quinta-feira, 10 de abril de 2025

Pompeia e o vulcão

Pompeia é uma cidade perto de Nápoles. 

A cidade antiga de Pompeia foi soterrada pelas cinzas do vulcão Vesúvio em 79 d.C.

No séc. XVIII, Pompeia foi redescoberta por acaso e começaram as escavações, revelando uma cidade muito bem preservada. Hoje ela é um sítio arqueológico e ponto turístico dos mais importantes para o estudo da antiga sociedade romana.



Regiões da Itália












Lácio (amarelo), Campânia (azul), Basilicata (violeta)















No mapa, de cima para baixo, os círculos em destaque são Roma, Nápoles, Pompeia, Potenza.


Roma fica no Lácio, região central da Itália.

Nápoles e Pompeia ficam na Campânia, região ao sul do Lácio. 

Potenza fica na Basilicata, região ao sul da península itálica.


Potenza é o local de nascimento do poeta Horácio, autor da expressão Carpe Diem. Confira mais detalhes no link abaixo:

https://interludico.blogspot.com/2023/12/horacio-poeta-do-carpe-diem.html



As escavações em Pompeia revelaram muitas pinturas, esculturas, casas aristocráticas, tabernas, praças,  templos, teatros e uma arena (anfiteatro) de gladiadores...

Praça da antiga Pompeia com o vulcão Vesúvio ao fundo.














Afresco


Museu dentro do sítio arqueológico.


Uma das muitas casas redescobertas.
























Utensílios da época













Ruínas de um templo.














Teatro





O Lupanar era a casa de prostituição da época. Esta é uma pintura gravada sobre a porta de um dos quartos da casa.



Os corpos são muitos e são de pessoas de verdade. Os arqueólogos colocaram gesso nas cavidades onde os encontraram para assim preservar a posição como foram achados.
























Pink Floyd ao vivo no anfiteatro da antiga Pompeia:






O melhor vídeo sobre Pompeia. Um passeio pelas principais curiosidades da cidade, incluindo o Lupanar, várias casas, teatro, anfiteatro... Assistam:



sábado, 25 de janeiro de 2025

Dicas de músicas

Instrumental

As Quatro Estações (Vivaldi) - obra completa: Primavera, Verão, Outono, Inverno.

Passacaglia (Händel) ao piano

Eine Kleine Nachtmusik (Mozart)

Für Elise (Beethoven) ao piano

Sonata ao Luar [Moonlight Sonata] (Beethoven) ao piano

A Cavalgada das Valquírias [The Ride of Valkyries] (Wagner)

Sonata in Darkness (Michael Giacchino) ao piano - trilha de Batman (2023)


Coral

O Fortuna (Carl Orff) da obra Carmina Burana

Because (The Beatles)


Canto lírico [trechos de óperas]

Vesti la Giubba (Ruggero Leoncavallo) - da opera Pagliacci

Flower Duet (Delibes) - da ópera Lakmé


Vozes incríveis:

Try Just a Little Bit Harder (Janis Joplin)

Piece of my Heart (Janis Joplin)

I Put a Spell on You (Creedence Clearwater Revival)

Oh Darling (The Beatles)

Who's Loving You (Jackson 5)

Miss Misery (Narareth)

Back in Black (AC/DC)

We Will Rock You (Queen)

Take on Me (A-ha)

Girls Just Want to Have Fun (Cindy Lauper)

She's a Mistery to Me (Roy Orbison)

Welcome to the Jungle (Guns n' Roses)

Beyond the Wheel (Soundgarden)

I Will Always Love You (Whitney Houston)

Come as You Are (Nirvana) - Unplugged

Never Loved a Girl (Aerosmith)


Michael Jackson criança, na banda Jackson 5, cantando como adulto:


Em dezembro de 1969 o grupo Jackson 5 liderado pelo pequeno Michael se apresentou no show do Ed Sullivan, o mesmo programa de TV que revelou Os Beatles para o mundo.


Rock das décadas de 1950 e 60

Great Balls of Fire (Jerry Lee Lewis) - 1957

Twist and Shout (The Beatles) - 1963

Oh! Pretty Woman (Roy Orbison) - 1964

She Loves You (The Beatles) - 1964

I Can't Get No Satisfaction (The Rolling Stones) - 1965

Day Tripper (The Beatles) - 1965

Hey Jude (The Beatles) - 1968

Proud Mary (Creedence Clearwater Revival) - 1969

Come Together (The Beatles) - 1969

Here Comes the Sun (The Beatles) - 1969


Rock e pop das décadas de 70, 80 e 90

Cry Baby (Janis Joplin) - Gravado em 1970 e lançado postumamente.

Sultans of Swing (Dire Straits) - 1978

Another Brick in the Wall [part II] (Pink Floyd)- 1979

Still Loving You (Scorpions) - 1984

Sweet Child o' Mine (Guns n' Roses) - 1987

Listen to Your Heart (Roxette) - 1988

Oh Father (Madonna) - 1989

The Unforgiven (Metallica) - 1991

Nirvana Unplugged in New York (Nirvana) - 1994 - álbum completo


Artistas de várias partes do mundo

Portugal: Dulce Pontes

Cuba: Buena Vista Social Club (super grupo)

Estados Unidos: James Brown

Índia: Ravi Shankar (instrumental indiano)

Egito: Amr Diab

Líbano: Marcel Khalife

Mali: Tinariwen (banda de desert blues)

Itália: Laura Pausini

Alemanha: Die Toten Hosen (banda de hard rock)

Flamenco/cigano: Gipsy Kings (banda)


Fusão de estilos

Norwegian Wood (The Beatles) - 1965 = folk + música indiana

Paint it Black (The Rolling Stones) - 1966 = rock + música indiana

Eleanor Rigby (The Beatles) - 1966 = clássico + art rock

Light my Fire (The Doors) - 1967 = rock + jazz

The End (The Doors) - 1967 = art rock + música indiana

Bohemian Rapsody (Queen) - 1975 = rock + ópera

Kashmir (Jimmy Page and Robert Plant) - 1994 = art rock + música egípcia


Artistas brasileiros

Tim Maia

Marisa Monte

Chico Buarque


Obviamente muitas músicas e artistas ficaram de fora, senão a postagem ficaria quase infinita! Não significa que a lista acaba aí. Mas acho que é um ótimo começo. 

A música enriquece a mente! 

E saber ouvir, com a mente aberta e empatia, é uma indispensável virtude!

Os Beatles em Abbey Road (Londres, 1969)


sábado, 21 de dezembro de 2024

Antigo Egito

Tawy [em egípcio antigo], Aegypt [na raiz greco-latina], Mirs [em árabe atual]. O nome antigo do Egito [Tawy] significa "duas terras", ou seja, o Alto Egito [ao sul] e o Baixo Egito [ao norte, até o mediterrâneo]. O faraó usava uma coroa dupla simbolizando a unificação das duas terras.

A antiga palavra "Kemet" significa "terra negra" e referia-se à terra fértil nas margens do rio Nilo, em oposição à "Deshret", que significa "terras vermelhas/desérticas".

De todas as civilizações antigas [fenícios, persas, gregos, romanos etc] os egípcios são para mim os mais fascinantes. Obviamente a cultura greco-romana é de longe a mais influente em termos históricos. 

Todavia, as pirâmides do Egito são os monumentos mais impressionantes que qualquer civilização já construiu. 

Além disso, os hieróglifos, desenhos, esculturas, templos, estátuas gigantes e a Grande Esfinge de Gizé são objetos lindíssimos e sem precedentes em todas as culturas ao redor do mundo.



 









O antigo Egito em sua máxima extensão [no período do Império Novo].

Domínio sobre Biblos, Sidom e Tiro [cidades fenícias] e o Reino Cuxe ao sul






















A controvérsia da “raça egípcia”

Aplicar noções atuais de "raça" branca ou negra ao Antigo Egito é anacrônico. A história do Antigo Egito é milenar. Vários povos passaram e habitaram aquela região: assírios, fenícios [hoje sírio-libaneses], palestinos, núbios, hebreus, persas, gregos, romanos, árabes etc.

Porém, em 2017, um estudo genético foi conduzido com amostras de 151 múmias do norte do Egito, que estavam enterradas no Cairo, que constituiu o primeiro dado confiável obtido dos antigos egípcios usando métodos de sequenciamento de DNA de alto rendimento. O estudo mostrou que os antigos egípcios têm grande afinidade com povos modernos do Oriente Médio. Ainda assim, essa amostra representa uma fatia pequena daquela população e a maioria dos acadêmicos rejeita a ideia de que o Antigo Egito era composto de um povo homogêneo. A cor da pele variava por região [Alto Egito, Baixo Egito e Núbia] e em eras diferentes cada um desses povos subiu ao poder.


A gravura do Livro dos Portões, encontrada em túmulos do Novo Reinado, mostra as etnias conhecidas pelos egípcios até então:

Da esquerda para a direita: Líbio, núbio, semita, egípcio.












Linguisticamente, o egípcio antigo é um idioma quase isolado, tendo algumas similaridades com línguas semíticas [Oriente Médio] e línguas berberes [norte da África ocidental].


Raotepe e sua esposa Noferte (Museu do Cairo)
Raotepe era irmão do faraó Quéops, ambos filhos de Seneferu.






O Reino Cuxita (Kush ou Cuxe) localizava-se na Núbia, atual Sudão [ao sul do Egito]. Era muito rico em ouro. Na história do povo cuxita houve períodos de guerra contra o Egito, mas também convivência, e um período de dominação do Egito, que durou pouco mais de 1 século. Este período é conhecido como a era dos faraós negros. 


Periodização [meus destaques pessoais]

Império Antigo (2686 a 2181 a.C.) - capital: Memphis; necrópoles: Saqqara e Giza (Gizé).

Império Médio (2050 a 1710 a.C.) - capital: Tebas

Império Novo (1539 a 525 a. C.) - inclui o reinado de Ramsés II; necrópoles: Vale dos Reis e V. das Rainhas

Domínio persa (curto período, antes da conquista macedônica)

Período Ptolomaico ou Helenismo (332 a 30 a.C.) - capital: Alexandria.

Período Romano: a partir de 30 a.C.

Cristianização do mundo romano: a partir de 337 - destruição da biblioteca de Alexandria. 

Parte do Império Bizantino: a partir de 395

Expansão islâmica [árabes]: 632-661

Egito Otomano: 1517-1867 e invasão napoleônica (1798)

Colônia britânica

Independência do Egito (1922) e fundação da república (1953)


Cronologia de faraós [meus destaques pessoais]

Djoser - construção da primeira pirâmide do Egito [2.648 a.C.], em Sakkara, pelo arquiteto Imotep.

Seneferu - construção da pirâmide curvada e da pirâmide vermelha, em Dashur. Era pai de Quéops.

Quéops [2.589 - 2.566 a.C] - construção da primeira pirâmide de Gizé, seguido por seu filho Quéfren e seu neto Miquerinos.

Os Reis do Sol, com destaque para o rei Unas, pois sua pirâmide em Sakkara foi a primeira a ter inscrições e esses textos são os textos religiosos mais antigos já encontrados no mundo.

Faraó Aquenáton e rainha Nefertiti [1.370–1.330 a.C.]

Nefertiti: escultura da época de seu reinado








Tutancâmon e sua rainha Anksenamon [1.341 - 1.323 a.C.] 

Ramsés II, apelidado Ozymandias [1279 - 1213 a.C.] também conhecido como Ramsés, o Grande.

Dinastia núbia [reino Kush] - faraós negros, originários do atual Sudão [770 a 657 a.C.] - durou 113 anos. Curiosidade: O Sudão é o país com mais pirâmides no mundo.

Alexandre, o Grande: fundação de Alexandria em 331 a.C - início da dinastia macedônica, período conhecido como Helenismo - disseminação da cultura grega.

Ptolomeu - Alexandre da Macedônia foi proclamado faraó. Após sua morte, o general macedônio assumiu o trono egípcio. A partir daí, várias gerações de faraós macedônicos reinaram até 30 a.C. - durou exatamente 300 anos.

Cleópatra [falecida em 30 a.C.] - Seu nome era Cleópatra VII Filopátur [tradução: a sétima filha do pai, amada pelo pai].

A última rainha macedônica era poliglota e grande estudiosa de várias disciplinas, por isso talvez fosse a mulher mais culta de sua época. Sua morte marca o início da dominação romana. Antes, foi aliada do grande general de Roma: Caio Júlio César. Após o assassinato deste, ela aliou-se ao militar romano Marco Antônio, numa tentativa infrutífera de proteger seu reino. Mas foram derrotados e o imperador Augusto, sobrinho-neto de César, passou a controlar o Egito.

Ela teve um filho com Júlio César [Ptolomeu Cesarion] e três com Marco Antônio: um casal de gêmeos, Alexandre Hélio [Alexandre Sol] e Cleópatra Selene [Cleópatra Lua]; e o caçula Ptolomeu Filadelfo.


Cleópatra em uma moeda de sua época







Busto de Cleópatra esculpido em Roma
na época em que a rainha visitou a cidade.













Retratos de Fayum: pinturas sobre os caixões de múmias do Egito no período romano
















Observação: A atual polêmica sobre a cor dos egípcios antigos e a cor de pele da rainha Cleópatra [sua etnia e raça] não têm base histórica, mas sim ideológica, baseada em conceitos restritos e arcaicos de "raças" humanas. É um debate pseudocientífico e contraproducente. Não há mistérios neste mundo para a verdadeira Ciência, que já explicou, com riqueza de detalhes factuais, questões muito mais complexas, como a origem do Universo, a origem da vida e sua evolução. No mundo científico não há espaço para falácias e bobagens conspiratórias. As pirâmides e o Serapeum não foram construídos por alienígenas. O povo egípcio antigo era semítico-africano e também misto, com variações na cor de sua pele. O verdadeiro rosto de Cleópatra nunca foi um mistério. E desde Eratóstenes [Cirene 276 a.C - Alexandria 194 a.C.] o formato da Terra redonda já era conhecido.


Vídeo explicando o cálculo da circunferência da Terra, feito por Eratóstenes em Alexandria:




Dica de leitura: A Pedra da Luz - Nefer, o Silencioso [clique no link para ler minha análise do livro]



















Curiosidade para pesquisar:

Máscara mortuária de Tutancâmon





















A máscara cobria o rosto do faraó mumificado, dentro de 3 sarcófagos. A descoberta de seu túmulo foi considerada revolucionária e uma das mais importantes do séc. XX, graças à persistência do arqueólogo Howard Carter (Kensington 1874 - Londres 1939).


Curiosidade para você pesquisar:
Serapeum - Sakkara (ou Saqqara) - 24 túmulos gigantes, colocados num enorme corredor, para os touros sagrados.





Sobre a origem dos antigos egípcios, assista ao vídeo a partir do minuto 38:23


Segundo o estudo acima, baseado principalmente em anatomia, genética e linguística, os povos árabes, egípcios e berberes são descendentes de povos que vieram da Anatólia [atual Turquia] e do Oriente Médio no período neolítico. Eles tinham a pele clara.

Já ao sul do Egito, na Núbia, os povos tinham a pele escura, como já foi falado aqui nesta postagem.


Acima, um vídeo sobre a questão étnico-racial no Egito.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Série da Netflix: Império Otomano

Uma série surpreendente em qualidade dramática e documental, com muitos detalhes sobre estratégias militares.

Duas temporadas, cada uma com 6 episódios.

Primeira temporada: a ascensão de Maomé II,  o jovem sultão dos otomanos, e seu sonho de conquistar a cidade de Constantinopla [último resquício do Império Romano]. O fato histórico apresentado aí é um dos pontos de virada que mudariam o mundo. Então considero de fundamental importância conhecer.

Maomé II [Mehmed II] - o Conquistador







Segunda temporada: a luta do sultão Maomé II para derrotar um novo inimigo que outrora ele considerava quase como um irmão - o empalador Vlad Drácula, da Romênia. Esse fato histórico não tem a importância daquele da primeira temporada, mas traz muitas curiosidades sobre seus personagens e, por vários fatores, também vale a pena conhecer.

Vlad [Drácula] - o empalador 







Uma série para apreciar e assistir várias vezes!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Hierarquia social no Egito Antigo

A arqueologia contemporânea discute se houve escravidão no Egito antigo. Há muitas dúvidas ainda neste tema, mas a visão de um Egito escravocrata pode ser apenas um equívoco de historiadores antigos, como o grego Heródoto, que descreveu o Egito de tempos muito anteriores ao dele sob as lentes de uma Grécia escravocrata na qual ele vivia. Essa visão também é reforçada pela mitologia bíblica e pelos filmes de Hollywood, ambos com viés ideológico. O que já se sabe é que as pirâmides foram construídas por trabalhadores livres e bem remunerados para os padrões da época.


Vídeo sobre os filmes que propagam a escravidão no Egito antigo:



O esquema abaixo [em formato de pirâmide] ilustra em linhas gerais e grosso modo a divisão social do trabalho e, por consequência, a hierarquia social do Egito faraônico.


Na base: fazendeiros, agricultores; trabalhadores livres do campo e os artesãos que produziam ferramentas básicas do trabalho cotidiano.

Um nível acima: soldados, incluindo aqueles que foram derrotados em batalha e incorporados ao exército do faraó. Obs: na Roma antiga, os guerreiros derrotados geralmente se tornavam escravos, mas no Egito era comum os vencidos serem aproveitados como aliados.

O terceiro nível: artistas especializados na construção e manutenção de obras faraônicas [obras do Estado] como túmulos e templos e outros serviços dedicados à crença da vida eterna. Esse trabalho empregava muita gente.

No estágio mais alto: o faraó e sua família, os sacerdotes e os comandantes militares. O faraó era o chefe militar e mantenedor das tradições, os sacerdotes guiavam os rumos da religião e os comandantes militares podiam assumir o posto de faraó se necessário.




quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

As primeiras línguas escritas do mundo

Esta postagem vai abordar as línguas escritas mais antigas do mundo: 
o acádio e o egípcio. Também a importância do alfabeto fenício. 
Por fim, desfazer alguns mitos à luz da Ciência atual.


O Crescente Fértil



Línguas faladas na Mesopotâmia [atual Iraque]:

Sumério - língua de família isolada;

Acádio - língua do ramo semítico, falada pelos assírios e babilônios;

Aramaico - do ramo semítico, a língua oficial dos assírios. Ainda é falada na atual Síria.


O livro mais antigo do mundo foi escrito em língua acádia, chama-se Epopeia de Gilgamesh, narrativa baseada num mito sumério sobre um rei que governa após um dilúvio. Séculos mais tarde, seria uma inspiração para o mito hebraico da arca de Noé.

 

Línguas faladas em outras partes do Oriente Médio [Levante e Península Arábica]:

Fenício - língua semítica, falada na Fenícia (onde hoje é o Líbano);

Hebraico - língua semítica, falada pelos hebreus;

Árabe - língua semítica, falada pelos árabes e outros povos.


Todas essas línguas do ramo semítico pertencem à família afro-asiática. 

Aos fenícios é atribuída a invenção do alfabeto que, mais tarde, inspirou a escrita grega [língua da família indo-europeia].

Obs: além do grego, a família indo-europeia inclui o sânscrito, que deu origem a uma grande parte das línguas da Índia; o persa, que deu origem às línguas faladas hoje no Irã e Afeganistão; o latim e as línguas derivadas dele; e também as línguas germânicas [alemão, holandês, inglês, dinamarquês, sueco, norueguês etc] entre outras línguas europeias e asiáticas.

 

Línguas no norte da África [terras entre o Mar Mediterrâneo e o Saara]

O egípcio [no nordeste], o fenício [em Cartago - hoje Tunísia] e línguas de povos berberes [no noroeste], entre outras.

Os povos do deserto [Saara - norte da África] têm origem nas migrações de povos da Anatólia [atual Turquia] e do Levante [atual Síria, Líbano e Palestina] que ocorreram antes da invenção da escrita, no período neolítico. Esses povos do leste passaram a habitar onde hoje se localizam Egito, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos, Mali etc. Daí uma razão para as línguas faladas no norte da África pertencerem à família afro-asiática, milênios antes de o islamismo existir.

Muito mais tarde, na Idade Média, a expansão islâmica levou para o norte da África a língua árabe, falada lá até hoje. 

E na Europa, os muçulmanos propagaram as Ciências e as Artes que eles conservaram [dos gregos, romanos, egípcios, fenícios, árabes, persas, indianos, chineses...]. Isso foi o combustível que reascendeu a chama do conhecimento naquele continente, tirando-o da Idade das Trevas. Hoje conhecemos esse período como Renascimento.


No Egito [nordeste da África e Península do Sinai]:

Egípcio Antigo - língua afro-asiática, falada em todo o Egito antigo.

Copta - língua descendente do egípcio clássico, hoje sendo litúrgica em cerimônias cristãs no Egito. 


Os textos religiosos mais antigos já encontrados no mundo são os Textos das Pirâmides, escritos nas paredes internas de algumas pirâmides de faraós sepultados em Sakkara. Exemplos são a pirâmide do faraó Unas e do faraó Tetis.

Obs: Imotepe foi um grande arquiteto e engenheiro. Ele projetou e construiu a primeira pirâmide do mundo, a pirâmide de Djoser, na necrópole de Sakkara . Todo o resto que se afirma hoje sobre ele é lenda e misticismo, não História.

A arqueologia atual sabe e afirma que as pirâmides não foram construídas com trabalho escravo. Foram construídas por artesãos especializados e bem pagos, e era um serviço de prestígio na época.


O Egito se localiza em dois continentes: África e Ásia [Península do Sinai]. Por sua posição geográfica, foi uma região de intensas migrações, principalmente entre África e Oriente Médio, desde a pré-história. Isso inclui relações comerciais amistosas e períodos de disputa territorial [guerras].

O tratado de paz mais antigo que se tem conhecimento foi firmado entre egípcios e hititas [povo indo-europeu da Anatólia] durante o governo de Ramsés II.

Obs: o êxodo dos hebreus é uma narrativa mitológica, não um fato histórico. Por mais que se procure, não há evidências arqueológicas do êxodo, mas há muitas evidências contrárias a tal narrativa, que por seu estilo literário, denota ser um mito de fundação.

A estela de Meremptah não menciona o povo de Israel. Ela é um monolito comemorativo às vitórias bélicas do faraó. O nome mencionado é "isiriar", povo que [segundo o texo] foi massacrado pelo faraó. Não há como afirmar se tratar de Israel. 


Mais tarde, o Egito foi dominado pelos persas. Eles só recuaram quando o exército de Alexandre da Macedônia os venceu. A partir daí, a cultura egípcia e grega se fundiram, dando origem à famosa Biblioteca de Alexandria, que mantinha os textos mais importantes da época. E por 300 anos houve avanços científicos e grandes obras literárias guardados por essa biblioteca. Mulheres como a rainha Cleópatra VII e a cientista Hipátia de Alexandria zelaram por esse riquíssimo acervo literário, que variava entre descobertas astronômicas, peças teatrais do dramaturgo Sófocles, textos líricos da poetisa Safo de Lesbos, entre outros.

Obs: filósofos como Tales de Mileto e outros passaram pelo Egito muito antes desse período helenístico. Lá possivelmente eles receberam conhecimentos matemáticos egípcios, entre outras coisas. Ou seja, a interação entre Egito e o mundo grego já existia há pelo menos 1 século antes de Alexandre da Macedônia. 

Após a morte de Cleópatra VII, última rainha macedônica, o Egito passou ao domínio do Império Romano. Séculos mais tarde, com a cristianização do Império Romano, a Biblioteca de Alexandria foi destruída e quase todo o seu acervo foi perdido para sempre. Hipátia de Alexandria [bibliotecária-chefe, filósofa, astrônoma e professora] foi brutalmente espancada até a morte.


Obs: a polêmica sobre a etnia da rainha Cleópatra e dos egípcios antigos

Sobre Cleópatra, com base na História e na iconografia da época, muito provavelmente era de linhagem macedônica pura, visto que reis e rainhas no Egito eram filhos de casamentos incestuosos entre membros da realeza. E sabe-se que essa era a regra também no período dos faraós macedônicos.

Sobre a etnia dos egípcios antigos, é uma questão ainda mais polêmica. A Ciência não tem uma resposta definitiva. O que pode ser descartado é o que clamam os grupos ideológicos que defendem uma identidade étnica, seja ela branca ou negra ou outras. Historicamente, o Egito sempre foi multiétnico. Porém, isso não significa que eram brancos ao norte, negros ao sul e miscigenados entre o norte e o sul. As noções atuais de branco [caucasoide] e negro [África subsaariana] não se aplicam dessa forma ao Egito antigo. Nem mesmo a noção de árabe pode ser aplicada de forma simplista e genérica ao Egito atual, muito menos no Egito Antigo. 

Essa polêmica surgiu principalmente de grupos ideológicos que, com manipulação de informações [pseudociência] reivindicam essa rica cultura proclamando-se como únicos herdeiros, caracterizando uma apropriação indevida e desrespeitosa para com o povo egípcio atual e sua história.

Para concluir, o problema não é atores brancos ou negros [ou latinos ou mestiços...] fazendo papéis de egípcios. O problema é quando uma etnia distante do Egito reivindica para si o legado histórico egípcio, como tem acontecido. O Egito nada tem a ver com o Senegal e a Etiópia, e muito menos com o Brasil e os Estados Unidos da América. Cada um desses povos tem a sua história. A ideologia afrocêntrica [ou pan-africanismo, surgido na déc. 1970] é tão equivocada quanto foi a ideologia eurocêntrica anteriormente. Ambas são pseudociência.


Mais informações sobre questões étnicas do Egito no link abaixo:

https://interludico.blogspot.com/2022/04/antigo-egito.html


Vídeo sobre a antiga Biblioteca de Alexandria: 




sexta-feira, 15 de novembro de 2024

Roque Santeiro

 A indiscutível obra-prima das telenovelas brasileiras está de volta à TV, apresentada pelo canal Viva, de segunda a sábado a partir das 12h15min.

Escrita por Dias Gomes, autor também de outras obras geniais, como O Pagador de Promessas. Recomendo o excelente filme de 1962. 








A trama de Roque Santeiro

Uma cidadezinha singela vive do turismo e comércio religioso em torno de seu mártir, Roque Santeiro, executado por bandidos que invadiram a localidade há muito tempo, quando aquilo não passava de uma pequena vila.

Depois de morto, surgem algumas estórias, como a de uma criança doente que viu o espírito de Roque no riacho e de lá saiu curada; entre outros supostos casos de milagres e visões sobrenaturais.

Mas certo dia, um visitante misterioso chega a essa pequena cidade. E ele nota que o lugar está diferente de como era na sua juventude.

Esse visitante é Roque. Ele estava vivo todo esse tempo e não fazia ideia de que era considerado um santo na sua terra natal.

Obviamente, se descoberta a identidade do visitante, isso destruirá o mito de Roque Santeiro e com ele quase toda a economia local.

Mas ele só é reconhecido pelos habitantes mais antigos, da época que Asa Branca era uma vila. Esses poucos, sendo agora ricos e poderosos, farão de tudo para esconder a verdade do povo asabranquense.

O padre, que era contra a idolatria do mito de Roque, se vê obrigado a sustentar e mentira.

O poderoso fazendeiro, que tem um caso amoroso com a viúva de Roque, interessado que este continue morto e santo.

A famosa viúva Porcina, que a contragosto não é mais viúva de Roque, já que este nunca morreu, ficando obrigada a conviver com ele, sabendo que sua fama acabará se a verdade sobre o mito for revelada.

O prefeito de Asa Branca, que acabou de inaugurar uma estátua de Roque Santeiro, vê sua situação política em risco.

O rico comerciante de artigos religiosos sobre o mito de Roque Santeiro é mais um que, obviamente, perderia seu negócio se a farsa acabasse.


A crítica social

Essa obra deixa explícita a exploração da ingenuidade, o mercado da fé baseado numa mentira lucrativa.

E ataca os poderosos, cada qual com sua fraqueza pessoal bem demonstrada na trama. 

E critica também a inocência do povo humilde, carente de um salvador e que, cheio de imaginação, inventa estórias de milagres que na realidade nunca aconteceram.

Nenhum personagem é poupado, seja rico ou pobre, todos são analisados com olhar crítico:

O prefeito, capacho do rico fazendeiro;

O fazendeiro, capacho da mulher que deseja;

A viúva do santo, uma mulher promíscua, contrariando a razão de sua fama na cidade;

O professor, elogiado por seus discursos, mas nunca compreendido pelo povo, por causa do vocabulário arcaico que costuma empregar em suas falas;

O empresário, que apesar da riqueza material, é inseguro e ciumento, chegando ao absurdo de trancar a esposa no quarto, privando-a de qualquer contato social;

O padre e as carolas da igreja, contrariando a doutrina que seguem, vivem de fofoca e condenam a todos com base em julgamentos superficiais.

O mendigo que dorme bêbado no banco da praça e vez ou outra exalta aos berros o sistema monárquico com uma nostalgia inexplicável, já que nunca a viveu de fato.


O cego trovador é um arquétipo, assim como na Grécia Antiga foram Homero, o rapsodo, e Tirésias, o adivinho. O cego que tudo sabe, vê com os outros sentidos, incluindo a inteligência, e serve como um crítico social que alerta o telespectador sobre os acontecimentos em cena. 


A crítica comportamental

Além dos aspectos religiosos e políticos, a trama também se faz presente pela crítica comportamental.

Algumas mulheres, seja pela prostituição ou pela sedução, usam o sexo como moeda de troca a fim de obter favores e ganhar assim um pequeno poder temporário. 

Os homens, cautelosos e políticos na maior parte do tempo, são escravos de seus desejos sexuais,  tornando-se irracionais e temerários diante do objeto causador de sua lascívia.


Conclusão

ROQUE SANTEIRO é uma daquelas obras que, semelhante a O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, usam o humor para traçar um retrato fiel do povo brasileiro. Conhecer essas obras é essencial para compreender a nossa sociedade.