mesmo a poesia mais bem trabalhada não pode ser entendida por alguém que não se conecte ao fio mágico que passa por trás da linguagem. Um exemplo: este texto é um monte de afirmações inúteis e não passa de baboseiras para aqueles que não são apaixonados por poesia. Eles não entenderão a minha tentativa de comunicação (e a comunicação é sempre uma tentativa).

Acho que a magia a que me refiro pode ser definida por substantivos como amor e empatia e verbos como cativar. Logo, tais sentimentos deviam existir antes de haver uma linguagem poética, mas, paradoxalmente, não existiam.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Aberrações da mídia opinando sobre Educação e Língua Portuguesa

Assista ao vídeo com muita atenção:





 Após assistir ao vídeo, observe estes detalhes.

1 - O livro didático aprovado pelo MEC (do qual eles falam na matéria jornalística) ensina a gramática tradicional, normativa, com todas as regras e exceções que estudamos no segundo grau. Apenas em um pequeno trecho de um capítulo, o livro menciona a variação linguística. Mas os jornalistas falam do livro como se ele ensinasse a "língua errada" em todos os capítulos.


2 - Os argumentos do jornalista Alexandre Garcia manipulam a realidade dos fatos.

Fato: as aprovações "automáticas" em escolas públicas não acontecem para "evitar o constrangimento do aluno". A verdade é que o número de vagas é limitado. Todos os anos é preciso criar vagas para novos alunos. Como as escolas não têm vagas, elas aprovam todos os que lá estudam, logo, alguns deles subirão de série e outros se formarão e sairão da escola. Assim são criadas as vagas para os novos estudantes que chegarão. Este é o real problema, mas Alexandre Garcia não enxerga isso, e pior, ele culpa a qualidade de ensino.

Os exemplos citados por Alexandre Garcia (Coreia do Sul e China) realmente ilustram uma alta qualidade de educação. Porém, falar em variação linguística na escola não diminui em nada a qualidade da educação, pelo contrário. O jornalista é tão leigo no assunto, que desconhece o fato de que a variação linguística já é estudada em todo o mundo há décadas. Isso começou nos EUA, na década de 1960. Não duvide que a variação linguística também é estudada na Coreia, China, Japão, Reino Unido, Noruega etc.

O jornalista desconhece o significado do termo "preconceito linguístico", mas fala como se conhecesse. Alexandre ignora que a linguagem usada por ele não é o "padrão" que ele mesmo defende. Ele condena tanto o "erro" e não nota os próprios "erros" que costuma cometer em vários de seus comentários.


3 - O "especialista" convidado para a entrevista, o professor Sérgio Nogueira, não é especialista em Linguística. Pelo contrário, ele é um professor tradicionalista e muito conhecido entre os acadêmicos por combater a Linguística Moderna. Como professor, ele deveria se atualizar das pesquisas recentes e valorizar a opinião de acadêmicos (pesquisadores e cientistas da língua) ao invés de ignorá-los e até criticá-los.

Nogueira começa dizendo que Alexandre Garcia “foi brilhante em sua fala” e depois até manda um “abraço para ele”.

Contudo, mesmo sendo tradicionalista, às vezes, Nogueira tem algumas opiniões positivas sobre a variação linguística (ou seja, ele não é tão radical). Mas repare que quando ele começa a defender a variação linguística dizendo "as variações linguísticas são valorizadas, até aí tudo bem" e "ensinar os alunos a não serem preconceituosos é função de todo professor" a jornalista o interrompe. Ou seja, a fala do "especialista convidado" já não atende aos interesses, já não serve para o jornal.


4- A jornalista ao interromper o professor diz "gostaríamos de mostrar às pessoas que estão em casa o que está nesse livro aprovado pelo MEC". Isto é uma tentativa de persuadir (emocionalmente) a opinião do telespectador, fazendo-o concordar com a opinião do jornal, ou seja, a opinião de que o livro ensina “português errado e isto é um absurdo”.

Quem conhece o livro nota imediatamente que o exemplo mostrado no jornal está totalmente fora de contexto. Eles suprimiram várias partes importantes, fazendo o telespectador crer que o livro é aquilo mesmo. Note que o livro real NÃO é mostrado, o que é mostrado é uma imagem manipulada, feita em computador.

O professor cita de forma elogiosa o Soletrando (quadro do programa de Luciano Huck, na Rede Globo). No final o professor também elogia a linguagem da Rede Globo classificando-a como "linguagem padrão". Fazendo isso, ele supervaloriza a linguagem do Sudeste (especialmente RJ e SP) e desqualifica todas as outras linguagens do Brasil.

Ora, um professor que elogia tanto assim a Rede Globo, obviamente seria o convidado perfeito. Ele não foi convidado para estar ali por acaso. Sérgio Nogueira é consultor da emissora carioca. Ou seja, ele é pago pela Rede Globo, logo, seu ponto de vista não é nada imparcial.

Um doutor em Linguística (que recebe seu salário de uma Universidade Federal) nunca estaria naquela cadeira como convidado. Este sim, poderia emitir uma opinião bem embasada e imparcial, sem comprometimento com a emissora.

Especialistas de verdade são os acadêmicos (pesquisadores e cientistas) e não consultores de jornais.


Abaixo, envio links para textos de Marcos Bagno (Doutor em Filologia e Língua Portuguesa, Linguísta, tradutor, escritor e professor da Universidade de Brasília).

Besteirol midiático:
http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=926


Carta para a revista Veja:
http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=39


Nada na língua é por acaso:

http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=37



domingo, 15 de abril de 2012

O que é consciência e o que é realidade?


A consciência na filosofia ocidental

A Fenomenologia de Edmund Husserl (1859 – 1938):
O matemático alemão dizia que a consciência dá sentido às coisas, mas ela não revela a realidade das coisas, ela apenas funciona como um sistema de significações que dependem da estrutura da própria consciência.

Para Husserl, a intenção do observador (ou a intencionalidade) define a forma de atuação dos processos mentais, logo, tornando a percepção sempre subjetiva.

Na Grécia Antiga...
 O filósofo Platão (428 – 347 a.C.), em sua alegoria da caverna, mostra que toda humanidade vive num mundo de aparências e que esta humanidade não contempla o mundo real, mas apenas “as sombras” deste mundo.


A consciência no pensamento oriental

O pensador chinês Wang Yangming (1472 – 1529) ensinava que os objetos não existem inteiramente separados da mente porque é a mente que os dá forma. A mente dá razão ao mundo.

O taoísta Chuang Tzu (séc. IV a.C.) certa vez sonhou que era uma borboleta. Depois ele se perguntou: sou um homem que sonhou ser borboleta, ou sou uma borboleta que agora sonha ser um homem?



Resumindo...

A consciência é formada por: nossa condição biológica humana, nosso estado psíquico (nossos desejos, nossos medos), nossa angústia existencial, nosso histórico de vida (experiências e traumas), nossa criação familiar, os dogmas e tabus sociais e religiosos, a cultura, a linguagem e a ideologia (a superestrutura).

Por isso, nós não conhecemos a realidade em si, mas a realidade tal como aparece para nós, estruturada e organizada pela nossa consciência.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Citações sobre língua e literatura

“As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo”. 
(Ludwig Wittgenstein)

“A estrutura da língua que uma pessoa fala influencia a maneira como esta pessoa percebe o universo”.
(Lev Vygotsky)

“Uma palavra que não representa uma ideia é uma coisa morta, da mesma forma que uma ideia não incorporada em palavras não passa de uma sombra”.
(Lev Vygotsky)

“A linguagem é inseparável do homem, segue-o em todos os seus atos”.
(Louis Hjelmslev)

“A pessoa que não lê não tem vantagem sobre a pessoa que não sabe ler”.
(Mark Twain)

“A palavra distingue os homens e os animais; a linguagem distingue as nações entre si. Não se sabe de onde é um homem antes que ele tenha falado”.
(Jean-Jacques Rousseau)

“Minha pátria é a língua portuguesa”. 
(Fernando Pessoa)

“Manejar sabiamente uma língua é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória”.
(Charles Baudelaire)

“A palavra é o meu domínio sobre o mundo”.
(Clarice Lispector)

"A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade".
(Rui Barbosa)

"A literatura é um assunto sério para um país, pois é, afinal de contas, o seu rosto".
(Louis Aragon)

"O declínio da literatura indica o declínio de uma nação".
(Johann Wolfgang von Goethe)

“Um país se faz com homens e livros”.
(Monteiro Lobato)

"A literatura que continua empregando linguística e modos formais de expressão novos para traçar um panorama da sociedade como um todo enquanto ao mesmo tempo a expõe, rasgando as máscaras de sua face - para mim seria esta merecedora de um prêmio".
(Elfriede Jelinek)

"A literatura antecipa sempre a vida. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios".
(Oscar Wilde)

“O artista precede o psicanalista”.
(Jacques Lacan)

"A tarefa da literatura é ajudar o homem a compreender-se a si mesmo”.
(Máximo Gorky)