A arqueologia contemporânea discute se houve escravidão no Egito antigo. Há muitas dúvidas ainda neste tema, mas a visão de um Egito escravocrata pode ser apenas um equívoco de historiadores antigos, como o grego Heródoto, que descreveu o Egito de tempos muito anteriores ao dele sob as lentes de uma Grécia escravocrata na qual ele vivia. Essa visão também é reforçada pela mitologia bíblica e pelos filmes de Hollywood, ambos com viés ideológico. O que já se sabe é que as pirâmides foram construídas por trabalhadores livres e bem remunerados para os padrões da época.
Vídeo sobre os filmes que propagam a escravidão no Egito antigo:
O esquema abaixo [em formato de pirâmide] ilustra em linhas gerais e grosso modo a divisão social do trabalho e, por consequência, a hierarquia social do Egito faraônico.
Na base: fazendeiros, agricultores; trabalhadores livres do campo e os artesãos que produziam ferramentas básicas do trabalho cotidiano.
Um nível acima: soldados, incluindo aqueles que foram derrotados em batalha e incorporados ao exército do faraó. Obs: na Roma antiga, os guerreiros derrotados geralmente se tornavam escravos, mas no Egito era comum os vencidos serem aproveitados como aliados.
O terceiro nível: artistas especializados na construção e manutenção de obras faraônicas [obras do Estado] como túmulos e templos e outros serviços dedicados à crença da vida eterna. Esse trabalho empregava muita gente.
No estágio mais alto: o faraó e sua família, os sacerdotes e os comandantes militares. O faraó era o chefe militar e mantenedor das tradições, os sacerdotes guiavam os rumos da religião e os comandantes militares podiam assumir o posto de faraó se necessário.
Esta postagem vai abordar as línguas escritas mais antigas do mundo:
o acádio e o egípcio. Também a importância do alfabeto fenício.
Por fim, desfazer alguns mitos à luz da Ciência atual.
O Crescente Fértil
Línguas faladas na Mesopotâmia [atual Iraque]:
Sumério - língua de família isolada;
Acádio - língua do ramo semítico, falada pelos
assírios e babilônios;
Aramaico - do ramo semítico, a língua oficial dos
assírios. Ainda é falada na atual Síria.
O livro mais antigo do mundo foi escrito em língua acádia, chama-se Epopeia de Gilgamesh, narrativa baseada num mito sumério sobre um rei que governa após um dilúvio. Séculos mais tarde, seria uma inspiração para o mito hebraico da arca de Noé.
Línguas faladas em outras partes do Oriente Médio [Levante e Península Arábica]:
Fenício - língua semítica, falada na Fenícia (onde hoje é o Líbano);
Hebraico - língua semítica, falada pelos hebreus;
Árabe - língua semítica, falada pelos árabes e outros
povos.
Todas essas línguas do ramo semítico pertencem à família afro-asiática.
Aos fenícios é atribuída a invenção do alfabeto que, mais tarde, inspirou a escrita grega [língua da família indo-europeia].
Obs: além do grego, a famíliaindo-europeia inclui o sânscrito, que deu origem a uma grande parte das línguas da Índia; o persa, que deu origem às línguas faladas hoje no Irã e Afeganistão; o latim e as línguas derivadas dele; e também as línguas germânicas [alemão, holandês, inglês, dinamarquês, sueco, norueguês etc] entre outras línguas europeias e asiáticas.
Línguas no norte da África [terras entre o Mar Mediterrâneo e o Saara]
O egípcio [no nordeste], o fenício [em Cartago - hoje Tunísia] e línguas de povos berberes [no noroeste], entre outras.
Os povos do deserto [Saara - norte da África] têm origem nas migrações de povos da Anatólia [atual Turquia] e do Levante [atual Síria, Líbano e Palestina] que ocorreram antes da invenção da escrita, no período neolítico. Esses povos do leste passaram a habitar onde hoje se localizam Egito, Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos, Mali etc. Daí uma razão para as línguas faladas no norte da África pertencerem à família afro-asiática, milênios antes de o islamismo existir.
Muito mais tarde, na Idade Média, a expansão islâmica levou para o norte da África a língua árabe, falada lá até hoje.
E na Europa, os muçulmanos propagaram as Ciências e as Artes que eles conservaram [dos gregos, romanos, egípcios, fenícios, árabes, persas, indianos, chineses...]. Isso foi o combustível que reascendeu a chama do conhecimento naquele continente, tirando-o da Idade das Trevas. Hoje conhecemos esse período como Renascimento.
No Egito [nordeste da África e Península do Sinai]:
Egípcio Antigo - língua afro-asiática, falada em todo o Egito antigo.
Copta - língua descendente do egípcio clássico, hoje sendo litúrgica em cerimônias cristãs no Egito.
Os textos religiosos mais antigos já encontrados no mundo são os Textos das Pirâmides, escritos nas paredes internas de algumas pirâmides de faraós sepultados em Sakkara. Exemplos são a pirâmide do faraó Unas e do faraó Tetis.
Obs: Imotepe foi um grande arquiteto e engenheiro. Ele projetou e construiu a primeira pirâmide do mundo, a pirâmide de Djoser, na necrópole de Sakkara . Todo o resto que se afirma hoje sobre ele é lenda e misticismo, não História.
A arqueologia atual sabe e afirma que as pirâmides não foram construídas com trabalho escravo. Foram construídas por artesãos especializados e bem pagos, e era um serviço de prestígio na época.
O Egito se localiza em dois continentes: África e Ásia [Península do Sinai]. Por sua posição geográfica, foi uma região de intensas migrações, principalmente entre África e Oriente Médio, desde a pré-história. Isso inclui relações comerciais amistosas e períodos de disputa territorial [guerras].
O tratado de paz mais antigo que se tem conhecimento foi firmado entre egípcios e hititas [povo indo-europeu da Anatólia] durante o governo de Ramsés II.
Obs: o êxodo dos hebreus é uma narrativa mitológica, não um fato histórico. Por mais que se procure, não há evidências arqueológicas do êxodo, mas há muitas evidências contrárias a tal narrativa, que por seu estilo literário, denota ser um mito de fundação.
A estela de Meremptah não menciona o povo de Israel. Ela é um monolito comemorativo às vitórias bélicas do faraó. O nome mencionado é "isiriar", povo que [segundo o texo] foi massacrado pelo faraó. Não há como afirmar se tratar de Israel.
Mais tarde, o Egito foi dominado pelos persas. Eles só recuaram quando o exército de Alexandre da Macedônia os venceu. A partir daí, a cultura egípcia e grega se fundiram, dando origem à famosa Biblioteca de Alexandria, que mantinha os textos mais importantes da época. E por 300 anos houve avanços científicos e grandes obras literárias guardados por essa biblioteca. Mulheres como a rainha Cleópatra VII e a cientista Hipátia de Alexandria zelaram por esse riquíssimo acervo literário, que variava entre descobertas astronômicas, peças teatrais do dramaturgo Sófocles, textos líricos da poetisa Safo de Lesbos, entre outros.
Obs: filósofos como Tales de Mileto e outros passaram pelo Egito muito antes desse período helenístico. Lá possivelmente eles receberam conhecimentos matemáticos egípcios, entre outras coisas. Ou seja, a interação entre Egito e o mundo grego já existia há pelo menos 1 século antes de Alexandre da Macedônia.
Após a morte de Cleópatra VII, última rainha macedônica, o Egito passou ao domínio do Império Romano. Séculos mais tarde, com a cristianização do Império Romano, a Biblioteca de Alexandria foi destruída e quase todo o seu acervo foi perdido para sempre. Hipátia de Alexandria [bibliotecária-chefe, filósofa, astrônoma e professora] foi brutalmente espancada até a morte.
Obs: a polêmica sobre a etnia da rainha Cleópatra e dos egípcios antigos
Sobre Cleópatra, com base na História e na iconografia da época, muito provavelmente era de linhagem macedônica pura, visto que reis e rainhas no Egito eram filhos de casamentos incestuosos entre membros da realeza. E sabe-se que essa era a regra também no período dos faraós macedônicos.
Sobre a etnia dos egípcios antigos, é uma questão ainda mais polêmica. A Ciência não tem uma resposta definitiva. O que pode ser descartado é o que clamam os grupos ideológicos que defendem uma identidade étnica, seja ela branca ou negra ou outras. Historicamente, o Egito sempre foi multiétnico. Porém, isso não significa que eram brancos ao norte, negros ao sul e miscigenados entre o norte e o sul. As noções atuais de branco [caucasoide] e negro [África subsaariana] não se aplicam dessa forma ao Egito antigo. Nem mesmo a noção de árabe pode ser aplicada de forma simplista e genérica ao Egito atual, muito menos no Egito Antigo.
Essa polêmica surgiu principalmente de grupos ideológicos que, com manipulação de informações [pseudociência] reivindicam essa rica cultura proclamando-se como únicos herdeiros, caracterizando uma apropriação indevida e desrespeitosa para com o povo egípcio atual e sua história.
Para concluir, o problema não é atores brancos ou negros [ou latinos ou mestiços...] fazendo papéis de egípcios. O problema é quando uma etnia distante do Egito reivindica para si o legado histórico egípcio, como tem acontecido. O Egito nada tem a ver com o Senegal e a Etiópia, e muito menos com o Brasil e os Estados Unidos da América. Cada um desses povos tem a sua história. A ideologia afrocêntrica [ou pan-africanismo, surgido na déc. 1970] é tão equivocada quanto foi a ideologia eurocêntrica anteriormente. Ambas são pseudociência.
Mais informações sobre questões étnicas do Egito no link abaixo:
A indiscutível obra-prima das telenovelas brasileiras está de volta à TV, apresentada pelo canal Viva, de segunda a sábado a partir das 12h15min.
Escrita por Dias Gomes, autor também de outras obras geniais, como O Pagador de Promessas. Recomendo o excelente filme de 1962.
A trama de Roque Santeiro
Uma cidadezinha singela vive do turismo e comércio religioso em torno de seu mártir, Roque Santeiro, executado por bandidos que invadiram a localidade há muito tempo, quando aquilo não passava de uma pequena vila.
Depois de morto, surgem algumas estórias, como a de uma criança doente que viu o espírito de Roque no riacho e de lá saiu curada; entre outros supostos casos de milagres e visões sobrenaturais.
Mas certo dia, um visitante misterioso chega a essa pequena cidade. E ele nota que o lugar está diferente de como era na sua juventude.
Esse visitante é Roque. Ele estava vivo todo esse tempo e não fazia ideia de que era considerado um santo na sua terra natal.
Obviamente, se descoberta a identidade do visitante, isso destruirá o mito de Roque Santeiro e com ele quase toda a economia local.
Mas ele só é reconhecido pelos habitantes mais antigos, da época que Asa Branca era uma vila. Esses poucos, sendo agora ricos e poderosos, farão de tudo para esconder a verdade do povo asabranquense.
O padre, que era contra a idolatria do mito de Roque, se vê obrigado a sustentar e mentira.
O poderoso fazendeiro, que tem um caso amoroso com a viúva de Roque, interessado que este continue morto e santo.
A famosa viúva Porcina, que a contragosto não é mais viúva de Roque, já que este nunca morreu, ficando obrigada a conviver com ele, sabendo que sua fama acabará se a verdade sobre o mito for revelada.
O prefeito de Asa Branca, que acabou de inaugurar uma estátua de Roque Santeiro, vê sua situação política em risco.
O rico comerciante de artigos religiosos sobre o mito de Roque Santeiro é mais um que, obviamente, perderia seu negócio se a farsa acabasse.
A crítica social
Essa obra deixa explícita a exploração da ingenuidade, o mercado da fé baseado numa mentira lucrativa.
E ataca os poderosos, cada qual com sua fraqueza pessoal bem demonstrada na trama.
E critica também a inocência do povo humilde, carente de um salvador e que, cheio de imaginação, inventa estórias de milagres que na realidade nunca aconteceram.
Nenhum personagem é poupado, seja rico ou pobre, todos são analisados com olhar crítico:
O prefeito, capacho do rico fazendeiro;
O fazendeiro, capacho da mulher que deseja;
A viúva do santo, uma mulher promíscua, contrariando a razão de sua fama na cidade;
O professor, elogiado por seus discursos, mas nunca compreendido pelo povo, por causa do vocabulário arcaico que costuma empregar em suas falas;
O empresário, que apesar da riqueza material, é inseguro e ciumento, chegando ao absurdo de trancar a esposa no quarto, privando-a de qualquer contato social;
O padre e as carolas da igreja, contrariando a doutrina que seguem, vivem de fofoca e condenam a todos com base em julgamentos superficiais.
O mendigo que dorme bêbado no banco da praça e vez ou outra exalta aos berros o sistema monárquico com uma nostalgia inexplicável, já que nunca a viveu de fato.
O cego trovador é um arquétipo, assim como na Grécia Antiga foram Homero, o rapsodo, e Tirésias, o adivinho. O cego que tudo sabe, vê com os outros sentidos, incluindo a inteligência, e serve como um crítico social que alerta o telespectador sobre os acontecimentos em cena.
A crítica comportamental
Além dos aspectos religiosos e políticos, a trama também se faz presente pela crítica comportamental.
Algumas mulheres, seja pela prostituição ou pela sedução, usam o sexo como moeda de troca a fim de obter favores e ganhar assim um pequeno poder temporário.
Os homens, cautelosos e políticos na maior parte do tempo, são escravos de seus desejos sexuais, tornando-se irracionais e temerários diante do objeto causador de sua lascívia.
Conclusão
ROQUE SANTEIRO é uma daquelas obras que, semelhante a O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, usam o humor para traçar um retrato fiel do povo brasileiro. Conhecer essas obras é essencial para compreender a nossa sociedade.
As gravações dos Beatles se resumem a um período de apenas 7 anos (1963-1969) com uma média fenomenal de dois álbuns por ano, juntando singles e um álbum duplo. Ou seja, mais ou menos 24 canções inéditas por ano.
Observação:
Na verdade, cada um dos Beatles compunha sozinho, às vezes
em dupla, mas a composição em dupla não foi o caso da maioria das canções
deles. John e Paul dividiam os royalties (Lennon e McCartney) por causa de um acordo entre eles, mas o verdadeiro autor da música era geralmente apenas um deles (John ou
Paul). Às vezes George era o autor solo e muito raramente Ringo. Para saber quem
é o verdadeiro autor da canção, basta saber quem é o vocalista principal na
gravação. Com raras exceções, essa é a regra que funciona para os Beatles.
A qualidade dos Beatles como arranjadores e instrumentistas
Além de excelentes compositores, eram instrumentistas muito bons e arranjadores criativos. Prova disso: compare a versão de "Twist and Shout" dos Beatles com a versão que existia antes, do grupo The Isley Brothers. Os Beatles melhoraram tanto essa canção que todo mundo acha que é uma composição deles. E eles gravaram "Twist and Shout" em um único take,ao vivo no estúdio, com os quatro tocando ao mesmo tempo, além de cantarem ao mesmo tempo. Poucas bandas são capazes de gravar assim. Boa parte da obra dos Beatles foi gravada dessa forma.
Outro exemplo: o show no telhado em 1969. Fica nítido como a banda é boa ao vivo, tanto nos vocais como no instrumental.
Um exemplo de como os Beatles eram inovadores
Eles sempre explicavam para o produtor (George Martin) e o
engenheiro de gravação como queriam que o som do grupo soasse. Por exemplo, foram os Beatles que tiveram a ideia revolucionária de colocar os
microfones perto dos violinos para que na música "Eleanor Rigby" o
som do arco fosse captado, e não só o som de ambiente, como era o costume.
Comparando os Beatles com outras bandas de rock e artistas
pop
Mesmo tirando o arranjo e a produção, as composições dos
Beatles são obras-primas por si só. A maioria das canções deles ainda é lindíssima se for
tocada numa versão com apenas voz e violão, ou voz e piano. Essa qualidade de
composição é para poucos!
Nem Led Zeppelin, Queen, Pink Floyd, Michael Jackson,
Madonna podem se dar a esse luxo, porque a graça deles é muito dependente do
arranjo instrumental. Os Beatles tinham um arranjo bom também, mas não
dependiam disso para suas composições serem excelentes.
A influência dos Beatles foi contagiante em todos os estilos musicais
Michael Jackson (pop), Ozzy Osbourne (vocalista do Black
Sabbath), Yes (banda ícone do rock progressivo), Brian May (guitarrista
do Queen), Aerosmith (hard rock), U2 (pop rock), Guns n' Roses (hard rock), Kurt Cobain
(líder do Nirvana), Dave Grohl (baterista
do Nirvana/ voz e guitarra do Foo Fighters), Eddie Vedder (vocalista
do Pearl Jam), Chris Cornell
(vocalista do Soundgarden/Audislave), Billie Joe Armstrong
(vocal e guitarra do Green Day), Tré Cool (bateria do
Green Day), Flea (baixista do Red
Hot Chili Peppers), Marisa Monte (mpb), Renato Russo (líder da Legião
Urbana) etc. Esses são apenas alguns exemplos de uma lista incontável de artistas.
Quando te levantas, belo, no horizonte do céu, Ó Aton vivo, aquele que deu início à vida, Quando brilhas no horizonte do Oriente, Enches todas as terras com a tua perfeição. Tu és belo, grande, refulgente, Elevado acima de todas as terras. Teus raios cingem as terras até aos confins de tua criação. [...] Embora estejas longe, teus raios chegam à terra e a todos acariciam-lhes as faces. Inumeráveis são as tuas obras, Mas ocultas à vista, Ó Deus único sem igual! Criaste, sozinho, a terra segundo tua resolução, Assim como os humanos, Todos os animais maiores e menores, Tudo o que vive sobre a terra e caminha sobre patas, Os que estão no alto e voam com asas, As terras da Síria e de Cuxe, E a terra do Egito. Tu colocas cada homem em seu lugar e crias o que lhe é necessário: Cada um dispõe de seu alimento e o seu tempo de vida está exatamente calculado; As línguas são diferentes, Pois distingues os povos estrangeiros Tu estás em meu coração [...] A terra vem à existência por obra tua, Já que crias as pessoas. Quando te levantas, elas vivem; Quando repousas, morrem. És tu o tempo de vida em ti mesmo: Vive-se por meio de ti. Os olhos estão fitos em tua perfeição até que te deitas. Todos os trabalhos são interrompidos quando repousas no Oeste.
Composição atribuída ao faraó Aquenaton Tradução de Ciro Flamarion Cardoso Fonte: Wikipédia
Contexto histórico:
Há muito mais de 3.000 anos, o faraó Aquenaton [ou Aquenáton] e a rainha Nefertiti tentaram impor um culto monoteísta no Egito antigo. Construíram uma nova cidade: Amarna, onde seria a nova sede política e religiosa.
Notícia (setembro 2024): casal é proibido de registrar filho com nome do primeiro faraó negro. Bebê nasceu em 31 de agosto e ainda não tem certidão de nascimento.
Nova decisão: no fim da tarde de quarta-feira, 11 de setembro, Justiça autorizou o registro do nome Piiê.
História
Os faraós negros eram provenientes do reino de Cuxe, na antiga Núbia. Eles governaram o Egito por mais ou menos 100 anos (de 744 a 656 a.C.). Foram a vigésima quinta (XXV) dinastia e adotaram a religião e os costumes egípcios.
E para inspirar outros pais amantes da cultura egípcia antiga...
aqui vai uma lista de nomes egípcios muito bonitos para registo em cartório.
NOMES MASCULINOS
Osíris - deus da agricultura, do renascimento e da vida eterna.
Hórus - deus falcão, deus do céu e da proteção celestial.
Djoser [pronúncia: Dhíoser] - faraó da 3ª dinastia. Construiu a primeira pirâmide do mundo (2.600 a.C.)
Imotepe - sábio [médico, engenheiro, astrônomo etc] foi o arquiteto da primeira pirâmide do mundo. Seu nome significa "aquele que vem em paz".
Menquerés - o último faraó a edificar um templo do sol (2.400 a.C). Mas isso não significa que o sol deixou de ser adorado no Egito antigo. Seu nome significa "eterna é a alma [o Ka] de Rá [o sol]".
Nefercaré - foi um faraó. Seu nome significa "belo é o Ka de Rá". Ou seja, "bela é a alma [ou força] de Rá [Ré, o sol]".
Amenotepe [tradução: Amon está em paz]. Governou durante o período conhecido como Novo Reino. Seu nome possui uma versão grega igualmente bonita: Amenófis.
Ramsés - o faraó Ramsés II publicou o primeiro tratado de paz da História. Seu nome significa "Nascido de Rá [o sol]". Ele edificou vários templos, o mais famoso fica em Abu Simbel.
Amon-Rá - deus que sincretiza duas divindades egípcias, o vento [Amon] e o sol [Rá ou Ré]. Dica: se inverter, fica Rá-Amon, sou seja, Ramon. Nenhum cartório brasileiro implicaria com o nome Ramon.
NOMES FEMININOS
Ísis - deusa da fertilidade, da maternidade, hoje associada à dança do ventre.
Nefertiti - foi uma rainha. Seu nome significa "A bela chegou".
Anquesenamon - foi uma rainha. Seu nome significa "Vive através de Amon [o vento]".
Nefertari - foi uma rainha, esposa de Ramsés II, o Grande. Nefertari significa "a mais bela".
Vocabulário egípcio antigo:
tepe = paz, satisfação, satisfeito(a).
ka [que] = alma, espírito, força vital.
Rá ou Ré(s) = deus sol.
Amon = deus do vento, do invisível, do oculto.
nefer = belo(a).
ank [anque] = vida, vivo(a).
Ank
Num país como o Brasil, onde há tantos nomes com k, y, w, duplo n [nn], duplo L [LL] e até com ING... o cartório foi implicar com um nome de boa: Piiê.
Obs: Os nomes de rainhas, faraós e deuses egípcios possuem variações na escrita. Algumas mais tradicionais na transliteração dos hieróglifos, outras mais aportuguesadas e contemporâneas. Nesta postagem usarei [sem aviso] todas as variações de nomes que encontrei. Então, por exemplo, o nome Ankhesenamun pode ser visto também como Anksenamon e Anquesenamon. As três variações do nome se referem à mesma rainha. As traduções dos nomes aparecerão entre aspas ou entre colchetes [ ].
Templo mortuário de Hatshepsut - próximo ao Vale dos Reis
Hatshepsut
"A mais importante das damas nobres" governou o Egito sozinha, sendo talvez a primeira governante da História. Construiu um dos mais belos templos mortuários do mundo, até hoje bem conservado.
Nefertiti
"A bela chegou" governou com o faraó Aquenáton e também reinou após a morte deste. O casal implementou um culto monoteísta no Egito, adorando apenas o deus sol: Aton.
Ankhesenamun
Tutankamon e Anksenamon
Era filha de Aquenaton e Nefertiti. O faraó Tutancâmon [Imagem viva de Amon] e sua esposa Anquesenamon [Vive pelo deus Amon] restauraram o politeísmo tradicional do Egito antigo. Após o falecimento do marido, ela tentou em vão uma aliança com os hititas.
Cleópatra VII Thea Philopatur
Rainha de linhagem macedônica, governou o Egito ao lado do ditador romano Júlio César. Após o assassinato deste, aliou-se ao general romano Marco Antônio. Na visão dos romanos, o casal ostentou luxo, festas extravagantes e sonhos proibidos. Esse poder sucumbiu diante do recém-nascido Império Romano. Seu nome, traduzido do grego, significa "Filha do pai, a sétima, deusa amada pelo pai".
Curiosidade: a cidade de Memphis [Tennessee, Estados Unidos] tem seu nome inspirado na primeira capital do Egito antigo, que era Memphis, hoje um museu a céu aberto próximo de Cairo, a atual capital do Egito.
Pirâmide moderna na cidade de Memphis, nos Estados Unidos