Mostrando postagens com marcador pré-história. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pré-história. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Mix cultural: nossa herança

Culturas que formaram o Brasil
Indígena nativa [tupi, guarani e outras]
Portuguesa ³
Africana [bantu]
Italiana
Alemã
Pomerana
Sírio-libanesa [cultura árabe]
Japonesa
Judaica
Americana [EUA após a Segunda Guerra Mundial]

³ Povos que formaram a cultura de Portugal
Celtas [originários da região]
Fenícios
Romanos ¹
Mouros [cultura árabe] ²
Judeus
Franceses, espanhóis e ingleses

² Culturas influentes na cultura árabe
Indiana
Chinesa

¹ Povos com culturas influentes na formação do Império Romano
Etruscos
Gregos*
Egípcios

* Culturas que influenciaram a Grécia Antiga
Fenícios
Egípcios
Persas

Cultura é o modo de viver de um povo. Isso inclui suas tradições orais [mitos], religião, música, literatura [poesia, narrativa e teatro], arquitetura, pintura, escultura, culinária etc.

Vendo esse resumo que remonta até a História Antiga é possível perceber como a cultura brasileira é mais do que um mix entre indígenas, portugueses e africanos. 

Os portugueses nos legaram a cultura greco-romana, a cultura judaico-cristã e a cultura moura.

Os árabes e os mouros levaram a cultura da Índia e da China à Europa e isso veio até nós pelos europeus.

E a cultura greco-romana bebeu num mix de culturas orientais e africanas.

Enfim, por esse ponto de vista, o povo brasileiro está ligado a todos esses povos e culturas. E a muitos outros, pois isto aqui é apenas um resumo. 

A nossa identidade cultural não conhece fronteiras. E o mesmo vale para os povos que nos formaram. Nossa nacionalidade até pode ser definida por um mísero papel: certidão de nascimento, RG ou passaporte. Mas as nossas raízes culturais são muito mais profundas e cosmopolitas. Nosso inconsciente coletivo está povoado pelo imaginário de milhares de anos de trocas culturais entre esses povos e suas realizações artísticas.

Portanto, não pregue ideias pequenas e preconceituosas, como nacionalismo e xenofobismo. Somos maiores do que isso! Não imponha limites a seu gosto artístico baseando-se em um território, um povo, uma língua, uma cultura, uma época... O Brasil não tem apenas 523 anos. Temos milênios de história em nossa formação, em nossa cultura, em nossa mente, sangue e DNA.

Durante milhares de anos o nosso habitat natural foi a savana africana. Por isso, até hoje, gostamos de um jardim com grama bem aparada, arbustos baixos e árvores bem espaçadas. É como nos sentimos seguros, tendo um campo de visão aberto. Durante milhares de anos fomos nômades, até inventarmos a agricultura e posteriormente as cidades, muito recentemente em termos históricos. A aventura do descobrimento está há muito mais tempo enraizada em nossa espécie do que o atual sedentarismo monótono.

Aprenda novas línguas, novos ritmos, novas formas de pensar e de viver. Amplie seus horizontes! Enriqueça seu vocabulário, seu gosto musical... Experimente novos sabores, na mesa e nas artes. Leia muito! Viaje pelo mundo através de livros, canções e pratos! Volte aos nossos antepassados. Conheça suas raízes históricas! Crie novas sinapses, pois elas serão úteis durante toda a sua vida.

A vida pode ser rica, feliz e longa para aqueles que se abrem ao prazer de agregar conhecimento! Ou a vida pode ser pobre, chata e curta para aqueles que se limitam a minúsculos espaços repetitivos em suas mentes e em seus hábitos diários.

Vale muito mais a pena 1 ano de experiências que engrandeçam a alma, do que 100 anos dormindo no escuro.

Acorde para a vida!





sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A necessidade inata da Arte


Antes mesmo de o homem pensar em construir habitações, ele já pintava.


Pintura em caverna.

A Arte, como expressão do eu, precede o nascimento da matemática, engenharia, arquitetura, medicina, agricultura, pecuária, filosofia, das leis e até mesmo da moral.

A Arte foi para o homem pré-histórico o primeiro passo para o rompimento de sua relação natural com o meio (eu = natureza). Nasceu assim uma nova concepção de mundo: uma relação eu-tu (eu ≠ natureza).

O homem humanizou a natureza (e a si mesmo) por meio da Arte.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Domesticado

I

Acordei ainda com o gosto de carne na boca.
Não dormi sem escovar os dentes,
nem havia comido carne na noite passada.

Sonhei que era um robusto bárbaro.
Acabara de matar meu almoço: um pequeno cervo.
Estava retirando a pele do animal, meu corpo empapado de sangue,
quando prestes a dar a primeira mordida na deliciosa carne,
Despertei.

Não era exatamente eu naquele sonho.
Não teria talvez a coragem para matar um animal tão gracioso,
protegido por leis e ainda homenageado com um desenho da Disney.

Mas vi a cena como se estivesse lá
na mente daquela bárbaro faminto.
Ainda posso recordar as histórias dos anciões
contadas sempre no fim da tarde para um auditório de meninos silvícolas.
Por alguma razão
aquelas histórias estavam fossilizadas naquela mente primitiva.



II

À tarde, chequei meus e-mails. A maioria era spam.
Num deles uma propaganda aludia a desenhos rupestres.
Já havia visto alguns desses.... (talvez feitos pelo meu avatar do sonho)
...em cavernas que para mim só existiam em livros de Arte.

A propaganda lembrou-me do mundo que eu visitara à noite.
Pensei comigo “aqueles bárbaros não mentiram”.
A vida lá era tão simples e imediata quanto aquelas gravuras nas cavernas.
Amanhecia, levantava. Anoitecia, dormia.
Caçava para viver, dividia a comida com velhos, mulheres e crianças.

Mas também havia terror.
Os homens resolviam suas diferenças com paus e pedras,
não era como hoje que há leis e processos.
A humilhação pública provou ser uma arma bem mais eficaz que o tacape.
Ferir a reputação de um homem pelo intermédio de terceiros é muito mais civilizado que aquela hostilidade cara a cara.

Despertei desse flashback e voltei meus olhos para o desenho pitoresco que alegrava o meu monitor.
Aquela propaganda piscava, brilhava, sem falar na complexidade daquele design.
Sem dúvida eu estava diante de uma arte muito apurada!
Uma obra-prima do século XXI.

Senti falta de uma arte mais vistosa naquela minha viagem fantástica. A cena retratada pelo homem primitivo parecia o rascunho de um storyboard. O traço (feito à mão) não era elegante e o tom pastel não era comparável à diversidade de cores dos desenhos atuais.

Estando por uma única vez na mente do homem primitivo, só o que pude entender é que aquele desenho para ele era mágico.

Lá, a figura não representava alguma coisa, mas era a própria coisa materializada.
O homem que a pintara não era um artista. Para os olhos da tribo ele era um feiticeiro.


III

À noitinha meus olhos perseguiam por vários canais de TV a cabo,
sem me fixar em nenhum deles, passei por um documentário sobre a savana.
Assim que vi uma cena de caça, a mente primitiva de meu avatar invadiu minha alma.
Entendia agora o que é lutar pela sobrevivência,
ter os olhos fixos na presa e mais nada na mente.
Medo? Só sentia fome.

Lembro-me do momento da caça, mas a hora mais gloriosa era o retorno.
A tribo toda cantava e dançava sob as estrelas
e as fagulhas da fogueira, como vaga-lumes, acompanhavam os passos da dança.
Nessa hora, a mente primitiva ficou confusa, como uma TV com chuviscos.
Nós não pensávamos mais, só sentíamos o som dos passos, os gritos e o êxtase vitorioso de mais um dia que se findava. Sentia as bênçãos de Deus sobre nós.

Naquele mundo não havia moléstia.
Quando o mal se apoderava de um corpo, o curandeiro da tribo aliviava a dor do moribundo. Mas não me lembro de ver algum homem morrer nas mãos daquele velho.
Aqueles que se recobravam da moléstia agradeciam a Deus com oferendas.
O curandeiro nada recebia, nem mesmo um obrigado.
Dizia-se que ele não era curandeiro e que ele mesmo se considerava um servo da tribo.
“Os homens estão nas mãos de Deus” – dizia o velho em linguagem rudimentar.

Aquele que atentamente acompanha com os olhos a minha narrativa pode se perguntar como eu vivi tudo isso em apenas uma noite.
É que o tempo dos sonhos é mais alongado que o tempo real.



IV

Fui preparar meu jantar.
Não me veio nenhum sentimento surreal,
Apenas a emoção de ver (pelo vidro)
o queijo derretendo lentamente.

Ademais,
a Pós-Modernidade não é mais que
lasanha de microondas.