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sexta-feira, 4 de junho de 2021

Revisão de conceito

Apresentarei aqui uma revisão de um conceito tradicional que julgo necessária e pertinente em seu campo de pesquisa. Como especialista e estudioso da linguagem, faz parte de minha alçada revisar palavras, termos, conceitos e definições [i.e: significantes e significados].

 

O termo geoide

 

A denominação de geoide para classificar o formato do planeta Terra não faz sentido em si mesma. “Geo” significa “Terra” em grego. Então, responder à questão “Qual é o formato da Terra?” com a resposta “Geoide” equivale a dizer que “O formato da Terra é o formato da Terra”, o que é uma falácia redundante e em nada ajuda a descrever o formato da Terra.

Segundo a definição da International Astronomical Union [IAU], um planeta é um corpo que orbita uma estrela, é grande o suficiente para que sua própria gravidade o deixe com forma redonda.

A Terra é um planeta. Logo, a forma da Terra é redonda, ou pensando em 3 dimensões, esférica.

Dizer que ela é esférica não é o mesmo que dizer que é uma esfera. Uma esfera é perfeita em proporções. Já “esférica” significa “forma esférica”, ou seja, lembrando uma esfera.

Portanto, a forma da Terra e de qualquer planeta é esférica. Ou ainda, podemos dizer que a Terra é esférica com achatamento nos polos. Esta me parece uma descrição mais precisa.

Concluo que o termo geoide, por sua total imprecisão já demonstrada, deveria ser esquecido e a palavra esférica fosse assumida como a que melhor caracteriza a forma da Terra e de qualquer planeta.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Abracadabra – palavra mágica

Por que essa palavra é mágica? Por que ela é usada por mágicos? O que tem essa palavra de tão especial?

Na verdade, não só essa palavra, mas todas as palavras são especiais e “mágicas”. Ou seja, a linguagem verbal – o idioma – é algo mágico.

 

O que é magia/feitiço?

As palavras “feitiço”, “ficção”, “arte”, “técnica” e “poema” têm origem grega ou latina e, em resumo, todas elas significam “fabricar”; isto é, algo feito pelo homem, algo que não é encontrado na natureza ou algo que o homem faz para imitar a natureza [artificial - arte]. Exemplos vão desde fazer fogo com pedras ou gravetos até tocar um instrumento musical. Tudo o que os homens criaram e fazem é arte, técnica, fabricação, feitiço.

Então, o que era um feiticeiro? Alguém que dominava alguma técnica, seja ela desenhar em cavernas, cantar, esculpir etc.

No antigo Egito, a escrita era exercida por poucos. Essas pessoas eram consideradas sábias, feiticeiras, detentoras de uma arte oculta; isto é, de uma técnica dominada por poucos. Logo, a escrita era atribuída aos deuses e quem dominava essa arte era um místico, um mago, um sacerdote, alguém em contato direto com a divindade.

A expressão inglesa: “To put a spell” significa “Colocar um feitiço”, “lançar um encantamento”. Mas o vocábulo “spell” pode significar tanto “feitiço” como “palavra”, e também o verbo “soletrar”. Então, ao pé da letra, “To put a spell” é “colocar ou lançar uma palavra”.

Portanto, a palavra – a língua – é considerada algo “mágico” ou um “feitiço”. Mas é claro que quando falo em “magia” e “feitiço” não me refiro a algo sobrenatural. Eu me refiro ao significado original da palavra “feitiço”; ou seja, qualquer coisa feita pelo homem. A linguagem verbal e a escrita, por exemplo, são invenções humanas. Deste modo, todos os homens e mulheres são “feiticeiros”.

 

E voltando à pergunta original...

Por que nos truques de mágica a palavra usada é abracadabra?

 

Em resumo, porque a letra inicial e as consoantes dominantes de cada sílaba seguem a ordem alfabética: Abracadabra.

Mas a razão principal é o seu som, que começa e termina da mesma forma: Abracadabra.

Portanto, abracadabra é uma palavra simbolicamente “mágica” porque ela invoca o próprio conceito de palavra, de alfabeto; e também por causa de seu som peculiar: o início dela rima com o fim dela mesma. E o fato de a única vogal constante ser “A” também provoca um efeito sonoro. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Neologizando



Venho hoje expor da forma mais claricrítica possível um assunto que julgo da maior relevanseriedade.

Vejam só uma ideia titiquizada pelos meios de fanfarração capaz de faniquitizar até os sujeitos mais filoipodianos da nossa sociedade internetual. Dizem as propagandagens que a geringonçologia reduziu a distanciometria entre as pessoas, quando na factualidade eu observo o oposto. E tenho por mim que muitos hão de concordar.

A geringonçologia distanciometrizou as interludicâncias que antirrecentemente presenciávamos, por exemplo, na família. Sei que corro o risco de soar nostalgidonho para alguns, mas a comalmoçonicação que antes havia em torno das mesas ficou cada vez mais rara. Hoje o cidadão selfservi-se para comer isolado no quarto, na telecompanhia dos audiovisuais. Concluí disso que a conexão geringocêntrica reduziu o contato humano.

Por outro lado, a bugigangodância dos dias atuais está constantemente invadizoando a nossa privacidade. Todos nós estamos expostos ao paparazismo do clique alheio. Esta é a logiquência do poder do celular nas mãos de uma sociedade nem um pouco fofocofóbica. Qualquer um, em qualquer lugar, pode ter sua vida xeretalhada por voyeuripócritas a qualquer hora.

Mas para mim, toda essa parinfernália só confirma a mixuriqueza de nossa economia tutuísta, baseada no acúmulo e status (por mais clichetitivo que isso soe). Venderam-nos a ideia de plugabilidade, mas o que recebemos foram apenas bugigangodíces que tornaram nosso modo de vida cada vez mais colonlinealista.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A espada e a pena


A espada e a pena, símbolos antigos do verbo. Representam a dureza e a suavidade da palavra, oral ou escrita.
















Sendo que a espada é um símbolo muito mais antigo, bíblico, enquanto a pena representaria os escritores liberais do séc. XVIII e os românticos no séc. XIX.

Estes símbolos também podem formar uma oposição entre eles, como na célebre frase "A caneta é mais poderosa que a espada", um pensamento dito e repetido ao longo da história. 

A sentença Calamus gladio fortior (Latim: A caneta é mais poderosa que a espada ) é mote da Universidade Keio em Toquio, Japão.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

"Escrever é meu engenho"



Escrever é meu engenho.
As palavras são meu rebanho, minha colheita e minha religião.
Elas são o moinho, a foice, o martelo e a espada dos meus pensamentos.
O verbo é a medicina que exorciza meus medos e moléstias.
É meu julgamento e absolvição de mim mesmo e do mundo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Citações sobre língua e literatura

“As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo”. 
(Ludwig Wittgenstein)

“A estrutura da língua que uma pessoa fala influencia a maneira como esta pessoa percebe o universo”.
(Lev Vygotsky)

“Uma palavra que não representa uma ideia é uma coisa morta, da mesma forma que uma ideia não incorporada em palavras não passa de uma sombra”.
(Lev Vygotsky)

“A linguagem é inseparável do homem, segue-o em todos os seus atos”.
(Louis Hjelmslev)

“A pessoa que não lê não tem vantagem sobre a pessoa que não sabe ler”.
(Mark Twain)

“A palavra distingue os homens e os animais; a linguagem distingue as nações entre si. Não se sabe de onde é um homem antes que ele tenha falado”.
(Jean-Jacques Rousseau)

“Minha pátria é a língua portuguesa”. 
(Fernando Pessoa)

“Manejar sabiamente uma língua é praticar uma espécie de feitiçaria evocatória”.
(Charles Baudelaire)

“A palavra é o meu domínio sobre o mundo”.
(Clarice Lispector)

"A palavra é o instrumento irresistível da conquista da liberdade".
(Rui Barbosa)

"A literatura é um assunto sério para um país, pois é, afinal de contas, o seu rosto".
(Louis Aragon)

"O declínio da literatura indica o declínio de uma nação".
(Johann Wolfgang von Goethe)

“Um país se faz com homens e livros”.
(Monteiro Lobato)

"A literatura que continua empregando linguística e modos formais de expressão novos para traçar um panorama da sociedade como um todo enquanto ao mesmo tempo a expõe, rasgando as máscaras de sua face - para mim seria esta merecedora de um prêmio".
(Elfriede Jelinek)

"A literatura antecipa sempre a vida. Não a copia, amolda-a aos seus desígnios".
(Oscar Wilde)

“O artista precede o psicanalista”.
(Jacques Lacan)

"A tarefa da literatura é ajudar o homem a compreender-se a si mesmo”.
(Máximo Gorky)