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quarta-feira, 4 de maio de 2022

Real versus virtual

A vida real é muito mais do que um Big Brother ou qualquer outro reality show. Até porque, todo reality show não é real, tem muita coisa combinada nos bastidores.

A escola é muito mais do que um jogo de passar de fases: vai do 1º ao 9º ano. E cada fase dura realmente um ano!

O professor é muito mais do que um youtuber. O youtuber edita seus vídeos, corta os erros e repete quantas vezes forem necessárias até acertar. O professor não pode errar, porque ele está ao vivo. E quando erra, ele tem que se corrigir ao vivo mesmo!

Além disso, o professor tem um documento muito valioso chamado DIPLOMA. Esse papel é uma garantia de que esse profissional tem conhecimento sobre o que ensina.

Não há maior prazer para a mente do que ler, estudar e aprender coisas novas! A educação é o maior investimento que alguém pode fazer na vida e o conhecimento é a única coisa que ninguém pode roubar de você.

terça-feira, 30 de março de 2021

Desafios da alfabetização e letramento hoje

O principal desafio no processo de consolidação da alfabetização e letramento hoje é, provavelmente, a falta do hábito de leitura. Essa prática deveria vir de casa e fortalecida na escola, mas a sociedade, ao que parece, está cada vez mais longe desse ideal, apesar de todas as facilidades de acesso à leitura que existem atualmente. 

A leitura de jornais, por exemplo, sejam em formato impresso ou digital, é uma prática saudável e desejável. Porém, isso está apagado no cotidiano de muitas pessoas. E o consumo de revistas também. 

E o que dizer do amor pela literatura? Este se restringe a um público muito pequeno no Brasil. 

As crianças imitam os hábitos dos pais e os jovens são reflexos da sociedade. Em uma sociedade que pouco ou quase nada lê, jamais teremos o ideal de alfabetização e letramento. 

As habilidades e competências linguísticas necessárias para o pleno desenvolvimento cognitivo e formação cidadã só são alcançadas em longo prazo, por meio de muita prática de leitura e escrita. Do mesmo modo que só se aprende um idioma estrangeiro conversando e só se aprende um instrumento musical tocando, a alfabetização e o letramento requerem leitura e redação. Ninguém aprende inglês, violão, piano, interpretação de texto e redação apenas frequentando aulas. A prática em casa, o estudo solitário, os exercícios diários e a repetição se fazem primordiais em qualquer aprendizado. Aprender qualquer coisa leva tempo. Requer prática, paciência, dedicação e disciplina. 

Portanto, é preciso gostar, para querer aprender e, consequentemente, se dedicar de coração. Isso é o que falta nos dias de hoje, não só nos alunos, mas em grande parte da sociedade. Esse é o principal desafio docente. Ou seja, transformar toda uma cultura nacional de apatia e desinteresse em uma cultura de autêntica paixão pelo estudo e pela leitura.

Contudo, esse desafio é grande demais para os professores. A escola sozinha não é capaz de transformar a cultura de um povo sem o apoio de pais de alunos, meios de comunicação e governos. Para que uma sociedade cada vez mais visual e menos letrada se transforme em uma sociedade que lê, pensa, analisa e se comunica, toda essa sociedade tem que se envolver no processo de educação. 

Renan

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Como fazer citação/referência

Esta postagem é um alerta que faço a partir do que tenho observado ao corrigir vários trabalhos acadêmicos.

Um dos erros mais comuns é copiar textos de terceiros, o que configura plágio. Além de ser crime, o plágio é justificativa para anulação da nota. Falando mais claramente, plágio comprovado é nota zero no trabalho. E, infelizmente, o plágio se tornou cada vez mais comum com a popularização da internet. Contudo, para nós professores, o plágio ficou mais fácil de ser descoberto nos tempos atuais, graças também à internet e a alguns aplicativos que identificam e comprovam o plágio.

Alguns trabalhos que corrijo trazem apenas textos de terceiros e, ao final, uma lista de livros e sites. Isso não é fazer referência, isso é cópia. Copiar textos de terceiros e listar as fontes ao final do trabalho não é fazer um trabalho acadêmico.

Importante: O trabalho acadêmico deve ser uma redação de autoria da pessoa que assina o trabalho, não uma cópia de outros textos. Você pode, eventualmente e de acordo com a necessidade, usar textos de terceiros, mas sempre e unicamente em forma de citação.


O que é citar?

É quando, ao escrever o seu texto, você usa a fala de outro autor no meio da sua fala, em razão da necessidade que você tem de mencionar uma informação técnica que foge da sua alçada. Então, você precisa de um especialista como fonte para validar seu argumento. 

Ao usar a fala de outro autor, você sempre deve mencionar o nome dele, o ano da publicação e página, isso logo após a fala desse autor.


O que é citação direta?

É usar a fala de outro autor, sem alterar qualquer palavra dele. Ao fazer isso, mencione esse autor para não configurar plágio.

Mas a fala de outro autor não pode vir misturada ao seu texto, dando a entender que é sua fala. Essa fala deve vir separada, destacada, para que na leitura não se confunda o texto que é de sua autoria com o texto que você usa como referência. 

 Observe abaixo as formas 1 e 2 de como separar/ destacar a fala de outro autor em seu texto.


1- Se a fala dele tem até quatro linhas, ela deve vir entre aspas. O nome do autor, o ano da publicação e página devem vir entre parênteses logo após fechar aspas.


Exemplo:

Bagno afirma que “temos de fazer um grande esforço para não incorrer no erro milenar dos gramáticos tradicionalistas de estudar a língua como uma coisa morta, sem levar em consideração as pessoas vivas que a falam” (BAGNO, 1999, p. 9). Em outras palavras, devemos considerar que a língua é um organismo vivo, mutante, variável.


Obs: Repare que a última frase do texto acima não é de Bagno, mas um argumento que o autor faz a partir da citação de Bagno. As aspas separam o texto de Bagno da redação do autor desse trabalho.



2- Se a fala dele tem mais de quatro linhas, ela deve vir escrita em tamanho menor [10] e recuada à direita. O nome do autor, o ano da publicação e página devem vir entre parênteses logo ao fim da citação.


Exemplo:

Além disso, os PCNs destacam a contextualização das atividades escolares. Em outras palavras, elas devem simular situações reais do cotidiano do aluno a fim de prepará-lo para a comunicação em qualquer conjuntura de sua vida, seja como indivíduo ou como membro da sociedade. Sendo assim: 

Cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral no planejamento e realização de apresentações públicas: realização de entrevistas, debates, seminários, apresentações teatrais etc. Trata-se de propor situações didáticas nas quais essas atividades façam sentido de fato. (BRASIL, 1998, p. 25)


Obs: Repare que o primeiro parágrafo é do autor desse trabalho [escrito em tamanho 12, padrão acadêmico] e a citação está destacada do texto dele [em tamanho 10 e recuada à direita].


O que é citação indireta?

É usar a ideia de outro autor, porém, com suas próprias palavras. Isso se faz às vezes porque você não tem em mãos o livro [referência] no momento em que você está redigindo. 

Ao fazer citação indireta, mencione o nome do autor e/ou a obra de origem, indicando que aquele pensamento é de propriedade intelectual de terceiro, para não configurar plágio.


Exemplo:

De acordo com Marcos Bagno em seu livro "Preconceito Linguístico", nós temos de fazer um grande esforço para não cair no erro dos gramáticos tradicionais que estudam a língua como uma coisa morta, sem levar em consideração os falantes.


Obs: Compare agora os exemplos acima de citação direta e citação indireta.



O que são referências (bibliográficas)?

São as fontes de pesquisa. Elas compõem o seu embasamento teórico. 

Elas devem vir listadas em ordem alfabética ao final de cada trabalho acadêmico. As referências bibliográficas referem-se a livros [biblos]. Por isso, ao usar sites da internet, faz mais sentido chamar apenas de "Referências".


Exemplo:

Bibliografia

ANJOS, Augusto dos. Poesias de Augusto dos Anjos – Eu e Outras Poesias. 14 ed. São Paulo: Editora Letras & Letras, 2003.

BAGNO, Marcos. Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. 47 ed. São Paulo: Edições Loyola, 1999. 

CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 13 ed. São Paulo: Editora Ática, 2003.



ÚLTIMO SOBRENOME, nome. Título da obra em negrito: subtítulo se houver. nº da edição. Local de Publicação: Editora, ano.


É pelo sobrenome do autor e ano de publicação que o leitor identifica o livro de onde foi tirada uma citação. Quando vejo BAGNO e o ano 1999 após uma citação, sei que essa citação foi tirada do livro Preconceito Linguístico, listado nas referências bibliográficas ao final do trabalho.

Obs: Se o livro consultado é uma versão traduzida, o nome do tradutor é tão importante quanto o nome do autor, por isso o tradutor deve constar na referência com a abreviação Trad.


Exemplo: 

BARTHES, Roland. O Grau Zero da Escrita. Trad. Mario Laranjeira. São Paulo: Martins Fontes, 2000.




É claro que as explicações que faço aqui são um resumo de normas gerais. Há muito a ser dito sobre esse assunto. Por isso recomendo que, ao fazer um trabalho acadêmico, consulte um manual de normas técnicas.

Com este resumo eu quero deixar aqui o alerta, chamando atenção para a importância desse assunto.

Dica: Sempre prefira os livros a sites. A leitura de livros é imprescindível a qualquer um, especialmente na formação acadêmica.


Vídeo com dicas importantes de formatação acadêmica:



sexta-feira, 12 de junho de 2020

Inteligência = beleza


Esta postagem de hoje é uma homenagem a todas as mulheres. Contrariando a crença popular de que mulher bonita não é inteligente, eis aqui alguns exemplos famosos e atuais de mulheres brasileiras lindas e muito inteligentes!

Maria Beltrão

Ana Flor

Andréia Sadi

Maju

Natuza Nery

Aline Midlej

Julia Duailibi

Beleza é algo que toda mulher tem, sem exceção, cada uma a seu modo. A beleza feminina é individual, cada uma tem a sua beleza e o seu jeito de ser bela. Isto não está associado a moda ou idade. Toda mulher é naturalmente bela!

Porém, a inteligência é algo que se conquista com muito estudo, muita leitura e sacrifício. Inteligência vem da dedicação, do empenho, do esforço, do comprometimento consigo mesma! Inteligência é uma virtude a ser almejada e aplaudida.

Faço votos de que todas as mulheres se mirem em bons exemplos e rompam com os preconceitos e paradigmas do passado e do presente. E que sejam cada vez mais bem sucedidas profissionalmente, em qualquer carreira; e consequentemente, independentes financeiramente. E brilhem, iluminem o mundo com sua luz própria!


Padrões se rompem,
A moda é passageira.
Charme é inteligência,
Inteligência é a verdadeira beleza.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Níveis de Verossimilhança


Do mais verídico ao mais ficcional.

Biografia – tenta retratar a vida de uma personalidade do modo mais fiel possível. Entretanto, nenhum texto ou discurso está livre de parcialidade.

Baseado em fatos reais – é muito fiel, mas usa a criatividade literária para preencher lacunas no enredo.

A mescla de literatura e História – usa local, tempo e personagens históricos, mas o enredo não é verídico, podendo conter alguns fatos verídicos.

Literatura (no sentido estrito) – usa apenas local e tempo, ou nem isso, também pode criar outros mundos. As personagens e situações são criadas, porém, em qualquer situação, representam muito bem a vida.

Lenda – traz um pouco de ficção e aspectos sobrenaturais a uma história biográfica que tem cara de realidade se desconsiderarmos o sobrenatural.

Mito, fantasia, fantástico e maravilhoso – é o mais criativo no enredo, que é totalmente ficcional, porém, representa, simbolicamente, aspectos profundos da vida real.


Obs: sempre que se fala em gêneros literários, devemos lembrar que eles são infinitos. Podemos tentar classificar e rotular, mas enquanto fazemos isso, novos gêneros são criados. Algumas obras misturam dois ou mais gêneros, portanto, não há limites para o número de gêneros que podem existir. Ou há: o limite é a criatividade dos escritores.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Letras: descrição do curso e disciplinas

Áreas da Linguística

Sociolinguística = ciência multidisciplinar que explica as diferentes formas de falar, contemplando a língua viva e denunciando o estigma que alguns dialetos sofrem por razões socioculturais, políticas e econômicas.

Análise do Discurso = investigação crítica das ideologias e intenções ocultas em qualquer texto, oral ou escrito.

Semiótica = ciência de todos os signos linguísticos (verbais e não-verbais) e análise de seus códigos e possíveis significados.

Pragmática = estudo das condições para haver comunicação e dos usos da língua no cotidiano.

Estilística = estudo das figuras de linguagem e do conceito de estilo, aplicando-o à análise de casos.

Semântica = estudo da construção de significados: denotativo, conotativo, pejorativo, entre outras coisas.

Linguística Textual = análise de gênero textual, estrutura e linguagem.

Linguística Histórica = exame sobre a transformação da língua ao longo do tempo: vocabulário, sintaxe, escrita etc.

Filologia = ciência que envolve práticas da Literatura Comparada e da Linguística Histórica, vislumbrando aspectos socioculturais e linguísticos entre textos e sociedades diferentes.

Teoria da Tradução = filosofia da interpretação e adaptação de textos para uma mesma língua (intralingual), outra língua (interlingual) ou outro sistema de signos (intersemiótica).


Gêneros literários

Lírico (poético) = textos recitados ou cantados.

Poesia visual = poesia concreta e poesia visual. 

Narrativo = mito, lenda, epopeia, saga, gesta, novela, romance, conto, crônica, fábula, charge, romance visual (HQ), entre outros.

Texto teatral = elementos textuais e extratextuais da dramaturgia.

Roteiro de produção audiovisual = elementos textuais e extratextuais de produções cinematográficas e televisivas.


Épocas e estilos:
Medieval, humanista, classicista-renascentista, barroco, neoclássico, romântico, gótico, realista, simbolista, parnasiano, modernista, surrealista, concretista, visual, marginal, contemporâneo/pós-moderno, infanto-juvenil.


Teoria Literária

Teorias do texto = determina a melhor forma de compreender e analisar um texto com base em teorias como do Estruturalismo, Formalismo Russo, New Criticism, Fenomenologia, Escola de Frankfurt etc.

Retórica = estuda a arte de argumentar e suas aplicações em um texto, bem como as figuras de construção de um texto poético.

Literatura, Política e Sociedade = averigua as relações sociológicas e dialéticas entre textos, ideias e pessoas; considerando no contexto histórico o impacto de textos e ideias sobre pessoas e vice-versa.

Mitologia e Narratologia = estuda o ciclo de temas e personagens recorrentes na literatura desde os primórdios da humanidade, desvendando os significados de textos herméticos, seus símbolos e arquétipos; com a ajuda de teorias antropológicas e psicológicas.

Literatura e Psicanálise = investiga as relações entre consciente, inconsciente e produção textual.


Gramática

Fonética = estudo dos sons produzidos pelo aparelho fonador humano.

Fonologia = estudo dos sons próprios de uma língua.

Sintaxe = estudo das estruturas de frases, orações e períodos e da função desempenhada por cada termo de uma sentença. É a anatomia de uma língua.

Morfologia = estudo da formação de palavras: radical, sufixo, prefixo, flexão, neologismo etc.


Disciplinas de Licenciatura

Didática, Psicologia da Educação, Sociologia da Educação, Filosofia da Educação etc.



A duração do curso é de 4 anos.

Atuação profissional: professor, tradutor, intérprete, revisor de texto, redator, editor, pesquisador, escritor, palestrante, consultor de empresas, autor de material didático, autor literário, dramaturgo, colunista, crítico literário.

* Língua estrangeira costuma ser ofertada em algumas faculdades.






No livro/filme "O código Da Vinci" o professor Robert Langdon é um especialista em desvendar símbolos de sociedades secretas.











A interpretação de sonhos e análise de símbolos do inconsciente são temas da Psicanálise (S. Freud) e da Psicologia Analítica (Carl G. Jung).













O professor, tradutor e linguísta Marcos Bagno, autor de "Preconceito linguístico" prova que "Nada na língua é por acaso" nesta obra que trata dos diferentes falares do povo brasileiro.











Técnicas de argumentação e a criação de redações críticas são os temas destas duas obras.









 
Matéria publicada em VAGAS.COM.BR, 16 de abril de 2015, sobre a alta do mercado de trabalho para profissionais de Letras e suas diversas áreas de atuação:
http://www.vagas.com.br/profissoes/carreiras/letras/letras-mercado-de-trabalho-impulsionado/

sexta-feira, 16 de março de 2012

O que é dialética?

Dialética: sua importância no aprendizado da produção de textos.


Dialética

A produção de texto e a Filosofia são, em essência, a mesma coisa. Ambas lidam com a organização lógica do pensamento. Quando escrevemos estamos analisando o mundo, refletindo sobre nós mesmos, organizando ideias e produzindo conhecimento. Portanto, aprender a escrever bem é aprender a pensar bem. Ou ainda, podemos afirmar o inverso: o pensamento bem organizado produz textos igualmente organizados. Mas como organizar o pensamento? Uma das maneiras de organizá-lo é fazer uso da dialética.

A dialética é um processo que se resume na fórmula: tese, antítese e síntese; porém, sem esquecer que a síntese se torna uma nova tese e esta gerará uma nova antítese. Consequentemente, a dialética é um ciclo infinito de mutações.

Podemos observar a dialética da natureza: a passagem dos dias, a mudança das estações, a transformação de tudo o que nos cerca. Exemplo: a lagarta (tese), o casulo (antítese) e a borboleta (síntese). Ou seja, toda a natureza funciona em ciclos: o ontem, o hoje e o amanhã. Também é assim com a perpetuação de uma espécie no transcorrer de gerações: a vida (o crescer), a morte (o envelhecer) e o renascimento (o fruto, o filho) – tese, antítese e síntese. Não se pode falar em “evolução” sem falar em dialética.

Além disso, podemos verificar a dialética no curso da história de toda a humanidade. A política, as ciências, a filosofia, as artes, a comunicação, tudo se transforma dialeticamente. Isto é, a partir da contradição de ideias (tese e antítese), nasce uma nova ideia (síntese) que será novamente uma tese a ser questionada e reformulada. Assim, a cada nova geração de pensadores, percebemos transformações no saber científico, na moral, na tecnologia etc.

Até mesmo na vida particular a dialética se faz presente. Durante nossa estadia terrena, todos nós passamos por momentos e situações de conforto (tese), conflitos ou adversidades (antítese) e a superação do problema (síntese).

Enxergar o mundo de forma dialética e produzir conhecimento de forma dialética é um desafio para quem pretende produzir bons textos. Aprender a pensar dialeticamente é um exercício para toda a vida, já que a própria dialética se supõe como um exercício constante. Ora, se a organização de ideias é um exercício essencialmente dialético, logo, aprender a organizar ideias num texto é também um exercício constante.



1- Heráclito de Éfeso, pai da dialética ocidental;
2- O racionalismo de Platão versus o empirismo de Aristóteles;
3- Yin Yang - a dialética oriental;
4- Hegel (idealismo dialético);
5- Marx (materialismo dialético).

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O que é crítica literária?

A arte não é apenas entretenimento. Ela também provoca reflexão e transformação. No caso da literatura, esta ainda proporciona a aquisição de um repertório lingüístico mais complexo, sem o qual não é possível haver conhecimento, uma vez que todo o conhecimento humano passa pela linguagem; ou como proferiu Wittgenstein: “As fronteiras da minha linguagem são as fronteiras do meu universo”.

A ruptura promovida pelo Modernismo e a chegada e estabelecimento da Pós-Modernidade são argumentos de sobra para a ruína de uma visão romântica e conservadora sobre o que é literatura.

Em todos os suportes e mídias, em todos os gêneros; sejam eles orais, escritos ou audiovisual; a linguagem é usada de forma artística, logo, é objeto necessário dos estudos literários. Assim, ao estudar a Literatura hoje, devemos abraçar toda e qualquer forma de expressão verbal artística e intelectual. Isto abrange desde as formas mais ancestrais (epopeia, novela, romance, conto, crônica, ensaio, epístola, manifesto, poesia lírica, letra de música, poesia concreta, teatro, ópera...) até as novas modalidades (roteiro de cinema, teledramaturgia, cartum, charge, gibi, quadrinhos, spot de rádio, outdoor, slogan, peças publicitárias para a TV, propaganda em geral, stand up comedy, blog,  fanfic etc).

Todos os gêneros textuais e todos os suportes de comunicação e expressão devem ser contemplados pelo estudo literário e assim devem ser objeto de reflexão do profissional graduado em Letras, sobretudo aqueles com especialização em Literatura.

Esse profissional é o crítico literário, ou seja, um crítico de arte especializado na arte da linguagem. Ele analisa o argumento (enredo), o contexto, o discurso, as ideologias, as ferramentas retóricas utilizadas, o efeito proposto, o efeito obtido, a importância política, a forma, o conteúdo; o valor sócio-cultural, filosófico, pedagógico, histórico, além do valor estético.

O crítico literário é, portanto, um filósofo da arte verbal. No estudo de Literatura e Teoria da Literatura, o graduando em Letras deve obter as ferramentas para compreender a arte literária, sua importância e função, tanto nos suportes tradicionais (livro, teatro, folhetim, música...) quanto nos mais atuais (rádio, cinema, revista, TV, internet).

O crítico literário é um guardião da história, um defensor de tradições, um curador do folclore, ou seja, um estudioso da cultura que define a identidade nacional de um povo. Mas ele também é um pensador, um formador de opinião, um crítico das ideologias, consequentemente, sua função essencial é pesquisar, produzir e inovar.

Sem a arte não há espírito humano. A arte é a expressão máxima de técnica aliada a sentimento, racionalidade aliada a experiência, idealismo aliado a empirismo, tradição aliada a ruptura. A arte define e revela quem somos, que mitos cultivamos, em que ideais estéticos nos espelhamos, quais sentimentos escondemos e quais repudiamos. Como disse Lacan: “o artista precede o psicanalista”.

Logo, o crítico literário é também um leitor e intérprete das metáforas e alegorias da vida; um contemplador dos mitos, lendas, símbolos, arquétipos e investigador de seus significados; um observador atento da sociedade e um estudante da psique humana.